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COVID-19 e a discriminação

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Pessoas têm relatado sofrerem todo tipo de discriminação e preconceito por terem contraído o novo (já velho) coronavírus, alguns, além de sofrerem humilhações, foram vitimas ate mesmo de comportamento agressivo, pasmem.

Casos evidenciam a situação.

Uma conhecida, a quem chamaremos de Lupi, narrou que as pessoas da rua onde mora ao passarem em frente sua residência apontam e dizem: “A casa do corona é essa”. Um casal do prédio vizinho declara que ficou conhecido no seu condomínio como “a família covid”.

Outra família relata que, após a contaminação, ninguém mais os visitou, o descaso e preconceito são nítidos e o sofrimento causado nessas pessoas percebe-se no olhar triste de quem sofre calado a discriminação e o abandono, como se fosse portador de uma doença ruim, cuja transmissibilidade será “ad eternum” (para sempre).

Ora, não é necessário ter o mínimo de cultura para saber que o Covid tem um período de contaminação, basta assistirem as repetidas informações nos variados canais de televisão ou lerem sobre o assunto na internet.

Todos os pacientes com Covid-19 precisam cumprir um período de 14 dias de isolamento social, inclusive com acompanhamento obrigatório do serviço de saúde municipal.

Depois disso, segundo as normas do Ministério da Saúde, todos podem voltar a vida normal e retomar o convívio familiar, social e profissional, sendo esse período de 14 dias seguro para que não ocorra transmissão às demais pessoas.

Muitos estão sofrendo abandono emocional.

Segundo nossa colaboradora, Dra. Analu Barleze, médica atuante na frente do combate ao Covid-19 na cidade de Curitiba e região metropolitana, muitos pacientes com Covid-19 tem procurado acompanhamento psicológico para enfrentar o comportamento cruel recebido. Relata a mesma:

“os pacientes que positivam no exame do Sars Covid 2, além de apresentarem a sintomatologia associada à doença, muitas vezes, agregam ainda, o estigma de uma patologia sem cura, desconhecida e sem tratamento. Assim que o paciente recebe a notícia, imediatamente sofre o impacto desses questionamentos. Sobreviverei? Estou bem, mas amanhã estarei pior? Nosso dever, como médicos, é dar o devido tratamento e orientações. Mas o que percebemos, na prática clínica do pós Covid-19 é a queixa do estigma, do abandono emocional. Praticado muitas vezes, pelos próprios amigos e interfamiliar. Há relato de casos, em que o paciente é proibido de circular por áreas comuns residenciais ou condominiais, mesmo após o período de isolamento. Esse estigma, gera ansiedade, gera depressão. O abandono emocional e a pecha de infectado, é dolorosa gerando mais uma sequela psicológica no paciente, que se não for devidamente assistido, poderá agravar sua saúde mental. Devemos nos lembrar, da humanidade e do exercício da compaixão.”

Dizem que alguns animais são cruéis, pois não há nada pior do que a crueldade humana, discriminação e preconceito são as piores malevolências que uma pessoa pode sofrer.

Será que o preconceituoso não pensa que poderia ser com ele, consequentemente pensando no modo que ele gostaria de ser tratado? O engraçado é que, esse vírus nos ensina que todos somos iguais.

A pessoa que contraiu o vírus não adoeceu propositalmente mas foi consequência de uma pandemia que assola o mundo, vírus esse transmitido não sexualmente, o que talvez até justificasse tanto preconceito e medo, aliás, pasmem novamente, o avanço do HIV entre os jovens e idosos no mundo parece não estar preocupando tanto como o tal do Covidão, e, mata do mesmo jeito, na maioria das vezes até causando um sofrimento e dor maior.

O preconceito não se justifica

No empeço da contaminação até compreensível tanta desinformação e confusão, normal ter-se medo do desconhecido, porém após quase um ano de estudos e descobertas, o preconceito não se justifica.

Devemos sim tomar as medidas de proteção cabíveis, porém jamais discriminando quem já esteve contaminado, pelo contrário, deve-se fazer o possível para que as pessoas, sejam elas da nossa família ou não, do nosso trabalho, todos em geral, que já passaram por isso, sintam o quanto são amadas e queridas com o nosso abraço sincero, com o retorno ao convívio familiar, afinal, todo paciente que foi infectado, necessita, depois do período de isolamento, de muito carinho e atenção.

Pense nisso, amanhã pode ser você, um familiar ou uma pessoa próxima!


analuEste artigo teve a participação da Dra. Analu Barleze, (foto ao lado), advogada, formada em medicina pela UNIVALI, pós-graduanda em Psicanálise e Medicina de Família, atuante na frente de combate ao Covid-19 em Curitiba e Regiao Metropolitana.

Foto Facebook: @fotografomarcelooliveira / Instagram: @fotografo_marcelo_oliveira
 


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