Personagens Bíblicos

Jonas: um missionário transcultural

O livro de Jonas retrata um dos mais intrigantes personagens da Bíblia. Ele foi um profeta hebreu que viveu durante o reinado do rei de Israel Jeroboão II, em meados do século 8 a.C. Jonas era filho de Amitai, e veio de Gade-Hefer, uma aldeia de Zebulom, situada nas vizinhanças de Nazaré. Ele também é o herói do livro que traz o seu nome, o quinto dos doze Profetas Menores.

 

O que significa Jonas?

O nome Jonas significa “pomba”, e a forma neotestamentária do desse nome é Ionas. Algo interessante com o nome “Jonas” ocorre no Novo Testamento, quando comparamos passagens dos Evangelhos de Mateus e João. Em Mateus 16.17, Jesus chamou Pedro de Simão Barjonas, que em aramaico seria “filho de Jonas”. Entretanto, no Evangelho de João (1:42; 21:15,17), o pai de Simão Pedro é chamado de João, embora em alguns manuscritos ele também apareça em ambas as passagens como “Jonas”. Diante disso, não se sabe exatamente se os nomes “Jonas” e “João” (heb. yonah e yohanan) são dois nomes diferentes do pai de Pedro (algo comum na época), ou se representam duas forma gregas do mesmo nome hebraico.

A história de Jonas:

O Profeta Jonas profetizou a restauração das fronteiras de Israel, o que foi conseguido por Jeroboão II por volta de 782-753 a.C., conforme o texto encontrado no livro de 2 Reis:

Também este restituiu as fronteiras de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer. (2 Reis 14.25).

Considerando que Jonas profetizou acerca do reinado de Jeroboão em aproximadamente 790 a.C., durante a co-regência deste com seu pai Jeoás, é muito provável que Jonas tenha conhecido o Profeta Eliseu, que faleceu por volta de 797 a.C. Existe ainda a possibilidade de o Profeta Jonas ter sido um dos “filhos dos profetas” instruídos por Eliseu (2 Rs 6.1-7).

A maior parte do que sabemos sobre a história de Jonas é o que está narrado no livro a qual tem seu nome. De acordo com o livro de Jonas, Deus ordenou que o profeta fosse à cidade de Nínive para clamar contra ela (Jn 1:1,2). Desobedecendo a ordem de Deus, o Profeta Jonas foi para Jope, embarcando ali em um navio com destino a Társis, a oeste de Israel, que talvez fosse a Córsega ou parte da Espanha, enquanto Nínive, o destino a qual Deus havia lhe enviado, ficava no estremo leste (Jn 1:3).

No meio da navegação, Deus enviou uma grande tempestade que castigou a embarcação a qual o Profeta Jonas viajava (Jn 1:4). Após os marinheiros clamarem cada um ao seu deus, e realizarem uma série de procedimentos para tentar salvar o navio, o capitão da embarcação encontrou o Profeta Jonas dormindo no porão do barco (Jn 1:5,6). O capitão então ordenou que Jonas invocasse o seu Deus na tentativa de que pudessem ser poupados (Jn 1:6).

Os marinheiros resolveram lançar sorte, e a sorte caiu sobre o Profeta Jonas que foi declarado culpado. Interrogado pelos tripulantes daquele navio, Jonas mandou que eles o lançassem ao mar, para que a tempestade se acalmasse. Num primeiro momento os homens ainda tentaram resistir à ideia do Profeta Jonas, mas ao perceberem que não teria jeito, lançaram Jonas no mar e a tempestade finalmente cessou (Jn 1:13-15).

O Profeta Jonas e o grande peixe:

Após ser lançado ao mar pelos marinheiros da embarcação em que estava viajando, o Profeta Jonas foi engolido por um grande peixe que o Senhor providenciou. Jonas ficou no ventre do peixe durante três dias e três noites (Jn 1:17). Jonas então orou a Deus em forma de um cântico de ação de graças, e Deus ordenou que o peixe o vomitasse em terra firme, talvez em uma praia distante da costa da Síria.

Muito têm se discutido acerca desse grande peixe que engoliu o Profeta Jonas. Alguns defendem a ideia de ter sido uma baleia, enquanto outros reprovam essa possibilidade. Na verdade, de fato não precisa necessariamente ter sido uma baleia. Poderia ter sido um grande tubarão, como o próprio tubarão-baleia que atinge um tamanho enorme e não possui os dentes terríveis de outras espécies de tubarão. O termo original em hebraico significa apenas “grande peixe” e o termo usado em grego na Septuaginta é um termo genérico para “mostro do mar”, “criatura marítima” ou “peixes de grande tamanho”. Seja como for, o correto é que esse episódio se refere a algo sobrenatural que ocorreu para que o propósito de Deus fosse cumprido.

O Profeta Jonas chega a Nínive:

Depois de ter sido vomitado pelo grande peixe, Jonas obedeceu a ordem de Deus e foi para Nínive (Jn 3:3). Jonas pregou conforme Deus havia ordenado, e a cidade naquele momento se arrependeu de seu pecado, sendo poupada por Deus (Jn 3:3-10).

O fato de Deus ter poupado Nínive deixou Jonas profundamente irritado (Jn 4:1). Muitos sugerem que o motivo da irritação de Jonas foi uma espécie de mistura entre ciúmes e antipatia em relação aquele povo pagão que era inimigo de seu próprio povo. O descontentamento foi tamanho que o Profeta Jonas pediu que Deus tirasse a sua vida (Jn 4:3).

Deus então mais uma vez deu uma lição em Jonas. Ele fez crescer uma planta que deu sombra à Jonas, deixando-o muito feliz. No dia seguinte, Deus mandou uma lagarta atacar a planta e rapidamente ela ficou destruída. Mais uma vez o Profeta Jonas ficou irritado e pediu para morrer. Usando esse exemplo da planta, e da piedade demonstrada por Jonas a ela, Deus ensinou ao Profeta que era moralmente correto que Ele manifestasse piedade pelo povo de Nínive (Jn 4:6-11).

A história do profeta Jonas termina repentinamente (Jn 4:11) e o Antigo Testamento não faz qualquer outra referência sobre ele.

O Profeta Jonas no Novo Testamento:

Jonas é citado no Novo Testamento pelo próprio Jesus, onde Ele faz referência ao período em que Jonas permaneceu no ventre do peixe e ao arrependimento da cidade de Nínive através da pregação do profeta (Mt 12:39-41; 16:4; Lc 11:29-32).

Essa referência sobre a história do Profeta Jonas no Novo Testamento é muito significativa, pois confere a garantia de que os relatos descritos no livro de Jonas são fatos históricos e literais, e não apenas uma fábula com propósitos nacionalistas como alguns comentaristas céticos sugerem.

O Profeta Jonas nos relatos extra-bíblicos:

Alguns estudiosos defendem que Beroso, um sacerdote e historiador caldeu da Babilônia que viveu no século 3 a.C., teria escrito sobre o episódio envolvendo Jonas. Beroso escreveu em grego uma obra sobre a História da Babilônia, onde em um de seus relatos ele se refere a uma criatura que emergiu do mar para conceder sabedoria divina aos homens chamada Oannes. Seria um tipo de homem-peixe.

Os babilônicos cultuavam diversas divindades com perfis curiosos, incluindo um deus das águas (Enki ou Ea). Mas o que chama atenção nessa história é o fato do nome “Oannes” ser muito semelhante ao nome grego Ioannes, que, junto com o também grego Ionas, é utilizado para representar o hebraico Yonah, ou seja, “Jonas”. Portanto, alguns acreditam que existe a possibilidade da descrição de Beroso ter alguma relação com a história de Jonas, já que a fama de um evento miraculoso como esse facilmente pode ter corrido entre muitos povos, e originado até mesmo algumas lendas. O problema com essa sugestão parece ser cronológico, já que para alguns o mito sobre Oannes remonta o período de 4.000 a.C.

Ezequias

Ezequias era rei de Judá, 745-717 AC. Pelo que parece, tornou-se rei quando seu pai Acaz morreu, no “terceiro ano de Oséias”, rei de Israel (talvez significando o terceiro ano de Oséias como rei tributário sob Tiglate-Pileser III), contando seu reinado oficialmente a partir de nisã do ano seguinte (745 AC). (2Rs 18:1) Profetas contemporâneos do reinado de Ezequias eram Isaías, Oséias e Miquéias. (Is 1:1; Os 1:1; Mq 1:1) Ezequias se destacou como rei que “se apegava a Javé”, fazendo o que era direito aos olhos de Deus e seguindo Seus mandamentos. Desde o início do seu reinado, ele se mostrou zeloso a favor da promoção da adoração verdadeira, não somente em Judá, mas em todo o território de Israel. Por ele seguir os caminhos de Yehwoah, assim como fizera Davi, seu antepassado, podia-se dizer de Ezequias que “depois dele não se mostrou haver nenhum igual a ele entre todos os reis de Judá, mesmo aqueles que vieram a ser antes dele”. Por causa disso, “Javé mostrou estar com ele”. — 2Rs 18:3-7.

Contribuições Literárias. Ezequias também é conhecido por seu interesse em compilar alguns dos Provérbios de Salomão, conforme reza a introdução da seção agora conhecida como capítulos 25 a 29 de Provérbios: “Estes são provérbios de Salomão transcritos pelos homens de Ezequias, rei de Judá.” (Pv 25:1) Ele escreveu o cântico de agradecimento registrado em Isaías 38:10-20, depois que Javé o curou da sua doença mortífera. Nele menciona “minhas seleções para instrumentos de cordas”. ( V. 20) Alguns acham que Ezequias escreveu o Salmo 119. Se isso for correto, então parece que este salmo foi escrito quando Ezequias era príncipe, não sendo ainda rei.

Situação na Época da Ascensão de Ezequias. Quando Ezequias ascendeu ao trono, o reino de Judá estava no desfavor de Deus, pois Acaz, pai de Ezequias, havia cometido muitos atos detestáveis perante Javé e havia permitido que a adoração de deuses falsos grassasse sem restrições em Judá. Por isso, Deus permitira que aquela terra sofresse às mãos dos seus inimigos, especialmente da segunda potência mundial, a Assíria. Acaz havia despojado o templo e o palácio, para dar um suborno ao rei da Assíria. Pior ainda, havia retalhado os utensílios do templo, fechado as portas dele e feito altares para si mesmo “em cada esquina de Jerusalém”, oferecendo sacrifícios a outros deuses. Acaz, por aliança, havia colocado seu reino sob a proteção do rei da Assíria durante o seu reinado. (2Rs 16:7-9; 2Cr 28:24, 25) Mas Ezequias, logo cedo no seu reinado, “passou a rebelar-se contra o rei da Assíria”. — 2Rs 18:7.

Por ocasião da ascensão de Ezequias ao trono de Judá, o reino setentrional de Israel, das dez tribos, estava em condições ainda piores. Por causa dos graves pecados de Israel, Deus permitira que sofresse duros apertos, tornando-se tributário da Assíria, e não demoraria muito até que a Assíria tragasse Israel e levasse seu povo ao exílio. — 2Rs 17:5-23.

Seu Zelo Pela Adoração Verdadeira. Ezequias demonstrou seu zelo pela adoração de Jeová assim que ascendeu ao trono, à idade de 25 anos. Seu primeiro ato foi reabrir e consertar o templo. Daí, convocando os sacerdotes e os levitas, disse-lhes: “Está agora achegado ao meu coração concluir um pacto com Javé, o Deus de Israel.” Era um pacto de fidelidade, como se o pacto da Lei, embora ainda vigente, mas negligenciado, fosse inaugurado de novo em Judá. Com grande vigor, passou a organizar os levitas nos seus serviços, e restabeleceu os arranjos para instrumentos musicais e para o canto de louvores. Era nisã, o mês de se celebrar a Páscoa, mas o templo, bem como os sacerdotes e os levitas, estavam impuros. Até o dia 16 de nisã já se limpara o templo e se restauraram os seus utensílios. Teve de se fazer então uma expiação especial por todo o Israel. Primeiro, os príncipes trouxeram sacrifícios, ofertas pelo pecado para o reino, o santuário e o povo, seguidos por milhares de ofertas queimadas apresentadas pelo povo. — 2Cr 29:1-36.

Visto que a impureza do povo impedia sua celebração da Páscoa na época normal, Ezequias valeu-se da lei que permitia os impuros celebrarem a Páscoa um mês mais tarde. Convocou não somente Judá, mas também Israel, por meio de cartas enviadas por correios ao país inteiro, desde Berseba até Dã. Os correios se confrontaram com motejos por parte de muitos; mas alguns, especialmente de Aser, Manassés e Zebulão, humilharam-se a ponto de comparecer, bem como alguns de Efraim e de Issacar. Além disso, estavam presentes muitos adoradores não-israelitas de Javé. Provavelmente, era difícil para alguns, do reino setentrional, que estavam a favor da adoração verdadeira, estar presentes. Eles, iguais aos mensageiros, enfrentariam oposição e zombaria, visto que o reino das dez tribos estava num estado decadente, mergulhado na adoração falsa e fustigado pela ameaça assíria. — 2Cr 30:1-20; Núm 9:10-13.

Após a Páscoa, celebrou-se a Festividade dos Pães Não Fermentados por sete dias, com uma alegria acompanhante tão grande, que a congregação inteira decidiu prolongá-la por mais sete dias. Mesmo em tempos tão perigosos, prevaleceu a bênção de Javé, de modo que “veio a haver grande alegria em Jerusalém, pois desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, não houve nada igual a isso em Jerusalém”. — 2Cr 30:21-27.

Que se tratava duma genuína restauração e reavivamento da adoração verdadeira e não apenas uma reunião emocional passageira se vê no que se seguiu. Antes de retornarem para casa, os celebrantes saíram e destroçaram as colunas sagradas, demoliram os altos e os altares, e cortaram os postes sagrados em todo o Judá e Benjamim, e até mesmo em Efraim e Manassés. (2Cr 31:1) Ezequias deu o exemplo por esmiuçar a serpente de cobre que Moisés tinha feito, porque o povo fizera dela um ídolo, fazendo fumaça sacrificial a ela. (2Rs 18:4) Depois da grande festividade, Ezequias assegurou a continuação da adoração verdadeira por organizar as turmas sacerdotais e providenciar o sustento dos serviços no templo; exortou à obediência à Lei com respeito aos dízimos e as contribuições das primícias aos levitas e aos sacerdotes, o que o povo apoiou de todo o coração. — 2Cr 31:2-12.

Aumenta a Pressão Assíria. Durante aqueles tempos estrênuos, quando a Assíria arrasava tudo em seu caminho, Ezequias confiava em Jeová, o Deus de Israel. Rebelou-se contra o rei da Assíria e golpeou as cidades filistéias, que evidentemente se haviam aliado à Assíria. — 2Rs 18:7, 8.

Foi no quarto ano de Ezequias (742 AC), que Salmaneser, rei da Assíria, iniciou o sítio de Samaria. Samaria foi tomada no sexto ano de Ezequias (740 AC). O povo do reino das dez tribos foi deportado, e os assírios trouxeram outros para ocupar o país. (2Rs 18:9-12) Isto deixou o reino de Judá, representando o governo teocrático e a adoração verdadeira de Deus, como uma pequena ilha cercada por inimigos hostis.

Senaqueribe, filho de Sargão II, teve a ambição de acrescentar aos seus troféus de guerra a conquista de Jerusalém, especialmente visto que Ezequias se havia retirado da aliança feita com a Assíria pelo seu pai, o Rei Acaz. No 14.° ano do reinado de Ezequias (732 AC), Senaqueribe veio “contra todas as cidades fortificadas de Judá e passou a tomá-las”. Ezequias ofereceu pagamento a Senaqueribe, a fim de salvar a ameaçada cidade de Jerusalém, exigindo então Senaqueribe a enorme soma de 300 talentos de prata (c. US$1.982.000) e 30 talentos de ouro (c. US$11.560.000). Para pagar esta soma, Ezequias se viu obrigado a dar toda a prata encontrada no templo e no tesouro real, além dos metais preciosos com que o próprio Ezequias fizera revestir as portas e as ombreiras do templo. Isto satisfez o rei da Assíria, mas apenas temporariamente. — 2Rs 18:13-16.

Obras de Construção e de Engenharia. Em face do iminente ataque do cobiçoso Senaqueribe, Ezequias demonstrou sabedoria e estratégia militar. Tapou todas as fontes e mananciais de água fora da cidade de Jerusalém, a fim de que, no caso dum sítio, os assírios sofressem de escassez de água. Reforçou as fortificações da cidade e “fez armas de arremesso em abundância, bem como escudos”. Mas, não depositava confiança neste equipamento militar, porque, ao reunir os chefes militares e o povo, incentivou-os, dizendo: “Sede corajosos e fortes. Não tenhais medo nem fiqueis aterrorizados por causa do rei da Assíria e por causa de toda a massa de gente com ele; pois conosco há mais do que os que estão com ele. Com ele há um braço de carne, mas conosco está Javé, nosso Deus, para nos ajudar e para travar as nossas batalhas.” — 2Cr 32:1-8.

Uma das mais notáveis façanhas de engenharia dos tempos antigos foi o aqueduto de Ezequias. Ia desde a fonte de Giom, ao L da parte setentrional da Cidade de Davi, num trajeto bastante irregular, por uns 533 m, até o reservatório de água de Siloé, no vale do Tiropeom, abaixo da Cidade de Davi, mas dentro duma nova muralha acrescentada à parte meridional da cidade. (2Rs 20:20; 2Cr 32:30) Os arqueólogos encontraram uma inscrição em antigos caracteres hebraicos na parede do túnel estreito que tinha a altura média de 1,8 m. A inscrição reza, em parte: “E esta foi a maneira em que foi perfurado: — Enquanto [. . .] ainda (havia) [. . .] machado(s), cada homem em direção ao seu companheiro, e quando ainda faltavam três côvados para serem perfurados, [ouviu-se] a voz dum homem chamando seu companheiro, pois havia uma sobreposição na rocha à direita [e à esquerda]. E quando o túnel foi aberto, os cavouqueiros cortaram (a rocha), cada homem em direção ao seu companheiro, machado contra machado; e a água fluiu da fonte em direção ao reservatório por 1.200 côvados, e a altura da rocha acima da(s) cabeça(s) dos cavouqueiros era de 100 côvados.” (Ancient Near Eastern Texts [Textos Antigos do Oriente Próximo], editado por J. B. Pritchard, 1974, p. 321) De modo que o túnel foi cortado na rocha de ambas as extermidades, encontrando-se no meio — uma verdadeira façanha de engenharia.

Fracasso de Senaqueribe em Jerusalém. Conforme as expectativas de Ezequias, Senaqueribe decidiu atacar Jerusalém. Enquanto Senaqueribe, com seu exército, sitiava a bem fortificada cidade de Laquis, ele enviou uma parte do seu exército, junto com uma representação de chefes militares, para exigir a capitulação de Jerusalém. O porta-voz do grupo era Rabsaqué (que não era seu nome, mas seu título militar), que falava fluentemente o hebraico. Em voz alta, ele zombava de Ezequias e escarnecia de Javé, gabando-se de que Javé não podia livrar Jerusalém do rei da Assíria, assim como tampouco os deuses das outras nações puderam salvar as terras dos seus adoradores. — 2Rs 18:13-35; 2Cr 32:9-15; Is 36:2-20.

