Avivamento Polissêmico: uma análise crítica do “The Send”

A cultura da presente geração é o que é definido como pós-modernidade ou, como alguns sugerem, modernidade moderna. Existem diversos componentes que definem este novo período histórico no qual estamos inseridos. O desafio de cada geração consiste em reconhecer o “espírito da época” em que vivem e irem além de alguma forma. A fim de desempenhar tal tarefa, identificar as características culturais torna-se indispensável. De acordo com José William, a quebra da continuidade histórica, a fragmentação e a superficialidade são características que, inevitavelmente, permeiam todas as esferas sociais. Outro fator importante a ser destacado reside na importação dos produtos marginalizados para o centro cultural. Isso é importante ser destacado, porque dentro do movimento neopentecostal, que é um fruto da cultura pós-moderna, os jovens — grupo marginalizado até outrora — foram incluídos para o centro da vida social (Araújo, 2007; Do Vale, 2013). Portanto, os movimentos neopentecostais, como The Send, seriam um novo mover de Deus ou seriam meramente frutos da cultura pós-moderna? Com o propósito de responder esta pergunta, analisar-se-á, não exaustivamente, as origens históricas que possibilitaram o surgimento deste movimento, seus ensinamentos, líderes e por fim, uma crítica, sugerindo caminhos alternativos para não ser polissêmico quanto ao avivamento bíblico.

AS TRÊS ONDAS DO PENTECOSTALISMO

No Brasil, sociólogos como Ricardo Mariano, estudam o fenômeno do pentecostalismo brasileiro dentro de três ondas (Mariano, 1999). Em sua obra intitulada “Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil”, o autor afirma que o pentecostalismo estabeleceu-se no Brasil em 1910 — à época, terras tupiniquins — quando Luigi Francescon, Daniel Berg e Gunnar Vingren se achegaram no Brasil..

Luigi Francescon foi um italiano que mudou-se para os Estados Unidos em 1890, depois de cumprir o serviço militar. Em solos americanos, teve contato com o pentecostalismo e sentiu-se chamado para proclamar o Evangelho ao redor do mundo, especialmente para seus compatriotas (Romero, 2005). Após viajar para a Argentina, o pregador chegou ao Brasil, estabelecendo-se no estado do Paraná, onde pregou intensamente. Posteriormente, percebeu uma grande oportunidade em São Paulo, onde persistiu nas pregações, fazendo adeptos à fé pentecostal (Santos et al, 2017). Luigi fundou a Congregação Cristã do Brasil em 1910, ano de sua chegada ao Brasil.

No ano posterior ao surgimento da Congregação Cristã do Brasil nasce outra denominação pentecostal no Brasil, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, por meio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg (Romero, 2005). Estas duas denominações caracterizam o pentecostalismo de primeira onda ou clássico (Mariano, 1999).

A segunda onda pentecostal teve seu início nos primeiros anos da década de 1950. Esta segunda onda é de suma importância para o neopentecostalismo moderno, haja vista que diversos elementos iniciados por eles serão incorporados posteriormente. Dentre suas características, vale destacar o grande uso da mídia, principalmente o rádio, para a propagação da mensagem de cura divina. Se a Congregação Cristã do Brasil e a Igreja Evangélica Assembleia de Deus foram as marcas do pentecostalismo clássico, a Igreja do Evangelho Quadrangular é, com certeza, a marca da segunda onda. Seus fundadores foram Harold Williams e Raymond Boatright, que eram missionários norte-americanos (Mariano, 1999) e enfatizavam a cura divina.

Em sua obra, Mariano destaca a importância das mensagens sobre cura divina para o crescimento vertiginoso de um novo movimento dentro do pentecostalismo, o neopentecostalismo (Mariano, 1999). O neopentecostalismo ganha maior expressão em 1980, apesar de existir desde os anos de 1970. Embora este movimento seja numeroso, defini-lo é sempre dificultoso dado ao fato de que diversas práticas são incorporadas, segundo Ricardo Mariano, um movimento de pouca homogeneidade teológica (Mariano, 1999, p. 38). Provavelmente, este fato pode ser relacionado a características pós-modernas, como a quebra de continuidade histórica por exemplo (Araujo, 2007).

Nos Estados Unidos, durante os anos de 1940, surgiu um grande movimento efetuado por evangelistas que propagavam a Teologia da Prosperidade (TP), a qual anos mais tarde (1970) seria incorporada como um dos fundamentos do neopentecostalismo. Na época de 1940, um dos maiores proclamadores era Kenneth Hagin (1917–2003), que difundiu, além da TP, a Confissão Positiva — experiência que conduzia o crente a decretar de tal modo que aquilo aconteceria devido o poder da palavra somado a graça de Deus (Mariano, 1999, p.152). Estas práticas levariam os fiéis a desfrutarem de saúde plena, bênçãos materiais, vitória sobre o sofrimento e sobre o Diabo.

