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A inflação nossa de cada dia: o caso do preço do arroz

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A inflação nossa de cada dia: o caso do preço do arroz. Neste artigo, o professor de economia, Flavio Oliveira dos Santos, detalha as causas da elevação súbita do preço do arroz, agora em agosto de 2020. Após mais de duas décadas de estabilidade dos preços, o mês de agosto acordou o dragão da inflação, cuja inflação tem atormentando as famílias e a economia brasileira.

A geração atual, com idade inferior a 30 anos de idade, não sabe a real consequência da inflação, e não é por ignorância e/ou alienação, mas pelo fato de não a ter vivenciado na pele. Afinal o Plano Real completou neste 1º de julho de 2020, 26 anos de uma relativa estabilidade inflacionária, onde se manteve os preços das mercadorias dentro de patamares aceitáveis.

O que significa inflação?

É a alta generalizada dos preços de bens e serviços na economia, ou seja, na média os preços praticados pelo mercado na atualidade são maiores que os praticados no mês anterior. Exemplo: o pacote de arroz de 5 kg custava R$ 19,00 em 10/08/2020, e no dia 10/09/2020, o supermercado esta vendendo por R$ 27,00. Isto mesmo, este é o preço atual de um pacote de arroz tipo 1. A inflação neste caso foi de 42,10% em apenas 30 dias, reduzindo o poder de compra da sociedade.
Há de se considerar que o preço recebido pelo produtor de arroz em 02/01/2020 era de R$ 48,05, por saca de 50 kg, e que em 09/09/2020, esta mesma saca de arroz (de 50kg) foi vendida por R$ 104,39. Ou seja, o preço da saca de arroz desde o início do ano até início de setembro aumentou 117,26%, isto para o preço pago ao produtor.

Por que este aumento fenomenal pelo preço pago ao produtor de arroz?

Vários fatores colaboraram para o aumento de 117,26% no valor pago ao produtor pela saca de arroz, entre eles, posso destacar estes três principais fatores:

  • a manutenção da produção nacional,
  • aumento do consumo em virtude da pandemia, e,
  • desvalorização da nossa moeda, o Real frente ao dólar.

O aumento no valor do dólar, ou qual passou de R$ 4,03 no início de janeiro de 2020, para R$ 5,30 por dólar em 09/09/2020. Com a moeda norte americana mais cara, os insumos agrícolas passam a serem vendidos a preços mais elevados, seja por causa da exportação, e/ou pelo aumento do custo de produção dos produtos agrícolas. Mas a taxa de câmbio e insumos são temas para uma próxima conversa.

Por que a inflação é nociva?

A inflação tira o poder de compra dos salários, e prejudica os trabalhadores de menor renda, pois estes gastam grande parte do salário com alimentação.
No caso em análise do preço do arroz, e com o salário mínimo atual de R$1.045,00, vamos fazer um exercício para explicar o poder negativo da inflação na vida das famílias, principalmente as de baixa renda. Em 10/08/2020 era possível comprar 55 pacotes de arroz, já no dia 10/09/2020, o mesmo salário consegue comprar apenas 38,70 pacotes de arroz. Ou seja, este trabalhador teve uma redução no seu poder de compra em torno de 30%, isto levando em consideração que ele compraria apenas arroz com o seu salário. Esta é uma análise bem simples de como a inflação corroí o poder de compra da sociedade.

O que a sociedade pode fazer para ajudar no controle da inflação?

Devido ao bom costume do brasileiro em consumir arroz, fica mais difícil praticar a substituição do arroz por outro alimento, a que seria o mais indicado para forçar a queda dos preços.
Observa-se que vários produtos da cesta básica, e outros itens de grande consumo apresentaram significativa elevação dos preços nos últimos meses, inclusive via redução do volume da embalagem, o que na prática caracteriza aumento do preço unitário.
Em tempos de elevação da inflação dos principais produtos alimentícios e de limpeza, acima da inflação média oficial, somente resta ao consumidor pesquisar preços, substituir marcas comprando as mais “baratas”, e é claro tentando manter a qualidade. É importante ressaltar a necessidade de sempre incluir no cardápio alimentos de época, pois normalmente os preços destes alimentos são mais acessíveis. Há ainda a “alternativa” de reduzir a quantidade consumida, seja de arroz ou qualquer outro item que apresente preços abusivos.


prof-flavio-oliveiraFlávio Oliveira dos Santos é economista, professor de economia e trabalha no IAPAR. Durante muitos anos, como professor de economia coordenou a Pesquisa da Cesta Básica em Londrina, PR. Foi professor na UEL, e outras faculdades na região do norte do Paraná.


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