Homem

Matérias escritas para o Homem cristão.

Áquila

Áquila- [do lat., significando “Águia”].Judeu natural, nascido em Ponto, na parte setentrional da Ásia Menor. Priscila, sua esposa e leal companheira, é sempre mencionada em associação com ele. Banidos de Roma pelo decreto do Imperador Cláudio contra os judeus, no ano 49 ou no começo do ano 50 DC, passaram a residir em Corinto. (At 18:1, 2) Quando Paulo chegou ali, no outono setentrional de 50 D.C, Áquila e Priscila o acolheram bondosamente na sua casa. Desenvolveu-se uma amizade muito íntima entre eles, ao trabalharem juntos na sua profissão comum de fabricar tendas, e à medida que Áquila e Priscila, sem dúvida, ajudaram Paulo a edificar a nova congregação ali. — At 18:3.

 

Quando Paulo velejou para a Síria, no fim de sua segunda viagem missionária, na primavera de aproximadamente 52 EC, Áquila e Priscila foram com ele até Éfeso. (At 18:18, 19) Permaneceram ali pelo menos até que Paulo escreveu dali aos coríntios, por volta de 55 EC. Seu lar era usado como lugar de reuniões locais para a congregação, e ali tiveram o privilégio de ajudar o eloqüente Apolo a obter entendimento mais exato do caminho de Deus. (1Co 16:19; At 18:26) Na época em que Paulo escreveu aos romanos, por volta de 56 EC, o governo de Cláudio já tinha terminado, e Áquila e Priscila já haviam retornado a Roma, pois Paulo transmitiu-lhes suas saudações, como seus “colaboradores”. (Ro 16:3) Aqui, também, a congregação se reunia na casa deles. (Ro 16:5) Em certa ocasião, durante seu relacionamento com Paulo, Áquila e Priscila “arriscaram os seus próprios pescoços” a favor de Paulo, assim merecendo os agradecimentos de todas as congregações. (Ro 16:4) Mais tarde, mudaram-se de novo para Éfeso, pois Paulo, enquanto estava em Roma, pouco antes de sofrer martírio (c. 65 EC), pediu a Timóteo que transmitisse seus cumprimentos a eles ali. — 1Ti 1:3; 2Ti 4:19.

No ano 52 da nossa era, o imperador romano Cláudio publicou um decreto expulsando todos os judeus da cidade de Roma. De acordo com o historiador romano Suetônio, parece que eles estavam perseguindo seus vizinhos cristãos e causando grande perturbação na cidade. Cláudio pouco se importava com a razão dos problemas e, menos ainda, com quem estava a culpa. Ele sabia que eram judeus e isso era o suficiente; por isso, todos os judeus foram arrancados de suas casas e banidos de Roma, inocentes junto com culpados.

Foi quando um judeu chamado Áquila, que havia migrado da província do Ponto, no Mar Negro, para Roma, empacotou suas coisas, despediu-se de seus amigos e embarcou para a cidade de Corinto. Junto com ele foi sua fiel esposa, Priscila. Não sabemos ao certo se ela era judia ou romana, nem se na época os dois eram cristãos. No entanto, de uma coisa nós sabemos – eles foram juntos. Na verdade, eles estavam sempre juntos. O nome de um nunca aparece sem o nome do outro.

Em primeiro lugar, eles ganhavam a vida juntos. “Pois a profissão deles era fazer tendas” (Atos 18:3). Todo garoto judeu dos tempos do Novo Testamento aprendia algum tipo de ofício. Já que as tendas eram parte importante da vida hebraica, os pais de Áquila decidiram que seu filho deveria aprender esse meio prático de subsistência. Suas tendas eram feitas de tecido rústico de pele de cabra, o que exigia grande habilidade para cortá-las e costurá-las da forma correta. Áquila adquiriu essa habilidade e depois a ensinou à sua esposa, e ela alegremente o ajudava em seus negócios.

Nem todos os casais conseguem fazer como Áquila e Priscila. É preciso uma relação madura para trabalhar junto sob a pressão às vezes gerada por um emprego. Mas, evidentemente, esse era o tipo de relacionamento entre eles. Eles não eram apenas companheiros e amantes, também deviam ser parceiros e bons amigos. É provável que estivessem mais dispostos a dar do que tentavam receber. E fossem capazes de aceitar sugestões da mesma forma que as davam. Eles gostavam de estar juntos e de trabalhar juntos. Eles eram inseparáveis, e eram iguais.

Assim, quando chegaram a Corinto, eles foram juntos à praça para procurar um lugarzinho ao ar livre para alugar e montar seu negócio de fazer tendas. É obvio que isso ocorreu no tempo de Deus, pois tão logo eles se estabeleceram, um outro judeu da mesma profissão chegou à cidade, vindo de sua recente cruzada evangelística por Atenas, o apóstolo Paulo. Sempre que entrava em alguma cidade, ele dava uma volta pela praça procurando uma oportunidade para falar de Jesus, alguma indicação de Deus para um futuro ministério e, é claro, um trabalho com o qual pudesse se sustentar durante o seu ministério. Era inevitável que ele topasse com a oficina de Áquila e Priscila. A Escritura conta a história da seguinte forma: “Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto. Lá, encontrou certo judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas” (Atos 18:1-3).

A empatia entre eles foi instantânea e uma amizade profunda e duradoura nasceu naquele dia. Paulo veio a trabalhar com eles, e até mesmo a morar na casa deles, enquanto esteve em Corinto. Se antes eles não conheciam a Cristo, agora, com certeza, eles O conheciam, pois ninguém podia passar algum tempo na presença de Paulo sem ser impactado por seu amor entusiástico e contagiante pelo Salvador. Áquila e Priscila viveram juntos, trabalharam juntos, suportaram o exílio juntos e vieram a conhecer e amar a Cristo juntos; e isso tornou seu casamento completo. Agora eles eram um em Cristo, e o amor do Salvador fez de um bom casamento um casamento ainda melhor. Talvez seja isso justamente o que falte ao seu casamento. Se um de vocês ainda não depositou sua fé no sacrifício de Jesus por seus pecados, seu casamento não pode estar completo. A verdadeira união só pode ser encontrada em Cristo.

Desde o dia em que Áquila e Priscila conheceram o Salvador, eles cresceram juntos na Palavra.Sem dúvida, todos os sábados, eles iam com Paulo à sinagoga, quando ele discorria com judeus e gregos, persuadindo-os a crer na salvação em Cristo (Atos 18:4). Nem todos aceitaram o testemunho de Paulo. Alguns resistiram e blasfemaram. Por isso, ele deixou a sinagoga e passou ensinar na casa de Tício Justo, contígua à sinagoga. E Deus abençoou seu ministério. Até o principal da sinagoga veio a crer em Cristo. “E ali permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Atos 18:11). Pense nisso, dezoito meses de estudo intensivo da Bíblia com o maior professor de Bíblia da igreja primitiva. Como Áquila e Priscila devem ter crescido!

E, quando as aulas acabavam, provavelmente os três iam para casa e ficavam até as primeiras horas da manhã conversando sobre o Senhor e Sua Palavra.

Áquila e Priscila amavam cada mais a Palavra de Deus. E, embora trabalhassem muito em sua oficina, fazendo e consertando tendas, mantivessem a casa e cuidassem de seu hóspede ilustre, eles sempre encontravam tempo para estudar a Bíblia com afinco. Estudar a Bíblia juntos fortalecia o amor de um pelo outro e seu espírito de união.

É exatamente isso o que falta em muitos casamentos cristãos. Marido e mulher precisam abrir a Palavra juntos. Na casa de um pastor, talvez isso não seja tão difícil. Quando estou preparando uma mensagem, muitas vezes converso com minha esposa e aceito sua opinião sobre o texto que estou estudando. Quando ela está preparando uma aula, pode pedir minha ajuda para entender determinado versículo e, assim, estudamos a Palavra juntos. No entanto, na casa de vocês isso pode ser um pouco mais difícil, especialmente se nunca fizeram isso antes. Ensinar na Escola Dominical e dividir com o outro a preparação da aula pode ser uma boa maneira de começar. Ler e discutir um guia devocional baseado na Bíblia também pode ser útil. Ler um livro da Bíblia juntos vai permitir que Deus fale à vida de ambos. Seja como for, a Palavra de Deus é um ingrediente essencial para enriquecer o relacionamento de um com o outro.

Os acontecimentos seguintes na narrativa de Atos mostram o quanto Áquila e Priscila aprenderam sobre a Palavra de Deus. Quando Paulo deixou Corinto e foi para Éfeso, eles o acompanharam e, quando ele embarcou para a sua igreja em Antioquia (Atos 18:18-22), eles ficaram em Éfeso. A mudança foi providencial, pois, enquanto Paulo estava fora, “chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga” (Atos 18:24-26).

Áquila e Priscila foram ouvi-lo e ficaram profundamente impressionados com sua sinceridade, seu amor por Deus, seu conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento e sua brilhante oratória. Ele poderia ser poderosamente usado no serviço de Jesus Cristo, mas sua mensagem era incompleta. Tudo o que ele conhecia além do Antigo Testamento era a mensagem de João Batista, a qual simplesmente aguardava a vinda do Messias. “Ouvindo-o, porém, Priscila e Áquila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (Atos 18:26). Com amor e paciência, eles lhe expuseram detalhadamente a vida e o ministério de Jesus Cristo na terra, Sua morte sacrificial e substitutiva na cruz do Calvário pelos pecados dos homens, Sua ressurreição vitoriosa da morte e Sua gloriosa ascensão aos céus, a descida do Espírito Santo no Pentecostes e a origem do Corpo de Cristo, bem como outras importantes doutrinas do Novo Testamento.

Áquila e Priscila talvez não pregassem em público, mas eram diligentes estudiosos da Palavra e amavam estudá-la junto com outras pessoas. Eles até mesmo se dispuseram a investir o tempo necessário para tomar aquele jovem sob seus cuidados e ministrar a ele as coisas concernentes a Cristo. Apolo tinha uma mente aguçada e de rápida compreensão. Ele absorveu a verdade de tudo quanto eles lhe ensinaram e tornou-a parte do seu ministério. E, em consequência desse encontro com Áquila e Priscila, ele se tornou um grande servo de Deus, ao qual, tempos depois, algumas pessoas de Corinto colocaram no mesmo nível de Pedro e Paulo (1 Coríntios 1:12).

Alguns de nós nunca serão grandes pregadores, mas podemos ser estudiosos fieis da Palavra e nossas casas poderão se abrir para pessoas cujo coração esteja ávido para ouvi-la. Podemos ter o agradável privilégio de ensinar algum jovem Apolo que um dia terá um amplo e poderoso ministério para Jesus Cristo.

Áquila e Priscila não apenas ganhavam juntos a vida e cresciam juntos na Palavra, eles também serviam juntos ao Senhor. Sabemos disso pelo que já vimos, mas há ainda outro aspecto do seu serviço cristão que dá suporte a essa afirmação. Quando Paulo partiu de Antioquia na sua terceira viagem missionária, ele viajou por terra pela Ásia Menor, voltando a Éfeso, onde permaneceu cerca de três anos ensinando a Palavra de Deus (cf. Atos 26:31). Durante esse período, ele escreveu sua primeira carta aos Coríntios e disse: “As igrejas da Ásia vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles” (1 Co. 16:19).

Quando Áquila e Priscila ainda iniciavam seu negócio em Corinto, sua casa provavelmente não era grande o suficiente para receber todos os cristãos, por isso foi usada a casa de Tício Justo. No entanto, parece que depois Deus os abençoou materialmente e, em Éfeso, eles usaram seus próprios recursos para a glória de Deus. Sua casa foi um lugar de reunião da igreja de Éfeso.

