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Noé Valêncio da Silva

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Palavras 2.076

Noé-jovem
Pastor Noé.

Noé Valêncio da Silva. Foi o primeiro pastor da Igreja Batista Independente de Curitiba, Paraná. Nascido em 28 de Janeiro de 1917 na cidade de Campo Bom, RS; faleceu em 3 de junho de 1991, aos 74 anos, na cidade de Campinas, SP. Iniciou seu ministério como evangelista ainda muito jovem. Foi consagrado ao ministério pastoral durante a Convenção realizada em 1938, na cidade de Ijuí-RS onde passou a servir como pastor auxiliar.
Noe-signe
Casal Noe e Signe

Nesta mesma cidade teve a felicidade de conhecer Signe Lídia Persson, com quem se casou em 25/07/1942, constituindo assim uma bela família composta pelos filhos: Noé Joel, Davi Samuel, Rita Raquel, Signe Isabel, Isaque Daniel e Antonio Paulo. Serviu também pastoreando as Igrejas nas cidades de Bagé, São Gabriel, Canguçu, Pedro Osório e Rio Grande, todas no Estado do Rio Grande do Sul. Posteriormente pastoreou em Curitiba e Campinas.
Participou ativamente da criação da CIBI – Convenção das Igrejas Batistas Independentes em 1952, fazendo parte da primeira diretoria da nova Convenção Nacional, composta pelo pastor Pedro Falcão como presidente, pastor Noé Valêncio da Silva como secretário e o missionário Erik Jansson como tesoureiro. Em 1954, em assembleia realizada na cidade de Rio Grande-RS, foi eleito presidente da CIBI.
Era pastor na cidade de Rio Grande, quando recebeu o convite para cooperar com o início do trabalho missionário em Curitiba-PR, onde em 19/03/1960, inciou o trabalho de evangelização numa tenda, juntamente com os missionários Olavo Berg e Nils Peter Skåre,  contando ainda com as presenças do pastor Pedro Falcão, pastor na cidade de Telêmaco Borba, PR e do missionário Stig Johanson,  da cidade de Ponta Grossa.
Mudou-se com a família para a cidade de Curitiba em maio de 1960 e realizou cultos na sua casa.  Em janeiro de 1961 alugou um salão na rua Guararapes quase esquina com a rua Sebastião Paraná e ali começou uma nova fase de cultos públicos. Já em 16 de novembro de 1961 iniciou um novo período de conferências com a vinda do Missionário Nils Peter Skåre, usando uma tenda na Av. República Argentina (perto de onde hoje está o supermercado Festval).
E foi durante esta campanha evangelística que no dia 3 de dezembro de 1961 foi organizada a Igreja Batista Independente de Curitiba, com 14 membros, tendo sido eleito como o primeiro pastor desta nova Igreja, função na qual permaneceu até o mês de abril de 1963, quando se mudou para Campinas, indo pastorear a Igreja Batista Filadélfia de Campinas-SP, fazendo uma troca com o missionário Nils Skåre, que assumiu o pastorado da IBI Curitiba.

Cultos na Tenda

Até 1963 a Igreja realizou muitos cultos em tendas. A foto abaixo, é de um encontro de jovens no ano de 1963.

Mudança para Campinas

Em Campinas, teve a oportunidade de acompanhar a inauguração do Seminário Teológico Batista Independente, e ali também cooperou como professor até os seus últimos dias de atividade ministerial. Finalmente por motivo de saúde, encerrou seus compromissos ministeriais, cooperando sempre que possível onde era convidado, e, como Paulo, dizia sempre com alegria: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a Fé”. Faleceu em 3 de Junho de 1991 na cidade de Campinas-SP.
Por ocasião do seu falecimento, o Jornal Luz nas Trevas números 719, 720 e 721, de julho, agosto e setembro de 1991, respectivamente,  publicou textos sobre a vida e o ministério do pastor Noé, que reproduzimos abaixo:
O pastor Pedro Falcão, um dos mais eminentes obreiros da denominação e primeiro presidente da CIBI, escreveu as seguintes palavras:

“Morre o pastor Noé Valêncio da Silva”

