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Cartas às sete Igrejas: tipologia da Igreja

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Jesus incumbiu o apóstolo João de enviar cartas ao anjo das sete Igrejas (Apocalipse 2.1-3.22) com observações que são pertinentes até os dias atuais. Nos capítulos 2 e 3, o Senhor deu mensagens especiais a cada uma dessas igrejas. Cada carta segue quase o mesmo modelo:

  1. Uma comunicação ao anjo que representava a igreja;
  2. Uma frase descrevendo Jesus;
  3. Um comentário das boas coisas feitas pela igreja;
  4. Uma repreensão pelas más coisas que Jesus observava;
  5. Encorajamento para corrigir o erro;
  6. Uma exortação a ouvir;
  7. Uma promessa àquelas que triunfassem.

A cada semana ministrei uma nova parte do livro de Apocalipse e os esboços estão detalhados neste site. Com base nestes estudos, vamos buscar de Deus as soluções para a nossa Igreja, no tempo atual.

1. Introdução

Cada uma das sete cartas que Jesus mandou que João escrevesse às Igrejas da Ásia. Estas cartas foram endereçadas ao “anjo da igreja”, ou seja, ao pastor e consequentemente ao povo da igreja naquela cidade. “Ao anjo da Igreja”, aqui se refere ao líder da Igreja, o seu pastor.
Os pastores são representados como anjos, porque são enviados de Deus, são seus mensageiros para comunicar o Corpo de Cristo, sua Igreja. “Ao anjo escreva.” Essa palavra escreva está ligada às Escrituras, pois quando Deus falar ao anjo da Igreja ou o pastor ele terá uma base sólida de verdade que é a Escrita, ou seja, as Sagradas Escrituras. “Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita”.
Estrelas no Apocalipse tem significado de Anjo e Anjo no Apocalipse tem significado de liderança como já dito, pastores e líderes. Mão direita ou destra, tem um significado de força e poder no Apocalipse, ou seja, Jesus está dizendo que ele tem em suas mãos a liderança da Igreja. Então ele exerce autoridade sobre a Igreja, ele cuida de sua Igreja porque tem ela em suas mãos sobre seu domínio e poder! (Ap 2.1).
“E anda entre os sete candelabros de Ouro.” Candelabro no Apocalipse ele tem como referência a Igreja, pois um Candelabro tem sete pontas para colocar velas e ao todo são sete Igrejas representando então que todas são um Corpo.
O verbo andar no grego é a palavra “peripatéo” (peripatético) que não quer dizer somente andar, e sim viver. Então, quando João diz que ele anda entre os Candelabros, afirma que ele não só anda, mas vive e conhece a sua Igreja em seu íntimo. Ouro neste texto quer representar a importância da Igreja para Cristo, pois o Ouro sempre foi de fato muito valioso. (Ap 2.1)

Modelo de todas as igrejas

Estas sete Igrejas, na providência de Deus, nos fornecem um modelo de todas as igrejas, de todas as épocas, e, portanto, são representativas.
As características daquelas igrejas, são, pois encontradas em sete fases distintas de toda história da igreja na Terra; desde o pentecostes até a volta de Cristo à Terra. Assim como para aquelas cidades, as cartas contem elogios e repreensões para estas épocas da igreja através dos séculos.
As sete igrejas também simbolizam sete tipos de Igrejas escatológicas encontradas nos últimos dias. O Senhor Jesus inicia, então, o seu exame sobre a igreja com a expressão: “Eu sei as tuas obras”. Jesus é onisciente, sabe e conhece tudo o que se passa, inclusive o que está em nosso interior (Jo 2.24,25). Neste exame, o Senhor Jesus começa falando a respeito das qualidades da igreja e de seu pastor. Cabe aqui uma breve explicação sobre o fato de o Senhor se dirigir ao anjo da igreja, ao pastor dela, e não à igreja diretamente.
Esta expressão do Senhor mostra, claramente, que, por ter sido ele quem deu o pastor à igreja, tem o pastor uma responsabilidade perante o Senhor com respeito ao rebanho que lhe foi confiado. Por isso, o apóstolo Pedro exorta os ministros a apascentar o rebanho do Senhor, tendo cuidado dele, não como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho (1Pe 5.2,3).
O ministério é uma demonstração de confiança que Jesus dá ao ministro, pondo-o à frente do rebanho, determinando que o ministro cuide deste rebanho, que continua pertencendo unicamente ao Senhor, a Deus. O ministro não passa de um “depositário”, ou mordomo, isto é, alguém que é incumbido de guardar, zelar e cuidar daqueles que foram comprados pelo precioso sangue de Jesus (1Pe 1.18).
Mas, precisamente por estar à frente do rebanho, é o pastor quem encaminha as ovelhas do Senhor para este ou aquele local. Pode o pastor guiar o povo do Senhor tanto para as pastagens verdejantes, quanto para os abismos e desertos.
Eis a razão pela qual a carta é endereçada ao anjo da igreja, pois é ele quem está a conduzir o povo. O que se fala dele, aplica-se a todo o rebanho, pois é ele o responsável pela condução e orientação dos servos do Senhor, pelas trilhas que estão sendo utilizadas pelo povo de Deus.
Mesmo assim, a salvação é individual. Tanto que o Senhor Jesus, no término de cada carta, faz promessas ao cristão: “ao que vencer”. Mas é inegável que a ação do ministro é importante para o delineamento da vida dos crentes em geral.
Afinal de contas, os ministros são postos para o aperfeiçoamento dos santos, para a edificação do corpo de Cristo em amor (Ef 4.11-16). E, sem dúvida alguma, um mau exercício ministerial representará um prejuízo considerável nesta indispensável tarefa. Os cristãos necessitam de um bom pastoreio para atingir a santificação.