E essa não seria a última vez que sua casa serviria a esse propósito. Quando Paulo deixou Éfeso e foi para a Grécia, evidentemente eles acreditaram que Deus os estava levando de volta a Roma. Cláudio já estava morto, por isso, a mudança parecia segura e, com certeza, Roma carecia do testemunho do evangelho. Assim, eles partiram. Paulo escreveu a epístola aos Romanos da Grécia, durante a sua terceira viagem missionária, e disse: “Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios; saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles” (Romanos 16:3-5). Eles mal chegaram a Roma e já havia reunião da igreja em sua casa. As igrejas do Novo Testamento não podiam se dar ao luxo de possuir terras e construir edifícios, e nem seria sensato fazê-lo, tendo em vista as constantes pressões e perseguições. Por isso, eles se reuniam nas casas. E a casa de Áquila e Priscila estava sempre aberta às pessoas que quisessem aprender mais sobre Cristo e aos cristãos que quisessem crescer na Palavra.

Embora hoje tenhamos igrejas, nada substitui as casas como centro de evangelismo e alimento espiritual na comunidade. Alguns cristãos fazem refeições evangelísticas em que convidam amigos não crentes para ouvir um importante testemunho pessoal. Muitas mulheres dedicadas usam a mesa da cozinha para estreitar o relacionamento com suas vizinhas durante um cafezinho, compartilhando com elas o amor de Cristo. Estudos bíblicos nas casas podem ser uma boa ferramenta para ensinar os perdidos ou para o crescimento dos crentes na Palavra. Nossos moços têm sido grandemente beneficiados por adultos que abrem suas casas para grupos de jovens. As possibilidades de uso das casas para servir ao Senhor são infinitas. Este é um bom motivo para marido e mulher conversarem a respeito e orarem juntos.

Há ainda uma pequena informação na saudação da carta de Paulo aos Romanos que não podemos deixar passar: “os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios”. Não sabemos a que Paulo está se referindo, nem quando isso aconteceu, mas em algum lugar, por alguma razão, Áquila e Priscila juntos arriscaram a própria vida para salvar a vida de Paulo. E nós também podemos agradecer a Deus por isso. Nosso conhecimento da verdade divina seria incompleto sem as epístolas que Deus o inspirou a escrever. Seus dois amigos estavam dispostos a dar tudo pelo serviço do Salvador, até mesmo a própria vida.

Áquila e Priscila são mencionados mais uma vez no Novo Testamento, no último capítulo do último livro escrito pelo apóstolo Paulo. Já tinham se passado dezesseis anos desde que Paulo os encontrara pela primeira vez em Corinto e, agora, ele estava numa prisão em Roma pela segunda vez. Sua morte pelas mãos do imperador Nero era iminente e ele estava escrevendo o último parágrafo de uma vida longa e frutífera: “Saúda Prisca, e Áquila, e a casa de Onesíforo” (1 Tm. 4:19). Paulo estava pensando em seus queridos amigos, os quais tinham voltado a Éfeso, onde Timóteo era ministro, provavelmente tendo deixado Roma para escapar do último rompante de Nero em perseguição aos cristãos. A saudação foi breve e simples, usando a forma abreviada do nome Priscila que vemos em outras passagens. Mas, em suas últimas horas de vida, Paulo queria que eles se lembrassem dele.

No entanto, há uma interessante observação a ser feita sobre esse pequeno versículo. O nome de Priscila aparece antes do nome de Áquila. Na verdade, o nome dela aparece em primeiro lugar em quatro das seis referências bíblicas a eles. E isso é muito incomum! A maioria das referências sobre casais na Bíblia coloca o nome do homem em primeiro lugar. Qual seria a razão da mudança? Muitas explicações têm sido sugeridas, mas a mais razoável parece ser a de que Priscila era a mais talentosa dos dois e, muitas vezes, assumia o papel de maior destaque. Ainda assim, parece que isso nunca afetou o amor entre eles, nem sua compreensão mútua e a capacidade de trabalharem juntos.

Todavia, nem sempre é assim. Alguns maridos se sentem ameaçados quando a esposa tem mais instrução ou capacidade que eles e, para evitar algum constrangimento e manter as aparências, às vezes, eles se tornam espiritualmente ausentes. Para eles, é mais fácil não se expor do que ser ofuscado por elas. Outros se tornam dominadores e agressivos, na tentativa de estabelecer uma posição de autoridade.

Em alguns casos, a culpa é da esposa. Parece que elas têm de provar alguma coisa, competindo com o marido pelos holofotes, ávidas de autoridade e primazia. Por isso, não é de admirar que alguns maridos se sintam ameaçados. A ordem de Deus de autoridade no casamento nunca mudou. Mesmo a esposa sendo mais inteligente e habilidosa que ele, Deus ainda quer que ela o considere como líder. Nem sempre isso é fácil para mulheres extremamente talentosas, mas para Priscila foi. Ela não ficava competindo com Áquila. Ela simplesmente usava a capacidade concedida por Deus, como auxiliadora de seu marido, para a glória de Deus. Tenho certeza de que Áquila sempre agradecia a Deus por ela e, em muitas ocasiões, aceitava seu sábio conselho. Ela era uma dessas mulheres realmente liberadas, pois não há liberdade que traga mais alegria e satisfação do que a liberdade de obedecer à Palavra de Deus.

Vamos Conversar Sobre Isso

  1. Você tem procurado oportunidades para falar de Cristo aonde quer que esteja, como Paulo procurava? Será que quem passa muito tempo perto de você é contagiado pelo seu amor por Cristo? Como você pode melhorar nesse aspecto?
  2. Que contribuição espiritual você tem dado à vida dos outros? Que mais pode fazer para falar da Palavra de Deus a outras pessoas?
  3. Como você pode usar melhor a sua casa para servir ao Senhor?
  4. Vocês conversam um com o outro sobre a Palavra de Deus? Discutam que tipo de estudo bíblico poderá funcionar melhor para vocês dois; então, comprometam-se a fazê-lo regularmente.
  5. Para os maridos: Você fica incomodado quando sua esposa se sobressai? Como Deus deseja que você a trate nessas ocasiões?
  6. Para as esposas: Você tem ameaçado seu marido, lutando para provar sua superioridade em determinadas áreas? Você busca o louvor dos outros às custas dele? Como você pode evitar esse tipo de armadilha?
  7. Existem ocasiões nas quais você sente que seu cônjuge faz pouco de você em público? Conversem sobre isso e vejam como podem evitar esse tipo de coisa.
  8. Se você e seu cônjuge estão pensando em montar um negócio juntos, que tipo de problemas acham que poderiam ter? O que poderiam fazer agora para evitá-los?
  9. Como podem demonstrar melhor a igualdade que têm em Cristo como marido e mulher?

Prisca (ou Priscila, no diminutivo) e Áquila formaram o casal mais famoso do início da história da igreja cristã. Hospedaram o apóstolo Paulo em Corinto (Atos dos Apóstolos capítulo 18, versículos 2 e 3) e dirigiram igrejas em Éfeso (1 Coríntios capítulo 16, versículo 19) e em Roma (Romanos capítulo 16, versículos 3 a 5). 

Curiosamente, das seis vezes em que o casal é citado na Bíblia, em quatro delas o nome de Priscila aparece antes do nome do marido, comprovando que a esposa era a personalidade mais importante do casal – na época em que o Novo Testamento foi escrito, as pessoas costumavam ser citas em ordem de importância.

Áquila (águia, no latim) era um judeu originário do Ponto (cidade do sul do mar Negro) que emigrou para Roma, onde sua profissão (fabricante de tendas) era muito requisitada. E foi essa profissão que garantiu ao casal uma vida confortável. 

Priscila e Áquila converteram-se ao cristianismo e foram expulsos de Roma, juntamente com outros/as cristãos/ãs, por causa de um decreto do imperador Cláudio, provavelmente no ano de 41 da nossa era (Atos capítulo 18, versículo 2). A alegação do imperador romano para cometer essa arbitrariedade foi que a comunidade cristã perturbava a ordem pública.

O casal acabou se estabelecendo em Corinto, onde anos depois encontrou Paulo, que chegou nessa cidade por volta do ano 50. A profissão comum (Paulo também fabricava tendas) deve tê-los aproximado e os três passaram a trabalhar juntos na residência de Priscila e Áquila.

Só quando Silas e Timóteo juntaram-se a Paulo, trazendo consigo uma doação em dinheiro (Filipenses capítulo 4, versículo 1 e  2 Coríntios capítulo 11, versículos 8 e 9), foi que Paulo pode dedicar-se em tempo integral à pregação do Evangelho de Jesus Cristo, deixando de precisar da ajuda de Priscila e Áquila.

Esse casal teve papel muito importante na formação da igreja cristã em Corinto. Mais adiante, demonstrando grande coragem e compromisso com a obra de Deus, o casal deixou sua clientela em Corinto, formada ao longo de 10 anos, e foi para Éfeso, acompanhando Paulo. E ali eles ficaram para preparar a volta do apóstolo, que só ocorreu vários anos depois, quando da terceira viagem missionária de Paulo. Essa atitude, por si só, justifica o reconhecimento que Paulo sempre tributou ao casal. 

Logo depois, Priscila e Áquila foram para Roma e não é por acaso que Paulo também desejava ir até lá – mais uma vez o casal foi parte do grupo de apoio ao ministério do apóstolo (Romanos capítulo 1, versículos 10 a 13 e capítulo 15, versículo 24).

Não sabemos quanto tempo eles permaneceram em Roma, já que depois são citados no texto bíblico como estando novamente em Éfeso (2 Timóteo capítulo 4, versículo 19). Acredito que, por causa da prisão de Paulo, em Roma, o apóstolo ficou impedido de viajar para apoiar a igreja em Éfeso e pediu para o casal fazer isso, em seu nome.

Priscila e Áquila são exemplos de trabalhadores/as na obra de Deus. Primeiro, por sua dedicação e fidelidade, não se cansando de abrir portas para o apóstolo Paulo, como também pastoreando o rebanho que foi se formando nos locais onde o casal veio a morar. 

Depois, porque deram exemplo de como trabalhar em conjunto na obra de Deus. Marido e mulher atuaram lado a lado, sem vaidades, apoiando-se mutuamente e a quem mais precisasse deles.

Agora, é especialmente interessante perceber que, naquele casal, a mulher era mais importante na obra de Deus do que o marido, coisa que fugia completamente do padrão daquela época, quando as mulheres sempre ocupavam lugar de menor destaque na sociedade. 

Esse fato demonstra com clareza  que as mulheres têm, na obra de Deus, a mesma importância que os homens, pois Deus não faz distinção de gênero para esse efeito. Ele usa quem desejar e da forma que quiser, seja homem ou mulher, desse ou daquele grupo étnico, de maior ou menor projeção social. 

Acho que o exemplo de Priscila e Áquila traz um grande ensinamento, infelizmente desprezado por muitos líderes religiosos cristãos que defendem a “reserva de mercado” de certos papéis na igreja exclusivamente para os homens. Por isso há denominações cristãs que não ordenam mulheres como sacerdotes (pastores ou padres) e/ou não permitem que mulheres ensinem nas igrejas. 

E ao procederem assim, essas denominações exclusivistas desperdiçam dons espirituais extraordinárias (como os de Priscila), que o Espírito Santo costuma derramar sobre as mulheres. Uma pena.

Alguns casais sabem como tirar maior proveito da vida. Complementam um ao outro, fortalecem-se e tiram proveito dos pontos forte de cada um, formando uma dupla imbatível. Seus esforços unidos afetam aqueles que estão ao seu redor. Áquila e Priscila eram um casal assim. Eles nunca foram mencionados separadamente na Bíblia. No casamento e no ministério cristão, trabalharam como uma só pessoa.