A ALIANÇA MISSIONÁRIA CRISTÃ (C&MA): MOVIMENTO PRÉ NOVA REFORMA APOSTÓLICA (NAR)

Embora o neopentecostalismo tenha surgido em meados de 1970, percebe-se que suas raízes remontam desde 1940 com os evangelistas norte-americanos. Pode-se dizer o mesmo quanto a Nova Reforma Apostólica (NAR). O movimento foi iniciado por Petter Wagner durante uma conferência que, a princípio, foi denominada como “pós-denominacional”, tornado-se a Nova Reforma Apostólica (NAR). Todavia, suas origens são tão remotas quanto a TP de Haign durante os anos de 1940. O surgimento da NAR, não tem somente o neopentecostalismo como base — embora tenha utilizado deste terreno para florescer -, todavia, para se conhecer o movimento (NAR), deve-se retornar um pouco na história — especificamente para o início do último século.

David Wesley Myland (1858–1943) nasceu em Toronto, Ontário no Canadá. Era um pastor Metodista que enfrentou diversas doenças, chegando a ficar paralisado. Após ser curado em uma conferência da Christian and Missionary Alliance (C&MA), tornou-se adepto a cura divina e associou-se ao C&MA. Myland conheceu William Piper, cuja Igreja era reconhecida como o centro do pentecostalismo nos Estados Unidos. Durante os anos de 1909 a 1911, Myland ensinou repetidas vezes na Stone Church, igreja de seu amigo William Piper. A publicação feita por Piper sobre as mensagens de David Myland acerca do “Latter Rain Evangel”, percorreu todo os Estados Unidos, aumentando a popularidade de Myland. O Reverendo David Myland publicou, com a ajuda de Piper, diversos livros, hinos etc (Healing Revival, n. d).

David Wesley Myland costumava utilizar o termo ‘latter rain’ para descrever o avivamento que estava acontecendo em sua época. Apropriando-se alegoricamente de Joel 2:23,Joel 2:23, Myland ensinava que através da narrativa histórica de Israel, especialmente nas colheitas, Deus estaria apontando para uma teoria sobre a Igreja. Dentro dos ciclos de Israel, haviam as chuvas de primavera (early rain) e as de outono (latter rain). Basicamente, o que era ensinado por Myland era que Deus havia derramado a primeira chuva (early rain), concedendo o dom de línguas para o evangelizar todo o mundo, entretanto a segunda chuva (latter rain) seria o restaurar do poder apostólico da Igreja. Este ensinamento se espalhou fortemente em toda a América do Norte (Dewaay, 2007).

Outro nome entra em cena em 1930 — William Branham. Suas pregações eram marcadas pela mensagem “latter rain” somado a manifestações sobrenaturais de curas. Quando Branham foi pregar em Vancouver, British Columbia no Canadá, encontrou George Hawtin e P. G. Hunt. Eles fundaram a Nova Ordem da Latter Rain (NOLR). Franklin Hall escreveu um livro durante este período que contribuiu para o avanço do Latter Rain Evangel. O livro chama-se Atomic Power with God Through Prayer and Fasting, cuja a mensagem central continua sendo a cura divina. Ele declara que, apesar de Deus desejar efetuar as referidas curas, a igreja tem falhado em santidade e fé (Dewaay, 2007).

Vinte e um anos após as pregações de Branham, surge George Warnock com um livro que viria a ser de suma importância para a NOLR. O livro baseia-se em uma interpretação alegórica das festas de Israel, indicando o fim glorioso da Igreja nos dias que antecederiam o retorno de Jesus Cristo (Warnock, 1951). George Warnock revela uma das premissas da NOLR, bem como da futura NRA, quando diz: “Como somos gratos, portanto, que Deus está revelando o padrão de perfeição. Os dons da Ascensão, os ministérios no Corpo de Cristo — estes são os meios de aperfeiçoar os santos — e, como lemos, eles devem permanecer na Igreja até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, para um homem perfeito! “ (Warnock, 1951).

David Wesley Myland, William Branham e George Warnock compreendiam que o poder de Deus revelado nos Atos dos Apóstolos não há de se comparar com tudo o que acontecerá por meio dos apóstolos dos finais dos tempos. Somado a isso, especialmente Warnock tinha uma percepção elitista, triunfalista e herética das Escrituras Sagradas, onde um grupo especial, chamado por ele de os vencedores conquistariam e derrotariam todos os inimigos de Deus. Tendo isso como um fundamento, ele chegou a declarar que estes vencedores obteriam a imortalidade no tempo presente e não no retorno de Cristo. Segundo a lógica de Warnock, todos os inimigos, nos quais ele incluía a morte — o “último inimigo” -, tinham que ser conquistados pela igreja antes que Cristo pudesse retornar. Assim sendo, deverá surgir, segundo ele, um grupo de vencedores que será totalmente vitorioso sobre os inimigos de Deus, tais como o mundo, a morte e Satanás (Warnock apud Dewaay, 2017).

A figura central, por assim dizer, do movimento da Latter Rain foi William Branham. Ele foi um homem considerado por muitos um profeta de Deus, pois tinha o dom de palavras de conhecimento (1 Co 12). Além disso, dizia ter um anjo que lhe acompanhava e lhe transmitia as revelações de Deus. Após a morte de Braham, Err Baxter assumiu seu posto como líder ministerial. Baxter uniu-se a outros, criando um movimento chamado “Fort Lauderdale Five”, vindo posteriormente a fundar a revista Vinho Novo. Eles tornaram-se famosos pelo controverso movimento Shepherding (Kurian et al, 2016).

