O crescimento da Igreja Evangélica brasileira tem assustado os militantes e pensadores de esquerda. Recentemente uma organização chamada Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, lançou uma Cartilha sobre evangélicos. (clique sobre o título para ler a cartilha). Eles prepararam uma cartilha para ensinar como se entrar em igrejas, dialogar com os crentes das mais variadas vertentes, dos protestantes históricos, passando pelos pentecostais ao neopentecostais.
Fiz a leitura do material e pela minha militância na esquerda – Elton Melo antes de ser um cristão era militante do PT/PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário – partido mais radical da esquerda brasileira, é clandestino ainda hoje e sempre pregou a luta armada como meio de tomada de poder) -, percebo que há uma mudança, pelo menos, para haver um diálogo. E há também uma autocrítica sobre a forma e as pautas que a esquerda acabou abarcando nos últimos anos. A cartilha é extremamente didática e até traz perguntas perguntas que devem ser feitas e grupos que devem ser abordados dentro das igrejas, ou no contato com os membros das igrejas. A cartilha é intelectual e prática ao mesmo tempo.
Evangélicos e trabalho de base
O material, por sinal bem fundamentado, se debruça sobre o fenômeno religioso do crescimento dos evangélicos no Brasil. Os evangélicos já representam mais de 30% da sociedade brasileira. Mas afinal, quem são os evangélicos? Como e por que eles cresceram tanto nas últimas décadas? O que os evangélicos pensam sobre a esquerda brasileira? Essas são algumas perguntas que a cartilha “Evangélicos e Trabalho de base” pretende responder.
Um trecho do livro destaca: “Quais as portas de entrada possíveis para esse diálogo? Como trouxemos, dificilmente adentrarmos este universo com pautas nossas de forma enfática será eficiente; vamos então elencar outras possibilidades? Que tal propor alguma atividade por meio de um militante de esquerda evangélico na igreja dele? Converse com companheiros de outras cidades, outras regiões, o que deu certo e o que não deu nessa tentativa de diálogo inicial?”
A cartilha foi escrita por uma instituição internacional, organizada por movimentos, com foco em estimular o debate intelectual para o serviço das aspirações do povo. Ou seja, intelectuais de esquerda, ensinando os militantes de esquerda como comprender o fenômeno religioso e como estabelecer “pontes” para obter o voto evangélico e o apoio às teses que a esquerda defente, buscando assim diminuir as resistência da maior parte do eleitorado evangélico.
Veja esta trecho: “Vale considerar: os evangélicos (maioria) são mais sensíveis às pautas de renda do que identitárias – e aqui, de novo, vamos sim trabalhar as pautas identitárias em nossos territórios, mas talvez necessidades mais cotidianas da vida dos trabalhadores sejam mais eficientes na construção de elos de proximidade e confiança entre militantes e base evangélica.”
Ainda em outro trecho: “Muitas vezes consideramos difícil o diálogo porque encontramos barreiras que já foram trabalhadas nas igrejas, nos grupos de WhatsApp, sobre algumas palavras como feminismo, direitos humanos, gênero… Precisamos aprender a disputar essas palavras e não vamos fazer isso sozinhos, visto que temos aliados evangélicos, teólogos e teólogas que já produzem conteúdos e algumas estratégias que precisamos absorver em nosso trabalho de base” (grifo meu).
Recomendo a todos os líderes cristãos a leitura da cartilha. Acesse aqui: https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/02/20220202_Evang.pdf