Priscila e Áquila conheceram Paulo em Corinto durante a segunda viagem missionária do apóstolo. Tinham acabado de ser expulsos de Roma por um decreto do imperador Cláudio contra os judeus. A casa em que viviam era tão móvel quanto as tendas que faziam para se sustentar. Abriram-na para Paulo, e este se uniu a eles na fabricação de tendas, para obter o sustento. Paulo compartilhou com o casal sua rica sabedoria espiritual.

Priscila e Áquila tiraram o maior proveito possível de sua educação espiritual. Ouviram cuidadosamente os sermões não estavam completas. Em vez de confronto aberto, o casal levou Apolo para sua casa e compartilhou com ele o que era necessário conhecer. Até então, Apolo conhecia apenas a mensagem de João Batista a respeito de Cristo. Priscila e Áquila lhe falaram sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus, e também da realidade de que o Espírito de Deus habita o interior de cada um de nós. Apolo continuou a pregar poderosamente, mas agora conhecia a história completa.

Quanto a Priscila e Áquila, continuaram usando sua casa como um lugar terno para o ensino dos cristãos e para adoração a Deus. De volta a Roma, anos mais tarde, foram os anfitriões de uma das igrejas que se desenvolvei em casa.

Em uma época em que o foco estava principalmente no que acontece entre o marido e a esposa, Áquila e Priscila são um exemplo do que pode acontecer por intermédio de um marido e sua esposa. A efetividade que apresentaram para trabalharem juntos é o resultado de um bom relacionamento conjugal. A hospitalidade deles abriu a porta da salvação para muitas pessoas. O lar cristão ainda é uma das melhores ferramentas para a divulgação do evangelho. Seus convidados encontram Cristo em sua casa?

Pontos fortes e êxitos:

  • Marido e mulher formaram uma excelente equipe que ministrou na Igreja Primitiva.
  • Sustentavam-se fabricando tendas, enquanto serviam a Cristo.
  • Eram amigos íntimos de Paulo.
  • Explicaram a mensagem completa de Cristo para Apolo.

Lições de vida:

  • Os casais podem ter um ministério juntos.
  • O lar é uma ferramenta valiosa para o evangelismo.
  • Todo cristão precisa ter uma boa formação na fé, qualquer que seja a sua atividade na igreja.

Informações essenciais:

  • Local: eram originalmente de Roma, mas se mudaram para Corinto e, mais tardem, para Éfeso.
  • Ocupação: fabricavam tendas.
  • Contemporâneos: o imperador Cláudio, Paulo, Timóteo e Apolo.

Versículos-chave:

“Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.” Romanos 16:3-4

Sua história é narrada em Atos 18. Também são mencionados em Romanos 16.3-5; 1 Coríntios 16.19; 2 Timóteo 4.19.

*Extraído da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

 

Áquila e Priscila: um casal exemplar

“DAI os meus cumprimentos a Prisca e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, que, pela minha alma, arriscaram os seus próprios pescoços, aos quais não somente eu, mas também todas as congregações das nações expressamos agradecimentos.” — Romanos 16:3, 4.

Estas palavras do apóstolo Paulo à congregação cristã em Roma evidenciam a grande estima e cordial consideração que ele tinha por esse casal. Ele certificou-se de não os passar por alto ao escrever à sua congregação. Mas quem eram esses dois “colaboradores” de Paulo, e por que eram tão estimados por ele e pelas congregações? — 2 Timóteo 4:19.

Áquila era um judeu da diáspora (os judeus dispersos) e natural de Ponto, uma região no norte da Ásia Menor. Ele e a esposa, Priscila (Prisca), tinham fixado residência em Roma. Havia uma comunidade judaica bastante grande naquela cidade, pelo menos desde que Jerusalém foi capturada por Pompeu, em 63 AEC, quando grande número de prisioneiros foi levado para Roma em escravidão. Aliás, há inscrições em Roma que revelam que existiam doze ou mais sinagogas na antiga cidade. Vários judeus de Roma estavam em Jerusalém no Pentecostes de 33 EC, ocasião em que ouviram as boas novas. Talvez tenha sido por intermédio deles que a mensagem cristã chegou pela primeira vez à capital do Império Romano. — Atos 2:10.

No entanto, os judeus haviam sido expulsos de Roma no ano 49 ou em princípios do ano 50 EC às ordens do Imperador Cláudio. Assim, foi na cidade grega de Corinto que o apóstolo Paulo conheceu Áquila e Priscila. Quando Paulo chegou a Corinto, Áquila e Priscila ofereceram-lhe gentilmente hospitalidade e trabalho, porque tinham o mesmo ofício: fabricação de tendas. — Atos 18:2, 3.

Fabricantes de tendas

Não era um trabalho fácil. Era preciso cortar e coser pedaços duros e ásperos de tecido ou couro. Segundo o historiador Fernando Bea, era “um trabalho que requeria perícia e cuidado” dos fabricantes de tendas que manejavam “tecidos grossos e não flexíveis, usados em viagens para acampar, como proteção contra sol e chuva ou para enfardar mercadorias nos porões de navios”.

Isso levanta uma pergunta. Não disse Paulo que havia sido ‘instruído aos pés de Gamaliel’, o que lhe preparou o caminho para fazer uma carreira de prestígio nos anos à frente? (Atos 22:3) É verdade, mas os judeus do primeiro século achavam honroso ensinar um ofício aos rapazes, mesmo que fossem receber instrução superior. Por isso é provável que tanto Áquila como Paulo tenham aprendido a fabricar tendas na juventude. Essa experiência foi muito útil mais tarde. Mas, como cristãos, eles não consideravam esse serviço secular como um fim em si mesmo. Paulo explicou que seu trabalho em Corinto com Áquila e Priscila foi só um meio de sustentar-se em sua atividade principal, que era declarar as boas novas sem ‘impor a ninguém um fardo dispendioso’. — 2 Tessalonicenses 3:8; 1 Coríntios 9:18;2 Coríntios 11:7.

É evidente que Áquila e Priscila tiveram prazer em fazer o que estava ao seu alcance para facilitar o serviço missionário de Paulo. Quem sabe quantas vezes esses três amigos pausaram durante o trabalho para dar testemunho informal a clientes ou transeuntes! E, embora fabricar tendas fosse um trabalho humilde e fatigante, eles tinham prazer nisso e trabalhavam até “noite e dia” para promover os interesses de Deus, assim como muitos cristãos na atualidade mantêm-se com serviço de tempo parcial ou trabalho temporário para poder dedicar a maior parte do tempo restante a divulgar as boas novas. — 1 Tessalonicenses 2:9; Mateus 24:14; 1 Timóteo 6:6.

Exemplos de hospitalidade

É capaz que Paulo tenha usado a casa de Áquila como base para suas atividades missionárias no período de um ano e meio em que ficou em Corinto. (Atos 18:3, 11) Nesse caso, é provável que Áquila e Priscila tenham tido o prazer de também hospedar Silas (Silvano) e Timóteo quando chegaram da Macedônia. (Atos 18:5) As duas cartas de Paulo aos tessalonicenses, que mais tarde tornaram-se parte do cânon da Bíblia, podem ter sido escritas enquanto o apóstolo estava hospedado na casa de Áquila e Priscila.

É fácil imaginar que, nessa época, a casa de Priscila e Áquila fosse uma verdadeira colméia de atividades teocráticas. Provavelmente era freqüentada por muitos amigos queridos: Estéfanas e sua família, que foram os primeiros cristãos na província da Acaia, batizados pelo próprio Paulo; Tício Justo, que permitiu que Paulo usasse sua casa para fazer discursos; e Crispo, o presidente da sinagoga, que aceitou a verdade junto com toda a família. (Atos 18:7, 8; 1 Coríntios 1:16) Entre eles havia ainda Fortunato e Acaico; Gaio, em cuja casa talvez se realizassem as reuniões congregacionais; Erasto, o mordomo da cidade; Tércio, o secretário a quem Paulo ditou sua carta aos romanos; e Febe, uma irmã fiel da vizinha congregação de Cencréia, que provavelmente levou a carta de Corinto a Roma. — Romanos 16:1, 22, 23; 1 Coríntios 16:17.

Os servos de Jeová hoje que já tiveram a oportunidade de ser hospitaleiros com um ministro viajante sabem como isso pode ser encorajador e memorável. As experiências edificantes relatadas nessas ocasiões podem ser uma verdadeira fonte de revigoramento para todos. (Romanos 1:11, 12) E quem abre sua casa, como fizeram Priscila e Áquila, para ali se realizarem reuniões, talvez o Estudo de Livro de Congregação, tem a alegria e a satisfação de contribuir assim para a promoção da religião verdadeira.

Tão grande era a amizade com Paulo, que Áquila e Priscila foram com ele para Éfeso, quando ele partiu de Corinto, na primavera de 52 EC. (Atos 18:18-21) O casal ficou em Éfeso e lançou o alicerce para a próxima visita do apóstolo. Foi lá que esses habilidosos instrutores das boas novas acolheram o eloqüente Apolo “na sua companhia” e tiveram a alegria de ajudá-lo a entender “mais corretamente o caminho de Deus”. (Atos 18:24-26) Quando Paulo revisitou Éfeso em sua terceira viagem missionária, por volta do inverno de 52/53 EC, o campo que fora cultivado por esse dinâmico casal já estava maduro para a colheita. Por uns três anos, Paulo pregou e ensinou “O Caminho” em Éfeso, e a congregação de lá realizava as reuniões na casa de Áquila. — Atos 19:1-20, 26; 20:31; 1 Coríntios 16:8, 19.

Mais tarde, ao voltarem para Roma, esses dois amigos de Paulo continuaram a ‘seguir o proceder da hospitalidade’, colocando sua casa à disposição para as reuniões cristãs. — Romanos 12:13; 16:3-5.

‘Arriscaram o pescoço’ por Paulo

Talvez Paulo também tenha ficado na casa de Áquila e Priscila enquanto esteve em Éfeso. Será que estava hospedado na casa deles na época do tumulto dos prateiros? Segundo o relato em Atos 19:23-31, quando os artífices que fabricavam santuários revoltaram-se contra a pregação das boas novas, os irmãos tiveram de impedir que Paulo se arriscasse enfrentando a multidão. Segundo teorizam alguns comentaristas da Bíblia, pode ter sido exatamente numa situação perigosa como essa que Paulo sentiu-se ‘incerto até mesmo quanto à sua vida’ e que Áquila e Priscila intervieram de algum modo, ‘arriscando o próprio pescoço’ por ele. — 2 Coríntios 1:8; Romanos 16:3, 4.

“Tendo diminuído o alvoroço”, Paulo foi suficientemente sensato para partir da cidade. (Atos 20:1) Áquila e Priscila sem dúvida enfrentaram oposição e foram ridicularizados. Será que isso os abateu? Ao contrário, Áquila e Priscila destemidamente deram continuidade a suas atividades cristãs.

Casal bem entrosado

Terminado o domínio de Cláudio, Áquila e Priscila voltaram para Roma. (Romanos 16:3-15) No entanto, a última menção deles na Bíblia situa-os novamente em Éfeso. (2 Timóteo 4:19) Como em todas as outras referências nas Escrituras, mais uma vez os dois são mencionados juntos. Que casal bem entrosado e unido! Paulo não podia pensar naquele querido irmão, Áquila, sem se lembrar da fiel cooperação da sua esposa. E que exemplo excelente para os casais cristãos hoje, porque a ajuda leal de um cônjuge devotado permite que se faça muito “na obra do Senhor” e, às vezes, até mais do que seria possível fazer como solteiro. — 1 Coríntios 15:58.