Os anos se passaram e o movimento Shepherding, bem como o Latter Rain também passaram. Entretanto, ainda que estes movimentos tenham desaparecido, suas ideias permaneceram vivas, esperando um novo campo para florescer. A estrutura de poder elitizada que supostamente iria destruir os inimigos de Deus seria mantida, bem como uma restauração apostólica em poder tal, que superaria o mover que aconteceu ainda nas páginas das Escrituras durante o derramar do Espírito Santo em Atos 2.

A NOVA REFORMA APOSTÓLICA (NAR)

Atualmente a NAR está entre as teologias mais difundidas no mundo. Isso acontece devido ao crescimento vertiginoso do movimento neopentecostal, em que, infelizmente, diversos de seus seguidores desconhecem os seus fundamentos e, em muitos outros casos, desconhecem que sequer fazem parte deste movimento. A falta de consciência histórica oriunda do tempo em que se vive cega diversas pessoas de perceberem o perigo de consumirem eventos proporcionado por estes. Charles Peter Wagner (1930–2016) foi o fundador da NAR durante o ano de 1996, embora Wagner havia cunhado o termo em 1994 (IHOP, 2018). A seguir destacar-se-á trechos onde C. Peter Wagner define no que se consiste a Nova Reforma Apostólica, bem como algumas de suas crenças elementares.

Peter Wagner em seu livro The New Apostolic Churches destaca o motivo pelo qual utiliza o termo Reforma Apostólica: “Eu uso o termo “Reforma”, porque (…) essas novas peles parecem ser pelo menos tão radicais quanto as da Reforma Protestante quase quinhentos anos atrás. “Apostólica” denota uma forte abordagem em relação ao escopo, juntamente com um reconhecimento dos ministérios apostólicos da época. “Novo” adiciona um rascunho contemporâneo ao nome” (Wagner, 2000).

Em outro lugar, Wagner argumenta que “A Nova Reforma Apostólica é uma obra extraordinária que Deus encerra no século XX (…) mudando a forma do cristianismo protestante em todo o mundo. Por mais de quinhentos anos, as igrejas cristãs trabalharam principalmente com estruturas denominacionais tradicionais. Particularmente na década de noventa, mas com raízes que percorrem todo o século, começaram a surgir novas formas e procedimentos operacionais em áreas como o governo da igreja local, relações inter-eclesiais, financiamento, evangelismo, missões, oração, a seleção e treinamento de liderança, o papel do poder sobrenatural, adoração e outros aspectos importantes da vida da igreja” (Wagner apud Oliva, 2011). Por fim, Peter Wagner apresenta a NAR como foi amplamente difundida, embora muitos neguem: “A maioria das Igrejas Novas Apostólicas não apenas acredita na obra do Espírito Santo, mas também regularmente a convida para estar com elas e trazer seu poder sobrenatural. É muito comum, nessa época, observar os departamentos ativos da saúde, a libertação dos demônios, a guerra espiritual, a previsão, o derramamento do Espírito Santo, o mapeamento espiritual, os atos proféticos, a fervorosa intercessão e oração que iluminam e ainda mais em as novas igrejas apostólicas” (Wagner, 2000).

A NAR importa do neopentecostalismo todas suas características. Devido a realidade na qual o mundo gospel se encontra, percebe-se o forte viés da TP, o qual se consubstancia da seguinte maneira: Deus, como Rei do universo, quer que seus filhos sejam ricos e isso, necessariamente, significa uma abundância econômica. Os adeptos desta doutrina reduzem a fé evangélica quando reinterpretam o centro da mensagem do Evangelho: a morte de Jesus na Cruz e Sua ressurreição. Eles creem que Jesus morreu para libertá-los da maldição, que seria a pobreza, e Sua ressurreição tornou isso real a todos os filhos de Deus. Juan Ballistreri, um dos participantes do NAR, disse que ouviu de Deus que a lepra do século XXI era a pobreza (Ballistreri, 2010).

Outro fator que origina-se no neopentecostalismo, mas desenvolve-se de forma agressiva dentro da NAR, é a estrutura eclesiástica. Era peculiar do neopentecostalismo o rompimento com toda a tradição histórica, que naturalmente tornava sua eclesiologia distinta, todavia, dentro da NAR, são expostos o elitismo e autoritarismo. Peter Wagner declara que “nas denominações tradicionais, o locus da autoridade é ordinariamente encontrado em grupos, não em indivíduos. É por isso que estamos acostumados a ouvir sobre placas de diáconos, conselhos de administração, presbíteros, assembléias gerais e assim por diante. Na Nova Reforma Apostólica, no entanto, a confiança passou de grupos para indivíduos. No nível da igreja local, o pastor agora funciona como o líder da igreja ao invés de como seu servo. No nível translocal, o apóstolo é aquele que conquistou a confiança dos pastores e outros líderes; e confiança, inevitavelmente, dá autoridade” (Wagner 2003).