Ezequias ficou muito aflito, mas continuou a confiar em Jeová e a apelar para Ele no templo, enviando também alguns dos cabeças do povo ao profeta Isaías. A resposta de Isaías, da parte de Deus, foi que Senaqueribe ouviria uma notícia e voltaria à sua própria terra, onde por fim seria morto. (2Rs 19:1-7; Is 37:1-7) No ínterim, Senaqueribe havia partido de Laquis para Libna, onde soube que Tiraca, rei da Etiópia, saíra para lutar contra ele. Não obstante, Senaqueribe enviou por mensageiros cartas a Ezequias, continuando com suas ameaças e escarnecendo de Javé, o Deus de Israel. Ao receber as cartas muito vituperadoras, Ezequias as estendeu perante Javé, o qual novamente lhe respondeu por meio de Isaías, escarnecendo por sua vez de Senaqueribe e assegurando que os assírios não entrariam em Jerusalém. O Senhor disse: “Eu certamente defenderei esta cidade para a salvar por minha própria causa e por causa de Davi, meu servo.” — 2Rs 19:8-34; Is 37:8-35.

Durante a noite, Javé enviou seu anjo, o qual destruiu 185.000 da elite das tropas de Senaqueribe, “todo homem poderoso, valente, e todo líder e chefe no acampamento do rei da Assíria, de modo que ele retornou com face envergonhada à sua própria terra”. Assim se eliminou eficazmente a ameaça de Senaqueribe contra Jerusalém. Mais tarde, “sucedeu que, curvando-se ele na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus próprios filhos, golpearam-no com a espada”. — 2Cr 32:21; Is 37:36-38.

Descobriram-se inscrições descrevendo a derrota infligida por Senaqueribe às forças etíopes. Rezam: “Quanto a Ezequias, o judeu, ele não se submeteu ao meu jugo, eu sitiei 46 de suas cidades fortes . . . e conquistei[-as] . . . A ele mesmo fiz prisioneiro em Jerusalém, sua residência real, como a um pássaro numa gaiola.” (Ancient Near Eastern Texts, p. 288) Ele não afirma ter capturado Jerusalém. Isto apóia o relato bíblico da revolta de Ezequias contra a Assíria e o fracasso de Senaqueribe quanto a tomar Jerusalém. Segundo o costume das inscrições de reis pagãos, de se enaltecerem, Senaqueribe, nesta inscrição, exagera o montante de prata pago por Ezequias como tendo sido 800 talentos, em contraste com os 300 da Bíblia. 

Prolongamento Milagroso da Vida de Ezequias. Por volta do tempo em que Senaqueribe fez as suas ameaças contra Jerusalém, Ezequias padeceu dum furúnculo maligno. Foi instruído pelo profeta Isaías a ordenar seus assuntos em preparação para o seu falecimento. Na época, Ezequias ainda não tinha filho varão, e, portanto, parecia que a linhagem real de Davi estava em perigo de ser interrompida. Ezequias orou a Javé fervorosamente, com lágrimas, em vista do que Javé mandou Isaías de volta para informar Ezequias que se lhe acrescentariam 15 anos de vida. Deu-se um sinal milagroso, fazendo-se com que a sombra causada pelo sol retrocedesse dez degraus na “escada de Acaz”. No terceiro ano depois disso, Ezequias tornou-se pai dum filho chamado Manassés, o qual mais tarde lhe sucedeu no trono. — 2Rs 20:1-11, 21; 21:1; Is 38:1-8, 21.

Erro e Arrependimento de Ezequias. O registro bíblico declara que “Ezequias nada retribuiu de acordo com o benefício que se lhe concedeu, porque o seu coração se ensoberbeceu e veio a haver indignação contra ele e contra Judá e Jerusalém”. (2Cr 32:25) A Bíblia não diz se a sua soberba estava, ou não, relacionada com o seu ato imprudente de mostrar todo o tesouro da sua casa e todo o seu domínio aos mensageiros do rei babilônio Berodaque-Baladã (Merodaque-Baladã), enviados a Ezequias depois de ele se ter restabelecido da sua doença. Ezequias talvez mostrasse toda esta riqueza para impressionar o rei de Babilônia como possível aliado contra o rei da Assíria. Naturalmente, isto podia estimular a cobiça dos babilônios. O profeta Isaías era contra qualquer aliança com a secular inimiga de Deus, Babilônia, ou de alguma forma de dependência dela. Quando Isaías soube como Ezequias havia tratado os mensageiros babilônios, ele proferiu a profecia inspirada por Javé, de que os babilônios, com o tempo, levariam tudo para Babilônia, inclusive alguns dos descendentes de Ezequias. No entanto, Ezequias humilhou-se e Deus permitiu bondosamente que a calamidade não ocorresse nos seus dias. — 2Rs 20:12-19; 2Cr 32:26, 31; Is 39:1-8.

Nos dias do profeta Jeremias, alguns dos cabeças do povo, em Jerusalém, falaram favoravelmente sobre Ezequias, por ele ter dado atenção a Miquéias, de Moresete, profeta de Javé. — Jr 26:17-19

O que aprendemos com a vida de Ezequias.

Valeu a pena ter vivido mais 15 anos realmente? Certamente Ezequias diria que sim. Deus mostrou que tudo pode a seu servo. Mas… o preço disso? Parece duro e injusto quando morre o bom, quando o ruim fica e o justo falece, mas o que aconteceria se tudo fosse feito conforme a dor de nossos corações?  Creio que exista propósito em tudo nos mundos. Ezequias é um relato do quanto podemos errar contornando o destino que Deus nos reserva. 

Nessas horas nunca é fácil orar “seja feita Tua vontade”, mas é sempre bom lembrar que esta Vontade é eternamente perfeita.  Ezequias recebeu de Deus duas grandes bênçãos(Livramento do Rei da Assíria e mais 15 anos de vida).  Porém ele cometeu dois grandes erros que marcaram sua história.

  •  Recebeu presentes dos mensageiros do Rei da Babilônia em seu Palácio, abrindo assim as portas para o inimigo, pois esse mensageiros eram espias, que mais tarde iria provocar a invasão Babilônica.
  •  Não tomou providências quando o profeta Isaías o avisou que, depois de sua morte, o rei da Babilônia iria invadir aquela nação. Ou seja, o erro de Ezequias foi ser vagaroso e displicente para as coisas de Deus. Ao invés dele se colocar em oração e começar à preparar a nação e também seu substituto ao trono para que buscasse ao Senhor, ele não demonstra preocupação.

E o resultado o se encontra no capítulo 21: Tinha Manassés doze anos quando começou a reinar(Manassés era o filho de Ezequias que nasceu após o Senhor acrescentar-lhe 15 anos de vida).Esse seu filho parece não ter sido educado nas leis de Deus, e lemos à seu respeito nos versículos de 2 à 9 que ele fez o que era mal ao olhos do Senhor e ainda levou toda a nação à pecar.Deixar de falar a verdade, corrigir, orientar, é fazer o mesmo que Ezequias.

O  que podemos aprender com a vida de Ezequias?

Será que temos aprendido com os erros dos outros? Também não temos vários exemplos do que acontecem com as pessoas que se desviam do caminho do Senhor. Muitas vezes outras pessoas nos dão conselho sobre situações que passaram e se deram mal, o que fazemos com estes conselhos? Nós aprendemos com eles, ou achamos que isto só acontece com os outros.

Ezequias podia pensar simplesmente que seu pai foi infeliz, mas se ele fizesse as mesmas coisas, com ele seria diferente, porque ele era mais esperto. Já viram gente com o pé no mundo, achando que é esperto o suficiente para não cair inteiro dentro dele, gente que não aprende com os erros dos outros. No SENHOR Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele. Porque se chegou ao SENHOR, não se apartou dele, e guardou os mandamentos que o SENHOR tinha dado a Moisés. Assim foi o SENHOR com ele; para onde quer que saía se conduzia com prudência; e se rebelou contra o rei da Assíria, e não o serviu (2 Re 18:5-7).

Depois de corrigir os erros de seu pai ele confiou em Deus de maneira que depois dele não houve semelhante entre os reis de Judá e se rebelou contra o rei da Assíria Senaqueribe não querendo pagar os impostos (Judá pagava impostos para Assíria desde o tempo do Rei Acaz que havia pago alto valor para que recebesse proteção, mas teve de continuar pagando para que não fosse invadida pela própria Assíria). Sabe o que podemos aprender com isto?

Quem confia em Deus não fica sob o domínio do Inimigo

Ezequias havia feito tantas coisas boas não é, não havia necessidade de mexer com fogo, se serviram até então a Assíria, não ia ser o fim do mundo continuar servindo. Era uma posição cômoda não ter que desafiar um dos maiores exércitos daquele tempo.

Às vezes nós aceitamos esta posição cômoda de servir a Deus e o mundo. Porque às vezes consideramos o mundo muito forte para resistir (não tem jeito, é impossível) e esquecemos o que a palavra de Deus diz: maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.

Ezequias confiava em Deus, só aceitava servir a ele, mesmo que isto trouxesse preocupações, mesmo que isto o levasse a morte, ele daria a vida e você? Serve apenas a Deus mesmo que isto te cause preocupações, mesmo que você tenha que pagar um alto valor em uma multa em vez de dar um jeitinho com o guarda, será que você aceita a tirar uma nota ruim em uma prova em vez de arrumar uma colinha.

Após Ezequias deixar de servir a Assíria, começaram os problemas dele, porque quando você serve o inimigo ele não se preocupa com você, mas quando você toma uma atitude de se libertar, quando você começa a pensar que pode ser livre, ai ele começa a investir, Senaqueribe não ia deixar aquela afronta passar em branco, (quem que este povo ta pensando que é? Se começar assim, daqui a pouco vão ter outros povos pensando que podem ser livres).

Senaqueribe mandou mensageiros para quebrar os corações dos moradores, Rabsaqué começou a contar vantagem em judaico (para que todos entendessem) sobre o que haviam feito as outras nações

Quais são eles, dentre todos os deuses das terras, que livraram a sua terra da minha mão, para que o SENHOR livrasse a Jerusalém da minha mão? 2 Reis 18:35. 

Da mesma forma diabo também tenta te desanimar quando você não aceita servi-lo (quem que esse ai pensa que é? Sempre foi crente “Raimundo”. E sabe o que aconteceu com Ezequias? E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, de vituperação e de blasfêmia; porque os filhos chegaram ao parto, e não há força para dá-los à luz. 2 Reis 19:3. Ficou desanimado, ficou angustiado? Sabe o que podemos aprender com isto?

Que mesmo um homem de Deus pode ficar desanimado

Tem gente que acha que vida crista é só alegria. Ezequias chegou ao ponto de pedir desculpas ao Rei da Assíria, ele havia feito tudo certo e a coisa tava feia pro lado dele, talvez ele estava começando a duvidar que Deus iria ajudá-lo, o coração dele devia estar cheio de dúvidas.

Da mesma forma em nossas vidas, às vezes, vamos fazer as coisas certas e de repente parece que as coisas não estão dando certo, estamos confiando em Deus, mas não conseguimos entender o que esta acontecendo e nem ver a mão de DEUS naquela situação.

Ezequias da mesma forma que a gente, não havia visto o mar se abrir e nem a água do Jordão ter sido cortada, ele viveu em um tempo que as pessoas estavam servindo a outros deuses, não era fácil para ele continuar firme, ele não tinha mais motivos do que eu e você para continuar tendo fé.

Quando Ezequias começou a ter força para resistir, fechando as brechas do muro, tampando as fontes e se preparando para a guerra.

Como se não fosse o suficiente, o Rei Senaqueribe envia uma carta dizendo: (Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria. Sabe o que Ezequias fez diante disto

E orou Ezequias perante o SENHOR e disse: Ó SENHOR Deus de Israel, que habitas entre os querubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. Inclina, SENHOR, o teu ouvido, e ouve; abre, SENHOR, os teus olhos, e olha; e ouve as palavras de Senaqueribe, que enviou a este, para afrontar o Deus vivo. Verdade é, ó SENHOR, que os reis da Assíria assolaram as nações e as suas terras. E lançaram os seus deuses no fogo; porquanto não eram deuses, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. Agora, pois, ó SENHOR nosso Deus, te suplico, livra-nos da sua mão; e assim saberão todos os reinos da terra que só tu és o SENHOR Deus. 2 Reis 19:15-19 – Sabe o que podemos aprender com isto?

 A coisa ta feia? Você não sabe mais o que fazer? Clame e espere em Deus.

Ezequias não havia ficado parado, ele estava se preparando para guerra, ele fez o que estava ao seu alcance, porém a Assíria era mais forte do que ele, e a cada dia aumentava a angustia de saber que as pessoas que ele amava poderiam ser mortas de maneira brutal. Você está triste? o coração esta doendo? Parece que o seu problema não tem mais jeito? Você não pode fazer mais nada para resolver ele? Clame e espere em Deus. (Falar é fácil, se você estivesse no meu lugar, eu queria ver!)

Realmente não é fácil, não foi fácil para Ezequias. Se fosse fácil esperar em Deus, não teríamos tantos Cristãos quebrando a cara, agindo quando é ora de esperar. A questão é que cada um tem as suas lutas, e ninguém simplesmente vai trocar de lugar com o outro. É fácil? Não. Mas você quer ter vitória? Clame e espere em Deus. E agora para finalizar, sabe o que aconteceu com Ezequias? ele ficou feito um coitado até a ultima hora esperando e foi derrotado?

Então o SENHOR enviou um anjo que destruiu a todos os homens valentes, e os líderes, e os capitães no arraial do rei da Assíria; e envergonhado voltou à sua terra; e, entrando na casa de seu deus, alguns dos seus próprios filhos, o mataram ali à espada. Assim livrou o SENHOR a Ezequias, e aos moradores de Jerusalém, da mão de Senaqueribe, rei da Assíria, e da mão de todos; e de todos os lados os guiou. E muitos traziam a Jerusalém presentes ao SENHOR, e coisas preciosíssimas a Ezequias, rei de Judá, de modo que depois disto foi exaltado perante os olhos de todas as nações. Cronicas 32:21-23. Ezequias não teve nem o trabalho de levantar a espada e nem um de seus homens tiveram que arriscar as suas vidas, mas o próprio Deus enviou um anjo, foram derrotados 185 mil homens. Sabe o que podemos aprender com isto?

Quem confia em Deus, não perde a batalha.

Sabe Por que? Por que Deus peleja pelos seus. Enquanto o “grande Senaqueribe” saiu com o rosto coberto de vergonha e acabou sendo morto pelos próprios filhos, Ezequias foi enaltecido a vista de todas as nações. E é por isso que vale a pena aprender com os erros dos outros, é por isso que vale a pena se libertar do domínio do inimigo, é por isso que vale a pena suportar a angustia por fazer a coisa certa, é por isso que vale a pena esperar em Deus.

Porque mesmo Deus sendo tão poderoso, ele é um Deus que nos ama e trabalha por aqueles que nele esperam. Deixemos que Deus nos use.. Aproveitemos cada oportunidade para plantar a semente da Palavra, pois isto poderá fazer a diferença amanhã na vida daqueles que a recebem. Ao contrário de Ezequias, devemos utilizar bem os dias que Deus tem nos dado.“ Ensina-nos a contar os nossos dias, de modo que alcancemos coração sábio”. Sl 90.12. 

 

Sansão

A história de Sansão é contada no livro dos Juízes, do capítulo 13 ao capítulo 16. Sansão foi um desses juízes suscitados por Deus para salvar Israel da mão dos inimigos. A história desse homem de fé é empolgante e nos mostra de forma extraordinária como Deus faz cumprir Seus propósitos para sustentar Seu testemunho entre o Seu povo.Ele é famoso por causa da sua força, que perde quando o seu cabelo é cortado por Dalila. Mesmo privado de sua força, consegue vingar-se dos inimigos, destruindo-os, mas provocando também a própria morte.

Seu nascimento é anunciado por um anjo de Deus. O primeiro filho de Manoá e sua esposa estéril, ambos da tribo de Dã, moradores de Zorá uma pequena vila situada nas partes baixas de Judá. O casal recebe a notícia de que teria um filho, este seria nazireu desde o ventre e deveria se chamar Sansão: “Você engravidará e dará à luz um filho. Todavia, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus, desde o nascimento até o dia da sua morte”. Juízes 13:7 – Assim como outros personagens bíblicos proeminentes, tais como Isaque, José, Samuel e João Batista, Sansão também foi filho de uma mulher considerada inicialmente estéril. Seu pai era Manoá, da tribo de Dã, considerado um homem de grande virtude, que viveu com sua mulher (cujo nome não é citado nas Escrituras Sagradas) na cidade de Zorá, distante aproximadamente 24 km a oeste de Jerusalém, na fronteira com a Filístia.

A mulher procurou o esposo e repetiu a ele a mensagem dada pelo anjo. Receosos de que cometessem algum erro na importante obra a eles confiada, Manoá suplicou ao Senhor, dizendo: “Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, venha ter conosco outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer.” Juízes 13:8.

A oração foi atendida. Quando o anjo apareceu pela segunda vez, Manoá fez-lhe a seguinte indagação: “Quando se cumprir a tua palavra, como deverá ser a vida do menino, e que trabalho fará?” Juízes 13:12. A mesma instrução dada anteriormente foi repetida pelo anjo: “De tudo o que proibi a esta mulher deverá ela abster-se. De tudo o que procede da videira não provará; nem vinho, nem bebida fermentada, nem comerá coisa alguma impura. Tudo o que lhe prescrevi deve ela observar.” Juízes 13:13 e 14.

Quanto ao menino que haveria de nascer, um único item da lei do nazireado foi sobremaneira ressaltado pelo anjo: “…navalha não passará sobre a sua cabeça.”Juízes 13:5 . Deve-se notar, contudo, que a lei do nazireado conforme está registrado em Números 6:2-9, era aplicada somente às pessoas que voluntariamente faziam o voto. Nesse quesito a lei requeria o seguinte “Quando alguém, seja homem, seja mulher, FIZER VOTO ESPECIAL DE NAZIREU, a fim de se separar para o Senhor, …” Nada consta, no caso de Sansão, que ele tenha feito esse voto especial, no entanto, o requisito que se aplicava a ele era o que foi especificamente declarado à mãe dele pelo anjo de Deus, uma vez que a ela foi dito que teria um filho “sobre cuja cabeça não passará navalha, porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe”. Juízes 13:5.

No tempo devido, a promessa feita a Manoá foi cumprida. O menino nasceu e foi-lhe dado o nome de Sansão. Ele seria aquele que tomaria a dianteira para salvar Israel da mão dos filisteus. As Sagradas Escrituras relatam que “o menino cresceu e o Senhor o abençoou.” Juízes 13:24.

 
E estudando o significado do nome Sansão, encontramos a beleza e o amor de Deus pelo garoto que haveria de nascer para governar Israel : “luz do sol”, este é o significado de Sansão. Deus o havia gerado para brilhar entre seu povo. Mas apesar das promessas e consagração desde o ventre, a vida de Sansão, segue por caminhos escuros e a lâmpada de sua alma é envolvida em trevas, pelo distanciamento da vontade de Deus.
 
Podemos fazer um paralelo entre a vida de Sansão e a de Samuel: ambos nascidos de mães que eram estéreis, consagrados a Deus desde o ventre, vivendo em Israel em período de larga apostasia, com a missão de liderar. A comparação pode ser inevitável, como inevitáveis são as escolhas de cada um. E o que de mais marcante fica nesse paralelo é a lição de que não existe privilégios quando o assunto é pecado: sacerdotes, profetas, leigos, todos estão sujeitos a sofrerem as consequências da desobediência.
 