Áquila e Priscila serviram em várias congregações. Como eles, muitos cristãos zelosos na atualidade colocam-se à disposição para mudar-se para onde há mais necessidade. Eles também têm a alegria e a satisfação de ver os interesses do Reino crescerem e de poder cultivar amizades cristãs cordiais e preciosas.

Com seu esplêndido exemplo de amor cristão, Áquila e Priscila conquistaram o apreço de Paulo e de outros. Mas o que é mais importante é que fizeram uma excelente reputação aos olhos do próprio Jeová. As Escrituras asseguram: “Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome, por terdes ministrado aos santos e por continuardes a ministrar.” — Hebreus 6:10.

Talvez não tenhamos a oportunidade de dar de nós de maneiras similares ao que Áquila e Priscila fizeram, mas ainda assim podemos imitar seu excelente exemplo. Nossa satisfação será profunda ao devotarmos nossas energias e vida ao serviço sagrado, nunca nos esquecendo “de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios”. — Hebreus 13:15, 16.

ATOS 18:1-3, 18-26; ROMANOS 16:3; I CORÍNTIOS 16:19; II TIMÓTEO 4:19

Versículo para memorização – Atos 18:2

Decidi incluir Áquila e Priscila em minha série de Principais Personagens Bíblicos, não porque foram famosos, mas porque foram fiéis. Não está registrada nenhuma citação direta de algum deles nas Escrituras Sagradas, ainda que tenham sido grandes cristãos. Viveram em dupla perseguição.

A primeira menção que se faz a eles na Bíblia está em Atos 18:2. Tendo sido expulsos da Itália, estavam vivendo em Corinto e fazendo tendas. É aqui que Paulo os encontra e, como tinha experiência nesse ofício, trabalhou fisicamente com eles para suprir suas necessidades terrenas. Podemos supor se Paulo os conduzisse a Cristo ou se já fossem discípulos. Parece para mim que eles já foram discípulos, porque foram mencionados na carta aos cristãos que estavam em Roma, como pessoas estabelecidas entre os cristãos romanos (Romanos 16:3).

É claro que colocavam assuntos espirituais antes das necessidades físicas; quando Paulo deixou Corinto em direção a Síria, viajaram com ele até Éfeso e, aparentemente, fizeram dali sua casa e lugar de serviço a Deus. Foi aqui que conheceram e ouviram Apolo, e foram usados como instrumentos de Deus para mudar sua vida e ministério. Aparentemente permaneceram aqui, porque Paulo, escrevendo da prisão romana para Timóteo, que obviamente estava em Éfeso (I Timóteo 1:3), pediu, em sua segunda epístola, para saudar Áquila e Priscila.

É maravilhoso ver o efeito geral de membros cristãos e fiéis da igreja. Eram estabelecidos como cristãos em Roma. Sendo forçados a deixar seu lar, não foram amargados contra Deus, pelo contrario, serviram-no com a mesma integridade em Corinto, de onde partiram para Éfeso, fazendo o mesmo bom trabalho para Cristo. Foram uma grande benção pessoal a Paulo e estiveram continuamente em seus pensamentos, encorajando seu coração. Mudaram a vida e o ministério de Apolo e, obviamente, foram uma grande benção para Timóteo. Você não precisa ser famoso no serviço de Deus, como Paulo. Se você for fiel, como foram Áquila e Priscila, você será grande no Reino de Deus.

Dando um novo passo nesta espécie de galeria de retratos das primeiras testemunhas da fé cristã, que iniciámos há algumas semanas, tomamos hoje em consideração um casal de esposos. Trata-se dos cônjuges Priscila e Áquila, que se colocam na órbita dos numerosos colaboradores que gravitam em volta do apóstolo Paulo, dos quais já falei brevemente na quarta-feira passada. Com base nas notícias que possuímos, este casal desempenhou um papel muito activo no tempo das origens pós-pascais da Igreja.

Os nomes Áquila e Priscila são latinos, mas este homem e esta mulher são de origem hebraica. Pelo menos Áquila provinha geograficamente da diáspora da Anatólia setentrional, diante do mar Negro na actual Turquia enquanto Priscila, cujo nome se encontra por vezes abreviado em Prisca, era provavelmente uma judia proveniente de Roma (cf. Act 18, 2). Contudo, foi de Roma que eles partiram para Corinto, onde Paulo se encontrou com eles no início dos anos 50; lá associou-se a eles porque, como narra Lucas, exerciam a mesma profissão de fabricantes de tendas ou toldos para uso doméstico, e foi acolhido até na sua casa (cf, Act18, 3). O motivo da sua ida a Corinto tinha sido a decisão do imperador Cláudio de expulsar de Roma os Judeus residentes na Cidade.

O historiador romano Suetónio diz-nos sobre este acontecimento que tinha expulso os Judeus porque “provocavam tumultos por causa de um certo Cresto” (cf. Vita dei dodici Cesari, Claudio”, 25). Vê-se que não conhecia bem o nome em vez de Cristo escreve “Cresto” e tinha apenas uma ideia muito vaga de quanto tinha acontecido. Contudo, haviam discórdias no interior da comunidade judaica sobre a questão se Jesus era o Cristo. E estes problemas eram para o imperador o motivo para simplesmente expulsar de Roma todos os Judeus. Disto se deduz que o casal tinha abraçado a fé cristã já em Roma nos anos 40, e agora tinham encontrado em Paulo alguém que não só partilhava com eles esta fé que Jesus é o Cristo mas que também era apóstolo, chamado pessoalmente pelo Senhor Ressuscitado. Por conseguinte, o primeiro encontro dá-se em Corinto, onde o recebem em casa e trabalham juntos na fabricação de tendas.

Num segundo momento, eles transferem-se para a Ásia Menor, para Éfeso. Ali tiveram uma parte determinante em completar a formação cristã do judeu alexandrino Apolo, do qual falámos na quarta-feira passada. Dado que ele conhecia apenas superficialmente a fé cristã, “Priscila e Áquila, que o tinham ouvido, tomaram-no consigo e expuseram-lhe, com mais clareza, o Caminho do Senhor” (Act 18, 26). Quando de Éfeso o Apóstolo Paulo escreve a sua Primeira Carta aos Coríntios, junta explicitamente às suas saudações também as de “Áquila e Prisca, com a comunidade que se reúne na sua casa” (16, 19). Assim chegamos ao conhecimento do papel importantíssimo que este casal desempenha no âmbito da Igreja primitiva:  isto é, o de receber na própria casa o grupo dos cristãos locais, quando eles se reuniam para ouvir a Palavra de Deus e para celebrar a Eucaristia. É precisamente aquele tipo de reunião que em grego se chama “ekklesìa” a palavra latina é “ecclesia”, a italiana “chiesa” que significa convocação, assembleia, reunião.

Portanto, na casa de Áquila e Priscila reúne-se a Igreja, a convocação de Cristo, que celebra os Mistérios sagrados. E assim podemos ver o nascimento precisamente da realidade da Igreja nas casas dos crentes. De facto, os cristãos até finais do século III não tinham lugares próprios de culto:  foram estas, num primeiro tempo, as sinagogas judaicas, até quando a originária simbiose entre Antigo e Novo Testamento se dissolveu e a Igreja das Nações foi obrigada a dar-se uma própria identidade, sempre profundamente enraizada no Antigo Testamento. Depois desta “ruptura”, os cristãos reunem-se nas casas, tornam-se assim “Igreja”. E por fim, no século III, surgem verdadeiros e próprios edifícios de culto cristão. Mas na primeira metade do século I e no século II, as casas dos cristãos tornam-se verdadeira e própria “igreja”. Como disse, lêem juntos as Sagradas Escrituras e celebram a Eucaristia. Acontecia assim, por exemplo, em Corinto, onde Paulo menciona “Gaio, que me recebe como hóspede, assim como a toda a igreja” (Rm 16, 23), ou em Laodiceia, onde a comunidade re reunia na casa de uma certa Ninfa (cf. Cl 4, 15), ou em Colossos, onde o encontro se realizava em casa de um certo Arquipo (cf. Fm 2).

Tendo sucessivamente regressado a Roma, Áquila e Priscila continuaram a desempenhar esta preciosíssima função também na capital do Império. De facto, Paulo escrevendo aos Romanos, envia esta saudação:  “Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que se reúne em casa deles” (Rm 16, 3-5). Que extraordinário elogio do casal nestas palavras! E quem a faz é precisamente o Apóstolo Paulo. Ele reconhece explicitamente neles dois verdadeiros colaboradores do seu apostolado. A referência ao facto de ter arriscado a vida por ele deve relacionar-se provavelmente com intervenções em seu favor durante algum seu aprisionamento, talvez em Éfeso (cf. Act 19, 23; 1 Cor 15, 32; 2 Cor 1, 8-9). E que à própria gratidão Paulo associe até a de todas as Igrejas das Nações, mesmo considerando a expressão talvez bastante hiperbólica, deixa intuir como é vasto o seu raio de acção e, contudo, a sua influência em benefício do Evangelho.

A tradição hagiográfica posterior conferiu um realce muito particular a Priscila, mesmo se permanece o problema de uma sua identificação com outra Priscila mártir. Contudo, aqui em Roma temos quer uma igreja dedicada a Santa Prisca no Aventino quer as Catacumbas de Priscila na via Salária. Deste modo perpetua-se a memória de uma mulher, que certamente foi uma pessoa activa e de muito valor na história do cristianismo romano. Uma coisa é certa:  juntamente com a gratidão daquelas primeiras Igrejas, das quais fala São Paulo, deve juntar-se também a nossa, porque graças à fé e ao compromisso apostólico dos fiéis leigos, de famílias, esposos como Priscila e Áquila o cristianismo chegou à nossa geração. Podia crescer não só graças aos Apóstolos que o anunciavam. Para se radicar na terra do povo, para se desenvolver vivamente, era necessário o compromisso destas famílias, destes esposos, destas comunidades cristãs, de fiéis leigos que ofereceram o “húmus” ao crescimento da fé. E sempre, só assim a Igreja cresce. Em particular, este casal demonstra como é importante a acção dos casais cristãos. Quando eles são amparados pela fé e por uma forte espiritualidade, torna-se natural um seu compromisso pela Igreja e na Igreja. A comunhão quotidiana da sua vida prolonga-se e de certa forma sublima-se na assunção de uma responsabilidade comum em favor do Corpo místico de Cristo, mesmo que fosse de uma pequena parte dele. Assim era na minha geração e assim será com frequência.

Do seu exemplo podemos tirar outra lição que não devemos descuidar:  cada casa pode transformar-se numa pequena igreja. Não só no sentido de que nela deve reinar o típico amor cristão feito de altruísmo e de solicitude recíproca, mas ainda mais no sentido de que toda a vida familiar, com base na fé, está chamada a girar em volta da única senhoria de Jesus Cristo. Não é ocasionalmente que na Carta aos Efésios Paulo compara a relação matrimonial com a comunhão esponsal que existe entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 25-33). Aliás, poderíamos considerar que o Apóstolo modele indirectamente a vida da Igreja inteira sobre a da família. E a Igreja, na realidade, é a família de Deus. Por isso honramos Áquila e Priscila como modelos de uma vida conjugal responsavelmente comprometida ao serviço de toda a comunidade cristã. E encontramos neles o modelo da Igreja, família de Deus para todos os tempos.

O apóstolo Paulo, na conclusão da sua carta aos Romanos, faz a mais longa saudação de todas as suas cartas (Rm 16.3-16). Nessa conclusão, ele cita várias pessoas e algumas famílias que estavam a serviço de Deus. Essas pessoas e essas famílias servem de exemplo para nós ainda hoje. Voltemos ao passado e aprendamos com esses irmãos e irmãs que nos precederam.