2. SIGNIFICADO DO NOME, CARACTERÍSTICA e ÉPOCA NO TEMPO

    1. ÉFESO: Igreja autêntica, apostólica — de 30 a 100 d.C
    2. ESMIRNA: Mirra (latim) Igreja perseguida, atribulada — de 100 a 313 d.C
    3. PÉRGAMO: Cidadela (grego) Igreja mundana, estatal — de 313 a 590 d.C
    4. TIATIRA: Igreja papal, corrupta — de 590 a 1517 d.C
    5. SARDES: Igreja da Reforma, morta — de 1517 a 1730 d.C
    6. FILADELFIA: Amor fraternal (grego) Igreja missionária, evangelística fiel — de 1730 d.C. até o arrebatamento.
    7. LAODICÉIA: Que pertence a Laodice, mulher de Antíoco II –  Igreja morna, apóstata, de — 1900 d.C. até a segunda volta de Cristo.

3. EM CADA CARTA EXISTE UMA MENSAGEM CENTRAL

  1. ÉFESO: Deixaste o primeiro amor, arrepende-te.
  2. ESMIRNA: Tereis uma tribulação de dez dias, sê fiel até a morte.
  3. PÉRGAMO: Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, arrepende-te.
  4. TIATIRA: Toleras Jezabel.
  5. SARDES: Tens nome de que vives, e estás morto.
  6. FILADELFIA: Eis que diante de ti pus uma porta aberta.
  7. LAODICÉIA: Nem és frio, nem quente, estou a ponto de vomitar-te.

4. O que Cristo representa

Para cada igreja Jesus se revela com uma das características da visão de Cristo Glorificado, como sendo aquele que tem a resposta para a necessidade daquela igreja.
  1. Para a igreja ortodoxa e sempre esforçada em Éfeso, Cristo é aquele que tem as igrejas na sua mão direita, isto é, que lhe sustenta a obra.
  2. Para a igreja atribulada em Esmirna, na véspera de martírio, Jesus apresenta-se como aquele que experimentou a perseguição e mesmo tendo sido morto, venceu pela ressurreição.
  3. À igreja mundana em Pérgamo, Cristo glorificado é quem maneja a espada dividindo a igreja do mundo.
  4. Para a igreja corrupta, Tiatira, Cristo é Juiz com olhos como chamas de fogo.
  5. Para a igreja morta, Sardes, Jesus tem os sete Espíritos de Deus e pode ressuscitar os crentes da morte para a vida.
  6. À igreja missionária, Filadélfia, Cristo é quem quer abrir a porta para a evangelização.
  7. Para a igreja morna, Laodicéia, Cristo é a Fiel e Verdadeira Testemunha, tirando da igreja a máscara da satisfação em si mesma.