Apesar de ele ser descrito equivocadamente pela maioria dos cristãos como arrogante, passional, teimoso e luxurioso, a Palavra de Deus, porém, o apresenta como um grande herói, ao detalhar sua árdua missão de cumprir os propósitos de Deus, dando início ao processo de libertação de Israel do domínio dos filisteus (Juízes 13:5). O pano de fundo histórico também é bastante complicado. Quando nasceu Sansão, o povo de Israel estava atravessando um período de profunda apostasia. Desviara-se da verdadeira fé, passando a servir e adorar falsos deuses e fazer o que era mau aos olhos de Deus (Juízes 13:1). Como conseqüência, Deus entregou os israelitas na mão dos filisteus, sendo por eles explorados durante quarenta anos.

Os Juízes – Na Bíblia temos diversas categorias de pessoas que marcam certas épocas históricas. Temos primeiro os patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), depois os condutores do povo pelo deserto (Moisés e Josúe), os profetas, os reis e também os Juízes, que são 12. Normalmente são divididos em dois grupos: 6 juízes “maiores” (Otoniel, Aod, Débora, Gedeão, Jefté, Sansão, Samuel) e 6 “menores” (Samgar, Tola, Jair, Abesã, Elom, Abdon). São personagens, cuja história é contada no Livro dos Juízes, que viveram no período que vai da tomada da terra prometida realizada por Josué até a chegada da monarquia, com Saul, contada em 1Samuel.

Os Filisteus – A história de Sansão está intimamente ligada aos filisteus, um povo que morava na terra prometida já antes que Israel chegasse, com Josué. Serão grandes inimigos do povo de Deus no decorrer da história de Israel e Deus sempre combate ao lado de Israel para derrotá-lo. É assim também com a história de Sansão: os filisteus ameaçam os israelitas e Deus manda Sansão para libertar o seu povo. De acordo com a Palavra de Deus, os filisteus se originaram de Casluim, o qual era um dos filhos de Mizraim, da descendência de Cão (ver Gênesis 10:6, 13 e 14). As Sagradas Escrituras relatam que há muito tempo atrás, na época de Abraão e de seu filho Isaque, os filisteus já haviam se estabelecido em Gerar, na parte meridional de Canaã. Eles tinham um rei, cujo nome era Abimeleque e um exército sob o comando de Ficol (ver Gênesis 20:1, 2; 21:32-34; 26:1-18).

Depois que os israelitas foram libertados da escravidão egípcia, Deus decidiu não guiá-los pelo “caminho da terra dos FILISTEUS, se bem que fosse mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte para o Egito.” Êxodo 13:17.

Mesmo depois, quando o idoso Josué repartiu a terra ao oeste do Jordão, os territórios filisteus continuaram intocáveis (Josué 13:2 e 3). Com base no que está escrito na Palavra de Deus, os filisteus e outras nações permaneceram em Canaã com o objetivo de testarem a obediência de Israel a Deus:

“Estas são as nações que o Senhor deixou ficar para, por meio delas, provar a Israel, a todos os que não haviam experimentado nenhuma das guerras de Canaã; …Estas nações eram: cinco chefes dos FILISTEUS, todos os cananeus, os sidônios, e os heveus que habitavam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até a entrada de Hamate. Estes, pois, deixou ficar, a fim de por eles provar os filhos de Israel, para saber se dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor, que Ele tinha ordenado a seus pais por intermédio de Moisés.” Juízes 3:1-4.

Muitas vezes os israelitas falharam no teste por adotar a adoração falsa. Nestas ocasiões Deus entregava o povo de Israel nas mãos de seus inimigos. Mas, quando clamavam a Ele por ajuda, Ele misericordiosamente suscitava juízes para libertá-los (Juízes 2:18).

A vida de Sansão é um verdadeiro dilema, entre seguir o caminho de Deus e estar ao lado do modo de ser dos filisteus. Ele inclusive se casa com uma filisteia. Também o seu comportamento, muitas vezes é duvidoso, pois não respeita as leis de pureza dos judeus.

Nazireu – Na narração da história de Sansão, a sua força vem do voto que ele fez a Yahweh, do fato que ele é consagrado a Deus, um nazireu. Isso é evidente no fato que nunca teve os cabelos cortados.

A palavra nazireu vem do hebraico nezîr que quer dizer: separado ou ainda de alta linhagem. O significado religioso do termo refere-se a pessoa que faz um voto, consagrando-se ao Senhor. O voto é identificado por: não cortar os cabelos, incluindo também raspar a barba, não tomar qualquer bebida alcoólica, inclusive vinagre de vinho, suco de uvas e não comer frutas frescas ou secas, cf. Nm 6,2, e que não se aproximará de nenhuma pessoa morta enquanto o voto estiver sendo cumprido, cf. Nm 6,6. É um voto que pode ser temporário cf. Nm 6,4; e Nm 6,13, como pode ter sido o caso de Paulo ao ter seus cabelos cortados em At 18,18. Em Am 2,11 aparecem alguns nazireus, os quais são obrigados a beberem vinho. O voto do nazireu podia ser feito pelo homem como também pela mulher cf. Nm 6,2.

Haviam algumas instruções Divinas a serem observadas por um nazireu de Deus: E falou o Senhor a Moisés, dizendo, Números 6:1-7:
  • Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar ao Senhor.
  • De vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas.
  • Todos os dias do voto do seu nazireado sobre a sua cabeça não passará navalha; até que se cumpram os dias, que se separou ao Senhor, santo será, deixando crescer livremente o cabelo da sua cabeça.
  •  Todos os dias que se separar para o Senhor não se aproximará do corpo de um morto.Por seu pai, ou por sua mãe, por seu irmão, ou por sua irmã, por eles se não contaminará quando forem mortos; 
  • porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça.
Sansão infligiu cada um desses votos, e como nada lhe acontecia, ele prosseguia errando, ignorando as consequências que poderiam vir.

Morte de Sansão – O fim de Sansão é realmente grandioso: ele dá sua vida utilizando-se pela última vez da força que recebe de Deus, destruindo os inimigos do seu povo.

Ele parecia estar insensível a voz de Deus e não sei se você observou algo nos quatro capítulos do livro de juízes que narra a história de Sansão (capítulos 13, 14, 15 e 16). Há um momento, no final do capitulo 15 que se lê: “ E Sansão julgou a Israel, nos dias dos filisteus, 20 anos” (15:20). É como se a historia acabasse aqui, com Sansão vencendo uma guerra, matando mais de mil homens e por fim, se refugiando em uma rocha onde Deus milagrosamente faz brotar água para matar sua sede.

 
Porém, logo em seguida, no começo do capitulo 16:1, vamos ler o começo da maior tragédia da vida desse juiz, dotado de força extraordinária: “ e foi-se Sansão para Gaza e viu ali uma mulher prostituta e entrou a ela”. Oh, não! Depois de tão grande livramento a Israel, por suas mãos, Sansão não deveria se mostrar grato a Deus?
 
Podemos apontar claramente os erros da vida de Sansão, assim como saberemos apontar os nossos próprios erros. Agora, o que de fascinante aconteceu na vida desse nazireu e que jamais deve ser esquecido é que Deus proporcionou-lhe um novo começo e também um outro final. Por isso, talvez, e entendo isso como uma revelação, é que o escritor de juízes, por duas vezes narra o fim da história de Sansão: capítulos 15:20 e capitulo 16:31.
 
Depois de ter relações com a prostituta em Gaza, Sansão conhece Dalila, por quem se apaixona cegamente. Não acredito que Dalila seja o verdadeiro nome da mulher que traiu Sansão, pois a tradução de seu nome é : “senhora da noite, sedutora”. Assim teríamos: Sansão, luz do sol e Dalila, senhora da noite. Penso que o nome Dalila surge como uma denominação para a mulher que apagou a luz do sol. Ela foi o insistente laço de Satanás na vida do nazireu. Poderia ter qualquer nome, Dalila porém representa: oposição a Deus, trevas, calabouço, prisão. E digamos que de fato, se chamasse Dalila, a história ficaria ainda mais assustadora.
 
 
A forma como se dá o relacionamento entre Luz do sol e Senhora da Noite configura um romance regado a sexo e engano. Dalila é procurada por cinco príncipes, governantes das maiores cidades dos filisteus: Gaza, Asquelom, Asdode, Ecrom e Gate e corrompida a aceitar suborno para acabar com Sansão espiritualmente e moralmente. Depois de três tentativas frustradas, enfim Dalila consegue arrancar o segredo de Sansão. Ele estava tão apaixonado que não conseguia ver ou ouvir mais nada, além da voz de Dalila ao seu ouvido: “a alma de Sansão se angustiou até a morte” 16:16.
 
Sansão tem seu cabelo cortado pelos filisteus e o Espírito do Senhor deixa de habitar nele, “porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça.” Não é que a força estivesse nos cabelos, mas ao permitir cortarem seus cabelos, o voto é interrompido, Deus é rejeitado e não encontra mais lugar no coração de Sansão absolutamente tomado pela luxuria e a concupiscência.
 
 
Como vimos antes, o final dessa história, seria reescrito pelas mãos do próprio Deus. Sansão é capturado e desce até Gaza, para moer trigo no carcere. Gaza, onde começou sua queda e onde começaria sua redenção. Cego e moendo trigo na prisão, Luz do Sol se encontra na mais terrível escuridão. É quando tem um encontro real com Deus, se arrepende dos pecados e volta a ter uma vida de comunhão e oração. Sansão reconhece sua fragilidade e Deus o escuta.
 
 
“E Sansão orou ao Senhor: “Ó Soberano Senhor, lembra-te de mim! Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez, e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos!” Juízes 16: 28.
 
Muitos acusam Sansão de egoísta e vingativo por conta dessa oração, mas não creio que eram más as intenções de seu coração, se assim fosse, ele não teria recebido destaque na galeria de fé de Hebreus 11: 32-33: “E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões.” E depois de vencer pela última vez os filisteus, enfim, o escritor de juízes, encerra a história de Sansão: foram, então, os seus irmãos e toda a família do seu pai para buscá-lo. Trouxeram-no e o sepultaram entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai. Sansão liderou Israel durante vinte anos. Juízes 16.31.Lições práticas retiradas da vida de Sansão:
 
  • Não basta ser cristão ou seguir alguma religião, é necessário nascer de novo, arrepender-se para uma vida de comunhão e obediência a Cristo Jesus . João 1: 12-13;
  • Acostumar-se com o pecado é perigoso, um abismo, chama outro, até que tudo se faz trevas. Por isso, a obediência deve estar presente nas pequenas coisas do dia a dia . Quem é fiel no pouco, é fiel no muito.
  • Sansão brincou com o pecado, por mais de uma vez , foi se aproximando do abismo de passo em passo, até que…Atenção, dá um clique em um site pornográfico lhe parece sem importância? Cuidado, esse passo pode levar ao abismo, vigie, resista. Deus tem recompensa maiores do que os momentos de prazer proporcionados pelo sexo virtual, extraconjugal ou algo parecido.
  • Os filisteus que prenderam Sansão se escondiam no quarto de Dalila (juízes 16:9). Uma demonstração de  que a vida sexual de Sansão estava impura, imoral. Como estão nossos quartos? Há filisteus escondidos neles? Adultério, prostituição, pedofilia, homossexualismo, sodomia…? Se sim, será preciso derrotar esses filisteus para não ser derrotado por eles.
  • Deus é o Deus das muitas chances, mas é bom não abusar. Sansão perdeu tantas oportunidades e poderia ter feito bem mais por sua nação. Ainda houve tempo para arrepender-se, Deus não rejeita um coração sincero e contrito.
Deus nos abençoe e nos fortaleça para cumprir Sua vontade. Sansão tinha todos os atributos para ser um líder porta-voz de Deus, mas preferiu alimentar seu ego se envolvendo em relacionamentos amorosos pecaminosos. Primeiro casa com uma filisteia e depois apaixona-se intensamente por Dalila, moradora de Soreque. Todos esses percalços desastrosos, leva a crer que Sansão havia negligenciado seu chamado e comunhão com Deus. O Espirito de Deus estava sobre ele, de outra feita, seria incapaz de vencer qualquer batalha, sua força advinha disso, mas Sansão não se deixava dirigir por Deus, ouvia e não obedecia. Toda desobediência tem um preço muito alto e pode ser nossa própria vida. A Bíblia nos ensina a honrar nossos pais, Deus ama isto, e honrar significa obedecer, Deus ama a obediência. Ao entrar em território inimigo, Sansão mostrou seu destemor. Infelizmente a sua trajetória tem sido mal compreendida. Igualmente o caráter deste notável juiz de Israel tem sido depreciado por muitos sinceros cristãos. Ele se destacou não apenas por sua força física, mas por sua integridade e determinação em realizar a grandiosa obra para a qual foi designado por Deus.

Por isso o nome de Sansão consta justificadamente entre os homens que, pela fé, foram feitos poderosos. Está listado junto com Gideão, Baraque, Jefté, Davi e Samuel como homens que, por meio da fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, tornaram-se poderosos em batalhas e puseram em fuga exércitos estrangeiros (ver Hebreus 11:32-34).

A promessa de Deus de que por meio de Sansão começaria a livrar a Israel da mão dos filisteus, foi cumprida. Anos mais tarde, o rei Davi terminou o trabalho começado por Sansão, ao derrotar os filisteus e encerrar seu domínio na região. Assista ao vídeo:

 
“Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.” Isaías 48:17


Fontes: Bíblia de Estudo Plenitude, Revista e corrigida, SBB 1995. Fallows,Bible Dictionary, volume III.

Mical

Foto: Mical, interpretada pela atriz Maria Ribeiro, na novela Rei Davi, da Rede Record. Mical significa “quem é como Deus?”, era filha do rei Saul e primeira esposa de Davi. O caráter de Mical reflete o de muitas pessoas na sua relação com Deus e o próximo. Ela é muito bonita, obcecada por Davi, mas ao mesmo tempo falsa, dissimulada e manipuladora. Tem inveja da irmã Merabe e sente prazer em causar intrigas. Ajuda Davi a fugir da ira do pai e aguarda o dia em que ele virá buscá-la. Como isso não acontece, sente-se abandonada por Davi. É obrigada por Saul a se casar com Paltiel, um homem a quem despreza. Tempos depois, Davi manda tirá-la do marido para morar com ele, mas Mical se revolta porque sabe que Davi só a quer por causa de interesses políticos. Vai ser o tormento de Bate-Seba. É idólatra, adora deuses pagãos, o que provoca a fúria de Davi.

Mical era a filha mais nova do rei Saul e amava Davi. Porém, o rei tinha prometido ao guerreiro sua filha mais velha, Merabe. Mas, ao voltar da guerra contras os filisteus, Davi a encontra casada com Adriel (I Samuel 18.17-19). Quando o rei Saul soube que Mical amava Davi, usou isso a seu favor, para que ele matasse mais alguns filisteus e então se casasse com ela.Depois de algum tempo, Mical soube que seu pai mataria Davi e o ajudou a fugir.Mical é uma pessoa marcada pelas circunstâncias da vida. A Bíblia fala que ela amava Davi. O Rei Saul usou a própria filha como laço contra Davi (1Samuel 18.20-21). Entretanto o plano de Saul foi frustrado pela fidelidade de Mical a Davi. Na sequência da história, vemos que ela ajudou Davi a fugir de Saul quando este o perseguia, enganando o próprio pai (1Samuel 19.11-17).

Por que então esta mulher, que um dia compreendeu e participou do plano de Deus para preservar a vida de Davi, agiu de maneira tão severa quando agora, anos mais tarde, o Rei simplesmente adorava ao Senhor com alegria? A maioria de nós cristãos conhece a história de Davi dançando perante o Senhor (2 Samuel 6.11-23). “E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul estava olhando pela janela e, vendo o rei Davi. que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração (2 Sm 6.16). Amados, quantas vezes percebemos e nos achamos em atitudes que desagradam a Deus ? Quantas vezes temos exposto diante de Deus, aquilo que professarmos a Ele? Quantas vezes reconhecemos nossas falhas quando pecamos contra Ele? Davi era um desses homem autênticos, sincero diante de Deus, pecador como eu e você,mas que expressava sem reservas a alegria de estar com Deus, de viver com Ele. A ocasião era de festa: a Arca do Senhor estava voltando para Jerusalém. O Rei Davi estava exultante, e “dançava com todas as suas forças diante do Senhor” (v. 14), externando sua adoração a Deus sem se preocupar com o que os outros estariam pensando dele. Sua esposa, Mical, o “desprezou no seu coração” e o criticou severamente por dançar daquela maneira diante do povo (vs. 16 e 20). Mas porquê ela criticou o gesto de Davi? Porque ela não entendeu?

Poderíamos dizer que ela não compreendeu a motivação de Davi; ou que ela se preocupou mais com a imagem do Rei Davi do que com o momento espiritual da nação; ou ainda que teve ciúmes das servas. Tudo isto estaria correto… mas já lhe ocorreu que tamanha incompreensão poderia estar calçada em algo mais profundo e preexistente na vida desta mulher? No fundo, Mical está reagindo, em função de uma escolha feita quatorze anos antes, quando teve a oportunidade de fugir com Davi. Na vida, sempre temos oportunidade de escolher. É claro que Mical ajudou Davi a salvar sua vida, mas ela tinha duas opções: fugir com o marido ou continuar na cidade, no conforto do seu lar e como filha do rei Saul. Como esposa, será que Mical não deveria estar ao lado de Davi, onde ele fosse, e vivendo de qualquer maneira ao seu lado? Ou era melhor ela continuar no conforto da sua casa, como filha do rei? Este era o momento de Mical expressar o seu amor a Davi, mas ela escolheu ficar ao lado do pai. Davi e Mical ficaram muito tempo sem se ver. Ele foi muito perseguido por Saul, por diversas cidades. Em uma delas, conheceu Abigail e Ainoã, ambas foram suas esposas (I Sm 25.39-43). Se Mical tivesse ficado ao seu lado, Davi teria outras mulheres?

Há mulheres que preferem o conforto a fazer valer suas palavras de fidelidade e companheirismo ditas ao seu marido no dia do casamento. Quantas desvalorizam o homem que Deus colocou em sua vida, ao não apoiá-lo nas decisões, não estar ao seu lado em dias difíceis e não dar a devida atenção aos seus projetos. Atitudes como estas, e ainda outras não mencionadas, dão abertura para as amantes, amizades não tão convencionais.

1- Como os traumas influenciam nossa atitude.

Depois da fuga de Davi, Mical foi dada como esposa a outro homem pelo seu pai, Saul (1Samuel 25.44). Quatorze anos depois, após a morte de Saul e já como rei, Davi exigiu-a novamente como esposa (2Samuel 3.13). Por esta e outras razões, podemos saber que Mical era uma pessoa que carregava profundas feridas. Ela fora usada como “isca” pelo pai contra Davi. Viu este homem arriscar a vida para atender a um capricho de Saul que era a exigência para o casamento, o qual foi chamado de “dote” (1Samuel 18.25). Viu o homem que ela amava tendo que fugir do próprio sogro para não morrer. Foi dada pelo pai a outro homem como esposa, sendo já casada. Anos depois, quando talvez ela já estivesse “acostumada” com a situação, Davi se torna Rei e a traz de volta. A Bíblia nos conta que o seu então marido, Paltiel, veio chorando atrás dela quando ela foi tomada para ser “devolvida” para Davi (2 Samuel 3.15-16).