“Dia 3 de junho, aos 74 anos partiu para estar com o Senhor, o estimado pastor Noé Valêncio da Silva. Por um lado, a noticia de seu falecimento nos entristeceu, como é natural. De outro lado sentimo-nos confortados por aquilo que afirmávamos durante a vida deste exemplar colega. Noé desde o seu nascimento, seu pai entregou-o ao Senhor a fim de que fosse um ministro da palavra de Deus. E, dessa forma, desde a mais tenra idade o pastor Noé foi fiel à sua vocação ministerial. Tivemos a alegria de acompanha-lo desde o inicio de seu eficiente ministério. Em nossa mesa de trabalho temos uma reportagem sobre sua vida que nos informa da maneira como Deus usou este seu servo em suas viagens evangelísticas nas igrejas do Rio Grande do Sul. Foi pastor em diversas igrejas.
A Batista Filadélfia em Campinas foi a última onde desenvolveu suas atividades. No momento estava aposentado por motivo de sua precária saúde. Casado com a irmã Signe Persson, filha de um dos pioneiros da igreja em Ijuí, o querido Joel Persson que foi também fiel ao Senhor durante todos os dias de sua vida. Noé e Signe criaram cinco filhos os quais procuraram conduzir nos caminhos do Senhor. Nos últimos anos o pastor Noé vinha sofrendo muito com problemas cardíacos: mesmo assim era dotado de grande força de vontade em servir ao Senhor.
Exerceu cargos de responsabilidade na CIBI, da qual foi presidente no ano de 1954, destacando-se por sua eficiente dedicação. A irmã Signe e família manifestamos os profundos sentimentos de toda família Batista Independente. “Disse o Senhor: muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco; sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu Senhor”. (Mt 25.23)”

Pr. Apparecido Maglio

Assim escreveu o pastor Apparecido Maglio (foto ao lado), à época diretor do Seminário Teológico Batista Independente em Campinas, SP:

“A quem honra, honra”

“Ele é o pastor da igreja; é um homem sábio e espiritual“. Esta afirmação era feita a mim, recém chegado a Rio Grande em abril de 1957. Foi feita por um colega do Instituto Bíblico. Era uma referência ao pastor Noé Valêncio da Silva, cuja passagem para o além se deu no dia 3 de junho passado, conforme este jornal noticiou nas duas últimas edições. Mas a memória do pastor Noé é latente que se ele for lembrado por muitas vezes pelo “Luz nas Trevas”, jornal do qual foi leitor assíduo, cooperador e divulgador, não será demais.
Eu era um adolescente e tinha chegado a Rio Grande como calouro em nosso educandário teológico. Fui participar de um culto da Primeira Igreja Batista, pela primeira vez. Era um culto de oração e o cenáculo estava totalmente ocupado pelos irmãos. Dirigi-me bem para a frente, pois chegara enfermo e fui pedir oração. A pessoa que estava à frente, na direção era um homem de pequena estatura, o qual eu não conhecia. Antes ele fez uma exposição bíblica sobre a obra sacrifical de Jesus, pois estava na semana da páscoa. Aquele homem começou a marcar a minha vida. Daí a resposta do meu colega quando lhe perguntei quem era o irmão que tinha feito a tão boa exposição bíblica. Sim, “ele é o pastor da igreja; é um homem sábio e espiritual“, afirmava o meu colega com muita propriedade.
A igreja em Rio Grande já tinha um campo extenso, mas durante aqueles três anos que ali, eu e meus colegas passamos, o trabalho se estendeu mais pela cidade e pelo município; Bairro Getúlio Vargas, Quintas, Ilha Dos Marinheiros, São Miguel, etc. Estendeu-se para outras cidades: São José do Norte, São Lourenço e Santa Vitória do Palmar. Nós, os alunos, cooperamos no inicio desses trabalhos, sob a coordenação do pastor Noé.
Aqui em Campinas, quando precisou deixar a igreja, substituí-o. Sua saúde não permitia mais atividades nas lides pastorais; aposentou-se. Graças a Deus pela vida do pastor Noé da Silva: pequeno na estatura física, mas grande no caráter; sua biblioteca era pequena (por problemas financeiros), mas soube multiplicar o seu saber; brando no trato, mas sua palavra era de admirável firmeza; humilde, mas sua oratória era vibrante, sua mensagem era ungida; não falava muito, mas o que dizia era moldado pela sabedoria; fraco fisicamente, saúde precária, mas forte firmeza de caráter e na fé que abraçou, defendeu e pregou.
Até que sua saúde permitiu, foi presente na igreja local e na vida denominacional. Amou a denominação da qual foi um dos organizadores e um dos fundadores. Amou e respeitou os colegas de ministério, chefe de família sempre presente até o fim, fim que não é o fim, mas começo. Até logo pastor Noé.

