O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no dia 18 de maio, lembra uma das mais perversas formas de violência. Essa causa é de extrema importância para a nossa sociedade. Não é de hoje que crianças e adolescentes são abusados sexualmente. Por que isso ocorre? Quais as formas desta violência? Quais as consequências para a vida da criança e família? Como este mal pode ser combatido? Quais as promessa da Palavra de Deus, para cura e restauração? Onde buscar ajuda.
1- O que é?
No vídeo acima, a pedagoga Viviane Rossatto, de Curitiba, PR, que trabalha numa das maiores escola pública da capital paranaense, comenta como acontece o abuso sexual e descreve como os pais podem prevenir esta situação, bem como resolver depois que aconteceu. Ela comenta as situações que diariamente acontecem na escola onde trabalha. Ela é membro da Igreja Batista Independente de Curitiba.
No Brasil, 70% das vítimas da violência sexual são crianças e adolescentes,segundo o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Desses casos, 95% são praticadas por pessoas conhecidas das crianças, e em 65% deles há participação de pessoas do próprio grupo familiar. Nas relações de abuso, muitas vezes, as crianças e adolescentes são manipulados emocionalmente e não percebem que são vítimas.
Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, foi definido em todo 18 de maio, porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o Caso Araceli Crespo. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune.
Por isso, é importante ficar atento aos possíveis sinais de abuso e exploração sexual. A seguir, saiba como identificar esses sinais:
- Surgimento de medos que não haviam (medo do escuro, de ficar sozinha ou perto de determinadas pessoas).
- Mudanças radicias no humor (introversão ou agressividade).
- Rejeição repentina a pessoas ou lugares específicos.
- Falta de concentração.
- Recusa a participação em atividades.
- Mudanças na alimentação e no modo de se vestir.
- Desaparecimento por longos períodos acompanhado de outras pessoas.
- Interesse incomum de pessoas mais velhas por ficar sozinhas com as crianças.
- Retorno de hábitos que a criança já havia perdido (xixi na cama, chupar o dedo ou choro sem motivo aparente), medo de dormir sozinha.
- Regressão no convívio social (isolamento, falta de confiança, fuga do contato físico).
- Criança pode passar a ter medo de dormir sozinha.
- A criança ou o adolescente pode sofrer com ameaças ou chantagens para ficar em silêncio.
- É comum também o uso de presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a vítima.
- Crianças que nunca falaram sobre sexualidade podem passar a fazer desenhos que envolvem o assunto.
- Brincadeiras com os amigos com cunho sexual (possivelmente reproduzindo a ação do agressor).
- Interesse por questões sexuais como toques nas genitais de outras pessoas.
- Pais, fiquem atentos a possíveis traumatismos físicos e lesões que possam aparecer (roxos ou dores e inchaços nas regiões genitais).
2- Como e porque acontece?
A pedofilia é um problema enfrentado em diversas culturas. Em tempos passados os atos pederastas eram aceitos como algo necessário ao desenvolvimento do adolescente, sendo uma prática normal uma jovem ser iniciado sexualmente por um homem mais velho, as quais tinham como normal, o relacionamento sexual com adolescentes, inclusive com pessoas do mesmo sexo. Na Grécia Antiga, estas praticas eram aceitas como cerimônias religiosas, pedagógica, magia e medicina, onde a prática sexual entre uma pessoa mais velha e um jovem, era encarada de forma natural pela família destes adolescentes. Funcionava com a iniciação do jovem à fase adulta, o jovem de sexo masculino era iniciado sexualmente por um homem mais velho. O pedófilo pode ser homem ou mulher, e eles não são tão incomuns como se pensa,
Segundo a Unicef, só no Brasil, mais de 250 mil crianças são vítimas de exploração sexual infantil. O crime (somados ao tráfico humano para exploração sexual) fica posicionado em terceiro lugar na lista de maiores movimentações econômicas, perdendo somente para Drogas e Armas, e, no país, quase mil municípios, entre os pouco mais de 5 mil, possuem registro de casos contra exploração sexual infantil.
O perfil do abusador. Na maioria dos casos de abuso sexual infantil, o abusador é alguém que a criança conhece, convive, confia e ama. Na maior parte das vezes, ele é membro da família e dispõe de certo poder sobre a vítima, como pai, padrasto, irmãos, primos, tios ou avós. Fora do âmbito familiar, o abuso também pode acontecer e o abusador costuma ser alguém conhecido da criança e com quem ela tem uma relação de confiança, como amigos da família, vizinhos, educadores, médicos, psicólogos, responsáveis por atividades de lazer e até técnicos de modalidades esportivas. Raras vezes o abusador é uma pessoa desconhecida.
No entanto, o abuso sexual não é culpa da vítima. Ninguém merece sofrer abuso sexual. O agressor, e só ele, é totalmente responsável por seus atos.