5. O conteúdo das cartas

5.1 ÉFESO

A CIDADE: A cidade de Éfeso era a principal cidade da província romana chamada Ásia, cuja área passava de 148 mil quilômetros quadrados. Nela estava situado o templo da deusa Diana, considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, e orgulho dos efésios. Também segundo uma lenda, a cidade era a guardiã da estátua de Júpiter que caíra do céu. “O escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo, disse: Senhores, efésios: quem, porventura, não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter? ” (At 19.35) O templo de Júpiter, no entanto, ficava de frente para a cidade de Listra. (At 14.13).
Era uma cidade envolvida em ocultismo e magia negra, porém ali o apóstolo Paulo fundou a igreja autêntica. O próprio apóstolo João escolheu Éfeso como centro de seu trabalho na Ásia. Maria, mãe de Jesus, como passara a morar com João após a crucificação de Jesus, viveu em Éfeso os últimos dias de sua vida. Atualmente a cidade (Éfeso) é só ruínas.
A IGREJA EM ÉFESO — (Tempo na história: 30 – 100 d.C.) — A Igreja autêntica.
Qualidades:
  1. Era autêntica e ensinava a doutrina verdadeira.
  2. Era uma igreja de muito trabalho e esforço.
  3. Tinha paciência e perseverança
  4. Pôs a prova os maus crentes.
  5. Sofreu, mas não se cansou.
  6. Não permitiu os maus na comunhão da igreja.
  7. Odiava as obras dos nicolaítas.
Os nicolaítas formavam uma seita fundada por Nicolau de Antioquia. Infiltrada na igreja de Éfeso e Pérgamo, esta seita procurava entrar em aliança com o paganismo. O objetivo era permitir que os cristãos participassem de algumas das atividades sociais e religiosas da sociedade. O termo “nicolaítas” pode ser uma forma helenizada de Balaão, sendo assim, as duas seitas citadas podem ser a mesma.
Defeito:
  1. Deixou o primeiro amor. — Cuidou da doutrina e da disciplina, mas esqueceu as primeiras obras.
Consequências:
  1. Virei em breve quando não esperas
  2. Tirarei do teu lugar o teu castiçal.
Conselhos:
  1. Lembra de onde caístes. Esta era a igreja dos apóstolos, que começou no dia do Pentecostes. Uma igreja que nasceu com milagres e avivamento, mas que com o passar do tempo, foi perdendo o seu poder e se tornou uma igreja ortodoxa e sem amor, que punia severamente aqueles que falhavam.
  2. Arrepende-te. Este mesmo conselho consta em outras cartas do Senhor às igrejas.
  3. Pratica as primeiras obras. Este aviso dado a igreja de Éfeso, tem sido um alerta para cada cristão zeloso, que procura andar com Deus. Sempre procurar retornar ao primeiro amor, retomar as primeiras obras e buscar o reavivamento antes que esfrie e se torne um crente sem vida.
Recompensa:
Ao vencedor, o acesso à árvore da vida, ao paraíso de Deus. A recompensa aguarda os vencedores que perseveram no amor e na verdade. Aqueles que desistem, abandonando para sempre o seu amor, não receberão o galardão. Jesus descreve a comunhão com Deus em termos que nos lembram do jardim do Éden. Por causa do pecado, o homem foi expulso do jardim em que Deus andava (Gn3.22-24,8). Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso do Senhor.

