Blog

Isolamento Social: de mãe a professora. Um relato

Legibilidade 50,9
Tempo de leitura 4 min
Palavras 742

Com o aparecimento do novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da doença COVID-19, veio a pandemia nos forçando ao isolamento social. Como consequência, trouxemos para dentro de casa a função de supervisionarmos toda educação escolar de nossos filhos, exercendo, então, uma profissão por muitos até então nunca sonhada, a de professor.

Cenário este parecido com o já conhecido ensino domiciliar ou homeschooling, porém não igual, (momentaneamente sem regulamentação nacional) que nos pegou de surpresa de uma hora para outra, não nos permitindo escolha, como no caso acima.

No inicio, muitos até curtiram o desafio, as crianças estavam radiantes com o fato de ficarem em casa mais tempo na companhia dos pais, no meu caso por exemplo, minha filha adorou a idéia de não precisar frequentar a escola passando as tardes ao lado da mãe, brincando e se divertindo, como foram os primeiros 15 dias sem aulas.

Os desafios diários.

Pois as videoaulas vieram e com elas o desafio de orientarmos nossas crianças didaticamente, algo para o qual não estávamos preparados. Dia após dia, na maioria das vezes cabe a nós a explicação  da matéria, haja vista que, nem sempre a vídeo aula elucida a dúvida da criança, acostumada a levantar o dedinho e questionar sua professora.

A partir disso, não foram poucos os dias em que as ministrações on line não seriam suficientes para dirimir as dúvidas da minha filha de 9 anos, que, apesar de extremamente inteligente e independente, muitas vezes não entende a matéria e necessita de ajuda.

Com o desafio veio a superação, relembrar toda matéria do ensino fundamental, para educar satisfatoriamente, assumindo o papel da escola.

E bate o desespero! São tantas as dúvidas e preocupações: “-Será que minha filha aprenderá alguma coisa esse ano?”, “-Como irá para o próximo ano  “-O que será do ano que vem?”, e por aí vai.

Aqui a difícil tarefa de separar a mãe exigente e zelosa, da educadora novata.

Até entendermos que todas as mães e crianças estão passando por essa experiência única da qual poderemos trazer boas ou péssimas lembranças, só depende da direção que tomarmos.

A solidariedade entre os pais.

Diante dos inúmeros desafios vividos, nada mais acertado do que a criação de grupos de Watsapp.

A troca de experiências, além de bem-vinda, ajuda a manter a proximidade entre aqueles que foram pegos de surpresa pelo cenário mundial.

Entre uma troca de mensagens e outra, me queixo para Tere, mãe de uma coleguinha, sobre a última aula de determinada matéria, que não logrou muito boa explicação.

Tere responde -“A Duda se vira sozinha, nem tive tempo ainda de olhar, me dedico mais a ajudar meu filho mais novo, já que este cursa o terceiro nível, estou ajudando a alfabetizá-lo”. Tere me envia um vídeo onde ela alfabetiza o filho, vídeo esse em que vislumbro o esforço diário dessa dedicada e amada mãe exercendo diariamente e sem nenhum preparo, uma tarefa nunca antes por nenhuma de nós vivida, a alfabetização de um filho.

Exercendo a empatia pelo outrem.

Ao assistir referido vídeo, entendi o tamanho do universo e o quanto minha dor era pequena, Tere me fazer entender que, o desgaste que passo com a escola da minha filha, simplesmente por achar que as aulas não são bem ministradas, explicadas, ou seja lá o que for, não chega aos pés da dedicação dessa e de tantas outras milhares de mães mundo afora que estão exatamente se dedicando a essa linda e quase impossível tarefa.

Ser mãe, dona de casa, esposa, mãe-pai, e ainda ter que ministrar aulas para seu filho, realmente demonstra a super-capacidade das mulheres.

Nao esqueçamos das mães que criam seus filhos sozinhas, da mãe que perdeu seu emprego em decorrência da pandemia, ou ainda daquela que teve seu trabalho direcionado para dentro de casa com a consequente redução da renda pela metade, e, mesmo assim, seguem com dignidade desempenhando essa linda tarefa, abrindo mão do único tempo que ainda lhes resta.

Quando me coloquei no lugar de Tere, criando dois filhos, tendo que cuidar dos deveres da casa, do marido e ainda alfabetizando o filho mais novo,  agradeci a Deus por ter me proporcionado essa indescritível experiência.

As maravilhosas bençãos adquiridas.

Assim encerro essa matéria aproveitando para lembrar a todos o quanto somos importante e únicos na vida de nossos filhos e preciosos para Deus, nos cabe, portanto, tirar bons proveitos e desenvolvermos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, nem que seja de vez em quando!

 
 
 
 
 
 
 


Leia mais

  1. Nada é difícil demais para Deus: 3 Passos para ver milagres
  2. Como restaurar sua identidade em Deus
  3. Quando o céu entra na guerra
  4. Esperança em tempos de crise: uma decisão de fé
  5. Filhos que Brilham