  1. Casas abertas para acolher (Rm 16.3-5,14,15).

    Priscila e Áquilaforam cooperadores do apóstolo Paulo. A casa deles era um local de reunião, onde a igreja de Deus congregava. Tanto em Corinto quanto em Roma, a casa de Prisca e Áquila eram um santuário, onde a igreja de Deus se reunia. Eles eram hospitaleiros e acolhedores. A hospitalidadeé uma das características da vida cristã (Hb 13.2).

A casa de Priscila e Áquila era um porto seguro para as pessoas buscarem refúgio em Deus. Esse casal, com esta atitude nobre em abrir seu lar para hospedar a igreja de Deus, arriscaram sua própria vida, pois aquele era um tempo de intensa perseguição. A palavra grega ???????? –upethekan – significa colocar-se sob o machado do executor, sob a lâmina do carrasco e arriscar a vida em prol de outras pessoas. Esse fato possivelmente aconteceu em Éfeso, onde Paulo enfrentou lutas maiores que suas forças a ponto de desesperar-se de sua própria vida (2Co 1.8).

Amamos citar Jo 3.16, o texto áureo da Bíblia, mas e 1 Jo 3.16 (leia este versículo), quantos tem coragem de além de citá-lo (que é fácil) vivê-lo na íntegra? Na vida deste casal, este versículo era uma verdade irrefutável! E na sua vida prezado leitor [a] o texto de 1Jo 3.16 é uma verdade, ou uma mentira?

Ainda nos versículos 14 e 15, o apóstolo cita mais duas famílias, onde grupos de igrejas se reuniam para adorar a Deus e proclamar sua bendita Palavra. Ainda hoje precisamos de famílias que abram as portas da sua casa para que o evangelho de Cristo seja também proclamado. O lar é um dos principais instrumentos na evangelização do mundo.

  1. Corações abertos para consolar (Rm 16.13)

    O apóstolo Paulo faz referência à mãe de Rufocomo uma mulher que cuidou dele como se fosse sua mãe. Essa mulher que recebe elogio tão auspicioso nem tem seu nome citado na terra, mas era conhecida no céu.Há grandes nomes no reino de Deus que permanecerão incógnitos na terra e anônimos na história. É algo maravilhoso investir na vida dos filhos de Deus, ser bálsamo para os que sofrem e âncora para os que enfrentam as tempestades da vida.

A mãe de Rufo foi uma mãe para o apóstolo Paulo. Esse bandeirante do cristianismo encontrou nessa mulher um apoio, um encorajamento, que só uma mãe era capaz de lhe dar. Temos sido encorajadores das pessoas? Temos sido bálsamo de Deus para curar as feridas dos aflitos e quebrados?

Temos o grande desafio de sermos abençoadores. Devemos não somente abrir nossas casas, mas também o nosso coração para encorajarmos as pessoas. Nossa língua deve ser medicina que leva cura; nossas palavras precisam ser mel que alimenta; nossos atos devem ser gestos altruístas que abençoam.

  1. Mãos abertas para trabalhar (Rm 16.3,6,9,12).

    O apóstolo cita várias pessoas que foram seus cooperadores no trabalho de Deus, gente que pôs a mão no arado, que com excelência fizeram a obra de Deus. Hoje estamos cheios de engenheiros de obras prontas, como Tobias e Sambalate no livro de Neemias. Pessoas que não fazem nada, somente criticam e promovem confusão no meio da igreja.

Paulo cita vários irmãos que cooperavam na obra do Senhor. Priscila e Áquila foram seus cooperadores (Rm 16.3). Maria é citada como uma irmã que muito trabalhou pela igreja de Roma (Rm 16.6). Urbano era cooperador de Paulo em Cristo (Rm 16.9). Trifena e Trifosa trabalharam no Senhor, e Pérside muito trabalhou no Senhor (Rm 16.12).

A igreja de Deus deve ser uma equipe de trabalhadores. Deus nos concede a salvação, mas no chama ao trabalho. Temos o privilégio de sermos cooperadores de Deus no estabelecimento do seu reino. Onde estão os trabalhadores do reino? Gente que anonimamente faz uma obra muito maior do que aqueles que estão em evidência. Gente que ama a Jesus, e sua obra. Gente que não está atrás de promoção, de luzes sob a ribalta. Gente, que se comprometeu com o reino de Deus e não com o reino dos homens.

  • Com certeza na casa de Áquila o apostolo se sentia amado.

 

  1. Acompanham Paulo em sua viagem a Éfeso – Atos 18. 18-19.
  2. Estavam com Paulo quando da sua prisão em Roma – 2 Timóteo 4.19.

 

  • Usufruía de hospitalidade e sustento.

 

  1. Paulo passou um ano e meio com os irmãos em coríntio (v.11).
  2. Reconhecimento de Paulo sobre o ministério de Áquila e Priscila – Rm. 16.3.

 

  • Gozava de cuidados, atenção e crédito.

 

  1. Áquila e Priscila se transformaram em evangelistas – 1Co 16.19.

 

A casa de Áquila e Priscila era um lar de testemunho, sendo referência para toda comunidade em seu entorno. Nesse sentido temos o testemunho do próprio apóstolo.

 

  1. Um casal semeador

 

E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus. E, rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. Antes se despediu deles, dizendo: É-me de todo preciso celebrar a solenidade que vem em Jerusalém; mas querendo Deus, outra vez voltarei a vós. E partiu de Éfeso. [Atos 18. 18-21]

 

A saída de Paulo poderia ser uma ocasião para a paralisação espiritual de Áquila e Priscila. Afinal, “o líder estava distante” e as ameaças eram bem reais. Mas, não foi assim.

 

Em Atos 18. 26 lemos na palavra de Deus que o casal estava em plena atividade evangelizadora na sinagoga.

 

  1. Quando Apolo falou ousadamente na sinagoga eles estavam lá para ouvi-los.
  2. Perceberam problemas em sua doutrina (Atos 18.25)
  3. Ensinaram Apolo o que haviam aprendido de Paulo (Atos 18.26).
  4. Era um casal maravilhoso. Em todas as passagens bíblicas que lemos até aqui eles sempre aparecem juntos e isso é uma lição de vida para nós outros.
  5. Não só pregou, mas também orientou espiritualmente Apolo ajudando a alcançar muitos outros para Cristo. Dessa forma tinham uma excelente visão de reino. Não eram míopes espirituais

 

“Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos, e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam.28 Porque com grande veemência, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Atos 18.27-28

Em fim, Áquila e Priscila são exemplos a ser seguido pela igreja de Deus. Eram servos do Senhor que sabiam usar seu trabalho como instrumento de evangelização (1 Co 16.3). Sabemos que viajavam com freqüência, pois o encontramos em Roma quando da carta de Paulo aquela igreja (Rm. 16.3) ou quando não mais em Roma quando da carta de Paulo a Timóteo (2 Timóteo 4.19). Estavam sempre juntos na evangelização, nas lutas que a igreja travava com seus opositores e na direção de Deus. No pouco que a bíblia fala desse casal se concluiu que realizaram o que Deus havia proposto para eles. Minha oração é que cada lar cristão possa cumprir aquilo a qual Deus espera de nós. Amém!

 

Referencial bibliográfico

Rienecker, Fritz e Rogers, Cleon. Chave linguistica NT. Ed. Vida Nova 

Lopes, Hernandes Dias. Mensagens selecionadas. Ed. Hagnos

Wiersbe, Warren. Comentário Expositivo. Geográfica Editora.

*Extraído da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

JIM, George. Guia de Biografías Bíblicas: conozca a los hombres e mujeres de la bíblia em 10 minutos, Portavoz, Michigan 2008

Dicionário Bíblico Wycliffe. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA:CPAD, 1999.

BÍBLIA ILUMINA EM CD – BÍBLIA de Estudo NVI EM CD –

Dicionário Vine antigo e novo testamentos – CPADManual Bíblico Entendendo a Bíblia, 

CPADDicionário de Referências Bíblicas, C

PADAs Disciplinas da Vida Cristã; CPAD

Hermenêutica Fácil e descomplicada, CPAD

ROMANOS – INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO – F. F. Bruce. M.A., D.D. – SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA, Caixa Postal 21486, São Paulo-SP 04602-970

Homens que foram heróis do seu tempo

Nós escutamos muito sobre Paulo, Pedro, Tiago e João. Mas há muitas pessoas mencionadas no Novo Testamento que podem passar despercebidas por nós.

Em Colossenses 4, o Apóstolo Paulo lista nove homens  da igreja primitiva que não nos são tão familiares. A “chamada” desses santos por Paulo me traz à memória a vasta maioria dos cristãos que silenciosamente desempenham papéis importantes no reino de Deus. Mesmo que essas menções sejam breves, elas contêm lições de vida para nós.

 

Tíquico – Encorajem uns aos outros falando da Palavra de Deus

Tíquico lhes informará todas as coisas a meu respeito. Ele é um irmão amado, ministro fiel e cooperador no serviço do Senhor. Eu o envio a vocês precisamente com o propósito de que saibam de tudo o que se passa conosco e para que ele lhes fortaleça o coração.

Tíquico tinha um trabalho a cumprir. Ele deveria levar notícias de Paulo, assim como a própria carta do Apóstolo, ao povo de Colosso. O resultado seria o encorajamento dos corações dos cristãos. Eu quero ser como Tíquico. Eu quero ser um arauto da Palavra, de tal forma que isso transborde do meu coração na hora e no lugar certo.

Onésimo – O evangelho transforma a inutilidade em utilidade

[Tíquico] irá com Onésimo, fiel e amado irmão, que é um de vocês. Eles irão contar-lhes tudo o que está acontecendo aqui.

Onésimo era um escravo fugitivo. Seu nome significava “útil”, mas ele havia provado ser “inútil” ao seu mestre, Filemon. Ainda assim, Paulo o afirma como um irmão fiel e amado, acrescentando que ele era “um de vocês”. A cruz une o que o mundo separa. Anteriormente, Onésimo não havia honrado seu nome. O evangelho mudou tudo isso, e nos muda também. Não há como honrarmos o título de “cristãos” à parte da obra santificadora do evangelho, que são as boas novas que pegam pecadores inúteis e os transformam em colaboradores úteis do reino de Deus.

Aristarco – Sofram uns com os outros

Aristarco, meu companheiro de prisão, envia-lhes saudações…

Aristarco era um dos companheiros de ministério de Paulo, e aqui ele é mostrado como um companheiro de sofrimento. Precisamos de pessoas como Aristarco, que se mantém focadas no reino independentemente das conseqüências, que se alegram conosco em tempos de alegria e que pranteiam conosco em tempos de dificuldades.

Marcos – Sempre levantem após cair

… bem como Marcos, primo de Barnabé. Vocês receberam instruções a respeito de Marcos, e se ele for visitá-los, recebam-no.

Marcos foi a causa de uma das maiores divisões da igreja primitiva. Paulo e Barnabé discordaram a respeito do desejo de Marcos de acompanhá-los em uma viagem missionária. Por quê? Porque Marcos dava sinais de ser um desistente. Ele havia ido com eles em uma viagem anterior, desistido e voltado para casa. Essa passagem indica que Marcos já havia feito as pazes e retornado à companhia de Paulo. Marcos caiu, mas se levantou. Tanto que é provável que ele tenha escrito uns dos quatro Evangelhos! A lição aqui? Levante-se sempre. O justo cairá sete vezes, mas ainda assim, se levantará todas as vezes.

Justo – Façam de seu cristianismo a sua identidade primordial

Jesus, chamado Justo, também envia saudações. Esses são os únicos da circuncisão que são meus cooperadores em favor do Reino de Deus. Eles têm sido uma fonte de ânimo para mim.