Leia um estudo ainda mais completo sobre: A igreja de Éfeso

5.2 ESMIRNA

Durante o período em que Paulo ficou em Éfeso, na sua terceira viagem evangelística, “todos os habitantes da Ásia” ouviram o evangelho de Jesus (Atos 19.10). Pedro incluiu os eleitos e forasteiros da Ásia entre os destinatários de sua primeira carta (1Pe 1.1).
É bem possível que a igreja em Esmirna, uma cidade situada aproximadamente 65 km ao norte de Éfeso, esteja incluída nestas citações. Mas, a primeira vez que ela é identificada por nome é nas citações no Apocalipse. Por isso, não temos informações específicas sobre esta igreja, além dos quatro versículos desta carta ao anjo da igreja em Esmirna. O pouco que sabemos é positivo. Esta carta elogia e encoraja, sem oferecer nenhuma crítica dos cristãos em Esmirna.
A cidade de Esmirna, hoje conhecida por Izmir, é a terceira maior cidade da Turquia e o segundo maior porto do país. Esmirna era uma cidade antiga, de uma região habitada durante milhares de anos antes de Cristo. A antiga cidade foi destruída pelos lídios em 600 a.C., e reconstruída pelos gregos no final do 4.º século a.C. A cidade ganhou nova vida, e foi descrita como uma cidade que morreu e tornou a viver. Durante o domínio romano, Esmirna se tornou um centro de idolatria oficial, conhecida como Guardião do templo (grego, neokoros).
Foi a primeira cidade da Ásia a construir um templo para a adoração da deusa de Roma (195 a.C.). Em 26 d.C., foi escolhida como local do templo ao imperador Tibério. Foram descobertas imagens, na praça principal da cidade, de Posêidon (deus grego do mar) e de Deméter (deusa grega da ceifa e da terra).
Na época do Novo Testamento, Esmirna tinha uma população de aproximadamente 100 mil habitantes. Por ser um porto excelente, facilitando o comércio entre a Ásia e a Europa, era uma cidade próspera.
A IGREJA EM ESMIRNA. (Tempo na história: 100 a 313 d.C.) — A Igreja perseguida. Mensagem:
  1. Eu sei as tuas obras.
  2. Sei das tuas tribulações.
  3. Conheço a tua pobreza, mas tu és rico.
  4. Não temas as coisas que hás de padecer.
  5. O diabo lançará alguns na prisão.
  6. Terás uma tribulação de dez dias.
  7. Sê fiel até a morte.
O período da Igreja de Esmirna foi o tempo dos mártires. Os cristãos eram perseguidos e mortos, jogados nas arenas de leões, crucificados ou queimados em fogueiras.

O DESTINO DOS APÓSTOLOS

Todos os apóstolos que andavam com Jesus morreram como mártires, com exceção de dois: Judas Iscariotes, que traiu Jesus e acabou se enforcando, e João, que após ser exilado na ilha de Patmos, obteve a liberdade e morreu de morte natural. Com os demais apóstolos ocorreu o seguinte:
  1. Paulo: Não era apóstolo oficialmente, foi considerado apóstolo dos gentios por causa da sua grande obra missionária nos países gentílicos. Foi decapitado em Roma por ordem de Nero.
  2. Matias: Ficou no lugar de Judas Iscariotes, foi martirizado na Etiópia.
  3. Simão: O zelote, foi crucificado.
  4. Tiago: (O mais Jovem). Pregou na Palestina e no Egito, sendo ali crucificado.
  5. Tiago: (O mais Velho). Pregou em Jerusalém e na Judéia. Foi decapitado por Herodes.
  6. Mateus: Morreu como mártir na Etiópia.
  7. Tomé: Pregou na Pérsia e na Índia, sendo martirizado perto de Madras no monte de São Tomé.
  8. Bartolomeu: Serviu como missionário na Armênia, sendo golpeado até a morte.
  9. Filipe: Pregou na Frígia e morreu como mártir em Hierápolis.
  10. André: Pregou na Grécia e Ásia Menor. Foi crucificado.
  11. Simão Pedro: Pregou entre os judeus chegando até a Babilônia, esteve em Roma, onde foi crucificado com a cabeça para baixo.
“Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará.” (2Tm 2.12)
Recompensa:
  1. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.” (Ap 2.11).
  2. De nenhum modo sofrerá dano da segunda morte: o castigo eterno (20.6,14; 21:8). Os perseguidores poderiam até causar a primeira morte, mas os fiéis não sofreriam a segunda morte (veja Mateus 10.28).

5.3 PÉRGAMO

A CIDADE: Pérgamo era a capital da Ásia até o final do século I. Ficava situada a beira de Caico. A cidade era famosa não somente pela biblioteca de duzentos mil volumes, mas também pelo magnífico templo ao deus 

