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O Deus que Chamamos de PAI

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Você Já Sentiu os Braços Dele em Volta de Você?

Ministração para o Dia dos Pais — 09/08/2026 Abertura da série “21 Dias de Consagração: Paternidade” (10 a 30/08/2026) Igreja Batista Independente de Curitiba

Ilustração de abertura

Em 7 de dezembro de 1988, um terremoto violento atingiu a Armênia, matando mais de 30 mil pessoas em poucos minutos. Um pai correu desesperado até a escola onde havia deixado o filho naquela manhã e encontrou apenas um amontoado de escombros. No meio do caos, ele se lembrou de uma promessa simples que tinha feito ao menino, anos antes: “Não importa o que aconteça, eu sempre estarei ao seu lado.” Guiado por essa lembrança, foi até o ponto exato onde ficava a sala de aula do filho e começou a cavar sozinho, com as próprias mãos. Outros pais ao redor diziam que era tarde demais, que ele estava perdendo tempo. Ele só respondia: “Vocês vão me ajudar?” — e continuava cavando. Cavou por 8 horas, 12, 24, 36 horas. Na 38ª hora, removeu mais uma pedra e ouviu a voz do filho, Armand, vindo de baixo dos escombros. O menino gritou: “Pai, é você? Eu disse aos outros que, se você estivesse vivo, viria nos salvar. Você prometeu: não importa o que aconteça, eu sempre estarei ao seu lado. E você conseguiu, pai! Aqui embaixo ainda restamos 14 de 33.” (fonte: https://www-rferl-org.translate.goog/a/armenias-catastrophic-earthquake-of-1988/29634413.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc)

Igreja, hoje eu quero te dizer uma verdade parecida, só que infinitamente maior: você tem um PAI que não vai parar até te alcançar. E diferente do pai de Armand, o seu já te encontrou — Ele só está esperando que você pare de se esconder debaixo dos escombros e corra para os braços dEle.

Introdução

Jesus chama Deus de PAI dez vezes só no Sermão do Monte (Mateus 5–7). Isso não é coincidência, é revelação. A Igreja do Novo Testamento não nasceu para ser um ajuntamento de pessoas religiosas; ela nasceu para ser uma família. E toda família saudável tem uma marca central: a presença de um pai. Jesus é chamado, em Colossenses 1.15, de “o primogênito de toda a criação” — Ele é o Filho mais velho dessa grande família da fé, e nós, adotados, somos Seus irmãos.

Hoje, dia 09 de agosto, começamos os 21 Dias de Consagração sobre Paternidade, que vão até o dia 30/08, quando nos reuniremos para o Almoço da Família, na Associação dos Funcionários do Sebrae. Essa jornada de 21 dias é um convite para revisitarmos, diariamente, a Oração do Pai Nosso — não como uma oração decorada da infância, mas como uma diretriz de relacionamento com Deus.

E hoje, além da Palavra, também vamos celebrar juntos a Ceia do Senhor. Então preste atenção: tudo o que eu vou falar sobre o PAI hoje vai ganhar um significado ainda mais profundo quando você segurar o pão e o cálice daqui a pouco.

Deus já é o nosso Pai. Mas nós ainda estamos aprendendo a ser filhos dEle. E aprender a ser filho é, antes de tudo, aprender a ser como o Pai é.

1 — Eu me achego, porque as portas dEle estão sempre abertas

Mateus 6.9 (NVI) diz:

“Portanto, vocês devem orar assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome…'”

Antes de pedir qualquer coisa, Jesus nos ensina a reconhecer a quem estamos falando. Não é “Juiz nosso”. Não é “Chefe nosso”. É “Pai nosso”. E um pai de verdade não tranca a porta para o filho.

Em Mateus 6.6 (NVI), Jesus continua:

“Mas, quando você orar, entre no seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então, o seu Pai, que vê o que é feito em secreto, o recompensará.”

Repare bem: Deus me vê em secreto. Isso muda tudo. Eu não preciso de plateia para ser visto por Ele. Eu não preciso performar minha fé para chamar Sua atenção. Quando eu entro no quarto, fecho a porta e oro sozinho, sem ninguém olhando, sem “curtidas”, sem aplausos — é justamente aí que o Pai Se inclina e escuta. A oração no secreto é o lugar onde a intimidade nasce, longe dos holofotes e perto do coração de Deus.