O pastor pentecostal, Bernardo Campos, reconhece que esta estrutura de liderança recebe um poder não visto até então. Assim sendo, resistir a estes “apóstolos” seria resistir ao próprio Deus. Embora esta visão não possa ser mantida a luz das Escrituras, os participantes da NAR apelam para seu ponto de vista polissêmico — uma característica pós-moderna.

PARTICIPANTES DA NOVA REFORMA APOSTÓLICA (NAR)

Durante os tópicos anteriores foi destacado a origem da NAR, bem como as raízes históricas de alguns de seus ensinamentos. Na presente secção, fugir-se-á do comumente debatido, ou seja, da exposição dos erros teológicos cometidos pelos líderes de ministérios que associam-se a NAR. Embora seja tentador ir por este caminho, diversas pessoas já o fizeram com muita propriedade. Por este motivo, adicionar-se-á uma bibliografia externa, a qual foi utilizada para a construção do presente artigo, dedicada somente a pessoas que buscaram refutar aqueles que serão citados aqui. Assim sendo, serão explorados os 11 (onze) principais nomes do movimento e pontuadas questões importantes sobre suas vidas e ministérios.

Charles Peter Wagner (1930–2016) foi um teólogo, que dedicou-se a estudar sobre a missiologia, escrevendo diversos livros sobre o tema, como também sobre a temática da batalha espiritual. Wagner é considerado por muitos um apóstolo devido a todo seu envolvimento com missões e a criação de instituições missionárias como a Reformation Prayer NetworkInternational Coalition of ApostlesEagles Vision Apostolic e Hamilton Group. Além de todas estas frentes, Wagner é o idealizador da NAR (Stetzer, 2016).

Embora não haja muitas fontes disponíveis, outra figura importante para este movimento é John P. Kelly. Ele fundou a International Convening Apostle Leaders (ICAL) em 1999, acreditando que Deus estava o chamando para facilitar novas e contínuas oportunidades de combinar e conectar a sabedoria apostólica (Kelly, n. d). Além disso, Kelly mobiliza diversas pessoas ao redor do mundo com o intuito de formar um exército para Deus que viverá no final dos tempos e dominarão as esferas sociais.

Ché Ahn nasceu em 1956 e é o fundador da Harvest Rock Church nos Estados Unidos. O pastor Ché, como também é conhecido, estudou no seminário Teológico Fuller, onde recebeu o Mestrado em Divindade e o seu Doutorado em Ministério. Ele está envolvido diretamente com o The Call, sendo o presidente do conselho de diretores. Através do pastor Ché, sua igreja vivenciou um crescimento exponencial por meio do anúncio da mensagem do Reino de Deus e por um despertamento espiritual que aconteceu no início de seu ministério (Harvest International Ministry, 2015).

Joseph Prince nasceu em 1963 e é o idealizador da New Creation Church (NCC) que está situada em Singapura. Prince é um televangelista que tornou-se conhecido por suas pregações de hipergraça, bem como sua visão sobre ‘reinar em vida’. Joseph Prince publicou diversos livros populares disseminando suas ideias de hipergraça, domínio e prosperidade. Estas ideias fizeram a NCC crescer drasticamente.

Kenneth Copeland nasceu em 1936 nos Estados Unidos da América e fundou o Kenneth Copeland Ministries. Copeland foi um televangelista que propagou fortemente a teologia da prosperidade por meio dos seus sermões e livros. Após o surgimento da NAR, rapidamente associou-se e foi considerado por eles como um apóstolo. Todd White, um evangelista de cura divina, declarou que Copeland é um pai na fé e um apóstolo desta geração (Bomfim, 2019).

Rick Joyner nasceu em 1949 na Carolina do Norte. Formou-se no seminário teológico e foi pastorear uma pequena igreja. Em 1985, fundou a igreja Morning Star, que ficaria conhecida em todo o mundo como um dos centros mais influentes na disseminação da teologia apostólica e profética. Joyner é um conhecido autor de livros que abordam a temática apostólica e profética, bem como um propagador da teologia do domínio.

Randy Clark estudou no Seminário Batista do Sul em Louisville, Kentucky. Neste seminário, formou-se como Mestre em Divindades no ano de 1977. Antes mesmo de formar-se, Clark já desempenhava o papel pastoral por sete anos. Todavia, durante o ano de 1994 sua vida mudou completamente após entrar em uma pequena igreja ao lado do aeroporto em Toronto, Canadá. Desde então, Randy Clark, que é reconhecido como um apóstolo pela NAR, já viajou mais de 50 (cinquenta) países ministrando cura divina e ensinando. Anos depois, mais especificamente em 2013, Randy Clark foi ao United Theological Seminary, em Dayton, Ohio, para fazer seu Doutorado. (Global Awakening, n. d).