esculapio

Esculápio (deus da sanidade — imagem ao lado), a quem se atribuía a cura de doentes e a ressurreição dos mortos. 
Era uma cidade entregue à adoração a vários ídolos gregos, com grande predominância na adoração a Baco (deus da diversão). Era marcada como um lugar de grande imoralidade, mais que qualquer outro lugar da região. 
Do nome da cidade vem o termo “pergaminho”. Outro fator relevante em Pérgamo é que ela era considerada como o lugar do trono de Satanás, segundo Jesus Cristo. O Senhor mandou dizer a igreja desta cidade: “…eu sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás.” 
A IGREJA EM PÉRGAMO: (Tempo na história: 313 a 590 d.C.) — A igreja do Estado e Mundana.
Qualidades:
  1. Sei as tuas obras.
  2. Retens o Meu Nome.
  3. Não negaste a minha fé.
  4. Antipas minha fiel testemunha foi morto entre vós.
Defeitos:
  1. Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão. A descrição desta doutrina refere-se à história do Velho Testamento (Números 22-25; 31.16). No final dos 40 anos de peregrinação, os israelitas chegaram perto da terra prometida. Acamparam nas campinas de Moabe, e os moabitas e midianitas ficaram amedrontados. Balaque chamou Balaão para amaldiçoar o povo, mas Deus frustrou todas as suas tentativas de falar contra os israelitas. Balaão desistiu de suas maldições, mas procurou outra maneira de vencer o povo de Israel. Deu o conselho de convidá-los a participarem de uma festa idólatra. Nesta festa, muitos israelitas se envolveram na idolatria e na imoralidade, e Deus mandou uma praga que matou 24.000 israelitas.
  2. Tens os que seguem a doutrina dos nicolaítas. Seita fundada por Nicolau de Antioquia. Estava infiltrada na igreja de Éfeso e Pérgamo. Seu objetivo era aliançar com o paganismo, a fim de permitir que os cristãos participassem em algumas das atividades sociais e religiosas da sociedade. O termo “nicolaítas” pode ser uma forma helenizada de Balaão, sendo assim, as duas seitas citadas podem ser a mesma.
Conselhos:
  1. Arrepende-te
Consequências:
  1. Virei contra ti e batalharei com espada da minha boca.
Recompensa
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa (pedrinha) escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” (Ap 2.17)
O maná escondido: Aqueles que recusassem qualquer participação na mesa dos demônios seriam sustentados pelo maná de Deus. Jesus é o maná dado pelo Pai (veja João 6:31-65). Ele sustenta os fiéis e lhes dá vida. A mensagem de Jesus continua oculta para os sábios deste mundo (veja 1Coríntios 2.610).
Uma pedrinha branca com um nome novo escrito: Um nome novo, sugeria uma nova direção na vida de uma pessoa abençoada por Deus (exemplos: Abrão > Abraão; Sarai > Sara; Jacó > Israel). Em Isaías 62.24, Desamparada e Desolada recebem nomes novos: Minha-Delícia e Desposada, mostrando a bênção de estar com Deus. Veja, também, Ap 3.12.
A pedrinha branca pode incluir vários significados, conforme os costumes da época. Pedras brancas foram usadas para indicar a inocência de pessoas acusadas de crimes; Jesus inocenta os seus seguidores fiéis. Pedras brancas foram dadas a escravos libertados para mostrar sua cidadania; os fiéis não são mais escravos do pecado, pois se tornaram cidadãos da pátria celestial (Filipenses 3.20). 
Eram usadas pelos romanos como um tipo de ingresso para alguns eventos; Jesus permite os fiéis a entrarem na presença dele para o seu banquete (veja 19.69). Também foram dadas aos vencedores de corridas e aos vitoriosos em batalha. Os fiéis são vencedores que receberão o prêmio (2 Timóteo 4.78).