Quanta carga emocional! Como se não bastasse, ela não podia ter filhos, o que era considerado como uma desonra pela sociedade de então. Principalmente em se tratando da esposa de um monarca, que precisaria necessariamente de um herdeiro para ocupar o trono. Mical permitiu que seus traumas não resolvidos trouxessem cegueira espiritual. E por causa disso, ela não pôde compreender o significado do ato de adoração de Davi.Eu quero lhe fazer uma pergunta: será que você tem deixado seus traumas do passado, interferirem na sua vida atual? Será que o fantasma da traição ou de ter sido abandonado no passado, não está influindo negativamente no seu comportamento ou momento atual? Será que você não está passando dos limites? A pessoa amada ou o seu companheiro(a) não é culpado pelos seus traumas. Aprenda que o que passou, passou e o passado ficou para trás. Trate de construir seu caminho rumo ao futuro sem precisar de desenterrar defuntos ou viver como um louco ou louca ao prantos,gritos e baixarias.Se você afirma que não conseguiu esquecer as coisas que lhe machucaram no passado,o sangue de Jesus Cristo não lhe banhou ainda. Você precisa de um encontro verdadeiro com Deus. Você precisa se apropriar da sua condição de “justo”, ou seja: aquele que justificado por Cristo, recebeu o novo coração!

2 – O lugar errado diante dos fatos.

Os nossos traumas emocionais mal resolvidos e não tratados trazem cegueira espiritual. E tudo isso sempre nos leva para a posição errada, um lugar diferente daquele que o Senhor nos quer. Mical expressa a vida de muitos religiosos hoje que estão na janela. Estar na janela é vislumbrar a vida de um lado, estando de outro. Diz a palavra que Mical acabou servindo de laço para Davi (I Sm 18.21). Podemos deduzir que sua vida com o Senhor era superficial e aparente, ou seja, não havia um relacionamento profundo com Deus. Também pode-se deduzir que ela vivia em torno de seus sentimentos, pois sua vida com Davi foi marcada por amor, mas também por rejeição, ressentimentos e amarguras e ressentimentos.

O povo inteiro estava em festa, e Mical estava “olhando pela janela” (v. 16). Ela somente foi ao encontro de Davi quando a celebração havia acabado, e o povo, ido embora (v. 20). E mesmo assim, foi para criticar.  Mical assumiu a posição de espectadora. Da janela, observava o povo se alegrando e adorando ao Senhor, ao invés de se juntar a eles. Estava assistindo a alegria e adoração dos outros, e não fazia questão de participar. Esta postura abriu portas pra um espírito crítico; e sendo assim, satanás entrou em ação pondo no coração de Mical o CIÚME. Um detalhe: Se você sofre deste mal, trate de se dar valor e aprenda que aquele que deixa habitar dentro do seu coração esta obra da carne chamada “ciúme”; não vai morar no céu,embora seja cristão fiel.Leia atentamente: “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os CIÚMES, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus“. E por trás disso, estava uma vida marcada por sofrimento, desilusão e expectativas frustradas.

O coração de Mical expressava o que muitas pessoas hoje expressam. Há muitas pessoas dentro da Igreja com a visão de Mical, que só é capaz de enxergar aquilo que convém para si. Mical não desprezou apenas Davi, mas desprezava o Senhor. Alguns religiosos fariseus de hoje são como Mical, que se preocupam mais com os outros, de que com si mesma, que se preocupam apenas com a aparência exterior. Na época do NT os fariseus não se cansavam de “enredar” Jesus por que este andava com as pessoas desprezadas da sociedade (Mt 9.11-12; Mt 11.19.Lc 5.30). Como Jesus, Davi também andara com o povo e isso trouxe “desconforto” ao olhos de Mical. Muitas vezes quando acontece algo diferente daquilo que estamos “acostumados a fazer”, nos sentimos desconfortados. Mical pensou na sua reputação,o que que os outros iam dizer, mas nunca analisou se aquilo que Davi fez agradava a Deus. O religioso nunca leva em conta a manifestação espontânea de adoração a Deus pelas pessoas, mas sempre arranja motivo para reprimi-la e criticá-la por isso. O espírito crítico de Mical não levou somente a desprezar no seu coração, Davi, mas acima de tudo ao Senhor.

Infelizmente em nossas igrejas existem pessoas como Mical que são apenas observadores de culto, “que ficam na janela”, observando os atos dos outros. São estes que sempre procuram algo para criticar, algo para comentar, esquecendo de cultuarem a Deus e adorarem a Ele com suas vidas. São pessoas que vivem de aparência exterior, mas que por dentro, no interior, estão cheios de hipocrisia e iniquidade (Mt 23.28). Aqueles que não possuem uma intimidade com Deus não conseguem enxergar a adoração daqueles que o fazem de todo coração. Quando a mulher pecadora entrou na casa de Simão, para ungir os pés de Jesus, o o religioso dono da casa questionou consigo: “Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora” (Lc 7.39).

Assim são aqueles com visão de Mical que a tudo questionam e a tudo criticam. Normalmente essas pessoas não enxergam seus pecados, mas o do outro. Não adoram a Deus em espírito, mas criticam aqueles que assim o fazem. Quando alguém religioso, de janela, vê a dedicação de um servo em espontânea adoração a Deus, logo se sentem enciumadas e ficam cheias de presunção. Usam todo tipo de julgamento. A expressão que mais se ouve dos religiosos da janela é: “Este gosta de se aparecer, hein !!” Existem pessoas que ao ver o cônjuge se consagrar a Deus, sentem-se traídas, amarguradas e abandonadas, pois querem total atenção para si. São pessoas que gostam de ser mimadas, de bajuladas, que gostam de ser saudadas pelas pessoas. Mical odiou Davi quando este demonstrava seu amor a Deus, mas esqueceu que sua própria vida estava nas mãos de Deus. Por viver uma vida sem a total direção de Deus, Mical acabou não tendo descendentes de Davi.

Quando a pessoa acaba vivendo a vida dos outros e esquecendo de sua própria, passa-se o tempo e não se percebe o quanto tempo se perde em analisar e perceber a vida dos outros. Quando nosso relacionamento de Deus é raso, somos como Mical, suscetível a sentir-se só e deixamos ser levados pela amargura, pelo ódio e pelo ressentimento. Também através disso, acabamos respondendo de maneira errada as circunstâncias, acabamos prejudicando a nós mesmos e deixamos de herdar as promessas de Deus. Mical não estava preocupada com seu povo, com sua nação, com Deus e a bênção que era a Arca da Aliança, mas com seu mundo, com seu reino terreno, com sua reputação. Mical vivia de idealizações com Davi, mas esqueceu que Deus era com Davi. A palavra do Senhor diz: “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16.1).

Quando Davi abençoou o povo em nome do Senhor e foi abençoar sua casa foi repreendido por Mical. Mical teve a oportunidade de receber a bênção de Deus, mas preferiu ficar com sua convicção egoísta. Quando temos uma convicção apenas religiosa de Deus, perdemos as bênçãos que o Senhor pode nos dar. Mical não tinha visão espiritual. Toda vez que compartilhamos algo espiritual para pessoas religiosas e que não possuem um entendimento espiritual o resultado poderá ser como o de Mical com Davi. Diz a Palavra do Senhor,  que aqueles que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne, mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.(Rm 8.5). “Ora, o homem natural não aceitam as coisas do espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (I Cor 2.14).

Hoje na Igreja, no Reino de Deus, existem muitos com visão de Mical, mas cabe a todo homem e mulher de Deus não observar com visão de janela, de Mical, mas enxergar o homem pelos olhos espirituais, pelos olhos de de Deus. Se Mical tivesse visão espiritual teria enxergado Davi, mais do que um guerreiro, mais do um rei, mais do que um marido que amava, teria enxergado Davi segundo o coração de Deus. Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração (I Sm 16.7).

3 – deixe de ser espectador ou apenas olhar a vida pela janela.

Talvez você já tenha visto ou conhecido pessoas que assumem a posição de “espectadores” em algumas situações, até mesmo durante momentos de adoração ao Senhor. Não as julgue. Existe algo além das aparências. Existe uma vida que carrega marcas, uma vida que precisa se libertar das astutas ciladas do diabo. Precisamos desenvolver um espírito misericordioso em relação aos outros. Devemos olhar para nossas próprias vidas. Como temos cuidado de nossos traumas emocionais? Temos dado lugar a um espírito crítico? Temos tido uma vida infrutífera? Temos sido espectadores da adoração alheia? Adore aquele que é digno de toda a Glória,Jesus Cristo;e ELE vai fazer por você, o que você não pode fazer. Adore ao Senhor Jesus Cristo,e ELE vai falar com quem você não pode falar. Adore a Deus e, deixe ele esvaziar de sua mente, os fatos negativos do seu passado!

Ainda há tempo para tratar pecados, se arrepender, pedir perdão e perdoar. Ainda há tempo para buscar a libertação espiritual para nossos traumas. Ainda há tempo para receber o bálsamo que só o Senhor pode dar. E ainda há tempo para sair da janela. A porta é logo ali. É só ir para fora, se juntar ao povo… e começar a dançar, participar ativamente. Não seja uma “Mical”, não deixe de valorizar seu amado, de estar com ele, de encorajá-lo, de torcer por cada batalha e de vibrar em cada vitória. O desprezo do coração de Mical em relação a Davi gerou nela a infertilidade, e ela morreu sem ter filhos do rei (II Samuel 6:23).

Uma mensagem às mulheres.

Mical fez parte do plano do Senhor para a vida de Davi. Ao lermos 1 Sm 19ss, vemos que o rei Saul planejava matar Davi. Ele começou a perceber que o Senhor estava com Davi e que sua filha, Mical, amava o marido. O ciúme começou a tomar conta da sua vida. Em 1 Samuel 19:11, a Bíblia nos diz: “Porém Saul mandou mensageiros à casa de Davi, que o guardassem, e o matassem pela manhã…” Mical soube do plano de seu pai e, como uma esposa que, depois do Senhor, colocava seu marido em primeiro lugar em sua vida, avisou a Davi e o ajudou num plano de fuga eficaz. A Bíblia nos diz que “Mical desceu a Davi por uma janela; e ele se foi, e fugiu, e escapou” (1Sa 19:12). Ela ficou debruçada na janela a observar aquele homem, que ela tanto amava, fugir para que a sua vida fosse salva. Ela sabia que seu pai jamais o pegaria, pois ela havia se casado com o homem: a) que matara o gigante Golias; b) que foi posto à prova a fim de poder casar com ela, tendo que matar cem filisteus e fez mais, matou duzentos; c) Davi era um homem segundo o coração de Deus. O Senhor estava com ele em todos os momentos de sua vida.

Mical havia se casado com um homem íntegro que respeitava e amava o seu pai, o rei Saul. O rei queria matá-lo, era seu inimigo, mas ele, Davi, numa certa ocasião, podendo matá-lo disse: “O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor” (1 Sm 24.6). Davi era um homem que respeitava aquele que o Senhor colocou acima dele (o rei Saul). Ele era um homem que amava o Senhor. Ele era um homem segundo o coração de Deus. Ele não temia o inimigo, pois confiava no Deus verdadeiro que estava com ele. Este era o marido de Mical, homem forte, valente e com um coração cheio de fidelidade, amor e respeito para com aquele que Deus escolhera para ser o seu rei mas que o odiava, perseguia e queria matá-lo. Mical, apesar de não ter sido a esposa ideal para Davi, colocou-o, naquele momento, em primeiro lugar em sua vida mesmo tendo que ficar contra a vontade de seu pai.

Uma mulher, segundo o coração de Deus, deve colocar as prioridades certas em sua vida. A mulher de Deus tem as seguintes prioridades: a) colocar Deus em primeiro lugar em sua vida (não os filhos, a igreja, nem seus  ministérios);  b) depois de Deus, colocar seu marido como a pessoa mais importante na sua vida (ela faz isso honrando-o, isto é, falando bem dele a nossos filhos, a nossa família, a nossos amigos… porque a Palavra de Deus me diz em Tito 3:2 “que a ninguém infamem…”; mas também procurando nele tudo o que existe de bom e não esquecendo de elogiá-lo naquilo que ela gosta (seu respeito por mim, seu modo carinhoso de tratar-me, seu amor pelo Senhor, o exemplo de integridade que ele dá aos filhos e, até mesmo elogiar seus músculos, seus olhos, seu sorriso…); c- orando por ele (por seu trabalho, por seu ministério na igreja, pelas tentações que por acaso surjam, por seu crescimento espiritual…); Mical tinha Davi como a pessoa mais importante de sua vida, pois ela o admirava e o amava.

Ela o salvou da morte, porém, quando Davi já era rei, aconteceu algo que mudou o cenário da sua vida. Os personagens eram os mesmos (Mical e Davi), a cena era a mesma (Mical junto à janela), contudo, agora, o coração dela já não era o mesmo. Antes, ela tinha um coração cheio de amor e respeito pelo marido. Agora, o seu coração o desprezava. Ela se encontrava junto à janela e observava Davi que entrava em Jerusalém com a arca da aliança, pulando e dançando. Ela não gostou do que estava vendo. Ela o achou ridículo e o desprezou. Aquele mesmo coração que, junto à janela, o amou e o salvou da morte, agora, junto à mesma janela, o estava desprezando. Vemos que, por duas vezes, Mical estava junto à janela observando aquele que ela tanto amava e admirava mas que, agora, desprezava. Provavelmente, Mical esperava que seu casamento fosse o mais feliz e o mais seguro. * Será que ela esperava que Davi viesse salvá-la das mãos de um pai irado e vingativo? * Será que a amargura tomou conta do seu coração ao ver que nada do que ela havia sonhado aconteceu? Sabemos que o rei Saul vingou-se dela e de Davi, dando-a em casamento a outro homem.

Certa vez li uma frase que mostra que atitude correta que podemos ter para enfrentar situações difíceis como esta de Mical: “Quando escolho seguir a Jesus em meio à dor e me firmo em Suas promessas, tenho esperança – mesmo quando não sei o que está por vir” (Kathy Troccoli, cantora gospel). Mical não escolheu seguir a Deus quando passava por momentos de dor. Ela não procurou se firmar nas Suas promessas, deixando assim de se encher de esperança mesmo não sabendo o que o Senhor estaria preparando para ela. Assim como Mical, muitas mulheres passam por tribulações em suas vidas. O remédio é levar estas decepções, traumas e angústias diante do altar do Senhor e confiar que Ele é o Deus que transforma: o fel em mel, a tempestade em calmaria; a tristeza em alegria; o ódio em amor;  um coração de pedra em um coração semelhante ao de Jesus.

André, o primeiro discípulo do Mestre

André, como outros jovens da Galileia, tinha se tornado um discípulo de João Batista. No entanto, ao ouvir seu mestre falar, pela segunda vez, de Jesus como o Cordeiro de Deus, deixou João para seguir a Jesus. Ele foi, imediatamente após isso, o meio pelo qual seu irmão Pedro foi trazido a seu novo Mestre. Até o momento, ele tinha a honra de ser o primeiro dos apóstolos a apontar para Cristo (João 1). Ele aparece ainda nos capítulos seis e doze de João, e no décimo terceiro de Marcos, mas, além desses poucos e espalhados relatos, as Escrituras não relatam mais nada a respeito dele. Seu nome não aparece nos atos dos Apóstolos, com exceção do primeiro capítulo.

O nome André vem do grego Andros, “homem”. Significa varonil, másculo, com a ideia de alguém valoroso. André, nasceu em Betsaida (Cafarnaum). Era o mais velho, em uma família de cinco filhos – ele próprio, o seu irmão Simão, e três irmãs. O seu pai, agora falecido, tinha sido sócio de Zebedeu no negócio de secagem de peixes em Betsaida, o porto de pesca de Cafarnaum. Quando se tornou um apóstolo, André estava solteiro, mas vivia com o seu irmão casado, Simão Pedro. Ambos eram pescadores e sócios de Tiago e de João, os filhos de Zebedeu.

No ano 26 d.C., quando foi escolhido como apóstolo, André tinha 33 anos, um ano completo a mais do que Jesus, e era o mais velho dos apóstolos. Ele vinha de uma linhagem excelente de ancestrais e era o mais capaz dos doze homens. Excetuando a oratória, ele era um igual aos seus companheiros em quase todas as aptidões imagináveis. Jesus nunca deu a André um apelido, uma designação fraternal. Contudo, tão logo os apóstolos começaram a chamar a Jesus de Mestre, eles também designaram André com um termo equivalente a chefe.

André era um bom organizador e administrador. Era um dos quatro apóstolos que formavam o círculo interno, mas ao ser designado por Jesus como dirigente do grupo apostólico, André teria de se manter junto aos seus irmãos, ao passo que os outros três usufruíam de uma comunhão mais estreita com o Mestre. Até o fim, André permaneceu como o “deão” do corpo de apóstolos.

Mesmo nunca tendo sido um pregador eficiente, André fazia um trabalho pessoal eficaz, sendo o missionário pioneiro do Reino, visto que, enquanto primeiro apóstolo escolhido, imediatamente trouxe até Jesus o seu irmão, Simão, que depois se tornou um dos maiores pregadores do Reino. André era o principal apoio da política adotada por Jesus, de utilizar o programa de trabalho pessoal como um meio de treinar os doze como mensageiros do Reino.

Estivesse Jesus ensinando os apóstolos em particular ou pregando à multidão, André, em geral, sabia o que estava acontecendo; ele era um executivo compreensivo e um administrador eficiente. Ele tomava uma decisão imediata sobre todas as questões trazidas ao seu conhecimento, a menos que considerasse o problema como estando além do domínio da sua autoridade e, quando isso acontecia, ele o levaria diretamente a Jesus.

André e Pedro tinham o caráter e o temperamento bem diferentes, mas lhes deve ser dado, para sempre, o crédito de se darem esplendidamente bem um com o outro. André nunca tinha inveja da capacidade oratória de Pedro. E raro é ver-se um homem mais velho do tipo de André exercendo uma influência tão profunda sobre um irmão mais jovem e talentoso. André e Pedro pareciam nunca ter a menor inveja das habilidades, nem das realizações um do outro.

 

Quando as perseguições posteriores finalmente dispersaram os apóstolos de Jerusalém, André viajou pela Armênia, Ásia Menor e Macedônia, tendo sido ao final preso e crucificado em Patras, na Acáia, após trazer vários milhares de pessoas para o Reino.

Dois dias inteiros foi o tempo que levou para que esse homem robusto expirasse na cruz e, durante essas horas trágicas ele continuou efetivamente a proclamar as boas-novas da salvação do Reino do céu.

Era irmão de Simão Pedro: Mateus 4.18. Foi discípulo de João Batista, que lhe apontou Jesus Cristo. André foi atrás, passou a tarde conversando com Jesus e levou Pedro até ele (João 1.35-42). Parece que a conversa terminou aí, até que Jesus encontrou os dois, no trabalho deles, e os chamou para segui-lo (Mateus 4.18-19). Por isso, os dois largaram tudo. Foi uma decisão madura. Pedro foi “evangelizado” por André e conheceu Jesus na casa deste. Depois André e Pedro foram desafiados por Jesus e aceitaram. Há gente que pensa, à luz de Mateus 4.18-19, que Pedro e André nunca tinham visto a Jesus, que ele apareceu de repente, e eles o seguiram, hipnotizados. Houve um encontro anterior. Se Pedro é impulsivo, André é o comedido. Pensa e compartilha com os outros.