Justo abriu mão propositadamente de sua identidade duas vezes, visando à propagação do evangelho. Primeiro, apesar de seu nome ser Jesus, ele atendia pelo nome de Justo, provavelmente para evitar confusões com o Jesus que ele estava proclamando. Segundo, ele abandonou seu próprio povo, os judeus, para pregar o evangelho em meio àqueles em Roma. Justo baseou sua identidade em Jesus Cristo. Ele não era judeu acima de qualquer coisa. E seu nome também não era inalterável. Ele era “em Cristo”. E você? Qual é a sua identidade principal? O cristão cuja identidade primordial é Jesus Cristo pode atravessar culturas e barreiras em nome do evangelho.

Epafras – Batalhem pelos outros em oração

Epafras, que é um de vocês e servo de Cristo Jesus, envia saudações. Ele está sempre batalhando por vocês em oração, para que, como pessoas maduras e plenamente convictas, continuem firmes em toda a vontade de Deus. Dele dou testemunho de que se esforça muito por vocês e pelos que estão em Laodicéia e em Hierápolis.

Epafras era um guerreiro de oração. Atordoado pela imaturidade espiritual que via nos outros, ele buscou o trono da graça e “batalhou” pelo povo de Deus em oração. Ele queria que as pessoas da sua igreja tivessem certeza da vontade de Deus, que soubessem como agir. Então ele levava esses fardos a Deus em oração. Que privilégio levar as necessidades espirituais de nossos irmãos e irmãs a Deus!

Lucas – Usem suas ocupações para a glória de Deus

Lucas, o médico amado…

Lucas usou sua ocupação como doutor para a glória de Deus. Quem sabe quantas vezes Lucas tratou Paulo, que sofria de terríveis dores nas costas? Lucas não usou seus dons apenas para o próprio benefício. Ele entregou esses dons a Deus. Nós aprendemos com Lucas que as nossas vocações não estão separadas da nossa vida espiritual. Somos chamados para fazer tudo para a glória de Deus – com excelência, com beleza e com zelo.

Demas – Cuidem para não se revoltarem

… e Demas enviam saudações

A carta de Paulo a Timóteo nos informa que Demas se apaixonou pelo mundo e se afastou de Deus. Por alguma coisa diferente de Deus atraiu suas afeições. O exemplo de Demas serve como um aviso para nós. Cuide para não virar as costas! Deixe que esse exemplo nos alerte sobre revoltas contra Deus e o abandono de nossa fé no evangelho.

Arquipo – Desafiem uns aos outros para se manterem no caminho certo

Digam a Arquipo: “Cuide em cumprir o ministério que você recebeu no Senhor”.

A carta de Paulo à igreja colossense contém esse desafio pessoal para um indivíduo. Isso me lembra um pouco de um culto de ordenação, quando um pastor prega uma mensagem direcionada ao candidato. Como não é uma mensagem para a igreja inteira, as pessoas se perguntam: “por que não entregar essa mensagem em particular?”. A razão para isso é que a igreja inteira deve desafiar o candidato com o passar do tempo a viver de acordo com a demanda que lhe foi entregue. Arquipo é um exemplo de como os cristãos devem desafiar uns aos outros, às vezes em particular, às vezes em público. Nós precisamos da exortação de nossos irmãos e irmãs em Cristo para crescer em santidade e fé.

Quando o seu desejo mais inflamado é de que Cristo seja honrado, você também pode ser um herói desconhecido.[/tweet]

Aristarco, Arquipo, Justo… Apenas alguns dos heróis desconhecidos da Bíblica, “desconhecidos” porque eles estavam primariamente focados em assegurarem que a honra a Jesus Cristo fosse dada por todas as tribos, línguas e nações.  Quando o seu desejo mais inflamado é de que Cristo seja honrado, você também pode ser um herói desconhecido.

Homem que é homem, chora!

“Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. E levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam, e a casa de Faraó o ouviu”. Gênesis 45:1,2

Introdução: O choro é a mais perfeita prova da humanidade de uma pessoa. Vivemos o tempo de líderes sérios (sisudos), sorridentes, concentrados, mas dificilmente os vemos chorando, já observou? Na verdade, deveríamos atender melhor os que tem coragem de chorar porque, chorando, eles dizem que são imperfeitos e por isso necessitam de ajuda!

  1. Chore quando estiver na presença de Deus….Ele não está muito preocupado com a sua performance, mas com as tuas lágrimas.
  2. Chore quando os desafios são imensuráveis…. As lágrimas têm poder de fazer aquietar a sua alma. 
  3. Chore quando a alegria for muito grande…. As lágrimas é a melhor forma de dizer: muito obrigado!
  4. Chore quando estiver longe da conquista, do ideal…. As lágrimas sempre atraem pessoas bondosas para nos ajudar e fazer prosseguir. 
  5. Chore quando perder, conquando sentir falta….As lagrimas referendam a autenticidade de suas intenções!

Conclusão: Só para não esquecermos sobre a importância de chorar: JESUS CHOROU!!

Lições empreendedoras de Neemias

Um ramo da teoria econômica e das ciências administrativas, diz que o ser humano é racional e que basta colocar a razão para funcionar e, pronto, as coisas acontecerão naturalmente. Mas o mundo é cheio de desafios e oportunidades. O ser humano não é tão racional quanto os manuais científicos gostariam. Há uma frase interessante, que diz que na tomada de decisões “os homens tomam somente suas necessidades em consideração, nunca as suas habilidades“. O ser humano é um conjunto de emoções, sentidos e momentos e quem deseja ser um excelente administrador ou líder, deve sempre ter a noção que o sucesso está em lidar com PESSOAS e não com COISAS.

O ser humano é único e ele é quem consegue realizar o que tem que ser feito. Hoje estão sendo valorizados os estudos em que enxergam o ser humano como algo mais complexo, que possui uma esfera holistica (espiritual), mente = vontade, emoção e sentido, e, corpo (soma, isto é, aquilo que faz os planos e projetos serem colocados em prática.

Neemias foi um copeiro na corte do rei da Pérsia, por volta do ano 445 AC. Num determinado dia, ele recebe a notícia que a cidade dos seus pais, Jerusalém, a mais de 1500 quilômetros de distância, estava com os muros derrubados e o povo daquela cidade estava envergonhado. Ao longo dos treze capítulos do livro de Neemias, vamos como este homem nos deixa dez lições empreendedoras diante dos problemas:

  1. Ele percebeu havia uma crise – e toda crise tem oportunidade – só tem valor no mercado quem é capaz de pensar soluções para a crise;
  2. Ele percebeu que a solução do problema era mais complexa e que dependia das autoridades sobre a sua vida e também de muitas outras pessoas para realizar a tarefa, isso é liderança 360 graus – o relacionamento interpessoal é tão importante quanto o conhecimento teórico.
  3. Ele percebeu que para a solução era necessário um tempo de planejamento e gasta quatro meses, buscando como por em prática o seu plano;
  4. Ele percebeu que era necessário ser discreto, para não chamar atenção e inviabilizar o resultado antes de começar a fazer algo;
  5. Ele percebeu que antes das pessoas começarem a fazer qualquer coisa prática, era necessário motivá-las – sem motivação as pessoas não farão nada.
  6. Ele percebeu que era preciso saber lidar com as resistências externas e internas (críticas, invejas, dissimulações, zombarias, boicotes, oposições, confrontos, desânimos e egocentrismos) – uma boa ideia, por melhor que seja, sempre irá contrariar alguém e essas pessoas irão fazer de tudo para boicotar o seu trabalho.
  7. Ele percebeu a importância de organizar o processo produtivo, minimizando os custos e racionalizando a execução. Pôs as pessoas para fazer conforme as condições possíveis e na frente das suas casas; cada família fez uma parte dos muros. A isso chamamos de efetividade: a pessoa certa, no lugar certo, fazendo do jeito certo, com a motivação certa.
  8. Ele percebeu que na condição de líder precisava ser justo para com os trabalhadores, mas também com os gerentes e demais pessoas envolvidas no processo. Neemias não fazia média com as pessoas.
  9. Ele percebeu que todo erro ou desvio de conduta, precisa ser resolvido ainda no início. A sociedade cobrará um preço muito alto das empresas que se esquecem da ética nos negócios.
  10. Ele percebeu que embora seu conjunto de Competência, Habilidade e Atitude (CHA), fosse da melhor qualidade, não era suficiente para dar conta de tão grande tarefa, ele buscou recursos na sua parte holística (espiritual). O sucesso não ocorre para quem trabalha duro, nem para quem tem sorte, mas para aquele que tem fé ativa, prática. O mercado chama isso de intuição, mas nós chamamos de fé, que é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos (Hebreus 11.1). Diante do desafio ele afirmou: “O Deus dos céus fará que sejamos bem sucedidos. Nós, os seus servos, levantaremos e edificaremos“: Neemias 2.20.

Estas 10 lições de Neemias marcaram a história e aqueles muros erguidos EM APENAS 52 DIAS, estão ainda de pé em Jerusalém. Neemias era um homem como outro qualquer. De copeiro da corte, foi promovido a governador – só há promoção para aqueles que solucionam problemas. Mas quero revelar a vocês o grande segredo de Neemias: ele sabia de onde vinha sua força.

Quando vocês estiverem enfrentando todos os problemas inerentes à vossa profissão e ao desafio de ser líder, lembrem-se que o ser humano não é apenas um amontoado de pele e ossos e que há algo maior dentro de você que transcende a lógica e a racionalidade administrativa. O segredo de Neemias era simples: A ALEGRIA DO SENHOR É A NOSSA FORÇA – Neemias 8.10.

Coloque Deus na frente dos seus planos e projetos e vocês conquistarão o mundo!


Palavra ministrada em 17/02/2017 aos formandos de Administração da FATEC (Curitiba) e na reunião de homens da Igreja Batista Independente de Curitiba, em 23/02/2017.

Importância de um ministério de homens na Igreja

A realidade é que a maioria dos nossos homens não tem uma vida devocional consistente. Pouquíssimos tem pensado no que realmente significa amar as suas esposas como Cristo amou a igreja. Como conseqüência os homens não tem pensado em preencher as necessidades de suas esposas ou aplicar a ordem paulina de I Corintios 13:4-8. A maioria dos homens não tem um plano de discipular os seus filhos e nem a mínima idéia do que significa ser líderes espirituais em suas famílias. Menos de 10% estão ativamente buscando compartilhar a sua fé com amigos não cristãos, parentes e colegas de trabalho etc. Veja, abaixo, três razões para ter um ministério de homens que funcione na Igreja:

A. Porque temos falhado em discipular os homens de forma eficiente.

Estudos mostram que para cada dez homens em media na Igreja:

– 9 terão filhos que abandonarão a Igreja.
– 8 não encontrarão satisfação em sua vida profissional.
– 6 pagarão a quantia mínima em seus cartões de crédito.
– 5 terão um sério problema com pornografia.
– 4 irão se divorciar.
– Todos os 10 enfrentarão tremendas lutas para equilibrar trabalho e família. (Man In The Mirror)

B. Porque se você ajudar o homem acertar as coisas em seus corações, todos só tem a ganhar.
Quando pensamos em termos de aliança (aliança de Deus com Seus eleitos) passamos a entender que Deus estrategicamente colocou os homens numa posição estratégica de influência na família, na igreja e na sociedade.

Pat Morley (Man in The Mirror) coloca as coisas da seguinte maneira:

“Você pode imaginar de alguma maneira o MUNDO estando correto a não ser que a IGREJA esteja correta? Você pode imaginar de alguma maneira a IGREJA estando correta a não ser que FAMÍLIAS estejam corretas? Você pode imaginar de alguma maneira FAMÍLIAS estando corretas a não ser que seus CASAMENTOS estejam corretos? Você pode imaginar de alguma maneira CASAMENTOS estando corretos a não ser que os homens estejam corretos? Você pode imaginar alguma coisa que tenha maior potencial de mudar o mundo a não ser que o homem esteja correto?”