Leia mais em O que significa a pedrinha branca de Apocalipse 2.17

Outra marca da Igreja de Pérgamo, é que ela ficou identificada como a Igreja do Estado (312 – 606 D.C). Vimos, ao estudar a Igreja de Esmirna, que Satanás usou de sua primeira estratégia para banir os cristãos da face da terra: a perseguição.
Porém, Satanás aprendeu que, quanto mais perseguia os cristãos, mais a Igreja prosperava e permanecia. Portanto, perseguir não foi uma estratégia bem sucedida por parte do inimigo. Agora Satanás muda a estratégia, e dá um golpe muito forte, e infelizmente de muita inteligência: Satanás passa a contaminar a Igreja para tentar extingui-la.
Depois das perseguições implacáveis, porém sem êxito, promovidas pelo imperador Diocleciano, entra em cena um novo imperador romano: Constantino.
Constantino se sentiu atraído pelo Cristianismo, tanto que aceitou a fé cristã e se declarou seu defensor e protetor. Logo após assumir o poder, emitiu um edito de tolerância ao Cristianismo e passou a favorecer financeiramente a Igreja Cristã. Ele também determinou que os templos a deuses pagãos agora pertenceriam também à Igreja. Na aparência, estava tudo bem. A perseguição tinha cessado.
Mas é aqui e assim aqui que Satanás começa a contaminar a Igreja. Satanás sabia muito bem que se juntasse poder religioso com poder político, o resultado seria o controle das massas. Vimos isto na figura dos faraós do Egito, nos líderes da Babilônia e nos caldeus. A Bíblia está repleta de povos que ficavam sob o controle do inimigo através de teofania, de adoração a deuses pagãos. 
Por conta do favorecimento financeiro que Constantino fornecia à Igreja, os líderes locais passam a “agradar” ao imperador. E, para mostrar paz e tolerância para com os povos que cultuavam deuses pagãos, começam também a introduzir costumes pagãos dentro da Igreja. Tudo para não perderem a ajuda financeira vinda do imperador. 
Com isto, a Igreja Cristã foi contaminada e perdeu sua autenticidade diante de Deus. Romanos e gregos eram politeístas e cultuavam aos mesmos deuses. O que os diferenciavam eram somente os nomes gregos ou romanos.
Esta cultura politeísta, ao invadir a Igreja, permitiu que esses deuses locais passassem a ser cultuados em forma de santos e anjos, que são doutrinas não bíblicas. Introduziu-se então, vários costumes pagãos na Igreja neste período, entre eles:
  1. 300 d.C. — Oração pelos mortos.
  2. 375 d.C. — Adoração a santos e anjos.
  3. 431 d.C. — Adoração a Maria.
  4. 500 d.C — Os sacerdotes passam a se vestir diferentemente do resto do povo.
  5. 526 d.C. — Extrema unção.
  6. 593 d.C. — Instituída a doutrina do purgatório.
  7. 600 d.C. — Os cultos só podem ser realizados em latim.
Tais fatos históricos, baseados em documentos de pesquisa, revelam a estratégia de Satanás ao longo da história da Igreja, que sempre foi exterminar o Cristianismo. Satanás uniu os poderes político e religioso mais uma vez e passa novamente a controlar as massas.
Quando o Estado passou a controlar a Igreja, o evangelismo, a consagração a Deus, o fervor no Espírito sumiram. Estava estabelecida a contaminação. A Igreja então começa a enriquecer e se tornar poderosa politicamente, e o povo da época acreditava que tal fato faria com que a Igreja seria melhor a cada dia.

 

5.4 TIATIRA

A CIDADE: A rica cidade de Tiatira era conhecida como um centro comercial, no fértil vale do rio Lico. Era também, a cidade de Lídia, uma empreendedora cristã, que através do comércio de púrpura (At 16), ouviu a pregação do apóstolo Paulo e foi salva.

Não sabemos se foi ela quem levou o evangelho a Tiatira; o certo é que o Evangelho chegou até lá, e que havia uma próspera igreja na cidade. O nome atual da cidade é Akhisar (fica na Turquia), foi um importante centro comercial da Ásia Menor, na fronteira entre a Lídia e a Mísia.
Antes de ser refundada como um posto militar por Seleuco I Nicator, um dos generais de Alexandre, o Grande, em 280 a.C., chamava-se Pelópia. Foi destruída por um grande sismo durante o reino de Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.), mas foi reconstruída com a ajuda do Império Romano. A cidade em si, dava a impressão de “fraca tornada forte”.
Era famosa pelo seu comércio e pela sua produção de têxteis, incluindo o índigo. Na Antiguidade, a cidade era conhecida pelas suas muitas guildas comerciais. Para exercer atividades comerciais, era necessário que o cidadão pertencesse a alguma delas, sendo muito comum que os seus membros participassem de festas dedicadas às divindades pagãs.
A IGREJA DE TIATIRA — (Tempo na história 590 a 1517 d.C.) — A igreja corrupta, papal.
Qualidades:
  1. Conheço a tua caridade (amor)
  2. Serviço, fé e paciência
  3. Tuas últimas obras são mais que as primeiras.
Defeitos:
  1. Toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensina e engana os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.
  2. Dei-lhe tempo para que se arrependesse e não se arrependeu.
Consequências;
  1. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação.
  2. Ferirei de morte os seus filhos.
O período desta igreja é maior de todos. Foi a época em que as trevas cobriram a verdadeira igreja. A idolatria, o culto às relíquias e aos santos, o sacrifício da missa, o batismo de crianças, o celibato clerical e muitos outros dogmas de homens foram introduzidos no seio da igreja. A verdadeira doutrina sucumbiu.
Recompensas
Autoridade sobre as nações: Os cristãos perseguidos foram vítimas da maldade dos homens poderosos deste mundo, até do poder do governo. Mas os vencedores dominariam sobre as nações com o poder do Ungido de Deus (compare a linguagem deste texto com Salmo 2.89). Jesus daria aos fiéis o privilégio de participar deste vitorioso reino messiânico (veja 5.910; Romanos 5.17; Efésios 2.6).
A estrela da manhã: Jesus é a estrela da manhã (22.16; veja 2 Pedro 1.19). Qual maior recompensa para o vencedor do que chegar ao eterno dia iluminado para sempre pela luz de Jesus?

