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Arão: experiências marcantes no exercício da liderança

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Introdução: Arão é um personagem distinto e importante na história do povo de Deus.  Ele foi chamado, usado e também reprovado por Deus. O que nos ensina que o Senhor não tem compromisso com homens. Deus pode usar homens e mulheres para os seus propósitos, mas isso jamais significa que o Senhor aprove qualquer ação humana fora dos seus propósitos. No tempo certo, o Senhor traz à luz o que estava oculto, envergonha, disciplina e corrige o seu povo. Não é diferente com os líderes.

A história de Arão nos ensina muito. E precisamos aprender com os personagens da Bíblia, através de seus bons e maus exemplos, para que a nossa vida, hoje, esteja cem por cento alinhada com o seu propósito para o nosso tempo. A Bíblia não é um livro de história, é um livro de orientações práticas para a vida na terra, até que Jesus volte e seu Reino seja estabelecido definitivamente. Por isso, podemos olhar para Arão, aprender e mudar a nossa prática. Consideremos três papéis fundamentais de Arão ao longo de sua história.

Objetivos da lição:

CONHECER PERCEBER PRATICAR
A história de Arão, a implantação do ofício sacerdotal, e os desafios de liderar um povo rebelde. As etapas distintas que marcaram a vida de Arão: chamada, decisões certas e erradas, e o privilégio/ responsabilidade da função sacerdotal. Na essência, o que aprendemos com a história e a vida sacerdotal de Arão? Debata.

TEXTO ÁUREO

Faça um diadema de ouro puro e grave nele como se grava um selo: Consagrado ao Senhor. Êxodo 28.36

TEXTOS BÍBLICOS INSPIRATIVOS:

O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”. Respondeu-lhes Arão: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim”. Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Arão. Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: “Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito! ” (Êxodo 32.1-4).

Miriã e Arão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher cuxita. “Será que o Senhor tem falado apenas por meio de Moisés? “, perguntaram. “Também não tem ele falado por meio de nós? ” E o Senhor ouviu isso. (Números 12.1,2).

Depois o Senhor disse a Arão: “Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro, e ensinar aos israelitas todos os decretos que o Senhor lhes deu por meio de Moisés”. (Levítico 10.8-11).

“Chame seu irmão Arão e separe-o dentre os israelitas, e também os seus filhos Nadabe e Abiú, Eleazar e Itamar, para que me sirvam como sacerdotes. Para o seu irmão Arão, faça vestes sagradas que lhe confiram dignidade e honra. (Êxodo 28.1,2).

1- O papel de Arão como mentor de Moisés

John Maxwell destaca um importante papel de Arão: mentorear Moisés para ser o grande líder do povo de Deus, durante as 10 pragas que aconteceram no Egito. (Êx 5.1-12.37). Nas cinco primeiras pragas, foi Arão que usou o cajado de Deus, enquanto Moisés observa (Êx 7.19). Na sexta praga, a das úlceras, Arão e Moisés trabalham juntos. Mas, a partir da sétima praga, Moisés assumiu o controle, sob a observação de Arão.

Deus usa pessoas para nos ensinar o que e como deve ser feito ser feito para que possamos obedecer seu chamado em nossa vida. Ele prepara seus líderes através de outros líderes. Cada fase na nossa vida é marcada por um processo distinto. Deus sempre está colocando pessoas nas nossas vidas para que sejamos os seus mentores espirituais. O apóstolo Paulo, afirma que devemos ser seus imitadores, assim como ele é de Cristo (1Co 11.1), isso significa que Des usa pessoas para ensinar, acompanhar e estimular a outros. Isso é discipulado, compreendido nas ações de mentoreio, visando que o novo discípulo receba um pouco do que temos, afim de que cresça de forma sólida em todas as áreas da vida cristã.

Quando falhamos em discipular os mais jovens, mentorear futuros líderes, estamos “matando” a próxima geração. A obra de Deus é geracional. A nossa geração hoje, só é o que é, porque recebemos mentoreamento daqueles que nos precederam. Estamos entrando na terceira geração de crentes batistas independentes no Brasil. Não podemos perder o legado dos nossos missionários suecos. Mas precisamos avançar com novas respostas para os desafios do nosso tempo.

 Aplicação:  Comente com os demais, uma situação onde Deus usou uma pessoa para te ensinar, mentorear. Quem foi  seu mentor? Quem te ajudou nos primeiros passos na sua profissão?

2-  Liderar tem custos e expectativas a serem supridas

Arão recebeu, junto com Moisés, um chamado divino. Embora as funções fossem diferentes, a importância era crucial para o desenvolvimento do caráter do povo de Deus no deserto. Deus escolheu Arão e seus filhos para servirem como sacerdotes de Israel e encarregou-os para executarem os rituais e sacrifícios em favor de todos os israelitas. As Escrituras fornecem detalhes minuciosos sobre a ordenação e o chamado dos mesmos. A conduta deles devia ser irrepreensível, e Deus deixou muito claro que, em falhando no cumprimento das orientações por ele estabelecidas, resultaria em morte.