3- Consequências para a vida da criança e família?
Uma criança abusada sempre sofrerá sequelas dessa violência, desenvolvendo problemas de relacionamento e até de comportamento, como o abuso de drogas e medicamentos na adolescência, atitudes agressivas, quadro depressivo e assim por diante. A vítima poderá apresentar sentimentos confusos e nem sempre a criança consegue compreender o que está acontecendo no momento, percebendo a situação posteriormente, quando ela processa que aquilo vivido foi uma agressão. É comum que essas crianças cresçam com sentimentos como:
- medos aparentemente infundados;
- sentimentos de culpa;
- imagem corporal negativa;
- dificuldades para estabelecer confiança interpessoal.
Le
ia mais: “Como o abuso sexual afeta a vida de uma criança”, por Maryane Pineti Sponton
4- Como este mal pode ser combatido?
É preciso explicar para a criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com seus pais. Como prevenir o abuso sexual infantil? Veja algumas dicas que podem ajudar a proteger o seu filho contra essa violência:
- Converse com a criança sobre as partes íntimas do corpo – ensine o nome correto das partes do corpo e explique sobre as partes íntimas, ensinando que ninguém poderá tocar nessas regiões e nem vê-las, apenas os pais quando forem dar banho ou trocar de roupa.
- Explique sobre os limites do corpo – Ensine a criança a não permitir que ninguém toque as suas partes íntimas, ou ainda, que ela não toque nas partes íntimas de nenhuma pessoa.
- Incentive a criança a conversar com você – é preciso que o seu filho se sinta seguro para lhe contar qualquer coisa, inclusive uma situação de abuso.
- Ensine que segredos não são coisas boas e que ele sempre poderá (e deverá) contar a você tudo o que acontece.
- Saiba com quem seu filho anda e o que ele está fazendo.
5- Promessa da Palavra de Deus.
A Bíblia condena o abuso sexual. A Bíblia ressalta que já há mais de quatro mil anos, uma multidão de pessoas que só pensavam em sexo tentaram estuprar dois homens que estavam visitando a cidade de Sodoma. Isso explica por que o Senhor permitiu destruiu aquele lugar (Gênesis 19.4-13). Além disso, a Lei Mosaica proibia o incesto e o abuso sexual de um membro da família (Levítico 18.6).
A Palavra de Deus tem respostas para curar.
Vítimas de abuso sexual podem sentir muita vergonha pelo que aconteceu. Algumas até acham que o abuso foi por culpa delas. Carina, (nome fictício) sofreu abusos sexuais dos 6 anos aos 13. Para ela, mesmo já sendo adulta, a coisa mais difícil é lidar com a culpa. Precisamos compreender:
- Crianças não estão preparadas para fazer sexo: nem em sentido físico nem em sentido emocional.
- Os adultos têm condições de avaliar todas as consequências dos seus atos sexuais, as crianças não;
- Crianças geralmente confiam nos adultos e não percebem quando alguém está tentando enganá-las;
- Molestadores são vigaristas muito bons, e uma criança cai fácil na manipulação deles;
- Uma criança pode ficar sexualmente excitada enquanto sofre o abuso.
A Palavra de Deus afirma que A Bíblia diz: O homem mau pagará pelo mal que [ele] fizer. Ezequiel 18:20, Tradução da Sociedade Bíblica Portuguesa.
6- Onde buscar ajuda.
Neste vídeo as crianças são ensinadas a cuidar do seu corpo, bem como contar aos pais, sobre o que lhe acontece. O nome da música é “Corre e conta tudo”, de autoria de Lúcio Monteiro.
No Brasil, o Disque 100 é um serviço gratuito disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República que registra denúncias anônimas de jovens que se sintam ameaçados ou que sofreram qualquer tipo de abuso ou exploração sexual.
A Igreja Batista Independente de Curitiba se preocupa com estas questões e se coloca à disposição da comunidade para ajudar os pais e as crianças que sofrem este tipo de abuso. Nos solidarizamos com as famílias envolvidas. Em todos os ministérios que envolvem crianças e adolescentes procuramos aplicar princípios para garantir a segurança das crianças e adolescentes.
Fontes e créditos:
- https://www.facabonito.org.br/
- https://www.childfundbrasil.org.br/blog/prevencao-ao-abuso-sexual-infantil-como-proteger-os-seus-filhos/
- https://www.youtube.com/channel/UCNJ_dWSJ9–ZQwiLj84ltOQ/about
- Maryane Pineti Sponton – Como o abuso sexual afeta a vida da criança.
- Viviane Rossato – vídeo – https://www.youtube.com/watch?v=CHO_iHH6W2s
- Pr. Michael Romagnoli – fotos e artes