 

5.5 SARDES

A CIDADE: Sardes era a antiga capital de Lídia, o império do célebre e rico Creso. A cidade, situada no sopé da montanha Tmolo, à beira do Pctolo, era famosa pelas suas riquezas e luxo. Conforme a tradição, Sardes foi a primeira cidade dessa região a receber o Evangelho sob a pregação do apóstolo João. Também foi a primeira a desviar-se da fé e uma das primeiras a virar ruínas.
A IGREJA EM SARDES — (Tempo na história — 1517 a 1730 d.C.) — A igreja morna.
Qualidades:
  1. Tens pessoas que não contaminaram seus vestidos. Comigo, andarão de branco.
Defeitos:
  1. Tens nome de que vives, mas estás morto.
  2. Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Pode-se também entender como: “Não achei as obras completas”. Há grande inclinação para se começar várias obras, sem completar a que já começamos.
Consequências:
  1. Se não vigiares, virei contra ti como um ladrão.
Conselhos:
  1. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. (Ap. 3.2). Aqui existe uma ordenança para consolidar os fracos na fé. Aqueles “que estão para morrer”. “Obras incompletas” representava uma forma de descaso com os mais fracos, que estavam morrendo na fé.
  2. Arrepende-te.
Promessas ao vencedor:
  1. Ao que vencer será vestido de vestes brancas. As vestes brancas simbolizam a justiça.
  2. De maneira nenhuma riscarei o seu nome do Livro da Vida. O nome dos mortos não pode fazer parte do Livro da Vida, por isso este alerta para a “igreja morta”. Isso também demonstra que é possível o nome de um crente ser riscado do Livro.
  3. Confessarei o seu nome diante do Meu Pai. Referencia ao texto de Mateus 10.32 — (Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus).
Dentro da igreja morta, o Senhor levanta um grupo de vencedores. Estas promessas são para “Aquele que vencer”.

 

5.6 FILADÉLFIA

A CIDADE: Filadélfia era uma cidade da Lídia, distante 40 quilômetros de Sardes, edificada por Atalo Filadelfo, rei de Pérgamo.
A IGREJA EM FILADELFIA — (Tempo na história — 1730 d.C. até o Arrebatamento)
É possível uma igreja ser irrepreensível? A igreja de Esmirna e de Filadélfia eram. Das sete, são as únicas que o Senhor não tinha nenhuma repreensão.
Qualidades:
  1. Guardaste a minha Palavra.
  2. Não negaste o Meu Nome. Promessas:
  3. Pus diante de ti uma porta aberta.
  4. Os da sinagoga de satanás virão e adorarão prostrados aos teus pés.
  5. Eu te guardarei da hora da tentação.
RECOMPENSAS AO VENCEDOR
“Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá. Gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome”. (Ap 3.12)
Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus: As colunas de Filadélfia racharam e caíram em um terremoto algumas décadas antes, mas as colunas no verdadeiro templo de Deus jamais seriam destruídas.
As colunas não são de pedra; são colunas vivas e firmes. Jesus não fala somente de líderes nas igrejas (veja Gálatas 2.9), mas de todos os fiéis que vencem com ele. Os discípulos do Senhor são, ao mesmo tempo, pedras vivas e sacerdotes (1Pedro 2.5-9).
Daí jamais sairá: Os vencedores permanecerão no templo para sempre. Gozarão comunhão eterna com Deus.
Gravarei…sobre ele: Várias descrições mostram a posição privilegiada do vencedor. Nomes gravados sugerem posse. O vencedor pertence a Deus. Ele faz parte do “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pedro 2:9). Ele também pertence à cidade de Deus, a nova Jerusalém. A nova Jerusalém é a noiva de Cristo (Ap 21.2). O vencedor faz parte da noiva, da igreja que pertence só a Jesus. Ele recebe, também, o nome de Cristo. Jesus confessará publicamente os nomes dos seus servos (Mateus 10.32).
A Igreja de Filadélfia é a Igreja Fiel. Nasceu no avivamento após a Reforma Protestante. Ela segue paralela com a igreja Laodicéia, a igreja morna. Nos últimos dias da história da igreja, o joio e o trigo estarão juntos, sendo separados no dia da colheita.
Note que a Igreja de Filadélfia encerra no dia do Arrebatamento, pois ela não vai passar pelos sete anos da Grande Tribulação. Já a Igreja de Laodicéia continua até a Segunda Vinda de Cristo, logo após os sete anos do reinado do Anticristo.