Bill Johnson nasceu em 1951 e é a quinta geração de pastor de sua família. Seu pai fora pastor sênior da Bethel Church enquanto ela ainda estava associada a Assembleia de Deus (Jones, 2016). Antes de tornar-se pastor sênior da Bethel Church em Redding, Califórnia, Johnson foi a uma conferência procurando cura e avivamento espiritual. Após esta experiência, ele declara que percebeu que a fé requer riscos e, então, a realização viria (Strant, 2017). Johnson esteve indo ao Canadá durante 1995, onde descreve que foi profundamente tocado pela Bênção de Toronto, declarando que em Toronto ele aprendeu a buscar o Espírito Santo e seus dons (Johnson, 2009). Atualmente Bill Johnson é considerado um dos líderes mais importantes da NAR, sendo considerado um de seus apóstolos.

Michael Leroy Bickle ou, como ficou conhecido, “Mike Bickle”, nasceu em 1955 e tornou-se o conhecido líder da International House of Prayer (IHOP-KC) produzindo diversos materiais escritos e publicados. Entretanto, para entender um pouco de sua história, é preciso retornar para quando ele tinha somente quinze anos. Durante esta idade, Bickle comprometeu-se com Jesus após ouvir o quarterback do Dallas Cowboys falar sobre seu “relacionamento pessoal com Jesus” (Hipp, 2013). Anos após este ocorrido, Bickle estava pastoreando um grupo que ficou conhecido como “os Profetas de Kansas City”, que inclui Bob Jones, Paul Chain, John Paul Jackson e outros. Em 1999, Bickle deixou de pastorear a Metro Christian Fellowship, onde havia o grupo dos profetas, e começou a IHOP-KC. Eles ficaram mundialmente conhecidos devido a sua sala de oração, que possui o método “harpa e taça” e funciona 24 (vinte e quatro) horas por dia, todos os dias, desde 1999 (Akers, 2015). Mike Bickle faz parte da equipe apostólica da NAR.

Segundo Todd White, sua conversão se deu em 2004 após uma experiência extraordinária. Naquele momento, ele era um usuário de drogas depressivo, que constantemente pensava em suicídio. Após o evento de 2004, White começou a viver e pregar aquilo que havia recebido. Durante vários anos, anunciou nas ruas a cura divina por meio da pregação sobre o amor de Deus. De acordo com Todd White, apesar de vivenciar desde o início de sua caminhada cristã o poder curador divino, somente em 2014, após conversar com um de seus mentores, pastor Dan Mohler, foi que White decidiu fundar seu próprio ministério, o Lifestyle Christianity. Atualmente, Todd White está afiliado ao NAR, participando de grandes eventos ‘apostólicos’, como o The Send (Lifestyle Christianity, n.d).

O último, mas não menos importante, é Lou Engle. Engle é o fundador do The Call, bem como o The Send. Ele tem mobilizado, ao longo dos anos, diversos movimentos de oração e jejum por toda a América do Norte, bem como em todo o mundo. Ele é profundamente conhecido por suas declarações e mobilizações políticas, como as manifestações contra o aborto nos Estados Unidos, tendo sido seus posicionamentos validados pela direita cristã nos EUA. Apesar do seu envolvimento político no contexto norte americano, Engle tornou-se bastante conhecido no meio evangélico por sua filiação ao NAR e suas declarações que suportam a latter rain. (Lou Engle Ministries, n. d).

DO THE CALL PARA THE SEND

Como foi dito anteriormente, seria necessário muito tempo para escrever extensivamente acerca de todos os movimentos que antecederam o The Send. Como o objetivo do presente artigo não é ser exaustivo e conclusivo, tentar-se-á trazer os eventos mais importantes, ainda que de forma breve. Por este motivo, seria impossível falar sobre o The Call e, consequentemente, o The Send sem ao menos citar o Jesus People Movement.

Jesus People Movement ou, simplesmente, Jesus Movement, foi a movimentação que teve início durante os anos de 1967 na Califórnia (EUA), estendendo-se até o ano de 1973. O Movimento de Jesus fora estabelecido entre os jovens norte-americanos que, na época, estavam vivenciando uma drástica mudança cultural (Cull, n. d).

Segundo o pastor David Cull, o avivamento teve início por meio de iniciativas evangelísticas em cafeterias dentro do movimento hippie, bem como em comunidades terapêuticas na Califórnia (EUA). O fato de este ser o estado com maior concentração de hippies dos EUA favoreceu que o movimento nascesse lá para rapidamente se estender, a outras partes dos Estados Unidos. Logo de início, foram chamados de “cristãos da rua” e “evangelistas psicodélicos”, somente depois vieram a ser conhecidos como “Jesus freaks”, “Jesus people” ou “Jesus movement” (Cull, n. d).

Durante os anos de 1967–1973, diversos jovens foram despertados pelo Evangelho, rendendo suas vidas a Jesus. Dentre eles, destaca-se um — Lou Engle. Segundo o próprio Engle, ele teve sua vida despertada durante o Jesus Movement na Califórnia, evento este que marcou profundamente sua vida (Engle, 2016).

Lou Engle afirma que o The Call nasceu como resposta às suas orações. Ele frequentemente se questionava sobre como ele poderia fazer a América se voltar para Deus(The Call, 2018). Assim sendo, começou a mobilizar diversos líderes em todos os Estados Unidos para promoverem reuniões de oração e jejum. Estes eventos tinham como objetivo responder à indagação realizada pelo próprio Lou Engle, além de preparar um caminho para um novo Jesus Movement, todavia muito maior.

