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“Método Grabovoi” – Desejo x Realidade: Uma análise sob um ponto de vista lógico

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As “ciências ocultas” (mais conhecidas como “ocultismo”), salvo engano, são conjuntos de conhecimentos não reconhecidos pela Ciência Tradicional, geralmente formados por “crendices” que são transmitidas de forma literária e também oral por gerações. Ao contrário das teorias científicas que possuem um corpo sistemático formado baseado em estudos empíricos e experimentos, o ocultismo conduz as pessoas a lançarem as suas sortes em seus ritos, sem nenhuma fundamentação científica (tradicional).

Segundo Maia Santos, o ser humano é um ser biopsicossocial-espiritual, e de fato. Por isso, não é de se estranhar que muitas pessoas busquem soluções para os seus problemas no “invisível”, ou seja, no âmbito da espiritualidade. Se observarmos bem, existem ciências para todas essas (e outras) áreas: temos a biologia, a medicina, a psicologia, a sociologia, a teologia, enfim, temos um leque de soluções que atendem “todas” (ou quase todas) as áreas da vida. No entanto, quando o assunto está relacionado a espiritualidade ou subjetividade humana, infelizmente, nem sempre aceitamos as respostas de origem científica, pois muitos esperam soluções imediatas para os seus problemas. É sabido por todos que existem “inúmeras” religiões em todo mundo. Os registros históricos nos mostram que o hinduísmo é a religião mais antiga a ser estudada. Apesar de que, segundo Tacito da Gama Leite Filho, a religiosidade primitiva aponta para uma prática religiosa monoteísta. Sendo assim, as religiões que possuem uma origem abraâmica, estão mais próximas da gênese, da relação do ser humano com o seu Criador, pelo seu caráter monoteísta.

Apesar das inúmeras vertentes das práticas religiosas que surgiram ao longo da história (e ainda surgem nos dias de hoje), que, por sua imensa variedade, pode tornar o processo de pesquisa histórica um tanto quanto mais difícil, é possível identificar que o judaísmo, e posteriormente o cristianismo, estão mais ligadas à gênese da religiosidade humana. Portanto, como somos norteados pela meteorologia em questões relacionadas ao tempo, pela astrologia em questões relacionadas ao cosmo etc. É coerente que as questões relacionadas a espiritualidade humana estejam pautadas sob a ótica de um resultado do diálogo entre a teologia e as disciplinas relacionadas ao psique humano. Uma porque estuda as questões relacionadas a Deus e a sua criação, e a outra por estudar o comportamento subjetivo do ser humano. Desta forma, estando descartada as questões relativas ao comportamento orgânico do indivíduo, podemos nos apoiar na teologia para nortear as nossas ações. Entretanto, é preciso dizer que esta não é uma ordem tácita para a ação, mas apenas uma percepção para uma possível mitigação em relação a possíveis erros.

Apesar da fé ser um pressuposto necessário para o estudo da Teologia (o que para alguns poderia invalidar o seu caráter científico), é na Teologia que encontramos exposições sistemáticas, resultado de estudos muitas vezes multidisciplinares que nos faz perceber o seu caráter científico, que, como nas outras áreas do conhecimento acadêmico onde possui o seu foco de estudo em busca de respostas e soluções, a teologia é o campo mais seguro para se discutir a espiritualidade humana. Pois não encontraremos nenhuma atitude “mágica” e/ou  infundante em suas tácitas exposições.

Embora possam existir questões extremamente interessantes nas ciências ocultas, como os significados dos signos (os quais me parecem terem sido definidos a partir de estudos comportamentais / sociais em tempos remotos, pela grande semelhança que de fato se encontra nas pessoas às quais atribuem os seus “respectivos signos”), existem muitas outras que são completamente esdrúxulas (ao meu ver), que de fato exibe toda nudez do egocentrismo humano. São misturas de ciências, crendices, religiões em atitudes religiosas que “formam” religiões singulares e pessoais, nas quais tem como divindade o próprio ego.

Dentre tantas atitudes religiosas que podemos encontrar em todas as esferas da sociedade, uma que muito tem me chamado atenção pelo seu caráter (ao meu ver) ilusório, e pela grande quantidade de novos adeptos, é o chamado “método grabovoi” criado pelo matemático russo Grigori Grabovoi, o qual (supostamente) “recebe mediunicamente” sequências numéricas para todo tipo de solução / cura que possa existir. O método Grabovoi visa a imortalidade, a saúde perfeita e a harmonia universal. Na prática, seria algo bem simples, basta verbalizar o que quer que aconteça e citar as respectivas sequências numéricas. Para exemplificar, compartilho um “print” de uma “ativação” realizada por um dos adeptos da prática. “Ele” escreveu:

“Eu,[…] ,ativo agora os códigos para eliminar toda e qualquer resistência do meu inconsciente 548491698719 permitindo que o dinheiro flua em minha vida 520 de modo harmonioso e rápido 741. Recebo e acolho a prosperidade e a abundância financeira 318 798 em minha vida, pois tudo é possível 519 7148. Ativo, Aceito, Mereço, Recebo e Agradeço, para mim, para minha Família e para todos os membros da comunidade.”

Dito isso, como num passe de mágica, acreditam que de fato acontecerá tudo àquilo que “ativaram” com a verbalização dos respectivos números.

Por ser este texto apenas um breve ensaio sobre o assunto, não tive (e não criei) a oportunidade de realizar um estudo empírico com os adeptos da prática, para averiguar quantos de fato tiveram as suas verbalizações atendidas. No entanto, é bem pouco provável que de fato essas verbalizações venham surtir algum efeito, além (talvez) da própria motivação pessoal “ativada” pelo “gatilho” de tudo o que é verbalizado, por antes já ter sido “gerado” na mente do indivíduo.

Sob o ponto de vista da teologia bíblica, o que vemos, está bem longe da tola tentativa humana de “burlar” a ordem espiritual da fisis, das coisas, da vida. Jesus, àquele que, segundo João 1, não apenas estava presente quando tudo foi feito, mas foi o meio e o causador de absolutamente todas as coisas. Deus, o criador, através do “verbo”, fez surgir o Universo a partir do nada: “E disse Deus: ‘Haja’ […] e houve” (Gênesis 1:3). Ou seja, apenas Deus, em toda a história, ou melhor, muito além dela, quero dizer, em toda Eternidade, tem o Poder de fazer algo acontecer do nada, a partir de sua própria Palavra.

Por Erick Lopes da Silva
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