UM HOMEM COM ALMA DE DISCÍPULO – Em João 1.35, é discípulo do Batista. Em João 1.40, de Jesus. Aprendeu a lição ensinada por João. Queria sempre o melhor. Jesus não o convidou. Foi atrás: João 1.37. Discípulo é “quem aprende de outro”. André gostava de aprender: Marcos 13.3. Acatou liderança do Batista, de Jesus, do irmão. Duas boas lições: (1) Seguia a João Batista e foi atrás de Jesus. Buscava o melhor. Que tipo de melhor buscamos? (2) Discípulo não é título de nobreza, mas condição de aprendiz. As igrejas têm muitos nobres e poucos aprendizes. André é uma pessoa ensinável.

De todos os apóstolos, André era o melhor conhecedor dos homens. Ele sabia que conflitos estavam germinando no coração de Judas Iscariotes, mesmo quando nenhum dos outros sequer suspeitava de que algo estava errado com o tesoureiro deles; mas ele nada disse a ninguém sobre os seus temores. O grande serviço de André para o Reino foi o de aconselhar a Pedro, a Tiago e a João a respeito da escolha dos primeiros missionários que foram expedidos para proclamar o evangelho do Reino, e também o de aconselhar a esses primeiros líderes sobre a organização dos assuntos administrativos do Reino. André tinha o grande dom de descobrir os recursos ocultos e os talentos latentes dos mais jovens.

Logo depois da ascensão celeste de Jesus, André começou a escrever um registro pessoal de muitos dos feitos e dos ditos do seu Mestre que partira. Depois da morte de André foram feitas cópias desse registro particular, e elas circularam livremente entre os primeiros instrutores da igreja cristã. Essas notas informais de André, subsequentemente, foram editadas, corrigidas, alteradas e tiveram acréscimos até que formassem uma narrativa suficientemente contínua da vida do Mestre na Terra. A última dessas poucas cópias alteradas e corrigidas foi destruída pelo fogo em Alexandria, cerca de cem anos depois que o original fora escrito pelo apóstolo, o primeiro a ser escolhido entre os doze.

UM HOMEM COM MENTE PONDERADA -André era um homem de um discernimento interno claro, de pensamento lógico e de decisão firme, cuja grande força de caráter consistia na sua estupenda estabilidade. A sua desvantagem de temperamento era a sua falta de entusiasmo; muitas vezes ele preferiu fazer elogios ponderados aos seus companheiros a encorajá-los. E essa reticência em louvar as realizações de mérito dos seus amigos nasceu da sua aversão pela adulação e pela insinceridade. André era um desses homens categóricos, de temperamento regulado, feito por si próprio, e de sucesso nos seus modestos negócios. Fala pouco. Só o que beneficia. Há gente que fala demais. Era confiável. Na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, gregos querem ver Jesus. Procuram Filipe. Não se sentiu seguro. Além de Jesus estar ocupado, havia o nacionalismo judaico. Jesus era para estrangeiros ou só para judeus? Procurou André: João 12.20-22. Ele tinha soluções: João 6.5-9. Filipe não tinha. Tinha mais problemas. Há crentes que sempre aumentam os problemas. Há como André, buscando soluções. Ele encontrou. Levou o menino a Jesus. Homem que pesava as coisas. Mente ativa a serviço de Cristo. Para muitos ser inteligente ou pensar é pecado. André era homem de pensar.

Todos os apóstolos amavam Jesus, mas ainda assim é verdade que cada um dos doze sentia-se atraído por algum aspecto da sua personalidade e que tivesse exercido um encanto especial sobre aquele apóstolo individualmente. André admirava Jesus por causa da consistência da sua sinceridade e da sua dignidade sem afetação. Quando os homens conheciam Jesus, eles ficavam possuídos por um impulso de compartilhá-lo com os amigos; eles realmente queriam que todo mundo viesse a conhecê-lo.

UM HOMEM COM CORAÇÃO MISSIONÁRIO – João 1.40-41. Fez a maior descoberta da sua vida. Compartilhou. Primeiro fruto, o irmão. Você compartilha sua fé? Com sua família? Maior credencial: ganhar o lar para Cristo. Evangelista com família incrédula? Eusébio: chegou a Cítia (padroeiro da Rússia). Padroeiro da Escócia. Igreja Anglicana (Episcopal): 30 de novembro é o dia de Santo André, dia de missões. Crucificado na Grécia, na Acaia. Correu mundo. Conjecturas e a tradição têm dito muitas coisas sobre ele, mas devemos considerar apenas fatos razoavelmente estabelecidos. Dizem que ele pregou em Cítia, e que viajou pela Trácia, Macedônia, Tessália, e que sofreu o martírio em Petra, na Acaia. Sua cruz, dizem, era formada de dois pedaços de madeira se cruzando no meio, na forma de X, geralmente conhecida pelo nome de cruz de Santo André. Ele morreu orando e exortando as pessoas à constância e perseverança na fé. O ano em que ele sofreu isso é incerto. Tarde da noite, no Dia de Pentecostes, quando duas mil almas foram acrescentadas ao Reino, graças principalmente à pregação energética e inspirada de Pedro, André disse ao seu irmão: “Eu não poderia ter feito isso, mas estou contente de ter um irmão que o fez”. Ao que Pedro respondeu: “E se não fosse tu, que me trouxeste ao Mestre e, não fosse a tua perseverança em me manter junto a ele, eu não estaria aqui para fazer isso”. André e Pedro eram exceções à regra, provando que mesmo irmãos podem conviver em paz e trabalhar juntos de um modo eficiente. Depois de Pentecostes, Pedro estava famoso; mas nunca se tornou irritante para o irmão mais velho passar o resto da sua vida sendo apresentado como o “irmão de Simão Pedro”.

CONCLUSÃO – Quando as perseguições posteriores finalmente dispersaram os apóstolos de Jerusalém, André viajou pela Armênia, Ásia Menor e Macedônia, tendo sido ao final preso e crucificado em Patras, na Acáia, após trazer vários milhares de pessoas para o Reino.Viveu à sombra do irmão. Citado em conexão com Pedro. Opaco? Não! O primeiro a ouvir que Jesus era o Cordeiro de Deus. Modelo: trabalha em silêncio, nos bastidores, de forma construtiva. Há bastidores de igreja que não são sadios. Os bastidores de André eram. Evangelista de mão cheia, sem estardalhaço. No dia de sua morte deve ter ouvido “servo bom e fiel”. Que ouviremos? Sejamos discípulos que acrescentam à vida dos outros.


 Fonte: Novo Dicionário de Davis, p. 78, e Doze homens comuns, de MacArthur, p. 80.


 
 
André e seu irmão Simão (mais tarde, Pedro) eram pescadores, assim como seu pai Jonas e a maioria dos habitantes das margens do Mar da Galiléia . É provável, entretanto, que ainda cedo André tenha se afastado parcial ou com­pletamente de seu ofício, incomodado por questionamentos e anseios interi­ores, não satisfeitos com a religiosidade estabelecida em sua vida. Começou ai a jornada espiritual que o conduziu, mais tarde, ao encontro dAquele que mudaria por completo o curso de sua existência.
João Batista, o profeta cujos ensinamentos André seguiu por algum tempo, representou um referencial importante em sua peregrinação espiritual. Sobre esses anos de inquietude vividos pelo futuro apóstolo, esclarece McBirnie (op. cit., p. 77):
 

“Aparentemente, André ocupava-se mais dos assuntos da alma do que propriamente de suas pescarias, tanto que abandonou suas redes para seguir os passos de João Batista. Para isso, André precisou percorrer um longo caminho através do Vale do Jordão, até atingir o local onde João pregava, isto é, Betânia, uma cidade que se lo­calizava além do Rio Jordão, defronte a Jerico. Ali, o apóstolo finalmente deparou com a voz de autoridade espiritual que ansiosamente pro­curava. André, descontente com a imoralida­de, as intrigas e a desonestidade por ele atestadas nas cidades da Galiléia e da Judéia, encontrou em João Batista um homem segundo seu cora­ção: alguém inquieto e sem atrativos, porém fiel devoto das virtudes mais simples; um homem para quem a carne e o clamor do mundo pou­co significavam. Este, verdadeiramente, era um homem digno de ser seguido!”Deixando a árida paisagem do Deserto da Judéia, André se dispôs a seguir os passos de Jesus nos arrabaldes da Gaiiléia. De tal sorte marcante foi a impressão inicial causada por Jesus, que lá chegando não tardou em buscar por seu irmão e informar-lhe sobre algo que todo ouvido em Israel ansiava escutar: Achamos o Messias! (Jo 1.41).

A cronologia da vocação dos discípulos é, de certo modo, confusa, já que os evangelistas não cuidaram de estabelecer divisões de tempo exatas para os fatos que relataram. Assim, ao que parece, André, como discípulo que fora de João Batista, manteve contato com Jesus antes da formalização de seu discipulado. McBirnie propõe um esclarecimento para os meandros cronológicos que separam os primeiros encontros de André com Jesus e sua definitiva chamada como discípulo (op. cit., p.78-79).
 
“Nesse estágio, André ainda não era exatamente o que se pode chamar de um discípulo de Jesus. Assim como os demais, André era meramente Seu seguidor, ou seja, um acompanhante interessado em observar à dis­tância o que se passava. Jesus, então, tomou consigo a Pedro, André, Filipe e João e dirigiu-se de volta a Nazaré. Entrementes, foi submetido aos quarenta dias de tentação no deserto, após Seu batismo. A seguir, eles acompanharam Jesus a uma festa de casamento em Cana da Galiléia, a apenas dez quilômetros de Nazaré. Em Cana puderam testemunhar a realização de Seu primeiro milagre. Jesus os conduziu, então, a uma verdadeira jornada evangelística por toda Galiléia e, mais tar­de, por Jerusalém onde O vi­ram ‘purificar’ o Templo. Contudo, durante este perío­do, nenhum deles era ainda discípulo de Jesus. Mais tarde, todos retornaram à Galiléia, voltando ao seu antigo ofício de pescadores. Não sabemos quanto tempo se passou até que Jesus, certo dia, voltasse a Cafarnaum, nas margens do Mar da Galiléia, e lá encontras­se a André e Pedro.”
Ao contrario do que acontece com seu irmão Pedro, infeliz­mente,   não  são  muitos  os registros bíblicos da passagem de André como discípulo de Jesus. Isso, com efeito, nos impossibilita uma projeção dos traços gerais de sua personalida­de, visto que o legado posterior da tradição cristã nem sempre é digno de crédito.
A parte os versículos que narram sua chamada, ao lado de Pedro, às margens do Mar da Galiléia e das passagens que o inserem nas listas apostó­licas, raramente encontramos alguma menção de sua participação no rol dos discípulos. Em Mc 13.3-4 André aparece, ao lado de Pedro, Tiago e João no Monte das Oliveiras, inquirindo Jesus a respeito dos assustadores vaticínios que acabara de ouvir sobre o templo e a cidade de Jerusalém. Noutra ocasião, minutos antes da miraculosa multiplicação dos pães (Jo 6.8-9), vemo-lo apresentando a Jesus alguém que dispunha de míseros cinco pães e dois peixes, na busca de uma solução para a fome que já come­çava a incomodar a multidão presente. Na passagem de Jo 12.20-22, André é um dos que conduzem ao encontro de Jesus alguns gentios, prosélitos do judaísmo, que ansiavam conhecê-Lo.
Em face da escassez de informações bíblicas sobre seu perfil e suas ações enquanto discípulo, a tradição medieval traçou o contorno de André a partir do testemunho de Jo 1.40-42, definindo-o como o pai das missões apostóli­cas. Tal assertiva constitui, obviamente, mais uma dentre as várias caricaturas apostólicas formadas cora o passar dos séculos. O fato de o discípulo ter se apressado em relatar a Pedro seu descobrimento, conforme nos conta o evangelista, não faz dele necessariamente um grande referencial de missioná­rio cristão. Todos aqueles em cujos corações Jesus causou semelhante impac­to fizeram o mesmo com seus amigos e parentes, visto que a expectativa messiânica era algo que inundava os corações na Israel naqueles dias. Além do que, as lendas cristãs creditam mais empenho a apóstolos como Pedro, João, Tomé e Judas Tadeu do que propriamente a André.
Sem embargo, nosso apóstolo parece ter realmente experimentado gran­des oportunidades de espalhar a semente da Palavra por diversas regiões da Antigüidade. A seguir, veremos alguns dos relatos mais interessantes dessas tradições.
 
 
As missões no leste europeu e o martírio em Patras, na Grécia
Embora alguns autores apontem André como um dos anciões que per­maneceram na liderança da Igreja de Jerusalém, outros têm por certo que o apóstolo deixou ainda cedo a Cidade Santa rumo às missões evangelísticas no estrangeiro. Se isso for verdade, é possível que tal decisão tenha sido fruto da perseguição que se instaurou na cidade durante os primeiros anos da Igreja. Existe, entretanto, certa dificuldade de se conciliar essa partida de André nessa época com o registro lucano de At 8.1.
 
“Naquele dia levantou-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusa­lém; e todos exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samaria.”
 
De qualquer modo, em 44 A.D. nova pressão se levantou contra os cristãos de Jerusalém. Desta vez, a violenta morte de Tiago Maior e o aprisionamento de Pedro, sob ordens de Herodes Agripa, podem ter convenci­do alguns dos apóstolos, entre os quais André, a buscarem novos campos para sua lavoura espiritual. Suspeita-se que foi por essa mesma época que Pedro, após ser miraculosamente solto, por fim decidiu estender seu apostolado para além dos limites da Judéia (At 12.3-17).
Uma das mais fortes tradições acerca do trabalho missionário de André, endossada pelo historiador Eusébio (História Eclesiástica III, 1,1) diz res­peito ao sul da Rússia, especialmente às regiões outrora conhecidas como Cítia e Partia, próximas ao Mar Negro. Por testemunhos tradicionais como esse, André foi adotado como patrono da Igreja russa.
Outra forte tradição afirma que André exerceu parte de seu ministério em algumas regiões da Ásia Menor, onde se sabe que houve grande intensidade evangelística durante a era apostólica. Em Éfeso, teria compartilhado urna revelação de Deus com o amigo e apóstolo João, contribuindo para a elabo­ração de seu Evangelho. Esses relatos são, em suma, confirmados pelo martirológio da Igreja Ortodoxa Russa, que apresenta a seguinte proposta para as jornadas pós-bíblicas de André.
 
“Após o Pentecostes, André ensinou em Bizâncio, na Trácia, na Rússia, em Epiros e no Peloponeso. Em Amisos, converteu no templo os judeus locais, batizando-os e curando seus enfermos. Edificou ali uma Igreja e deixou-os em companhia de um sacerdote. Na Bitínia, pregou a palavra, curou os enfermos e expulsou as bestas-feras que os perturbavam. Suas orações destruíram os templos pagãos e aqueles que se opunham a sua palavra acabavam oprimidos e atormentados em seus corpos até que fossem por ele curados.
Em Sinope, orou pelo encarcerado apóstolo Matias, de quem fez cair as cadeias, abrindo-lhe as portas da cela. Certa multidão espancou André, quebrando-lhe os dentes, cortando seus dedos e deixando-o como morto num monte de estrume. Jesus, então, apareceu-lhe e o curou, exortando-o que mantivesse o bom ânimo. Quando as pessoas o viram, no dia se­guinte, ficaram sobremodo maravilhadas e creram. André fez também ressurgir dentre os mortos o único filho de uma mulher. Como profeta, predisse a grandeza de Kiev, como fortaleza da cristandade.”
 
Com efeito, a maior parte dos relatos sobre as missões de André engloba a Palestina, Ásia Menor, Macedônia, Grécia e as regiões próximas ao Cáucaso. Entretanto é para a cidade de Patras, na Grécia, que convergem as mais antigas narrativas referentes ao seu apostolado pós-bíblico. Ali, ao evangelizar e converter Maximila, esposa do Procônsul local, André teria sido martirizado numa cruz em forma de “X”, conforme o relato que veremos a seguir. Em virtude dessa tradição, a cruz em “X” passou a ser conhecida como Cruz de Santo André.
A obra apócrifa Atos e Martírio do Santo Apóstolo André, supostamente escrita pelos “bispos e diáconos das igrejas da Acaia” apresenta alguns tre­chos muito interessantes sobre a lendária entrevista do apóstolo com o procônsul daquela região, Egates, e seu posterior suplício por mãos desse governador romano.
O confronto entre o santo e o magistrado pagão teria se iniciado a partir do constrangimento que Egates impusera aos crentes daquela região, tentando fazê-los retornar à adoração idolátrica. Vejamos algumas passagens desse relato.
 
“Esta fé temos aprendido do abençoado André, apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, cuja paixão nós, tendo presenciado com nossos olhos, não hesitamos em testemunhar, mesmo que limitados em nossa capacidade.
Tendo o procônsul Egates vindo à cidade de Patras, começou a constran­ger aqueles que haviam crido em Cristo a adorarem os ídolos. A este, o bendito André, dispondo-se apressadamente, disse: ‘Exorto-te que, sen­do juiz dentre os homens, conheças Aquele que é teu Juiz, que está nos céus e que, uma vez o conhecendo, adore-o e, tendo-o adorado, faças voltar teus pensamentos daqueles que não são verdadeiros deuses.'”
 
Mesmo reconhecido pelo procônsul, André – segundo a lenda – não su­prime sua audaciosa reprimenda e acrescenta.
 
“Os imperadores romanos nunca conheceram a verdade. Quanto a esta, o Filho de Deus, que veio para salvar os homens, manifestamente ensi­nou que estes ídolos não apenas não são deuses, mas representam na verdade os mais desprezíveis demônios, hostis à raça humana. São eles que ensinam os filhos dos homens a desobedecerem a Deus, de forma que Este não Se volte para eles e não os ouça.”
 
Ameaçado por Egates de ser torturado e punido com crucificação por se negar terminantemente a sacrificar aos deuses, o apóstolo é detido enquan­to aguarda sua execução. Uma multidão oriunda das adjacências de Patras, ouvindo o que se sucedera com André, revolta-se contra a decisão do go­vernador e tenciona libertá-lo à força.
O evangelista, porém, tendo proposto em seu coração que aquele era o momento de testemunhar com o próprio sangue a fé em seu Mestre, adver­te-os dizendo.
 
“Não transformeis a paz de nosso Senhor Jesus Cristo em sedição e em levante diabólico. Porquanto, meu Senhor, quando foi traído, tudo supor­tou com paciência. Não murmurou nem alçou sua voz, tampouco ouviu-se nas ruas seu clamor. Portanto, vós, da mesma sorte, mantende-vos em silêncio e em paz, não impedindo meu martírio. Antes, preparai-vos tam­bém, de antemão, como atletas do Senhor que sois, para que possais vencer as ameaças, com uma alma que não teme o que possa fazer o homem (…). Pois, este perecimento não é para ser temido, mas sim aquele que é eterno.”
 
Após atravessar a noite no cárcere admoestando a multidão que o tenta­ra libertar, André é conduzido ao tribunal diante de Egates. Os primeiros raios do Sol ainda não haviam aquecido a manhã, quando as primeiras palavras do magistrado romano se dirigem ao apóstolo, na vã tentativa de dissuadi-lo da doutrina pela qual se dispusera a morrer.
 
“Considero que tu, refletindo ao longo da noite, voltaste teus pensamen­tos da tolice, tendo desistido da comissão de Cristo, para que permaneças entre nós, não lançando fora os prazeres da vida. Pelo que, seria grande estupidez enfrentar os sofrimentos da cruz por quaisquer que sejam os propósitos, entregando-se à mais humilhante de todas as punições.”
 