Durante os anos de existência do The Call, suas ações não foram meramente religiosas, mas também políticas — como foi visto anteriormente. Ele tornou-se um ativista político promovendo manifestações contra o aborto em todo os Estados Unidos, bem como contra os direitos de casamento homossexual, envolvendo inclusive o caso controverso em Uganda (Political Research Associates, 2018).

Enquanto estava no Havaí em fevereiro de 2018, Engle foi levado a pensar na passagem de Elias e Eliseu, após jejuar por trinta dias (The Call, 2018). Na publicação feita no website oficial do The Call, Lou Engle afirma que percebeu que estava vivendo este momento Elias-Eliseu. Engle vai além, apropriando-se das palavras de Jesus, dizendo que a menos que uma semente morra, ela não produzirá frutos. Do mesmo modo, o The Call deve morrer para trazer a luz o poder da ressurreição na América (The Call, 2018).

Lou Engle, o idealizador do movimento, declarou que o The Call funcionou como João Batista, um preparador de caminho. Segundo Engle, esta foi a função cumprida pelo The Call por meio de todas manifestações sociais, reuniões de louvor, orações e jejuns realizados. Agora, então, haveria chegado o momento para um Novo Movimento de Jesus e uma reforma na América (The Call, 2018).

Poucos meses após a experiência descrita por Lou Engle no website do The Call, um vídeo é publicado em um canal no Youtube — o qual, na época, era recém-criado. O conteúdo do vídeo — intitulado “The Send Story” — gerou uma certa agitação no meio evangélico, especialmente o neopentecostal. O vídeo formalizou o novo movimento chamado The Send.

Segundo seus idealizadores, o The Send é, portanto, resposta à profecia liberada na sala de estar do Lou Engle durante o ano de 2011, somada à percepção Elias-Eliseu e ao Azusa Now — encontro que reuniu 70,000 pessoas que comprometeram-se a responder ao chamado de Jesus para ir a qualquer lugar pelo evangelho (The Send, 2019; The Call, 2018).

O primeiro encontro do The Send aconteceu dia vinte e três de fevereiro de 2019 em Orlando (FL). O evento durou doze horas, contando com a participação de mais de 40.000 de 40.000 (quarenta mil) pessoas de todo o mundo. O evento marcava, segundo seus idealizadores, o início do grande mover de Deus em relação aqueles servos que fossem comprometidos com missões (Parke, 2019). Em uma postagem no Instagram, a organização escreveu “Estamos chamando cada crente a agir. Até o momento, 16.656 se comprometeram com o jejum, 2.145 compromissos para chegar às escolas secundárias, 1.878 comprometidos com as universidades, 4.134 comprometidos em chegar ao seu bairro. 482 responderam ao evangelho” (sic) (The Send apud CBN, 2019).

O próximo evento do The Send acontecerá no Brasil, durante o dia oito de fevereiro de 2020, no estádio do Morumbi em São Paulo — SP. De acordo com a organização do evento, 60.000 (sessenta mil) ingressos já foram vendidos — os valores do ticket variam entre R$:20,00 -R$:50,00. A procura foi tanta que foram criadas listas de espera.

A cada dia que passa, o The Send Brasil distingue-se do primeiro evento realizado em Orlando (FL) e os motivos vão muito além do fator geográfico e da taxação do evento. Aparentemente, a declaração de Teófilo Hayashi, líder do movimento Dunamis e pastor da Igreja Monte Sião, durante o evento na Flórida tem causado grande impacto entre os jovens, principalmente pertencentes a igrejas neopentecostais ou da NAR.

O líder do movimento Dunamis representa tudo o que até aqui foi registrado. Comumente em suas palestras, bem como seus eventos, são facilmente identificáveis elementos dos ensinamentos do NAR, levando diversas pessoas a uma compreensão equivocada sobre o Evangelho. Neste ponto, deve ser destacado que o presente artigo tem o intuito de tão somente analisar aspectos teológicos que se apresentam em movimentos como o Dunamis ou The Send.

Hayashi declarou publicamente, no The Send Orlando, o que segue: “Chegou a nossa Brasil! Você é escolhida, nação brasileira” (The Send Brasil, 2019). Além disso, ele declarou, em vídeo, que “nesse evento do The Send Brasil, vamos ter jovens que vão ser empoderados, totalmente incendiados pelo Espírito Santo. Virá um novo tempo na nação brasileira, onde um avivamento vai começar invadir as ruas. Um avivamento que começa com o despertar dos santos, vai continuar com a colheita dos perdidos, mas vai culminar em uma transformação de sociedade” (The Send Brasil, 2019). Será que acontecerá o que Teofilo Hayashi declarou? Na próxima secção explicar-se-á o porquê de a resposta ser “não”.

POR QUE THE SEND NÃO REPRESENTA UM AVIVAMENTO?