C. Porque Jesus edificou a Sua Igreja ao discipular homens.

Jesus foi radical em seus dias porque tratou mulheres e crianças com grande dignidade. Mas ele construiu o fundamento da sua vida ao investir pesadamente em 11 homens. Hoje as coisas na igreja caminham no sentido inverso em sua abordagem. Os recursos alocados para ministério com crianças, mulheres e jovens superam em muito os recursos devotados a ministério com homens.

Qual a razão de um ministério focado completamente em homens? George Barna apresenta uma interessante estatística que pode muito bem responder a essa pergunta:

– Quando uma criança assume um compromisso com a igreja, 2% da família se envolve juntamente com ela.

– Quando uma mulher/mãe assume um compromisso com a igreja, 17% da família se envolve juntamente com ela.

– Porém, quando o homem/pai assume um compromisso com a igreja, 93% da família se envolve juntamente com ele!

Um guia para homens sobre como vencer as tentações sexuais

Ao visitar sites pornográficos, admirar as fotos das revistas eróticas ou despir com os olhos uma mulher diferente daquela com a qual estabeleceu uma aliança diante do Senhor, o homem comete o pecado do adultério, mesmo que não leve nenhuma outra para a cama. Chamados por Deus para viver o sexo em sua forma mais pura – através do casamento -, muitos cristãos (inclusive líderes de igrejas) estão fazendo pouco caso de um problema com potencial para destruir casamentos e ministérios.

 

Esta denúncia dá o tom de A batalha de todo homem, um sucesso de Stephen Arterburn e Fred Stoeker que até hoje freqüenta as listas de livros cristãos mais vendidos nos Estados Unidos. Com a autoridade de quem já passou pelo mesmo tipo de experiência e superou com fé, convicção e disciplina, os autores mostram que um simples olhar ou pensamento pode ser suficiente para levar um homem a quebrar os laços de santidade que o unem à sua esposa. Arterburn e Stoeker – autores de O Desejo de Toda Mulher – fazem uma análise franca e sem rodeios sobre o tema, não apenas mostrando a realidade do problema, mas também sinalizando com soluções para que o homem de Deus controle seus olhos, sua mente e seu coração e seja capaz de resistir à tentação, recuperando a dignidade de sua união com a única mulher a quem deve abdicar toda atenção, estima, carinho, amor e desejo: sua esposa.

Sejamos sinceros: não é preciso muito para levar um homem – mesmo casado e cristão – a se sentir sexualmente excitado. Um outdoor de lingerie na avenida principal que o leva ao trabalho. O contato freqüente com a vizinha atraente que malha na academia. As belas atrizes em cenas com forte apelo sexual dos programas de televisão ou dos filmes no cinema. Enfim, uma lista quase interminável. Quando menos espera, ele esquece da vida e fantasia uma experiência extraconjugal.

E se engana quem pensa que o fato de não levar uma daquelas mulheres para um motel muda a situação. Jesus foi bem claro quando afirmou que o homem adultera no simples fato de olhar com lascívia para uma mulher que não lhe pertence. A batalha de todo homem é um livro escrito exatamente para cristãos que estão em luta constante para manter a pureza sexual e a integridade de seu compromisso conjugal, na certeza de que Deus garante os recursos para que eles vençam esta guerra.
Stephen Arterburn é fundador e diretor da New Life Clinics, apresentador do programa de rádio New Life Live! e idealizador do Women of Faith Conferences. Pastor licenciado e palestrante de renome nos Estados Unidos, é autor de mais de 20 livros.
Fred Stoeker é um líder leigo e conferencista de renome, com experiência no aconselhamento de casais que desejam um relacionamento mais íntimo entre si e com Deus. É casado com Brenda e tem quatro filhos.
Os dois são autores de O Desejo de Toda Mulher (publicado no Brasil pela Mundo Cristão), grande sucesso que, junto com outros títulos da série, já vendeu quase meio milhão de exemplares nos Estados Unidos.

Deus, um pai misericordioso e compassivo

Há diversas parábolas na Bíblia, usadas para nos exemplificar alguns conceitos, que de outra forma, teríamos dificuldade de compreender. Jesus, ao vir a este mundo tem um propósito de nos mostrar o PAI. Jesus é a revelação do caráter, do pensamento e da ação do Pai para os povos e nações. Uma das maiores características de Deus Pai, é que ele é cheio de terna misericórida. O Senhor tem prazer em exercer sua misericórida (Deus não me dando o que eu mereço), como expressa em Miquéias 6.18: “… O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia”. No evangelho de Lucaas há 22 versículos que nos revelam que Deus é compassivo e misericordioso Lucas. Dentre eles, os que mais eu gosto, são os registrados em Lucas 15.11ss conhecida como a parábola do Filho Pródigo, que envolve três personagens importantes: o filho mais velho, o filho mais novo e o Pai Misericordioso.

Embora a parábola seja destinada prioritariamente aos fariseus e escribas (homens que se escandalizavam com o jeito de ser e de agir de Jesus) com o objetivo de despertar conversão, ao fazê-los refletir que eles são mais pecadores que os publicanos. Jesus diz, indiretamente, a eles: Sejam também vocês compassivo misericordiosos, assim como o Pai! Jesus ensina compaixão e misericórdia aos não compassivo e misericordiosos.

Na parábola, “o irmão mais novo representa todos os marginalizados e excluídos da sociedade “justa, limpa, sadia e higiênica”; o filho mais velho, carrancudo, representa os escribas, fariseus, …, enfim todos os pretensos “justos e impecáveis” . São pessoas limpas por fora, mas egocêntricas e ensimesmadas. São pessoas que experimentam prazer em humilhar, em marginalizar, em espalhar defeitos e falhas dos outros; sentem-se os donos da verdade, os melhores. O filho mais velho respresenta também um sistema social injusto, insensível e implacável para com os excluídos.

A parábola revela um Deus que é amor ao mostrar que o Pai acolhe o filho simplesmente por estar movido pela compaixão e não pora para conseguir que o filho confessasse seus pecados e assim pusesse em ordem sua vida. A misericórdia de Deus é modelo por excelência para quem quer ser misericordioso.Nome melhor para a parábola seria: A parábola do Pai Compassivo misericordioso, pois quem está no centro é o Pai e não o Filho que retorna. A parábola é uma história da vida, como evidencia a nomeação de céu (Deus) nos vv. 18 e 21: “Pai, pequei contra o céu e contra ti”. O Pai nos mostra a sua face, seu caráter através das seguintes atitudes:

Primeiro, o Pai respeita a liberdade do Filho. Este quer partir e o Pai deixa. Não o priva da liberdade para lhe dar segurança (pão). O Pai silencia se frente à fala do Filho (Lc 15,12). “Não é possessivo, nem autoritário. O Pai aceita, sem murmurar, sua condenação à morte simbólica no pedido do filho mais moço para dividir a herança… É Pai que sabe esconder sua decepção na hora da partida, mas não sua emoção na hora do retorno, longamente esperado” . O Pai age pedagogicamente contribuindo para o processo de personalização do Filho. Deixa que este experimente a vida. Não o tutela. É pela experiência que o filho “cai em si” (Lc 15,17), se desaliena, converte se. Decide voltar para o encontro com o Pai. Discurso e práticas tutelares impedem a pessoa de crescer em humanidade. Dificulta a pessoa “cair em si” (Lc 15,17).

Segundo, o Pai o enxerga de longe! Nós, na maioria das vezes, não vemos ou não queremos ver nem de perto. O olhar de Deus é penetrante e benevolente na relação com os perdidos. Supera o nosso olhar em muito. Deus vê de longe e em profundidade. “Tu me sondas e conheces; conheces meu sentar e meu levantar, de longe penetras o meu pensamento;… Teus olhos viam o meu embrião”(Sl 138,1 2.16). O Pai vê com ternura e benevolência. Vê não só com os olhos. Nem só com a cabeça, vê também, e principalmente, com o coração, os braços, os pés; enfim vê com o corpo todo. Pois o coração vê realidades que a cabeça não vê. Os braços vêem realidades que a cabeça não vê. E os pés vêem realidades que a cabeça não vê.

Terceiro, o Pai se comove (esplangnisthè, em grego)! A comoção parece ser súbita, muito mais rápida do que a nossa. A saudade do Filho se transforma de repente em esperança. A alegria toma conta de todo o corpo do Pai, contagia o integralmente. A dor se transforma em alegria! Importante ressaltar que não só a dor e o sofrimento comovem as pessoas. A beleza, a saudade, gestos gratuitos também nos comovem. O Pai não se contenta em se aproximar do filho que retorna à casa paterna caminhando devagar.

Quarto, o Pai corre ao encontro do filho. Correu! (Lc 15,20). Isto é para um oriental idoso totalmente incomum e abaixo de sua dignidade, mesmo quando tem muita pressa . A misericórdia do Pai supera em muito as expectativas do filho e a cultura oriental. Não o acolhe como empregado, mas como o melhor dos filhos.

Quinto, o Pai beija o filho inúmeras vezes. “Beijou-o” (Lc 15,20). O beijo é, como em 2 Sm 14.33, sinal do perdão. O Pai trata o filho não como um empregado, mas como um hóspede de honra.

Sexto, o Pai faz festa para o filho que volta à vida. No v. 22, o Pai dá três ordens. “São comparadas a Gn 41,42 onde José, depois de entronizado como primeiro ministro do Egito, recebe um anel, uma roupa de linho precioso e um colar de ouro. Vem em primeiro lugar a veste festiva; significa no Oriente uma alta distinção… Por a nova veste é figura do tempo da salvação… Anel significa plenos poderes. Sapatos são um luxo; é o homem livre que os usa: o filho não deve mais andar de pés no chão como um escravo… Carne só se comia raramente. As três ordens são uma publicação do perdão e do restabelecimento na condição de filho. ” O filho esperava ser recebido dentro de uma Espiritualidade da Lei que prescrevia a punição para a transgressão, mas foi recebido dentro de uma Espiritualidade da Compaixão Misericórdia, o que superou em muito a sua expectativa. Constatamos aqui um banho de misericórdia. 

Sétimo, a misericórdia do Pai se estende também ao filho mais velho. Não o exclui. O Pai desconsidera a indignação deste filho. Este não reconhece o irmão como irmão, mas trata o como Filho do seu pai: “Esse teu filho…” (Lc 15,30). O Pai vai ao encontro deste filho para mostrar lhe que Ele é Pai de ambos os filhos e que estes devem ser fraternos: “Esse teu irmão…” (Lc 15,32). A Misericórdia de Deus não exclui ninguém, mas constrói a fraternidade a partir dos excluídos, as vítimas. Por esta parábola podemos concluir: Deus é assim: tão bondoso, tão gracioso, tão cheio de Compaixão e misericórdia, tão superabundante no amor. Sua maior alegria é a de perdoar.

A Misericórdia de Deus devolve a identidade ao filho. Ele volta a ser pessoa, a sentir se amado e disposto a amar. Ele que pensava ser um empregado, pela Compaixão Misericórdia do Pai, descobre que continua sendo filho. E não filho de qualquer pai, mas de um pai compassivo misericordioso. A Compaixão transborda em amor gratuito. Deus, não apenas, acaba com a dor do outro, mas faz festa com o marginalizado que volta. Deus não apenas transforma a dor em não dor, mas a transforma em alegria, em prazer. A misericórdia de Deus realmente transcende qualquer definição ou expectativa humana. A Compaixão é caminho que leva ao perdão, à misericórdia, ao amor gratuito.