Sendo, pois, convidado pelo procônsul a retratar-se de sua fé e a estimular os demais a fazerem o mesmo, o santo decididamente replica.
 
“Ó filho da morte e palha preparada para o fogo eterno, ouvi-me a mim, o servo e apóstolo de Jesus Cristo. Até agora tenho contigo gentilmente conversado acerca da perfeição da fé, a fim de que tu, após ter sido exposto à verdade, pudesses te tornar perfeito como seu defensor e, assim, desprezar os ídolos vãos e adorar apenas a Deus, que está no céus. Entretanto, já que permaneces na mesma impudência e pensas que me assustas com tuas ameaças, traga sobre mim, pois, aquilo que julgas ser a maior de todas as torturas.”
 
Enfurecido por essa audácia sem precedentes, o procônsul ordena que André seja entregue nas mãos dos verdugos, a fim de ser castigado com grande severidade. Perturbado, entretanto, com a determinação do santo, Egates renova sua oferta de clemência ao já afligido apóstolo, se este abjurar sua fé publicamente. Como sua recusa se mostrasse definitiva, Egates de­termina a imediata crucificação do evangelista.
Conta-nos a lenda que uma multidão de cerca de vinte mil cristãos se­guia inconsolável o condenado em direção ao local da execução. Após André ser içado no madeiro, um certo Estratocles, discípulo seu, percebendo que os executores se afastaram, aproximou-se a fim de consolar seu mestre em seu sofrimento. Ao encontrá-lo sorrindo diante do summum suplicium -como era chamada a crucificação — o fiel lhe fala:
 
“Por que razão estás sorrindo, ó André, servo de Deus? Teu sorriso nos faz lamentar e chorar, porquanto nos encontramos privados de ti.”
 
Ao que André lhe responde:
 
“Não devo eu rir-me, meu filho Estratocles, diante do esgotamento das estratégias de Egates, através das quais pensava vingar-se de nós? Nada temos com ele, tampouco com seus planos. Ele não pode ouvir, pois se pudesse, teria aprendido, por experiência, que o homem que pertence a Jesus não pode ser punido.”
 
Como o sofrimento do apóstolo se prolongasse por mais de quatro dias, a população de Patras voltou-se enraivecida contra Egates e pressionou-o fortemente a libertar André. Temeroso de que uma negativa pudesse trans­formar a situação num levante de grande proporção, o procônsul decide, a contragosto, atender os rogos da multidão.
Ao aproximar-se de cruz sobre a qual André pendia agonizante e tendo atrás de si a multidão que bradava jubilosamente, Egates ouve surpreso a veemente recusa do santo em aceitar sua repentina e duvidosa demonstração de misericórdia.
Insistindo para que os presentes não o impedissem de glorificar a Deus com aquele suplício, André entrega seu espírito e parte para o Senhor, diante do olhar carregado da multidão que dele aprendera acerca do Evangelho.
Maximila, a nobre esposa de Egates, que também se tornara uma cristã por intermédio de André, ao saber que o santo havia partido para o Senhor, dirige-se apressadamente para o local da crucificação e, após auxiliar na retirada do corpo, ocupa-se de sua preparação, untando-o com custosas especiarias e ofere­cendo para o sepultamento um espaço em seu próprio jazigo.
Conta a lenda que Maximila, tendo decidido abandonar o procônsul, deixou-o sobremodo perturbado, de modo que este planejava enviar a César pesadas acusações contra sua esposa e os demais cristãos da cidade. Contudo, na calada da noite, enquanto elaborava os detalhes do documento, Egates, terrivelmente oprimido por demônios, lançou-se de grande altura, vindo a despedaçar-se em frente ao mercado público de Patras.
Conquanto outros relatos estabeleçam o martírio do apóstolo entre 68 e 69 A.D., esta lenda encerra a descrição da saga de André em Patras, datando de modo impreciso sua passagem ali:
 
“Essas coisas se passaram no dia anterior às calendas de dezembro, na província da Acaia, na cidade de Patras, onde seus maravilhosos feitos permanecem até o dias de hoje, para a glória e o louvor de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém.”
 
O escritor medieval Dorman Newman também confirma o ministério do apóstolo na Grécia (op. cit., p. 43-45).
 
“Santo André dirigiu-se à Cítia e a Bizâncio, onde fundou igrejas. Por fim, rumou a Patras, uma cidade da Acaia, onde encontrou o martírio. Aegas, procônsul da Acaia, após intensa discussão, ordenou a André que abandonas­se sua religião, sob pena de ser torturado até a morte. Ambos imploravam pela retratação alheia: Aegas, tentava persuadir Andréa não perder sua vida e este, por sua vez, buscava convencer o magistrado a não perder sua alma.
Após suportar valentemente severa punição, André foi atado – e não pre­gado – a uma cruz, a fim de que se prolongassem seus estertores. Ali, exortou os cristãos e orou, saudando aquela cruz como uma oportunidade de apresentar ao seu Mestre um honroso testemunho. André permane­ceu por dois dias sobre a cruz, admoestando a quantos dele se aproximas­sem. Embora alguns importunassem o procônsul a fim de reverter aquele trágico quadro, o apóstolo continuava suplicando ao seu Senhor que lhe permitisse selar o testemunho da Verdade com seu próprio sangue.”
 
Patras também aparece como ponto derradeiro de suas missões no livro The First-Called Apostle Andrew, do reverendo ortodoxo Hariton Pneumatikakis (citado em The Search for the Twelve Apostles, p. 84-85).
 
“A santa tradição afirma que o apóstolo André percorreu as regiões mais baixas do Cáucaso (presentemente, a Geórgia), vindo a anunciar a Palavra à raça dos citas, nas distantes regiões do Mar Cáspio. Dirigiu-se, então, a Bizâncio (atual Istambul), onde ordenou a Eustáquio como Bispo local.
André foi encarcerado e apedrejado, vindo a padecer muito por amor de Cristo. Em Sinope, sofreu a terrível ameaça de ser devorado vivo por canibais. Não obstante, continuou firme em sua tarefa apostólica de orde­nar bispos e espalhar o Evangelho do Salvador Jesus Cristo.
De Bizâncio dirigiu-se à Grécia, em sua principal jornada evangelística. Viajou pela Trácia e Macedônia até atingir o Golfo de Corinto, em Patras. Foi ali que André anunciou o Evangelho pela última vez.
Egates, o governador de Patras, irou-se sobremodo com a pregação de André, ordenando sua apresentação perante o tribunal local, numa atitude que visava erradicar dali a fé cristã. Como o apóstolo resistisse ao tribunal, Egates condenou-o a morte por crucificação. André permaneceu atado à cruz por espessas cordas durante três dias, sendo estas suas últimas palavras: Aceita-me ó Cristo Jesus, Aquele a quem vi, a quem amei e em quem subsisto; recebe em paz meu espírito em Teu Reino sempitemo’.”
 
E razoável que Patras, na Acaia, como um importante centro portuário, tenha realmente sido alvo da pregação de algum dos doze, conforme dizem as tradições gregas. Paulo, vindo de Rodes, aportou ali em sua viagem para a Fenícia (At 21.1-2). Não sabemos exatamente quanto tempo demorou-se em Patras, mas é pou­co provável – considerando-se seu raro ímpeto evangelizante – que tenha desperdiçado a oportunidade de anunciar Jesus naquele local, mesmo que por poucas horas. Cidades próximas como Corinto, Cencréia, Tessalônica e Beréia foram intensamente evangelizadas não apenas por Paulo, mas também por Ti­móteo, Silas e Apoio nos dias do procônsul Gálio (At 18.1-18; 19.21).
Localizada na parte oriental da baía de Patraikos, a pouco mais de duzentos quilômetros de Atenas, Patras já em tempos apostólicos, destacava-se como uma das mais importantes cidades da província romana da Acaia. Conheceu o apogeu econômico no segundo século de nossa era; porém, duzentos anos depois, sua decadência foi inevitável, com o rápido desenvolvimento de Constantinopla, antiga Bizâncio. Principal contato comercial da península grega com o oeste europeu, o porto de Patras movimentava anualmente considerá­veis quantidades de mercadorias que abasteciam toda a península do Peloponeso.
Se a tradição grega acerca do ministério de André em Patras estiver corre­ta, é possível que dali o Evangelho tenha se disseminado para o interior da própria Acaia e para outras regiões do mundo antigo, através de mercadores que se valiam daquele concorrido porto mediterrâneo.
Atualmente, Patras, uma das mais belas cidades gregas, ainda conserva vestígios da presença do apóstolo André através daquela que é considerada a mais imponente Igreja de toda a Grécia, a Catedral de Santo André. Dedicada à memória do apóstolo, a nova construção foi erigida ao lado da antiga Igreja de Santo André, levantada entre 1936 e 1943, na qual se diz estar o sítio onde André fora crucificado.
 
Teria André estabelecido a Igreja de Bizâncio?
Sem embargo, a tradição ortodoxa tenta estabelecer uma base de susten­tação para a origem apostólica da Igreja de Bizâncio, mais tarde transfor­mada em Constantinopla, a ornamentada capital do Império Romano do Oriente. O nome de André — assim como o de João — figura entre aqueles que supostamente deixaram a semente apostólica naquela pequena cidade trácia que se transformaria, dali a dois séculos, num dos mais importantes centros urbanos da Antigüidade, como nos conta W. Cureton em seu Ancient Syriac Documents (p.34).
“O célebre texto ‘O Ensino dos Apóstolos’ (Didascalia Apostolorum), com­posto entre o final do segundo século e o princípio do terceiro e preserva­do em tradução siríaca, atesta a apostolicidade da Igreja de Bizâncio do seguinte modo: Bizâncio e toda a terra da Trácia, incluindo as regiões até o grande rio, cuja desembocadura mantinha afastados os bárbaros, rece­beram o sacerdócio das mãos apostólicas de Lucas, que lá erigiu uma Igreja e exerceu o sacerdócio, assim como o ofício de governador e admi­nistrador.
Contudo, a apostolicidade lucana da Igreja de Bizâncio é descrita dentro do contexto mais abrangente das atividades dos apóstolos João e André. Éfeso, Tessalônica e toda a Ásia, assim como a terra dos coríntios e a circunvizinhança da Acaia receberam o sacerdócio apostólico das mãos de João, o Evangelista. Nicéia, Nicomédia e toda a terra da Bitínia e Gótia, incluindo as regiões adjacentes, receberam a destra apostólica do sacer­dócio pelas mãos de André, o irmão de Simão Cefas. (…)
Essa tradição foi revitalizada ao tempo do cisma de Acácio (484-519 A.D.), durante o qual o confronto entre os tronos da velha e da nova Roma conduziu a um debate sobre os direitos canônicos do trono de Constantinopla, sob a ótica da compreensão ocidental da apostolicidade dos tronos patriarcais. É tradicionalmente aceito que, durante a visita do papa João a Constantinopla (525 A.D.), foi proposto a ele, com a assistên­cia do historiador Procópio, a tradição atribuída a Doroteu de Tiro, refe­rente à ordenação de Eustáquio como bispo de Bizâncio pelo apóstolo André.
Essa tradição exerceu grande influência sobre a literatura relativa às ativi­dades apostólicas de André, influência esta que sobressai a qualquer dis­cussão, já que pode ser confirmada pela impressionante difusão do culto ao apóstolo a partir do princípio do sexto século, ao longo de todas as igrejas do ocidente e do oriente que experimentaram alguma real cone­xão com Constantinopla.(…)
A narrativa sobre a relação do trono de Constantinopla com João, o Evangelista foi desenvolvida ao longo das tradições ligadas ao apóstolo André. (…) Esta projeção oficial da apostolicidade joanina da Igreja de Constantinopla pressupõe uma tradição preexistente, evidenciada pela afirmação do patriarca ecumênico Inácio, durante o segundo Concilio de Constantinopla (681 A.D.). A assertiva de Inácio foi uma resposta aos delegados papais, os quais se declaravam representantes do trono apostó­lico naquele conselho (…): ‘Eu também ocupo o trono do apóstolo João e do protocletos André’.”
Mesmo que tenham servido, em sua maior parte, apenas para sustentar as pretensões de supremacia do patriarcado de Constantinopla, as lendas sobre a atuação direta ou indireta de André em Bizâncio devem ser consi­deradas com a devida atenção. Afinal, essa localidade do sétimo século a.C, embora nos dias de André nem de longe resplandecesse o fulgor da futura Constantinopla, se tornara um importante acesso à Europa pelo oriente, com seu importante porto no Bósforo, especialmente aos que procediam da Bitínia, do Ponto e da Ásia Menor e que se destinavam às províncias romanas da Trácia, Moésia, Macedônia e Ilíria. Essa condição geográfica, de tão estratégi­ca, não deve ter passado despercebida aos primeiros missionários cristãos. Ademais, Bizâncio estava mais próxima de Éfeso — a base das ações missionárias de João e, talvez, de André – do que outras cidades alcançadas no primeiro século como Tessalônica, Beréia, Corinto e Filipos.
A destruição que sofreu por seu levante armado contra o imperador Séti­mo Severo em 196 A.D., deixa claro que a Bizâncio do período imediata­mente pós-apostólico era uma cidade de importância ascendente dentro do Império Romano.
A tradição apostólica não apresenta variações muito drásticas ao retratar o ministério de André. Basicamente, crê-se que o apóstolo deixou a Palestina ainda cedo e se dirigiu ao oriente, especialmente às regiões ao redor do Mar Cáspio e Mar Negro, como a Partia e a Cítia. André pode ter se tornado, destarte, mais um dentre os doze a evangelizar as regiões próximas ao sul da Rússia e o oriente europeu. Por outro lado, em seu rumo para o oeste, há suspeitas de que se reuniu temporariamente à Igreja em Éfeso, junto ao gran­de apóstolo João, em cuja companhia, segundo algumas lendas, estabeleceu posteriormente o bispado de Bizâncio. Quanto ao martírio de André, batizado como Protocletos (gr. o primeiro a ser chamado) pela tradição, são muito * fortes as informações que apontam Patras, na Grécia, como local de sua exe­cução, e a crucificação em “X” como a forma em que se processou.
 
Os restos mortais
Julgando-se pelas tendências da narrativa tradicional, parece que as relíquias do apóstolo André permaneceram, de algum modo, ligadas ao eixo Patras-Istambul-Roma. O rev. Hariton Pneumatikakis (citado em The Search for the Twelve Apostles, p.85) acrescenta alguns importantes detalhes sobre o tema:
 
“Uma cristã de nome Maximila tirou da cruz o corpo de André e sepultou-o. Quando Constâncio, filho do imperador Constantino, tornou-se o im­perador, ordenou que se conduzisse o corpo de André até a Igreja dos Santos Apóstolos, em Bizâncio (Istambul), onde repousou sobre um altar. A cabeça de Santo André, no entanto, permaneceu em Patras.
Em 1460 A.D., a cabeça do apóstolo foi levada para a Itália e colocada na Igreja de São Pedro, para maior proteção, após o avanço turco sobre Bizâncio. Ali permaneceu até o ano de 1964, quando o Papa Paulo VI determinou seu retorno à Sé Episcopal de Patras. Três representantes do Papa acompanharam a cabeça, colocada sobre um relicário e conduzida pelo Cardeal Bea a partir da Basílica de São Pedro. Ao chegar ao destino, a peça foi retornada ao Arcebispo Metropolitano Constantino, que ainda hoje aguarda.”
 
Mary Sharp, em seu A Travellers Guide to Saints in Europe (p. 15) propõe í>Utro destino para a ossada do apóstolo.
 
“As relíquias de Santo André: A cabeça encontra-se na Igreja de São Pedro em Roma; outras peças em Sant/Andrea ai Quirinal, em Roma, e o restan­te em Amalfi. Os restos foram roubados de Constantinopla em 1210 e levados para a Catedral de Amalfi, próxima a Nápoles. Em 1462, o então Papa Pio II decidiu transferir a ossada craniana do apóstolo para a Catedral de São Pedro em Roma.”
 
Em seu livro SacredandLegendaryArt (p.238), Anna Jamerson traz à luz mais alguns fatos interessantes acerca do destino de parte dos restos mortais de André, durante a Idade Média:
 
“Ao tempo em que Constantinopla foi tomada, sendo as relíquias de San­to André por conseguinte dispersadas, foi verificado por toda a cristanda-de um grande e entusiástico interesse pela vida desse apóstolo. Previamente honrado pela Igreja como o irmão de São Pedro, o apóstolo André já havia desde o passado se tornado foco de grande admiração.
Filipe de Burgundy (1433 A.D.), pagando um alto custo, adquiriu para si parte das preciosas relíquias, que consistiam basicamente em alguns pe­daços de sua cruz. Este, ao fundar sua nova ordem de cavaleiros, estabe­leceu-a sob a proteção do apóstolo. Em seu preâmbulo, a ordem demonstrava o propósito de reavivar a honra e a memória dos argonautas. Assim, seus cavaleiros passaram a usar como insígnia a Cruz de Santo André.”
 
Dentre os restos mortais dos apóstolos, os de Santo André são reputados como dos mais genuínos, devido a relativa clareza histórica de seu percurso, desde os primórdios da Igreja até o presente, envolvendo as citadas cidades de Patras, Bizâncio, Roma e Amalfi.
Desde 1964 as relíquias de Santo André descansam no interior de uma antiga Igreja ortodoxa grega em Patras, na Grécia. A ossada foi devolvida por Roma dentro de um rico relicário de ouro trabalhado naquilo que se supõe ter sido a forma da face do apóstolo. Esse objeto, entretanto, foi roubado não muitos anos depois de sua chegada àquela cidade. O novo reli­cário, construído pelos próprios ortodoxos, por questões teológicas não co­pia formas humanas e, embora tenha sido trabalhado em prata e não em ouro, foi preciosamente adornado.
FONTE: Doze homens e uma missão / Aramis C. DeBarros. – Curitiba : Editora Luz e Vida, 1999.

Rei Davi, um bastardo?