Pr. Pedro Mendes

Outro colega de ministério, pastor Pedro Mendes, (foto ao lado),registrou nas páginas do Jornal Luz nas Trevas de setembro de 1991 as seguintes palavras:

Um referencial de dignidade do ministério

“A memória do justo é abençoada” (Pv 10.7a)
Com a partida para o Senhor do amado pastor Noé Valêncio da Silva, no dia 3 de junho, em Campinas, SP, perde a Denominação um dos seus mais ilustres membros. O Pastor Noé soube honrar seu Senhor que cedo o salvou e vocacionou para o ministério. No final da década de trinta, já era evangelista (hoje pastor auxiliar) na cidade de Ijuí, RS, para onde fora ao deixar seu lar em Campo Bom, RS, onde moravam seus pais, crentes fiéis no Senhor. Em Ijuí, RS, conheceu a jovem Signe Persson com quem se casou. Noé era de uma postura que sempre inspirou respeito, desde bem jovem.
Este homem de estatura franzina, mas de notável envergadura moral, preenchia os requisitos para o pastorado, que nos dias de Paulo e Tito se resumiam nas palavras: “Alguém que seja irrepreensível” (Tito 1.7,8). O pastor Noé foi um homem assim.
Serviu as igrejas de Ijuí, Bagé, São Gabriel, Canguçu, Pedro Osório, Rio Grande, Curitiba e Campinas. Autodidata, era excelente orador; correção de linguagem, boa homilética, voz vigorosa, firmeza na doutrina e carisma na mensagem eram marcas características do querido pastor Noé da Silva. Eleito presidente da Convenção em 1954, na cidade de Rio Grande, chorou, muito emocionado, ao ter que relatar o deslize de um colega. Era de caráter nobre, piedoso, pacificador e sábio. O povo ficava quieto e escutava quando aquele homem de aparência frágil, mas de incontestável autoridade moral falava nas assembleias e retiros. O homem que é fiel a Deus tem poder nas suas palavras (Tito 1.9).
O pastor Noé afastado das lides pastorais por motivos exclusivamente de saúde, sempre que podia, visitava o seminário e as reuniões de pastores em Campinas, confraternizando com os colegas que o tinham em grande estima e respeito. E ele bem que fazia jus. Amado pastor Noé, nós que ainda permanecemos nas linhas de combate, pela graça do Senhor, nós sim, declaramos abençoada a memória do teu nome e glorificamos o teu Deus que é também o nosso. Que as gerações de jovens ministros sigam o teu exemplo.

Pr. José Lima

Neste tempo comum o pastor José Tomaz Rodrigues Lima (foto ao lado), assim se pronunciou sobre a vida e o ministério do pastor Noé:
“Não convivi com o Pr. Noé quando da minha adolescência, somente um pouco mais tarde vim a conhecê-lo mais de perto. Então eu estava há pouco casado e morando na cidade de Rio Grande, RS. Na época, o Pr. Noé era o nosso pastor e tive o prazer de ouvi-lo pregar por algum tempo, antes de eu me despedir de minha Igreja mãe e iniciar minha carreira ministerial em Ijui, RS. Em relação à pessoa e ao ministério do pastor Noé, posso tecer duas considerações: a) ele foi um homem muito modesto, até mesmo um tanto tímido, sem qualquer tipo de ostentação, e,  b) ele foi um pregador com uma mensagem plenamente bíblica e muitas vezes com boas ilustrações extra-bíblicas e muito pertinentes. Aliás, sinto-me à vontade para afirmar que suas pregações eram excelentes, tanto do ponto de vista do conteúdo quanto em referência à estrutura homilética. Nisso ele era muito BOM! E deixou um legado de vida cristã e atividade na causa do Senhor que merece os qualificatos: digno e honroso – para a glória de Deus!”
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Pr. Elton Melo

Para o pastor Elton Melo, atual pastor titular da Igreja Batista Independente de Curitiba, é uma honra poder relembrar histórias tão impactantes de homens e mulheres como a do pastor Noé e sua família, que de uma forma impar contribuiram para a plantação desta Igreja, ao lado de outros homens e mulheres tocados por Deus. Por tudo isso, na marcação dos 60 anos do início desta Igreja, podemos louvar e agradecer ao Senhor por este exemplo de vida e fé! Desejamos que o Senhor honre poderosamente todos os descendentes do pastor Noé com suas bênçãos e muitas felicidades. (Curitiba, 06/12/2020 – 60 anos da missão em Curitiba).


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