Homens, deixem eu falar direto com vocês: muitos de nós aprendemos que amor de pai se prova com presença visível — presente, festa, evento. Mas o nosso PAI celestial nos ensina algo diferente: o amor mais profundo Dele acontece no secreto, onde ninguém vê, menos Ele.

Por isso, hoje, eu me comprometo: eu me achego. Eu entro no quarto. Eu fecho a porta. Eu confio que, mesmo quando ninguém está vendo, o Pai vê — e Ele recompensa.

Lembra da parábola do filho pródigo, em Lucas 15? O filho ainda estava longe, maltrapilho, cheirando a chiqueiro, quando “seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, o abraçou e beijou” (Lucas 15.20, NVI). O pai não esperou o filho terminar o discurso de arrependimento. Ele correu primeiro. As portas do Pai estavam abertas antes mesmo de o filho decidir voltar.

2 — Eu aprendo a obedecer, porque Ele me disciplina em amor

Hebreus 12.6 (NVI) é categórico:

“porque o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho.”

Aqui está uma verdade que precisa ficar bem clara: disciplina não é rejeição, é adoção confirmada. Se Deus não Se importasse comigo, Ele me deixaria seguir sozinho, sem correção, sem limites, sem direção. Mas, porque Ele me chama de filho, Ele investe em mim o trabalho — às vezes desconfortável — de me formar.

Hebreus 12.11 (NVI) completa:

“Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.”

Eu preciso ser honesto com vocês: eu não gosto do processo de ser corrigido. Nenhum filho gosta. Mas eu aprendi, com o tempo, que a disciplina do Pai tem uma direção — ela sempre aponta para frente, nunca para trás. Ela nunca visa me destruir; ela visa me formar.

Aqui cabe uma piada, porque a vida também é feita de leveza: vocês já repararam que, quando a gente era criança e levava uma bronca boa dos pais, sempre vinha aquela frase clássica: “isso dói mais em mim do que em você”? E a gente pensava: “duvido, pai!” Só fomos entender essa frase quando nós mesmos nos tornamos pais e tivemos que corrigir nossos filhos. Porque disciplinar quem a gente ama dói, sim — mas amar de verdade é ter coragem de corrigir, não coragem de ignorar.

A oração do Pai Nosso pede: “seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mateus 6.10, NVI). Isso é uma declaração de submissão diária. Eu não estou pedindo que a vontade do Pai se dobre à minha; eu estou entregando a minha vontade para se alinhar à dEle. E é exatamente esse alinhamento diário que vai me ensinando a obedecer — não por medo, mas por amor, como um filho que confia no caráter do próprio pai.

3 — Eu confio, porque Ele faz tudo para o meu bem, até quando parece mau

Romanos 8.28 (NVI) traz uma das promessas mais desafiadoras da Bíblia:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”

Note que o texto não diz “todas as coisas são boas”. Ele diz que Deus age em todas as coisas para o bem. Existe uma diferença enorme entre essas duas ideias. Nem tudo que acontece comigo é bom — doença não é boa, perda não é boa, traição não é boa. Mas o Pai tem a capacidade de pegar até aquilo que os meus olhos humanos classificam como “mau” e trabalhar ali dentro, produzindo um bem que eu ainda não consigo enxergar.

E aqui está o ponto mais importante deste terceiro tópico: esse Pai espera a minha ação de fé para responder com todo o Seu poder e glória sobre a minha vida. Ele não age apesar da minha fé; Ele frequentemente age em resposta a ela. É por isso que a oração continua: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6.11, NVI) — é um pedido diário, uma dependência diária, um ato de fé renovado todos os dias, reconhecendo que preciso Dele para hoje, não só para o eterno.

Eu escolho confiar. Eu escolho crer que, mesmo quando as circunstâncias parecem gritar o contrário, o Pai está trabalhando por trás das cortinas do que os meus olhos conseguem ver. Eu escolho agir em fé, sabendo que essa é a chave que abre a porta para Ele agir com poder e glória sobre a minha história.