Quando um líder do povo de Deus falha, o povo, a Igreja e a denominação como um todo sofre as consequências. No dia em que Arão falhou, “caíram (morreram) do povo… uns três mil homens” (Êx 32.28). Hoje não é diferente. O pecado na vida de líderes se manifesta nos entraves que a Obra vive, na baixa consistência da vida cristã moldada pelos valores do mundo, na superficialidade do conhecimento bíblico, mas terrivelmente, também, expressa pelo grande volume de desigrejados que temos no nosso país. A realidade da igreja brasileira não é fruto do acaso e cabe aos pastores em geral uma autocrítica e um retorno à vida de santidade; e ao povo de Deus, ao mesmo tempo, um retorno à disciplina básica conforme ministrado em 2Crônicas 7.14 – Deus está tratando com a Igreja brasileira.

 Aplicação: Será que se não tivéssemos tantos maus testemunhos por parte dos líderes a Igreja brasileira não seria uma uma igreja mais avivada? E qual o papel dos membros das igrejas nisso? Dá para jogar a responsabilidade só para os líderes?

3 –  Um chamado à excelência

Todos nós temos um chamado como cristãos: ser SAL da terra e LUZ do mundo (Mt 5.13-14). Não é, portanto, uma vida de mediocridade, de qualquer jeito. No Antigo Testamento, o peso maior era dado à liderança, mas no Novo testamento, todos somos chamados à responsabilidade através do sacerdócio universal (Ef 2.18-21). é muito fácil transferir a culpa para o seu pastor, mas você já parou para pensar que o processo é contigo, também?

Deus deu a todos nós PODER e AUTORIDADE (Lucas 10.19-21).  A palavra “autorizar” é derivada da palavra latina que significa “aumentar ou crescer”. Frank Damazio nos lembra que a palavra “autorizar” sugere o significado espiritual de “um construtor de edificações espirituais; o criador de famílias espirituais; uma pessoa que realiza ações espirituais; o autor de escritos espirituais; o mestre de conhecimento espiritual; um conselheiro de ações espirituais; um promotor de planos espirituais; um sustentador de leis espirituais; um líder espiritual na vida pública; um modelo de conduta espiritual; um guardião espiritual de mulheres e menores; e um vencedor do bem-estar espiritual de outros.”

A autoridade é derivada de uma ordenação. Assim como Arão foi ordenado por Deus em seu tempo, nós também hoje, somos ordenados por Jesus para sermos ministros da nova aliança. Essa é a razão pela qual a Igreja precisa urgentemente começar a exercer o seu chamado a um mundo que jaz no maligno.

E como a Igreja fará isso? De duas formas: a) vivendo o padrão divino, e, b) exercendo o poder e a autoridade recebida. quando invertemos a ordem, corremos o risco de exercer o poder de forma deturpada, gerando maus testemunhos aos outros. Há quatro atitudes para todo o cristão que deseja viver a excelência do padrão divino:

  1. Praticar valores divinos em todas as áreas da sua vida, cuidando dos interesses de outros e não apenas dos seus próprios.
  2. Viver de maneira íntegra (honesta e diligente), cumprindo a palavra empenhada, administrando bem o tempo, os recursos e os talentos, como um bom mordomo.
  3. Desenvolver os seus dons (espiritual) e o seu potencial (emocional e profissional) .
  4. Discipular outra pessoa na vida cristã, com o que recebeu.

Arão foi um líder respeitado por Deus até o último momento de sua vida (Nm 20.23-29). Seus filhos acertaram e falharam (Lv 10.1-6). Nos ensinaram princípios para zelar pela Obra de Deus. Seus acertos e erros estão registrados para nossa observação e prática. Não se trata de voltar ao Velho Testamento, mas de aplicar princípios eternos ao nosso tempo.

Aplicação: Se cada um de nós fôssemos mais aplicados e disciplinados na Obra do Senhor, como a nossa Igreja seria hoje? Antes de apontar culpados, o que você pode fazer na sua vida?

Conclusão

A história de Arão nos ensina que o nosso chamado não é para nós mesmo, mas para transferir valores aos nossos filhos, sejam eles naturais ou espirituais.  A liderança e a vida cristã requerem de nós os padrões divinos e não os padrões do mundo. A Igreja precisa ser o SAL que traz saúde ao mundo doente pelo pecado e precisa ser a LUZ que é a referência para os perdidos em trevas.

Em toda a história do mundo nunca houve tanta possibilidade de expansão do cristianismo quanto hoje, mas não se iluda, pois a obra não se expande apenas por uma oferta missionária (embora importante), mas conjuntamente pelo impactante testemunho do cristão diante de todos. Sejamos a verdadeira Igreja que avança sobre o mal!


REVISTA DE ESTUDOS BÍBLICOS – Redator: Pr. Elton Batista de Melo –  Lição 10      05 de março de 2023

Referencial bibliográfico:

MAXWELL, John. BÍBLIA DA LIDERANÇA CRISTÃ. São Paulo : Thomas Nelson Publishers, 2002


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