De acordo com o grande avivalista americano, Jonathan Edwards, havia cinco características pelas quais a obra genuína do Espírito Santo deva ser reconhecida. Assim sendo, o avivamento (1) aumenta a consideração das pessoas por Jesus como Filho de Deus e salvador do mundo, (2) leva as pessoas a partirem de suas corrupções e lascivas rumo à justiça de Deus, (3) aumenta seu respeito pelas Sagradas Escrituras, (4) estabelece a mente delas nas verdades objetivas da fé revelada e (5) evoca um genuíno amor por Deus e o homem (Lawson, 2016). Bastaria uma releitura do presente artigo para concluir que o The Send e seus envolvidos não representam, sob nenhuma perspectiva, o conceito de avivamento descrito pelo avivalista Jonathan Edwards. Todavia, ao invés de meramente reafirmar o que fora dito por Edwards, explorar-se-á outros caminhos que, talvez, ajudem as pessoas a enxergarem como estes movimentos não refletem um avivamento bíblico.

Por vezes, o óbvio também precisa ser dito. G. K. Chesterton disse que “chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde”. Será que este dia chegou? Esta indagação, apesar de soar uma ironia, é puramente genuína. É possível perceber uma nítida filiação do The Send às correntes de pensamento NAR expostas ao longo do presente artigo. Aquele que declara que este evento marcará o grande mover de Deus comprometido com missões sobre a face da terra, demonstra um desconhecimento acerca da história da Igreja. Nas páginas do Novo Testamento, encontram-se não somente o chamado de Deus aos homens, como também o envio. Esta certeza impulsionou cristãos de todas as eras a irem anunciar o Evangelho de Jesus a todas as criaturas por todo o mundo — não é um “novo mover” que começou em 2019.

Teófilo Hayashi anunciou, acerca do The Send Brasil, que “um avivamento, que começa com o despertar dos santos, vai continuar com a colheita dos perdidos, mas vai culminar em uma transformação de sociedade” (The Send Brasil, 2019). Entretanto, meses já se passaram desde o primeiro evento na Flórida e há diversas perguntas que ficam no ar, tais como: o que está acontecendo na Flórida? Pessoas têm abandonado seus pecados e crido no Evangelho? Onde estão aqueles que participaram do evento? Que tipo de suporte está sendo dado a eles? Há evidências concretas de transformação? A igreja começou a dominar as esferas de influência? Estas perguntas conduzem-nos a ainda outras, dependendo da resposta dada. Alguns poderão argumentar que, por ser este evento recente, seus frutos ainda não são facilmente identificáveis. Embora seja parcialmente verdade, o discurso veiculado demonstra uma concepção equivocada sobre o que é missão e de como ela deva ser desenvolvida.

A partir de um olhar atento sobre a declaração oficial de Lou Engle no website do The Call, é possível perceber que, tanto no The Call, quanto no The Send, existem elementos que desvirtuam o Evangelho do Senhor. De acordo com Engle, o The Call foi uma resposta às orações feitas por ele mesmo, em que dizia: “como eu posso fazer a América voltar para Deus?” (The Call, 2018). Observe o individualismo expresso no questionamento “como eu posso”. O individualismo deste discurso rapidamente é transformado em um tipo de messianismo. A escolha de palavras para descrever o fim do The Call cautelosamente se remete a passagem de Jo 12.24, Jo 12.24, que diz: “se o grão que cai na terra não morrer, ele fica só; mas se morre, ele dá muito fruto”. Note-se que, no versículo anterior, Jesus afirma que havia chegado o momento dEle ser glorificado (v. 23). A seleção de Jo 12.24 Jo 12.24 para ilustrar o fim do The Call é peça chave para a compreensão de que Lou Engle talvez tenha buscado construir um paralelo entre a morte do Senhor com o fim do The Call, bem como os frutos gerados pelo Senhor com o surgimento do The Send.

Tal expectativa messiânica dentro do movimento, caso confirmada, pode explicar o motivo pelo qual grande parte daqueles que se envolvem nesses movimentos incorporam em suas perspectivas a teologia do domínio, que é constantemente somada a teologia da prosperidade, elitismo, dentre outros.

Recentemente, o Dunamis Hangout que recebeu como título “como trazer o céu para terra” — e cujos os participantes eram Eduardo Nunes, Victor Azevedo e Teófilo Hayashi — expressou muito bem o que fora dito no parágrafo anterior. Logo no início do bate-papo, Eduardo Nunes e Victor Azevedo começam expor suas perspectivas escatológicas, até o momento em que Azevedo declara que, ao meditar em Salmo 67, compreende que “é como se estivéssemos em dívida. Afinal, dívida no quê? Dívida de uma vida abençoada, ou seja, uma vida principal. É ser colocado em lugares principais em qualquer lugar que você for, independente do que você faça, você tem, dentro de si, o favor de se tornar o principal” (Dunamis Hangout, 2019).