 

5.7 LAODICÉIA

A CIDADE: Laodicéia era uma cidade sobre o rio Lico, famosa pelos amplos muros, e como Roma, edificada sobre sete montes. O apóstolo Paulo se esforçou para introduzir o Evangelho em Laodicéia, de onde escreveu uma epístola, acerca da qual se refere em Col. 4:16.
A cidade foi destruída por um terremoto em 62 d.C. e reconstruída por seu próprio povo, o qual se orgulhava de o fazer sem pedir auxílio ao governo. Era uma das mais ricas cidades da Ásia, pois dos rebanhos de ovelhas daquela região produziam a excelente lã negra de altíssimo preço. Por isso os moradores de Laodicéia se achavam ricos e bem vestidos. Ali também era produzido um colírio valioso e único, procurado por todas as outras cidades da região e até outros países. Em sua carta, o Senhor Jesus ignora estes valores materiais e diz como vê aquele povo: “pobre, cego e nu”.
A IGREJA EM LAODICÉIA — (Tempo na História = 1900 até a 2 ª volta de Cristo)
Ao contrário da Igreja em Filadélfia que não houve nenhuma repreensão, a igreja em Laodicéia não recebeu elogio do Senhor. Esta igreja é chamada de apóstata, pois tem negado o seu Senhor através de suas atitudes mundanas.
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. (Mt. 24.12)
Defeitos:
  1. Nem és frio, nem quente.
Consequências:
  1. Vomitar-te-ei da minha boca (a água morna é usada para provocar vômito).
  2. Eu repreendo e castigo a todos quanto amo.
Conselhos:
  1. Compres de mim ouro provado no fogo para que te enriqueças, vestidos brancos para que te vistas, e que unjas os teus olhos com colírio para que vejas.
  2. Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir e abrir, entrarei.
RECOMPENSAS
“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. (Ap 3.21-22).
Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono: Os vencedores terão o privilégio de reinar com Cristo (veja 2.26-27; 20.4).
Tal honra não seria para os orgulhosos e auto-suficientes, mas para os humildes e obedientes. Jesus foi obediente ao Pai aqui na terra e exaltado ao lado dele no céu (Fp 2.89). Somente os obedientes são exaltados com Cristo.
Apesar de vivermos nos dias da igreja morna, existe também a igreja fiel e irrepreensiva. É esta Igreja que o Senhor Jesus vem buscar. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser, receba de graça, a água da vida. (Ap. 22:17).

Conclusão:

Para todas as igrejas de todas as épocas e cidades, a mensagem final do Senhor Jesus é: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas.”


VOCABULÁRIO
  1. Índigo: Tecido de forte tonalidade azul.
  2. Guildas: Associação que, durante a Idade Média, em certos países da Europa, agrupava pessoas com interesses comuns (negociantes, artesãos, artistas).
  3. Viço: Energia vital; força, vigor.
  4. Aquiescer: Condescender, consentir, aceitar.
  5. Caricata: Grotesca; burlesca; ridícula.
  6. Indultar: Privilegiar, suavizar a punição.
BIBLIOGRAFIA 
  1. LAWSON, Steven J. As Sete Igrejas do Apocalipse: O Alerta Final de
    CRISTO para seu povo. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
  2. SAIBA MAIS – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 50, p.39.

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