Depois da décima praga sentenciada ao Egito, os Hebreus têm a permissão para, enfim sair do Egito, colocando-se como ordenança a observação da páscoa aos filhos escolhidos de Deus. Páscoa, do hebraico PESACH, do grego, PÁSCHA, significando passagem ou saída do povo Hebreu do domínio egípcio. Portanto, originalmente, os povos não judeus, não teriam razão para comemorar a páscoa. (Êxodo 12.37-51).
Festa para os judeus
Realmente, não há sentido para os povos pagãos, que não acreditam no nosso Deus como o Senhor Jeová, viessem a consagrar um dia especial para tal evento. Fica, então, evidente que a festa da páscoa tem uma ligação única e exclusiva com o povo judeu. Portanto quando se observa a páscoa, para os judeus é: “Trazer a memória o livramento do passado.” A páscoa, começou a ser observada junto com os ázimos, trazendo uma significação do cordeiro sacrificado, e que aspergido, seu sangue nos umbrais das portas poupou a vida de seus primogênitos.
Para os cristãos do Novo Testamento, a festa da páscoa tem o seguinte significado: “Dia de relembrar o sacrifício do Cordeiro de Deus (Jesus), que tira o pecado do mundo.”
Festivais em outras culturas
Porém em outras culturas comemora-se quase na mesma data, o início da primavera, dia de renascimento e fertilidade. Os cananeus também tinham uma dança ritual, denominada “pasah”, onde o objetivo era adorar a Ba’al, pois Baal é a junção de nomes coletivos das divindades da natureza, que cultuadas traziam proteção aos bosques, montanhas e seria o doador das chuvas, enfim, um monte de crendices.
Sendo ainda aplicado como a passagem do Sol pela constelação do carneiro, ou da lua para o seu ápice. (hoje interpreta-se Baal um acrônimo, sendo as iniciais de Belzebu, Astarote, Asmodeu e Leviatã). Temos, ainda que a páscoa era uma festa entre os pastores nômades, que ofereciam os primogênitos dos rebanhos as divindades, que cultuadas, protegeriam os rebanhos das doenças ou quaisquer outros deméritos, na prática do pastoreio, contudo biblicamente a primeira referência é a ordem de Deus, com relação a última praga.
Como Deus ensinou a Moisés?
Moisés começou a celebrar a Páscoa, como sentido memorial, unindo festa da pascoa, com festa dos pães Ázimos, na primeiro lua cheia da primavera, no dia 14 do primeiro mês o calendário hebreu, abib, que mais tardes veio a chamar-se de Nisan na babilônia, este mês situa-se entre março e abril, dentro desta celebração memorial, observa-se o sacrifício do cordeiro, este sem defeito, pães sem levedura, tipificando a saída rápida e ainda ervas amargas, esta última para lembrar, do tempo de escravidão. Devemos nos lembrar que o calendário hebraico da época era baseado no ciclo lunar e não como conhecemos hoje.
Onde entram os ovos?
Buscando na origem da páscoa, onde aparece, o cordeiro, o sangue, pães asmos, e ervas amargas onde estaria o ovo? O ovo aparece primeiro nos festivais pagãos onde algumas culturas divinizavam o Sol, relativizando o ovo como um pequeno Sol. Porque se relaciona diretamente o ovo como a origem da vida e fecundidade.
Não se tem afirmação de sua origem, fato é que os chineses, para receber a primavera coziam os ovos colorindo-os, que por sua vez, eram distribuídos aos amigos, como que refletindo os raios solares (deus sol), símbolo da renovação. Possivelmente esse costume foi introduzido no ocidente pelos germânicos, pois os europeus haviam assimilado o costume chinês. Este hábito foi romanizado no século XVIII, quando a igreja católica adotou este símbolo pagão, santificando-o como símbolo da ressurreição, pois um ovo, onde aparentemente não há vida, depois de aquecido em temperatura adequada (chocado) surge uma vida.
Como podemos observar tudo que é profano para continuar a ser cultuado o inimigo, coloca uma roupagem nova e tudo segue o seu curso. Convenientemente, passou-se a fabricar ovos de páscoa com cacau. No passado a cultura dos maias e astecas já conhecia os poderes do chocolate, batizado em 1753 pelo botânico Linneu, de THEOBROMA CACAO, tido pelos gregos como o alimento dos deuses.