Rei Davi era bastardo? Era filho de prostituta? Quem era sua mãe? Há muita especulação sobre a vida do Rei Davi. E tem muitas historias e estorias sobre ele. Coisas intrigantes, e como se não bastasse, outros estarem na bíblia com algumas faltas e erros, ele não seria diferente. Porem de todos os comentários, o que mais chama atenção não é o fato de ser assassino e adultero. Mas ter uma linhagem duvidosa, ou seja, bastardo. Veremos a seguir detalhes que pode dar o que falar. E ainda o motivo que Davi era para seu pai Jessé uma vergonha. Mas porque? Isto deixa diversas interpretações possíveis: 

  1. Que Naás era mulher, esposa de Jessé e mãe de todos os envolvidos (o nome podia ser dado a pessoas de ambos os sexos), mas isto não é muito provável, porque as mulheres eram incluídas numa genealogia apenas por motivos especiais, que aqui parecem faltar.
  2. Que Naás era outro nome de Jessé, conforme sugere A Septuaginta grega (edição lagardiana) tem “Jessé” em vez de Naás em 2 Samuel 17.25.
  3. Que Naás era o anterior marido da esposa de Jessé (uma sugestão mais provável) e que ela deu à luz para Naás duas filhas, Abigail e Zeruia, antes de se casar com Jessé e dar-lhe vários filhos.
  4. Abigail é chamada de “filha de Naás”, mas ela e sua irmã não são chamadas diretamente de filhas de Jessé, pai de Davi, embora sejam mencionadas como as “irmãs” dos filhos de Jessé, inclusive Davi. Isso nos mostra que era de outra linhagem.
Davi era descendente de Boaz e Rute, e tinha uma ascendência que remontava a Judá, por intermédio de Peres. (Rute 4.18-22; Mt 1.3-6) Este caçula dentre os oito filhos homens de Jessé também tinha duas irmãs ou meias-irmãs. (1Sm 16.10-11; 17.12; 1Cr 2.16).
Um dos irmãos de Davi evidentemente morreu sem ter filhos e foi assim omitido em registros genealógicos posteriores. (1Cr 2.13-16)
Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51.5-6
Não existe erro em interpretar que Davi se refere ao estado em que todo ser humano nasce, ou seja, no pecado original, mas seria um erro desconsiderar a informação literal que temos no mesmo versículo. Diferente do salmo 23, Davi está num momento crítico de sua vida, onde é confrontado pelo juízo de Deus por causa de seu duplo pecado no caso da mulher de Urias, é nesse momento que sua alma se angustia e, em arrependimento, ele clama a Deus. Ao dizer que foi formado em iniquidade e concebido em pecado por sua mãe, Davi não está poetizando, mas de fato, está declarando um fato de sua vida. Davi foi fruto do pecado de seu pai Jessé, e provavelmente era filho de uma moabita ou caananita e não da mãe de seus irmãos.  
Vamos às evidências.
APARÊNCIA – Se a Bíblia evidencia a aparência de alguém é porque tinha algo distinto do comum. No caso de Davi, ele era diferente de seus irmãos.
Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o SENHOR: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo. 1 Samuel 16.12
E, olhando o filisteu, e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço, ruivo, e de gentil aspecto (1 Samuel 17.42). É fato que os rapazes judeus são de aspectos viris, rústicos e não são ruivos.
EVIDÊNCIAS CULTURAIS – O trabalho sujo de uma família era responsabilidade do filho bastardo se houvesse e o mesmo não podia sentar-se à mesa com os filhos legítimos.
Davi recolhia os monturos (lixo caseiro, resto das refeições) em sua casa. Salmo 113.7
Davi apascentava os rebanhos de seu pai. 1 Samuel 17.20;28
Davi não se sentava à mesa junto com seus irmãos. 1 Samuel 16.10-11
Porque Davi disse: “em pecado me concebeu minha mãe”?
Afinal, descobre a verdade de seu nascimento: “Em pecado me concebeu a minha mãe” (Sl 51.5). Embora este texto tenha sido explicado na História como sendo uma sina humana ou seja, o “pecado original”, pelos pais da Igreja, em realidade não passa de uma conjectura, porque, na verdade, não existe pecado original.
Nenhum texto da Bíblia apóia tal doutrina católica, a qual os protestantes acabaram herdando daquela teologia – (veja o estudo Pecado original). Na verdade, Davi estava falando de sua situação pessoal, da sua afronta e da afronta de sua pequena família, que vivia em uma tenda campal separada da casa de Jessé.
Não se referia ao pecado de Adão, pelo qual toda a raça humana foi condenada à morte (Rm 5.14). Pois, se assim fosse, a relação íntima entre marido e mulher seria considerada impura e pecaminosa, quando, de fato, é um ato santo e, também, de santificação (1Co 7.14). Hoje, inclusive, alguns crêem e defendem veementemente que a relação conjugal é um grave pecado. Mas, o que nos chama a atenção é que, geralmente, os tais defensores têm tantos filhos quanto Jacó!
A origem de tudo. Lendo o texto de 2 Samuel 17.25:“E Absalão colocou Amasa (“fardo”) à frente de seu exército, no lugar de Joabe. E Amasa era filho de um homem chamado Itra (“abundância”), israelita, que se chegou a Abigail, filha de Naás (“serpente”), irmã de Zeruia, mãe de Joabe” (2 Sm 19.13; 20.9‐12). O destino de Amasa está sendo confirmado. Aqui, chegamos a conhecer quem era a mãe de Davi: Naás. Davi tinha duas irmãs: Abigail e Zeruia. Abigail foi mãe de Amasa e Joabe era filho de Zeruia, uma mulher de caráter forte, grande influenciadora de seus três filhos: Abisai, Joabe e Asael (1 Cr 2.16). Davi suportava os filhos de sua irmã Zeruia, pois eram um mal necessário. Embora fossem seus sobrinhos, Davi não os considerava parentes (2 Sm 19:22). Mas Davi amava o filho de sua irmã Abigail (2 Sm 19.13), e a ambos, mãe e filho, considerava de fato seus parentes sanguíneos: carne da mesma carne e osso dos seus ossos.
Sabemos, pelo texto acima que Naás era mãe de Davi, e Zeruia e Abigail suas irmãs por parte de mãe. Davi, com isso, era filho de Jessé com Naás. Esta era a razão pela qual Davi vivia isolado com a sua mãe em uma pequena tenda no campo, onde:
  1. Era considerado vil (Sl 69.19) e como pastor de umas poucas ovelhas, foi acusado indiretamente de fracassado por seu irmão mais velho (1 Sm 17.28).
  2. Seus irmãos o abandonaram no lodo (Sl 69.2).
  3. Foi deixado no deserto, desesperado (Sl 69.3).
  4. Foi odiado sem razão muitas vezes (Sl 69.4).
  5. Seus irmãos eram seus inimigos gratuitamente (Sl 69.4c).
  6. Vivia sob grande afronta e vergonha por causa da situação civil de sua mãe (Sl 69.19; Sl 51.5). Mas sua mãe era uma mulher forte e o ensinou a vencer os desafios da vida.
  7. Era considerado estrangeiro por seus irmãos (Sl 69.8).
  8. Passou fome (Sl 69.10).
  9. Era objeto de escárnio de seus irmãos (Sl 69.11). Um de seus irmãos era o principal autor desses escárnios; por isso o tal perdeu o seu lugar na lista dos filhos de Jessé e o seu nome foi borrado e Davi tomou o seu lugar, conforme a profecia dita a Rute, mas que se cumpriu em Davi (Sl 69.28; Rt 4.14,15): “…Melhor do que sete filhos”, era o oitavo filho de Jessé (1 Sm 16.6‐10; 1 Cr 2.15).
  10. Era motivo de fofocas (Sl 69.13) e tema das canções dos bêbados.
  11. Sabia qual era a sua grande afronta, por ser um filho ilegítimo (Sl 51.5; Sl 69.19).
  12. Era odiado pelos seus irmãos, que zombavam dele (Sl 69.21).
  13. Chamado de presunçoso, maldoso e bisbilhoteiro (1 Sm 17.28). Só é chamado bisbilhoteiro se você não for considerado da família e se você não vive dentro da mesma casa.
  14. Era acusado sem saber porquê (1 Sm 17.29).
 
Por que Davi era tão odiado? Davi nasceu como fruto de uma relação conjugal contratada, como aconteceu com Léia e Raquel (Gn 30.12‐16), Sara e Agar (Gn 16.2). Naás ficou grávida de Davi da mesma forma como Léia ficou de Issacar. A tradição judaica diz que Naás era uma das servas de Jessé, assim como Bila e outras eram servas de Jacó. O acontecimento causou tanta dor e agonia em todos, que Jessé acabou providenciando uma pequena tenda à parte no campo, onde, com alguns animais e poucas ovelhas, aquela pequena família viveu. Uma outra Léia levantou‐se, mas em Belém de Judá, Naás. Depois ou já eram nascidas, outras duas filhas: Zeruia e Abigail, as quais serão mães dos maiores generais da história de Israel: Amasa, Joabe, Abisai e Asael, todos sobrinhos de Davi (2 Sm 17.25).
A aparência de Davi, como a de sua mãe, revoltava os seus sete irmãos, que zombavam dele constantemente, fazendo‐lhe maldades das mais cruéis, desejando a sua morte. Sua vida foi cruel no meio de seus irmãos. Jessé o detinha ali, um pouco longe deles, mas era em vão. 
O que eu vejo numa pessoa que nasceu neste lar, e ainda teve que enfrentar urso e leão, para proteger o rebanho de seu pai, as malhadas. As escoria das ovelhas, porque não servia para sacrifício. Crescer e meios a tantos conflitos familiares e se possível passar na cara que era bastardo, porque o bastardo não tinha o direito de entrar na casa principal, comer e festejar juntos não podia. Então o enfrentar o urso e o leão, não vejo como uma bravura, mas alguém que desejava a morte, porque não faria diferença nenhuma na vida dele, viver ou morrer naquele momento. Até porque ninguém o viu fazer tal coisa para ser um ato de bravura.
Naquela tenda pastoril, criado pela sua mãe, ele aprendeu a tocar harpa, a arte da guerra, a acertar alvos com pedras, a arte da funda, e os segredos da noite no meio de seu pequeno rebanho, atração dos leões ferozes da região. Ruivo como a sua mãe, de belo parecer, sisudo em palavras, valente, cheio de ânimo, varão de guerra e, acima de tudo, o Senhor era com ele (1 Sm 16.18).Por todas estas coisas maravilhosas inspirava inveja de todos os seus irmãos. Ele jamais havia comido na mesa da casa de seu pai. Jamais havia assentado‐se no meio de seus irmãos. Era uma utopia pensar que um dia seria diferente.
“Preparas uma mesa perante mim, na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda”.
Samuel conversou a sós com Jessé, que consente em santificar os seus filhos. Jessé não rejeitou pagar os valores da santificação, como era comum (Lv 27.1‐12). Seus sete filhos foram santificados, menos Davi pois não tinha o status de filho. Ele não pode presenciar nenhum daqueles movimentos. Sacrifícios foram oferecidos, e a sua casa tornou‐se um tabernáculo. Ele daria tudo para ver tudo aquilo que foi negado aos seus olhos.
Samuel preparou o chifre com azeite genuíno, especial para ungir o novo rei. Jessé saiu pelos quartos falando forte com todos os sete filhos, um por um: “Arrumem‐se! Hoje é um dia especial”. Mas, lá no campo, Davi, alimentava as ovelhas e sussurrava aquela parte da canção, indagando o que seria: “Preparas uma mesa perante mim, na presença de meus…”. Sem que ninguém tivesse conhecimento da intenção divina nem do profeta, Samuel, depois de santificá‐los, os convida à festa que começa. Assim, Samuel inicia a cerimônia, chamando o primogênito de Jessé. Ele vem: alto, forte e de bela aparência. Samuel pensa ser aquele. Mas Deus o repreende e ordena‐lhe que veja mais fundo: no coração. Um por um, passaram todos os filhos: o belo, o forte, o corajoso, o intelectual, o zombador, o obediente, o desobediente, enfim, todos! Olhando ao coração, bem no interior do espírito, fato comum ao profeta, nenhum deles foi aprovado. Deus não escolheu nenhum deles.
Samuel percebeu logo que algo estava errado. Como profeta, sabia que a família estava dividida. Mas não entrou em detalhes e perguntou: “Há mais algum mancebo?” Não perguntou se havia filhos. Perguntou se havia mancebos, pois a sabedoria dizia que Davi não tinha status de filho (pelo menos legitimo não). Jessé não esperava aquela pergunta. Mas respondeu: “O menor, ele está cuidando das ovelhas”. Samuel pediu que o trouxessem, pois não se assentariam à mesa até que ele chegasse ali.
Perceberam? Que a mesa já estava pronta?  E ele não participa.
Não havia roupa especial para ele. Na sua concepção, ele jamais usaria uma roupa festiva. Então, vestido como um pastorzinho, o levaram. Mas, enquanto o profeta pensava, Deus o despertou: “Eis aí o rei. Unge‐o!”. O azeite cairá sobre a sua cabeça, e levará vinte e oito anos para chegar às orlas de seus vestidos (Sl 133).
A seguir, eles assentaram‐se à mesa. Davi não sabia como comportar‐se ali. seus irmãos o encaravam; ele baixava os olhos, mas por dentro dizia, cheio de gozo: “Preparas uma mesa perante mim, na presença de meus angustiadores; unges a minha cabeça com óleo, e o meu coração dispara!” (Sl 118.22).
A partir daqui, muitas situações adversas passaram sobre ele, mas a unção o ajudou a triunfar. Não somente triunfará sobre todas as dificuldades, como também registrará nos seus salmos, em suas preciosas orações, como confiar em Deus em meio a tamanhas circunstâncias adversas, a fim de consolar a todos aqueles que trilharem pelo mesmo caminho. Nos seus salmos, encontramos:
  1. a força que enfrenta corajosamente os seus adversários;
  2. que mesmo tendo nascido sob circunstâncias moralmente vergonhosas, pela nossa vossa vocação podemos valorizar a nossa própria dignidade, abstendo‐nos dos pecados de nossos pais;
  3. que podemos silenciosamente triunfar diante das mais graves dificuldades;
  4. que podemos lutar bravamente como guerreiros de Deus que têm sobre si uma missão nacional;
  5. que podemos confiar abertamente na justiça e na misericórdia daquele que nos chamou;
  6. que jamais sucumbiremos sob os desafios de nossa vida se tivermos memoriais e exemplos a seguir;
  7. que podemos ser consolados pelas palavras de alentos do Senhor;
  8. que, dependendo de nossa fé e de nossa convicção, poderemos avançar sem medo.
Baruch HaShem!

Jezabel, a profetisa de satanás

Alguns personagens da Bíblia se destacam por sua fé, outros por seus atos de heroísmo, outros por sua beleza e outros, ainda, pela feiura. É o caso da rainha Jezabel. A Bíblia não diz se Jezabel era bonita ou feia e sabe por quê? Porque tanto faz. A beleza interior é que torna a presença da pessoa agradável, assim como a feiura da alma contamina cabeça, tronco e membros. Existem pessoas que são belíssimas de casca, no exterior, porém em seu interior são feias de amargar e, por essa razão, não conseguimos ver a beleza externa. Além de ser uma constatação, esta verdade é bíblica, veja: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate.” (Provérbios 15.13). É por isso que Deus não se deixa influenciar pela aparência, Ele só vê do homem o coração.

Jezabel era feia de alma. Ela casou com o fraco rei Acabe e acabou por ser o elemento dominante da relação. Ninguém fala de Acabe como fala de Jezabel que virou sinônimo de crueldade. Vamos por partes. Jezabel era uma princesa fenícia, filha do rei dos Sidônios chamado Etbaal e para firmar uma aliança política com a Fenícia, Acabe casou com Jezabel.

Depois de casar com Acabe, Jezabel continuou adorando os deuses fenícios, principalmente Baal, mas ela não se limitou a adorar Baal e Azera (deusa da fertilidade), ela passou a perseguir o Deus de Israel. Isso mesmo, além de não respeitar o Deus da nação de seu marido, Jezabel matou muitos profetas do Senhor, ao mesmo tempo em que sustentava oitocentos e cinquenta profetas de Baal e Azera e com dinheiro público.

Ao invés de Acabe influenciar sua esposa, era Jezabel quem influenciava Acabe e governava de fato Israel, isso porque, Acabe era fraquinho de dá dó e Jezabel uma mulher forte, independente, determinada e que não se intimidava com nada, não se importava com os meios que teria de usar para conquistar seus objetivos. Isso lembra muita gente boa por aí.

A maior resistência enfrentada por Jezabel foi do profeta Elias, a quem ela perseguiu para matar, sem, contudo, obter êxito. Deus usava o profeta Elias para falar duramente contra Acabe e Jezabel. Elias desmoralizou Baal e matou seus quatrocentos e cinquenta profetas, por isso Jezabel odiava o homem de Deus.

No episódio da vinha de Nabote, quando Jezabel mandou matá-lo para presentear Acabe com sua vinha, já que o rei desejou fazer da vinha de Nabote uma horta, a ira do Senhor se acendeu fortemente contra Acabe e Jezabel e o profeta Elias foi até Acabe e profetizou dizendo: “Assim diz o Senhor: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote lamberão também o teu próprio sangue. Eis que trarei mal sobre ti, e arrancarei a tua posteridade, e arrancarei de Acabe a todo o homem, tanto o escravo como o livre em Israel. E também acerca de Jezabel falou o Senhor, dizendo: Os cães comerão a Jezabel junto ao antemuro de Jizreel.” (1 Reis 21.19, 21 e 23). A sentença do Senhor estava selada.

Deus resolveu exterminar Acabe, Jezabel e toda a sua casa, a maldade deles chegou ao Trono de Deus e o sangue dos profetas mortos por Jezabel clamava por justiça no altar. Deus é Justiça plena e nada escapa aos Seus olhos.

Pois bem. Três anos depois da profecia de Elias, Acabe foi gravemente ferido numa batalha contra o rei da Síria e foi levado num carro de volta a Israel e a tarde ele morreu. Quando seus servos foram lavar o carro, o sangue de Acabe foi lambido pelos cães, exatamente como predisse Elias.

O herdeiro natural do trono de Israel era Jorão, filho mais velho de Acabe, porém o Senhor mandou ungir rei a Jeú, filho de Ninsi, no lugar de Jorão e o novo rei recebeu de Deus a missão de ferir a casa de Acabe, para vingar o sangue de todos os profetas do Senhor da mão de Jezabel. Havia uma sentença do Senhor contra a casa de Acabe e, em especial, contra Jezabel.

Jeú marchou com seu exército para Jezreel, onde estava Jorão convalescendo das feridas da guerra contra os sírios. Quando Jorão soube que Jeú estava chegando à cidade mandou dois mensageiros propondo paz, como ambos não voltaram, Jorão mandou aparelhar seu carro e foi pessoalmente ao encontro de Jeú e perguntou a ele se ele vinha em paz, ao que respondeu Jeú a Jorão: “Que paz, enquanto as prostituições da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias são tantas?” (2 Reis 9:22b).

Jorão tentou fugir de Jeú, mas ele entesou seu arco e matou o filho de Acabe e mandou que seus servos lançassem seu corpo no campo de Nabote, conforme determinou o Senhor e Jeú foi a Jezreel, onde estava Jezabel, viúva de Acabe e quando ela soube que Jeú estava entrando na cidade, pintou os olhos, arrumou o cabelo e ficou olhando da janela do palácio.

Havia chegado a hora de o Senhor requerer das mãos de Jezabel todos os seus crimes e blasfêmias e Jeú mandou que dois homens jogassem Jezabel da janela. O sangue de Jezabel espirrou na parede do palácio e nos cavalos e Jeú a atropelou. Jezabel estava morta, mas inda faltava se cumprir a palavra dada através do profeta Elias, então Jeú mandou seus servos sepultarem Jezabel, mas eles só encontraram o crânio, os pés e as mãos de Jezabel, o resto já havia sido devorado pelos cães.

Quando Jeú soube do que aconteceu ao corpo de Jezabel, ele disse: “Cumpriu-se a palavra do Senhor anunciada por meio do seu servo Elias, o tesbita: Num terreno em Jezreel cães devorarão a carne de Jezabel, os seus restos mortais serão espalhados num terreno em Jezreel, como esterco no campo, de modo que ninguém será capaz de dizer: ‘Esta é Jezabel’ “. (2 Reis 9.36-37).

Não foi uma morte bacana a de Jezabel, mas foi o resultado de sua vida de crimes e blasfêmias. Nada ficará impune, ainda que nossos olhos humanos sejam incapazes de ver a sentença dos que lutam contra o Senhor e contra os Seus amados. Assim como Deus vingou a morte de Seus servos das mãos de Jezabel, Ele tomará vingança por nós, porque está escrito: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.” (Romanos 12.19).