Conclusão

Homens e mulheres aqui presentes: vocês já entenderam que Deus é Pai, mas hoje eu preciso perguntar — vocês já se comportam como filhos? Ainda vivemos, muitas vezes, com mentalidade de servos: cumprindo tarefas, tentando merecer, com medo de errar. Mas a verdade do evangelho inverte essa lógica: nós servimos porque somos filhos, e não o contrário. Ele é a nossa origem, e Ele é o nosso destino — como a própria oração termina, apontando para o Reino, o poder e a glória que são dEle, para sempre.

Então hoje eu faço um apelo direto ao seu coração: solte as rédeas. Pare de tentar controlar tudo sozinho, como se você fosse órfão nessa caminhada. Lance-se, de corpo e alma, nas mãos deste Pai de amor. Ele já correu em sua direção, como o pai da parábola. Ele já cavou os escombros da sua vida, como aquele pai japonês, e Ele não vai parar até te alcançar. A única pergunta que resta é: você vai correr para os braços dEle hoje?

Oração pelos pais — Dia dos Pais

“Pai celestial, hoje eu Te apresento cada homem que está diante de Ti nesta casa. Sejam pais, avós, filhos, tios, homens que carregam responsabilidades visíveis e invisíveis todos os dias. Senhor, honra cada um deles com a Tua presença. Onde há cansaço, renova as forças. Onde há culpa por falhas como pai, estende a Tua graça e ensina o caminho da restauração. Onde há homens que não tiveram um bom exemplo de pai aqui na terra, sejas Tu, Pai celestial, a referência definitiva de amor, provisão e cuidado. Levanta esses homens como sacerdotes de seus lares, como exemplos de mansidão e força ao mesmo tempo, como homens que sabem chorar, orar e liderar. Que cada um saia daqui hoje sabendo que é amado, aceito e chamado por Ti. Em nome de Jesus, o Filho amado, o primogênito, o nosso modelo. Amém.”

Ministração da Ceia do Senhor — “À mesa do Pai”

Igreja, agora vamos viver, na prática, tudo o que acabamos de declarar. A Ceia do Senhor não é um ritual isolado — ela é a própria mesa do Pai, estendida para os filhos. Em 1 Coríntios 11.23-26 (NVI), lemos:

“Pois eu recebi do Senhor o que também lhes transmiti: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim’. Da mesma forma, depois de cear, tomou o cálice e disse: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, todas as vezes que o beberem, em memória de mim’. Porque, todas as vezes que vocês comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês proclamam a morte do Senhor, até que ele venha.”

Perceba: foi à mesa que o Pai, por meio do Filho, selou a nova aliança. O pão representa o corpo que foi entregue para que nós, filhos adotados, tivéssemos acesso direto ao Pai — sem véu, sem barreira, sem porta fechada. O cálice representa o sangue que nos qualificou como herdeiros, conforme Efésios 1.5 (NVI):

“nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade.”

Então, ao comer o pão hoje, lembre-se: o Pai Se importa tanto com você que abriu mão do próprio Filho para que as portas ficassem escancaradas para sempre. Ao beber do cálice, lembre-se: essa aliança não é fruto do seu merecimento, é fruto da graça — a mesma graça que disciplina em amor e que trabalha, até nas dores, para o seu bem.

Antes de participarmos, façamos um momento breve de exame interior. Se você reconhece hoje que ainda vive com mentalidade de servo distante, e não de filho amado, aproveite este instante para se render. Como está escrito em Romanos 8.15 (NVI):

“vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’.”

Vamos orar, partir o pão e beber do cálice, celebrando que, mesmo quando fomos incapazes de reconhecer os feitos dEle na cruz do Calvário, fomos gerados, perdoados e amados por um Pai que nunca desistiu de nós.

(Momento de oração de consagração, partilha do pão e do cálice, conduzido pelo pastor.)


Ministração realizada pelo pastor Elton Melo na Igreja Batista Independente de Curitiba — para saber mais sobre este assunto:

Pai Nosso: 30 dias para aperfeiçoar a arte da paternidade,
Conferência Família: um fim de semana para restaurar casamentos, fortalecer pais e edificar lares sobre Cristo,
3 maneiras de aprender com as falhas parentais de seu pai,
Nada é difícil demais para Deus: 3 passos para ver milagres,
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