O metrossexual e a identidade masculina

Um modelo masculino, que surgiu nos últimos 20 anos e que retrata bem as transformações da virilidade, são os chamados “metrossexuais”. São homens – provenientes dos centros urbanos e das grandes metrópoles – excessivamente preocupados com a aparência, que assumiram um mercado até então exclusivamente ocupado por mulheres, como os salões de beleza e as clínicas de estética. Eles pintam a unha, fazem a sobrancelha, depilam o corpo, gastam horas em frente ao espelho e não fazem economia quando o assunto é beleza e cosméticos.

A crise da masculinidade

Segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC ), a frequência de homens em clínicas de estética e em salões de beleza cresceu 93% nos últimos cinco anos. Uma pesquisa americana revelou que esses homens se sentem mais pressionados pela sociedade em relação à aparência do que há 10 anos.

Para o psicoterapeuta e doutor em psicologia Alberto Pereira Lima Filho, toda pessoa tem aspectos inconscientes opostos na sua personalidade – o que o psicólogo vieniense Jung chamou de Anima e Animus. Alberto explica que todo homem tem aspectos femininos no seu interior (Anima) e a mulher também traz aspectos masculinos na sua constituição (Animus). “O feminino no homem é específico de sua masculinidade e não o da mulher grudado nele. Se o feminino no homem for igual ao feminino da mulher algo está errado”, explica.

“Na tentativa de trazer para dentro de sua realidade elementos do feminino, o que é muito bacana até certo ponto, esse homem pode cometer alguns erros de leitura. Se ele não estiver com esse feminino – que não é o mesmo da mulher – resolvido dentro dele, não estará bem com a sua identidade sexual”, afirma o psicólogo.

Confira a entrevista com doutor Alberto Pereira na íntegra

A importância da autoridade paterna

As tristes consequências da ausência paterna

10 dicas para uma paternidade mais saudável


Fonte: httpssss://destrave.cancaonova.com/o-metrossexual-e-a-identidade-masculina/

Crise da Masculinidade, destrave

A crise da masculinidade

Por longos séculos a identidade masculina esteve ligada à sua virilidade. A imagem do homem herói, guerreiro, combatente, caçador, conquistador e protetor permeou as diversas culturas e plasmou a figura dele na história. No entanto, os especialistas afirmam que este modelo está em declínio. O homem moderno trocou a aparência viril por uma mais estética e delicada, quase beirando à imagem feminina. Há quem diga que isso é apenas uma questão cultural, um tipo de estereótipo que acompanhou o modelo patriarcal ao longo dos anos; contudo, não se pode negar que estas mudanças estão colocando o homem numa verdadeira berlinda existencial.

Quando falamos sobre a crise da masculinidade, apoiamo-nos no fenômeno da transição que tem acontecido no mundo masculino no decorrer do tempo e, como em toda mudança, podemos contemplar fatos positivos dessa realidade e outros nem tanto.

Confira no vídeo abaixo o primeiro bloco da reportagem

Mas afinal o que é ser homem? Como, na cultura atual, eles podem se diferenciar das mulheres?

“A mulher é mensalmente lembrada, no seu corpo, de que ela é mulher, e isso a ajuda muito na sua condição feminina. O homem não tem nenhum evento corpóreo que venha em seu socorro neste sentido; por isso ele fica na dependência de ritos sociais e culturais que cumpram esta função. Em alguns povos primitivos estes rituais ainda funcionam maravilhosamente bem, mas, na nossa sociedade moderna, esses ritos de iniciação masculina se perderam”, enfatiza o psicoterapeuta Alberto Pereira Lima Filho.

Crise da Masculinidade, destrave

Padre Paulo Ricardo, em entrevista para o Destrave

Segundo padre Paulo Ricardo, sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT), que tem debatido o tema em palestras pelo Brasil afora, a crise da masculinidade consiste em que o jovem rapaz já não consegue se distanciar muito do mundo feminino. “O ser homem não está somente relacionado aos hormônios masculinos, mas à sua missão de se afastar do mundo feminino e, depois, voltar para protegê-­lo. O que acontece hoje é que o homem não quer mais se afastar deste feminino e, por isso, não tem cumprido a sua missão de ser homem”, afirma o sacerdote.

A ideologia de gênero e o movimento feminista

Na vanguarda da crise da masculinidade estão os grandes movimentos de desconstrução dos sexos, como o feminismo radical e a ideologia de gênero. Esta polêmica foi levantada por uma famosa feminista chamada Camille Paglia, que, em entrevista a uma conhecida revista brasileira, disse que o feminismo foi duro demais com os homens. Segundo Paglia, ao exigir espaço num mundo que pertencia exclusivamente aos homens, as mulheres acabaram os colocando numa verdadeira encruzilhada. “As mulheres pedem aos homens que eles sejam o que não o são e, quando eles se tornam o que não são, elas não os querem mais”, declarou.

A importância da autoridade paterna

As tristes consequências da ausência paterna

10 dicas para uma paternidade mais saudável

“O que acontece hoje é que os movimentos feministas colocaram na cabeça das pessoas que ser homem é ruim, ser homem é ser um opressor, e que o bonito é ser delicado. Enquanto antigamente o rapaz recebia estímulo do pai e da própria sociedade para ser homem, hoje o rapaz se sente culpabilizado com a ideia de que ser homem é ser um opressor”, ressalta padre Paulo Ricardo.

De acordo com a socióloga Arlene Denise, a ideologia de gênero ajudou a confundir ainda mais os papéis do homem e da mulher na sociedade. “A criança e o adolescente precisam fazer um caminho árduo de identificação com a figura masculina para se tornarem homens. O que acontece é que a ideologia de gênero vem e diz para este adolescente e esta criança que eles podem ser o que quiserem, e isso confunde muito a cabeça dos meninos”, alerta a socióloga.

Metrossexualidade

“Eu gasto mil reais por mês em cosmético”, afirma Rogério Azor / Foto: reprodção

Um modelo masculino, que surgiu nos últimos 20 anos e que retrata bem esta crise do homem moderno, são os chamados metrossexuais. São homens – provenientes dos centros urbanos e das grandes metrópoles – excessivamente preocupados com a aparência, que assumiram um mercado até então rigorosamente ocupado por mulheres, como os salões de beleza e clínicas de estética. Eles pintam a unha, fazem a sobrancelha, depilam o corpo, gastam horas em frente ao espelho e não fazem economia quando o assunto é beleza e cosméticos.

Para Rogério Azor Bocalari, cinegrafista e metrossexual assumido, o homem que se preocupa com a aparência faz parte de uma cultura que tem crescido a cada dia, por isso as clínicas de beleza estão investindo mais nesse segmento. “Eu conheço muita gente que critica e diz que as coisas que eu faço para melhorar minha aparência são referentes ao comportamento feminino. Mas eu discordo dessas pessoas, porque elas ainda têm na mente a ideia de que o homem é aquele cara ‘ogro’ e ‘antigão’”.

Segundo a socióloga Arlene Denise, a metrossexualidade é um reflexo da nossa cultura narcisista e consumista. “Nós vivemos numa cultura em que as pessoas precisam o tempo todo ser vistas; para isso, precisam consumir. A nossa mídia está a serviço da cultura do consumo, porque, quanto mais vaidoso um homem for, tanto mais ele vai gastar com salão de beleza, academia, depilação e cosméticos de todos os tipos”, recorda Arlene.

Confira no vídeo abaixo o 2º bloco da reportagem

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, só nos últimos cinco anos cresceu em 93% a frequência de homens em clínicas de estética e salões de beleza no país. Uma pesquisa norte-americana também revelou que os homens estão investindo mais tempo e dinheiro com a aparência: eles consomem, em média, 22 minutos diários em frente ao espelho e quase dois mil reais mensais em produtos de beleza. 72% deles disseram se sentir mais pressionados pela sociedade em relação à aparência do que há 10 anos.

A crise da paternidade

De acordo com especialistas no assunto a crise da masculinidade desemboca numa outra crise: a da paternidade. Mas qual a importância da figura paterna para uma pessoa?

Crise da masculinidade, Destrave

Dr. Alberto Pereira Lima Filho, em entrevista para o Destrave / Foto: reprodução

“O pai apresenta ao filho o mundo ordenado, que tem leis, regras, costumes e ética e a noção do outro. O avesso disso é desastroso, é o que chamamos de psicopatia, que é justamente a ausência de senso de limite, de regra e da falta da noção do outro na psique”, informa o psicólogo Alberto Pereira Lima.

Segundo o especialista, as pessoas não estão “à deriva” de um pai, mas, muitas vezes, têm um pai “disfuncional”, ou seja, desajustado e inoperante. “A presença de um pai ‘disfuncional’ grita mais do que a ausência física de um pai, porque ele vai funcionar como um parâmetro para a construção de um ser de conduta problemática e desviante”, destaca o psicólogo.

A reflexão do doutor Alberto está de acordo com estudos realizados nos Estados Unidos, os quais mostram que, neste país, uma em cada três crianças vive sem o pai biológico ou sem referência paterna em casa. Os números das pesquisas revelaram que, nos lares sem a presença do pai, as chances de as crianças viverem na pobreza são quatro vezes maiores. Revelaram também que elas apresentam níveis mais elevados de comportamento agressivo. E que a mortalidade infantil entre esse público é duas vezes maior e que estão mais propensas à delinquência e a ter problemas com a lei. Os números também mostraram que as jovens que crescem sem a presença paterna têm sete vezes mais probabilidade de engravidar na adolescência e maior probabilidade de sofrer maus-tratos e negligência. E estão mais propensas ao uso e ao abuso de álcool e drogas. E duas vezes mais suscetíveis à obesidade e ao abandono dos estudos.


Fonte: httpssss://destrave.cancaonova.com/a-crise-da-masculinidade

A função paterna na psique da pessoa

“A mãe é leite, é calor, é corpo. Ela delimita e dá contorno corporal à criança com o seu toque e seu afeto. O pai é palavra, é abstrato, é conceito; ele veicula algo de espiritual a seu filho”, frase de Alberto Pereira Lima Filho, psicoterapeuta e doutor em psicologia pela PUC-SP, em entrevista para o Destrave sobre a importância da figura paterna para a psique da pessoa. Segundo o psicólogo, a ausência dessa função paterna pode ser desastrosa.

Destrave: Doutor Alberto, qual a importância do pai na psique de uma pessoa?

Dr. Alberto: Ele tem a maior importância, tão grande quanto a importância da figura materna, embora desempenhem funções distintas. O pai tem a função de caminhar na direção da normatização com justiça e justeza. Ele apresenta ao filho o mundo ordenado, ou seja, com farol na esquina, regras, lei e ética. Ele apresenta ao filho a noção de outro, o que determina que o mundo seja regrado. O avesso disso é desastroso, é o que conhecemos como psicopatia, ou seja, a ausência absoluta de senso de limite, de regra e de noção de outro na psique. Por isso, o psicopata mata, rouba, estupra e não experimenta remorso, porque não reconhece o outro como igual.

Dizem que a constituição de uma pessoa – sua personalidade e identidade – são funções do olhar da mãe e da palavra do pai. O olhar da mãe significa que as intervenções maternas são atitudinais, ou seja, ela olha amorosamente para este filho e ele se sente querido e amado, bem-vindo neste mundo. Pela palavra, o pai dá um passo além na constituição desta criança, pois conduz o filho em direção à cidadania. O pai nomeia as coisas para seu filho por meio de sua palavra.

Confira no vídeo abaixo a entrevista completa:

Veja mais:

A importância da autoridade paterna

As tristes consequências da ausência paterna

10 dicas para uma paternidade mais saudável


Fonte: httpssss://destrave.cancaonova.com/a-funcao-paterna-na-psique-da-pessoa/