A história de Jezabel nos ensina muitas lições por contraste, tudo o que foi e fez Jezabel não devemos ser e nem fazer. Jezabel foi vaidosa até na hora da morte, quando ela soube que Jeú estava chegando, ela tratou de pintar os olhos e arrumar os cabelos, mas se esqueceu do fundamental: sua alma.

Muitas pessoas são como Jezabel, vaidosas e fúteis e cuidam da aparência, mas descuidam do principal: a salvação da sua alma. Só tem um jeito de cuidar da alma e é reconhecendo Jesus como Salvador, todo o resto é consequência da beleza espiritual que somente essa decisão traz.

Lídia, uma empreendedora cristã

Lídia entra em cena no texto bíblico a partir de um encontro com o apóstolo Paulo. No começo de sua segunda viagem que Paulo encontrou-se com Lídia, na cidade de Filipos. Quem era Lídia? Lídia foi a primeira pessoa da comunidade de Filipos que aceitou a mensagem do evangelho anunciada por Paulo e que se batizou, aceitando a salvação dada por Jesus Cristo (Atos 16.12-15). A história de Lídia está registrada em Atos 16.11-15. 

Neste capítulo 16, Lucas registra três incidentes separados, mas relacionados. O primeiro é a conversão de Lídia (16:13-15). O segundo é o encontro com a escrava possessa por um espírito de adivinhação, de quem eventualmente Paulo expulsa o demônio (versos 16 ss.). O terceiro incidente é a conversão do carcereiro de Filipos e sua família. A conversão da casa de Lídia é a primeira e do carcereiro e sua família são as últimas conversões nesta passagem pela cidade, conforme o que nos é dito. Nós nos ocuparemos da primeira conversão e dos princípios e lições importantes que encontramos nesta história relatada por Lucas, tanto para as mulheres que leem este estudo, como para qualquer cristão.Para o teólogo Henry C. Thiessen[1], este conjunto de fatos demonstra a providência divina. Segundo ele, “providência é a atividade contínua de Deus que faz com que todos os eventos físicos, mentais e morais alcancem Seus propósitos”[1] em outras palavras, “as obras da providência de Deus são a sua mui santa, sábia e poderosa maneira de preservar e governar todas as suas criaturas e todas as suas ações, para a sua própria glória.”

As poucas informações que temos sobre Lídia estão registradas na Palavra de Deus. Lídia era uma comerciante. Ela era natural da cidade de Tiatira. Tiatira era um importante centro manufatureiro: tintura, confecções, cerâmica e trabalhos em bronze faziam parte da sua pauta de exportações. Lídia era uma vendedora de tecido e corantes em Filipos. Os tecidos tingidos, que Lídia vendia eram bastante caros, coisa fina, comprados apenas pela elite política e militar de Filipos. Por isso não é difícil imaginar que ela era um mulher bem relacionada na alta sociedade filipense. O Valor da Purpura era muito alto, somente a elite poderia adquirir tal tecido, isso revela que Lídia acessava a todos os níveis sociais da sociedade, desde a mais pobre a mais rica, incluindo pagãos e cristãos, ela sabia lidar com todos. Estudos antigos revelam que o o preço da púrpura poderia facilmente ultrapassar a casa dos 2.500 denários, o equivalente a 2.500 dias de trabalho. A Púrpura era um artigo de luxo, que somente a elite poderia adquirir.

No texto, ela coloca sua casa à disposição de Paulo, Silas, Lucas e outros que talvez estivessem com eles. Não era uma casa pequena. E para mantê-la, Lídia deveria contar com alguns empregados. Por isso é razoável concluir que Lídia provavelmente gozava de excelente situação financeira. Além disso, os tecidos de púrpura eram caríssimos e os lucros deveriam ser muito bons. Por séculos, a cor púrpura, era obtida através de algumas espécies de molusco nativos do Mar Mediterrâneo, o que causou extinção de algumas delas. Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, o púrpura, um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade era preparado com tintas de vários moluscos — incluindo Murex brandaris e Purpura haemostoma encontrados na costa do Mediterrâneo e do Atlântico e nas Ilhas Britânicas. A secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto que, quando quebrada ou partida pela mão, segrega um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos a secar ao sol que “revela” a tintura púrpura brilhante.

Lídia era uma mulher independente. Tinha seu próprio negócio e aparentemente não precisa prestar contas a ninguém. Ela convidou Paulo para hospedar-se em sua casa sem ter a necessidade de consultar qualquer outra pessoal. Não se sabe se Lídia era solteira ou mesmo uma viúva. E o que chamou atenção de Lucas, é que ele a identifica como uma mulher temente a Deus. Essa expressão não tinha o mesmo significado que tem hoje. Lídia não era judia nem cristã. Ela não era uma mulher com um profundo relacionamento com Deus. Na verdade a expressão “temente a Deus” servia para identificar aquelas pessoas que tinha simpatia pelo Judaísmo, mas que ainda não se haviam convertido àquela religião. Como simpatizante, Lídia deveria ter ouvido algo sobre o messias e escutado alguma coisa sobre as promessas do Deus criador de todas as coisas. 

O Encontro – Depois da longa viagem de Antioquia até Filipos, Paulo descansou. Ele tinha a informação de que algumas pessoas usavam a margem de um rio, fora da cidade, para orar e conversar sobre Deus. No Sábado, ele se dirigiu para lá e começou a apresentar o evangelho de Jesus às mulheres que estavam por perto. Uma daquelas mulheres era Lídia, a vendedora de púrpura.

A vida não é só trabalho. O que fazia a empresária do ramo de confecções, em pleno sábado, sentada na beira do rio junto com outras mulheres? Porque ela não estava conferindo a vendas da semana e verificando os pagamentos da semana seguinte? Porque ela não estava negociando melhores preços com os mercadores que chegaram de Tiatira? Porque ela estava em um chá beneficente promovido pela esposa de um militar romano, onde poderia conquistar outros clientes? Por um motivo simples. É saudável e necessário trabalhar, mas a vida não é só trabalho. Lídia parou os negócios para orar.

Há mulheres com grande capacidade de trabalho, talvez Lídia fosse assim, talvez você seja assim. Inúmeras atividades ao mesmo tempo: compra mercadorias, vende seus produtos e serviços, arruma a casa, orienta os funcionários, vai ao banco, conversa com os filhos, apóia o marido, vai ao supermercado, sorrir para o cliente, aconselha a amiga, negocia como fornecedor, dá um jeito no cabelo, escolhe a carne da semana, pechincha o preço, acerta um prazo. Você precisa parar!

A vida não é só trabalho! Era sábado e Lídia parou os negócios para orar e conversar sobre Deus. Quando é que você para? Ou você acha que não precisa? Ou você pensa que não dá? É muito bom realizar-se profissionalmente, dá muito prazer ser reconhecido por aquilo que se faz, mas a vida não é só trabalho.

É preciso parar pra tocar a família. Não é só alimentar vestir e dar conselho, mas abraçar beijar, ficar junto, sorrir junto. Quando é que você para pra estar em família?

É preciso parar pra ver a si mesma. Olhar-se no espelho, olhar pra dentro si, sentir suas dores e alegrias, enxergar para onde se está caminhando e quem realmente somos. Quando é que você pára pra ver a si mesma?

E mais que tudo é preciso parar pra ficar junto de Deus. Colocar uma trava na vida que nos permita contemplar o que há de mais importante: a presença do Deus eterno. Essa era a idéia do shabat, do descanso: Parar e contemplar a Deus em oração e reflexão. Você tem que parar, se não a jornada vai ficar cada vez mais difícil e cansativa. Quando é que você pára pra ficar junto de Deus?

Sensibilidade à Palavra de Deus – Outro aspecto importante da vida de Lídia é sua sensibilidade à Palavra de Deus. Ela achava bom ouvir sobre Deus. Quando Paulo se aproximou e começou a falar sobre o evangelho de Jesus, ela prontamente quis saber do que se tratava. Talvez ela já tinha ouvido falar sobre o Deus Iavé e sobre os feitos tremendos que o povo de Israel vivera no passado, mas Jesus ela não conhecia.

Então, seu coração, sensível às coisas eternas, foi aberto pelo Senhor para atender às coisas que Paulo dizia. A palavra grega usada por Lucas para descrever a atitude de Lida, traduzida como atender, tem o sentido de… Ocupar a mente em… Prestar atenção a… Ser cuidadoso sobre… Aplicar-se a… Aderir a… Depois de parar e orar, a comerciante de Tiatira agora está prestando atenção. Deus abriu seu coração, lhe fez sensível. Ela decidiu ocupar sua mente em compreender o evangelho de Jesus, optou por aplicar-se a tudo que Paulo lhe falava e por fim aderiu à mensagem salvadora de Jesus. Lídia descobriu que há algo maior e melhor do que tudo: conhecer ao Senhor Jesus e viver para Ele. Não é abandonar a vida, mas viver a vida para o louvor de Deus, do jeito que se alegra e que é o melhor para nós. 

Disposição e Decisão para Ajudar – Em seu negócio, Lídia era acostumada a tomar decisões, a solucionar problemas. Não é demais dizer ela gostava de fazer parte das soluções. Depois de ser batizada e conduzir sua família ao batismo, Lídia colocou sua casa à disposição para hospedar Paulo e os demais irmãos. Ela viu a necessidade e decidiu ser parte da solução. Há pessoas que simplesmente tentam encontrar culpados que não sejam elas mesmas. A Palavra, através de Lucas, nos informa que “Ela foi batizada com toda a família, e nos pediu que ficássemos como seus hóspedes. “Se os senhores concordam que sou fiel ao Senhor” disse ela, “venham ficar em minha casa”. E ela insistiu até que fomos. Lídia foi a primeira pessoa da comunidade de Filipos que aceitou a mensagem do evangelho anunciada por Paulo e que se batizou, aceitando a salvação dada por Jesus Cristo (Atos 16.12-15). Ela foi uma liderança importante na comunidade porque toda a casa de Lídia também se batiza. Quando há uma referência a toda a casa de uma personagem, há uma abrangência não apenas aos que moravam com ela, mas também aos que trabalhavam junto, ou seja, todo o seu círculo de relações. A casa de Lídia foi fundamental para o estabelecimento da comunidade cristã em Filipos. É o lugar que vai hospedar Paulo e seu companheiro e depois tornar-se a casa de encontro dos cristãos, nessa comunidade. É nela onde Paulo e Silas encontram os irmãos, que já estavam no caminho de vida cristã, depois que saem da prisão (Atos 16.40). Lídia antes de se batizar era do grupo dos chamados temente a Deus, ou seja, era piedosa, venerava o Senhor Deus, como o único e verdadeiro Deus, embora não fosse israelita

Conclusão – Lídia era uma comerciante bem sucedida em seus negócios. Ela havia prosperado financeiramente, era respeitada na sociedade, andava sempre bem vestida e tinha amigos influentes. Lídia descobriu que nada disso fazia realmente sentido sem que o vazio existência que ela levava no peito fosse preenchido. Quando ela ouviu Paulo falar sobre Jesus o filho de Deus. Aquele cujo amor por nós foi maior que amor por sua própria vida, Lídia entregou-se por inteira e tornou-se a primeira pessoa da Europa, que se tem registro, a aceitar a Salvação através de Cristo Jesus. Lídia gostava das cores, ela vendia tecidos coloridos, mas descobriu que em Jesus, as cores ganham vida e a vida passa a ter sentido.


[1] Henry C. Thiessen, Lectures in Systematic Theology, Eerdmans Publishing Company, 1949 edição, p. 177. (traduzido do Google)

Veja mais: Cartas às sete Igrejas

Epafras

Cristão, natural de Colossos, e fundador da igreja colossense (Cl 4.12 – e l.7). S. Paulo lhe chama “amado conservo…e fiel ministro de Cristo” (Cl 1.7), e honra-o com aquele título que em outro lugar reservou somente para si e Timóteo, isto é, o de “servo de Jesus Cristo” (Cl 4.12,13). Tinha ido a Roma com o fim de levar a Paulo notícias a respeito dos seus convertidos, sendo a epístola aos Colossenses a resposta “aos santos e fiéis irmãos em Cristo, que se encontram em Colossos” (Cl 1.2). Aparentemente estava ele preso junto com o Apóstolo Paulo, embora possa ser figurada a expressão “prisioneiro comigo, em Cristo Jesus” (Fm 23). O nome é uma forma abreviada de Epafrodito, mas o pastor colossense é distinto do mensageiro filipense.

O nome de Epafras aparece algumas vezes na Bíblia designando um fiel servo de Cristo que ministrava na igreja de Colossos. As poucas vezes que ele é mencionado refletem o fato de ser uma figura realmente especial, fornecendo um belo modelo para todo crente. Nesta pastoral, quero destacar alguns aspectos desse modelo, na expectativa de que os irmãos se sintam encorajados a reproduzir em seu convívio eclesiástico as mesmas práticas e virtudes demonstradas por Epafras.
Em primeiro lugar, Epafras foi um agente comunicador (Cl 1.7,8). Ele trabalhou não somente como um mestre na igreja de Colossos (Cl 1.7), mas também (não se assustem!) como um “fiscal” que relatou a Paulo as coisas boas e más que viu ali, tudo com o objetivo de ajudar o apóstolo a cuidar melhor do rebanho de Cristo.

De fato, Epafras visitou Paulo, que estava preso em Roma, e lhe falou acerca da fé e do amor dos colossenses, apresentando um relatório ao apóstolo que o deixou muito satisfeito e também deu ensejo a que ele estimulasse os crentes a continuar cultivando aquelas virtudes (Cl 1.7-9).

Além disso, de acordo com os comentaristas, foi certamente por meio de Epafras que Paulo soube da heresia que ameaçava as igrejas da região (o gnosticismo incipiente) e, então, pôde advertir os crentes quanto ao seu perigo. Isso foi muito importante porque o curso posterior do cristianismo mostra o quanto o rigor de Paulo influenciou os pastores antigos na rejeição dessa heresia. Na França, por exemplo, Irineu de Lião (século 2) lutou bravamente contra os mestres gnósticos, fornecendo muita “munição literária” para outros ministros do evangelho. No fim das contas, essa firme resistência cristã fez o gnosticismo praticamente desaparecer.

Quem foi Labão

Neto de Naor, irmão de Abraão. Era filho de Betuel, e irmão de Rebeca (Gn 24.15, 29; 28.5), e pai de Léia e de Raquel. (Gn 29.16) Labão residia na cidade de Harã, em Padã-Arã, uma área da Mesopotâmia. — Gn 24.10; 27.43; 28.6; 29.4, 5. Labão é chamado de “filho de Betuel, o sírio [literalmente: “o arameu”]”. É também mencionado como “Labão, o sírio”. (Gn 28.5; 25.20; 31.20, 24) Essa denominação é apropriada em vista do fato de que residia em Padã-Arã, que significa “Planície (Baixada) de Arã (Síria)”. Labão era um semita que morava numa região ocupada por pessoas que falavam aramaico, uma língua semítica.

O idoso Abraão enviou seu servo à região que acabamos de mencionar, a fim de procurar uma esposa para Isaque. (Gn 24.1-4, 10) Quando Labão ouviu o relato de Rebeca sobre seu encontro com o servo de Abraão, e viu os presentes que ela recebera, ele se dirigiu correndo a este servo, referindo-se a ele como alguém abençoado por Deus, e demonstrou-lhe hospitalidade. (Gn 24.28-32) Depois disso, Labão desempenhou papel destacado nas negociações do casamento de Rebeca, a aprovação para tal casamento provindo tanto dele como de seu pai, Betuel. — Gn 24.50-61.

Anos depois, para escapar da vingança de Esaú e para conseguir uma esposa, Jacó viajou para a casa de seu tio, Labão, em Harã. (Gn 27.41-28.5) Já nessa época Labão tinha duas filhas, Léia e Raquel (Gn 29.16), e possivelmente alguns filhos (Gn 31.1), Labão fez um acordo com Jacó de que, em troca de sete anos de serviço, ele daria a Jacó, como esposa, a sua filha mais moça, Raquel. Entretanto, Labão enganou Jacó na sua noite de núpcias, substituindo Raquel pela filha mais velha, Léia, repelindo os protestos de Jacó por apelar para o costume local, e então oferecendo Raquel a Jacó como esposa secundária, contanto que Jacó o servisse por outros sete anos. — Gn 29.13-28.

Quando Jacó, por fim, desejou partir, Labão instou com ele que permanecesse e continuasse servindo-o por um salário. (Gn 30.25-28) O acordo foi que Jacó ficasse com todos os ovídeos salpicados e malhados, com os ovídeos de coloração escura entre os carneiros novos, e com quaisquer cabras malhadas e salpicadas. (Gn 30.31-34) Mas as palavras posteriores de Jacó a Léia e Raquel, e também a Labão (Gn 31.4-9, 41), indicam que, nos anos que se seguiram, Labão com freqüência alterava este acordo original, quando percebia que os rebanhos de Jacó estavam aumentando muito. A atitude de Labão para com Jacó não era a mesma de antes, e, orientado por Deus, Jacó decidiu voltar à sua terra natal com sua família e seus rebanhos. — Gn 31.1-5, 13, 17, 18.

No terceiro dia depois da partida sigilosa de Jacó, Labão soube disto e foi no encalço de Jacó, alcançando-o na região montanhosa de Gileade. Contudo, um aviso da parte de Deus impediu que Labão prejudicasse Jacó. (Gn 31.19-24) Quando se encontraram, Labão e Jacó discutiram. Jacó apontou seus 20 anos de serviço fiel e de trabalho árduo, e mostrou como Labão lidara injustamente com ele, mudando dez vezes o seu salário. — Gn 31.36-42. Labão estava muito interessado em recuperar os terafins ou ídolos domésticos, que Raquel, sem que Jacó o soubesse, havia roubado. Labão não conseguiu encontrá-los, pois Raquel os manteve escondidos. Labão talvez tivesse sido influenciado em suas idéias religiosas pelo povo adorador da lua entre o qual vivia, e isto pode ser indicado pelo emprego que fazia de presságios e por possuir terafins. No entanto, deve-se observar que é provável que outras razões, mais do que as simplesmente religiosas, tenham deixado Labão tão ansioso de localizar e recuperar os terafins.

Tabuinhas descobertas em escavações feitas em Nuzi, perto de Quircuque, Iraque, revelam que, de acordo com as leis dos tempos patriarcais nessa região específica, a posse de tais ídolos domésticos por parte do marido de uma mulher lhe daria o direito de se dirigir a um tribunal e reivindicar o espólio de seu sogro falecido. Assim, Labão pode muito bem ter pensado que Jacó tivesse roubado os terafins com a intenção de, posteriormente, privar da herança os próprios filhos de Labão. Isto talvez explique por que, não conseguindo localizar os seus deuses domésticos, Labão se mostrou ansioso de celebrar um acordo com Jacó que garantisse que Jacó não retornaria, de posse dos deuses domésticos, após a morte de Labão, para privar da herança os seus filhos. — Gn 31.30-35, 41-52. Labão fez um pacto de paz familiar com Jacó, e, como marco memorável, ergueram uma coluna de pedra e um montão de pedras. Usando o hebraico, Jacó chamou o montão de Galeede, que significa “Montão de Testemunho”. Labão chamou-o de Jegar-Saaduta, usando uma expressão aramaica ou síria com o mesmo significado. (Gn 31.43-53) Tendo-se despedido de seus netos e de suas filhas, Labão voltou para casa, e o registro bíblico não mais o menciona. — Gn 31.54, 55.