Essas falsas doutrinas são extremamente prejudiciais ao corpo de Cristo. Tratando sobre o assunto, o Reverendo Hernandes Dias Lopes declara que “as falsas doutrinas são espalhadas por falsos mestres com o propósito de desviar as pessoas da verdade e afastá-las de Deus. As falsas doutrinas são populares, palatáveis, agradáveis aos ouvidos, pois enaltece o orgulho humano e menosprezam — ou distorcem — a graça de Deus. Há muitos pregadores que distorcem a verdade e pregam um outro Evangelho e, assim, desviam as pessoas dos retos caminhos de Deus. Muitos pregadores que ocupam a mídia hoje não pregam a respeito de conversão, mas pregam prosperidade. Não pregam sobre a vida eterna, mas sobre supostos milagres. Não pregam sobre a necessidade do arrependimento, mas sobre os direitos que o homem tem diante de Deus. Esse falso evangelho junta multidões nos templos, mas não as coloca no caminho estreito que conduz ao céu” (Portal Guia-me, 2014).

Repisa-se que nenhuma das considerações feitas anteriormente tem o intuito de promover dissensão no corpo de Cristo, tampouco se dirigem a pessoas, enquanto indivíduos. O que se busca promover neste artigo é o crescimento e amadurecimento da Igreja, bem como combater a proliferação de discursos que podem distorcer panoramas bíblicos ou teológicos, cativando multidões a despeito da sã doutrina. Que fique clara a unidade do corpo de Cristo quanto às pessoas mencionadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, como fora visto ao longo do presente artigo, o movimento The Send e seus cooperadores não representam um avivamento bíblico, antes são meros reflexos de uma cultura fragilizada, superficial e líquida. Para fins conclusivos, precisa-se ressaltar que avivamento não é um grande ajuntamento com músicas e convidados especiais; ou, ainda, “uma grande histeria emocional com sinais incomuns” (Santos, 2012). Como o propósito do presente artigo não consiste simplesmente em apontar o erro, deixando muitos às cegas, por este motivo analisar-se-á brevemente Jonathan Edwards, reconhecido por D. Martyn Lloyd-Jones e J. I. Packer como o homem a quem qualquer um que se interesse por avivamento verdadeiro deve consultar (Packer, 1996).

Jonathan Edwards (1703–1758) foi um ícone do avivamento do século XVIII, que tem sido conhecido como o “grande despertar”. Seu compromisso com a Palavra de Deus e, consequentemente, com o mover do Espírito Santo, o conduziu a uma profunda preocupação pastoral dentro do contexto do avivamento. Edwards investigou as afeições religiosas, concluindo a existência de dois tipos distintos de religiosidade — a religiosidade carnal e a verdadeira espiritualidade. De acordo com o avivalista, não são as quantidades ou as intensidades de experiências que revelam a veracidade, mas a transformação do coração, conduzindo a um amor incondicional ao Criador. Assim sendo, a verdadeira espiritualidade submete-se humildemente ao soberano Deus, libertando o homem do seu egocentrismo.

O ponto de partida de Edwards foi a compreensão da soberania graciosa de Deus. Assim sendo, o avivamento é uma visitação divina — não podendo ser produzido por mãos humanas. Ele é Deus agindo de forma incomum entre seu povo (Santos, 2012). Segundo Jonathan Edwards, para definir a veracidade da experiência do avivamento, faz-se necessário que Deus esteja no centro, tendo sempre a primazia. Além disso, os homens precisam reconhecer sua incapacidade, devido a pecaminosidade, levando-os a uma dependência completa de Deus. Toda genuína experiência é o resultado da ação do Espírito que transforma e santifica pecadores, conduzindo-os a amar e honrar a Deus em suas vidas (Santos, 2012).

O avivamento é uma obra da graça de Deus, afinal sobrevém sobre pessoas, igrejas e movimentos que merecem o julgamento, apenas. Os homens podem decidir fazer conferências de avivamentos, programando pregadores e bandas de louvor, todavia o avivamento só virá quando Deus assim decidir. Frequentemente, as histórias dos avivamentos mostram que os tempos que o antecedem são momentos de profunda oração, proclamação do Evangelho, e consciência do pecado humano; de modo que o avivamento liberado manifestará a soberana graça de Deus, mostrando que todo louvor e glória precisam ser dados somente a Ele (Santos apud. Murray, 2012).

Edwards também destaca que, durante o avivamento, o que é anunciado não é um outro Cristianismo, mas uma intensificação do que Deus tem feito na história do Seu povo. Esta declaração de Jonathan Edwards é de extrema importância em momentos onde há grande histeria e confusão, devido a todos os tipos de reivindicação espiritual.

Assim como nas gerações passadas, as quais desfrutaram de um genuíno avivamento, que venhamos a nos arrepender de nossos pecados, negando nosso egocentrismo e crendo no verdadeiro Evangelho de Deus, que enaltece o governo soberano de Deus, fazendo-nos dependentes de Sua misericórdia e graça. Que estas verdades nos conduzam a dobrar nossos joelhos diante do Criador, clamando por uma ação genuína de Seu Espírito.

Em Cristo,

Lapa, Matheus.


Fonte: Reproduzido de httpssss://medium.com/@matheus.silva.lapa/avivamento-poliss%C3%AAmico-uma-an%C3%A1lise-cr%C3%ADtica-do-the-send-46eb9055a644, com permissão do autor


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1 comentário em “Avivamento Polissêmico: uma análise crítica do “The Send””

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