Maias e Astecas consideravam este alimento sagrado, com poderes afrodisíacos e energéticos, por um bom tempo somente os Reis e soldados podiam alimentar-se de tal iguaria. Os Astecas usavam o cacau como moeda. Adentrando o Século XX, juntaram todas estas observâncias pagãs e transformaram isto tudo nos bombons e ovos de páscoa.
Por isso, quando chega a páscoa é difícil encontrar alguém que saiba seu real significado, pois crianças e mesmo os adultos, quando pensam em páscoa imediatamente associam com os ovos de chocolate. Com isto quem dita as regras já não é mais a festa original do Cristo ressuscitado, e sim o comércio.
Portanto devemos sempre ter em foco que, Jesus é o mais importante na páscoa e não chocolates e guloseimas.
“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Romanos 14.17).E
E o coelho?
Na história encontramos alegações referentes ao coelho que nos diz que devido ao fato deles serem notáveis reprodutores e que Jesus se refez no ato da ressurreição, nada melhor do que o coelho para simbolizar o renascimento de Cristo. Outros apresentam que na introdução desta tradição na América se deu com os germânicos, isto em meados de 1700, com alusão ao fato de que uma humilde senhora, depois de haver coloridos alguns ovos, os escondeu, e mandou seus filhos procurarem os ovos. Ao procurarem, encontram ovos em uma ninhada de coelho, daí gerando a crença de ter sido o coelho o feitor de tal proeza. Divulgando-se o acontecimento, creditando ao coelho o feito.
Entretanto, babilônicos e egípcios, consideravam o coelho como símbolo da lua, portanto uma vez mais símbolos pagãos, derivados de mistérios antigos associam-se a igreja para representarem em simbologias pagãs cristianizadas, como coisas santas.
Forma correta
Páscoa em sua raiz bíblica, devia ser celebrada da seguinte forma:
“Disse o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito: este mês será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um poder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro. cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito; e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem; naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão. Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo; a cabeça, as pernas e a fressura. Nada deixareis dele até pela manhã, o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis. Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor.” (Êxodo 12.1-11).
Nesta narração bíblica, vemos claramente a distorção da páscoa nos dias de hoje, que pena, pois temos que entender que Jesus foi a substituição deste cordeiro, para que sendo Ele sacrificado pudesse reaproximar o Homem a Deus, nos resgatando, da morte para a vida, resgatando que significa: Recomprar, portanto, fomos recomprados por Jesus, na páscoa.
Conclusão
Acredito que devemos festejar com alegria a páscoa, não no sentido comercial, pagão religioso, mas sim na ressurreição de Cristo ao terceiro dia que é prova inconteste de sua vitória sobre a morte!
Leia o livro FESTAS CRISTIANIZADAS e entenda melhor como elementos não cristãos se misturaram com elementos cristãos e quais as consequências disso para a nossa vida espiritual hoje. NISAN ou NISSAN, refere-se à grafia da letra em Judaico e Babilônico – Para entender mais como os judeus contam o tempo, acesse o artigo do autor em: https://www.alcancevitoria.com/entenda-como-os-judeus-contam-o-tempo/
Selito Carlos Meira, apóstolo, nascido em 1965, batizado nas águas em 1978 e consagrado pastor em 1988, é escritor e professor de Ensino teológico. Casado com a pastora Ruth Meira tem dois filhos: Gabriel e Isabel. Fundador e presidente da Igreja Comunidade do Evangelho, reside na Europa, com ministério Internacional. Livro foi editado pela editora alcancevitoria.com e está disponível em todos os site da Amazon. |
Selito Carlos Meira, apóstolo, nascido em 1965, batizado nas águas em 1978 e consagrado pastor em 1988, é escritor e professor de Ensino teológico. Casado com a pastora Ruth Meira tem dois filhos: Gabriel e Isabel. Fundador e presidente da Igreja Comunidade do Evangelho, reside na Europa, com ministério Internacional. Livro foi editado pela