Política

Por que a esquerda não celebra o natal?

Dannis Prager

por Dennis Prager – Desde os começos do século 18, os ideólogos da esquerda sempre se colocaram contra a celebração do natal. Muito embora os militantes de esquerda neguem ser contra o natal, na prática a esquerda tem trabalhado arduamente contra a celebração do Natal, embora seja tolerante com o comércio natalino. …

Mapa de Israel, conforme Gênesis 15.18

Será que os fatos que você conhece sobre Israel corresponde à realidade ou são fundamentados em mentiras? Aparentemente, grande parte dos internautas estão propensos a acreditar mais em fábulas do que na História. Um leitor escreveu: “Acho pura religiosidade o fato de alguém legitimar as arbitrariedades cometidas por Israel contra nações economicamente mais fracas com base em interpretações bíblicas…”. Veja a resposta correta.

Enunciado duplamente errado. Primeiro porque os inimigos de Israel estão longe de serem “nações economicamente mais fracas”. Comparem os dados do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e do CIA World Factbook e veja quem são os poderosos. Israel não é economicamente superior aos seus adversários. Muito pelo contrário, trata-se de um Estado que continua a repetir a façanha de um dos seus heróis, o Rei David, pois a luta de Israel contra seus adversários nos dias de hoje em tudo se assemelha ao famoso embate de David com Golias há três mil anos.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos inimigos de Israel somados, incluindo a faixa de Gaza e a Cisjordânia, deixam Israel no chinelo. São mais de 4 trilhões de dólares (4.315.460) contra 201,4 bilhões de dólares que é o PIB de Israel. Só o Irã apresenta um PIB de 841 bilhões de dólares.

Portanto, esqueçam essa lenda de que Israel é um gigante econômico a oprimir árabes esfomeados. Se eles vivem em miséria, tal fato se dá pela alta concentração de renda nas mãos de suas lideranças e a uma capacidade gerencial limitada, que se situa abaixo da inteligência que abunda entre os israelenses. Alguns, como o autor deste blog, atribuem isso a um dom nato e alta proteção, proporcionado pelo seu D’us, enquanto outros creditam à qualidade da sua disciplina escolar bem como a fatores genéticos incomuns. O fato é que, claramente, os negócios, as pesquisas e os empreendimentos geridos pelos judeus resultam em produtos finais de qualidade impressionante.

O poder de Israel, portanto, não está na força das suas armas ou no volume do seu PIB, mas sim na proteção do seu D’us, advinda, esta sim, das promessas e proteção bíblicas.

Erra também o leitor quando diz que “Israel legitima arbitrariedades com base em interpretações bíblicas”. Falso. Se Israel desse ouvido aos preceitos bíblicos não estaria hoje na encrenca em que está. Foi justamente pelo fato de afastar-se do seu Livro que os judeus encontram-se no estado que estão. A famosa frase “Sh’ma Yisrael” (“Ouve Israel!”) é tão pouco ouvida hoje entre os descendentes do escriba que a registrou.

Ou seja, se você é um daqueles que advoga a tese de que o Estado de Israel toma as atitudes que toma impulsionado por uma visão religiosa, esqueça este argumento. É falso.

Embora mantenha algumas práticas religiosas marcadamente influenciadas por episódios acontecidos ao longo da sua História, o Estado de Israel é um Estado laico. Algumas das suas práticas governamentais chegam até mesmo a deixar o lado religioso do país chocado. Um exemplo disso é a forma como Estado de Israel lida com as chamadas “liberdades individuais”, incluindo neste espectro as práticas do homossexualismo e do aborto. Enquanto as autoridades do Exército de Israel permitem o aborto entre seus soldados e deslocam forças de segurança para garantir a realização da Parada Gay, o Ministério do Turismo veicula propaganda estimulando o turismo homossexual em paraísos turísticos como Eilat. Nada mais anti-religioso, seja do ponto de vista da Lei (Torah) ou da Tradição (Talmud).

Se o Estado de Israel estivesse sob controle dos ortodoxos, estejam certos de o homossexualismo não seria nem mencionado em todo o Oriente Médio, uma vez que nos países árabes toda manifestação homossexual é repelida com prisões, castigos físicos e até mesmo a pena de morte.

Embora chocando seus religiosos, em nome da liberdade de expressão, Israel permite que seus cidadãos tomem a orientação que quiser. Portanto seria bom, de uma vez por todas, que os detratores de Israel deixassem de dizer que as ações judaicas são motivadas por ideologia religiosa. Isso acontece em diversas teocracias islâmicas ao redor do mundo e as mesmas pessoas que atacam Israel aliam-se à escória justamente financiada por estes Estados Islâmicos.

Outra visão distorcida que o mundo tem de Israel é a idéia de que todo judeu é sionista. Falso. O leitor diz “A política dos dois pesos é levianamente respaldada pelo fanatismo de massa gerada pela visão sionista”. Nem todo judeu é sionista. Basta observar textos e pronunciamentos de intelectuais judeus do porte de Noam Chomsky para perceber que existem diversos movimentos anti-sionistas entre os próprios judeus.

O leitor insinua ainda que o Governo de Israel tenha agido “no intuito de legitimar os crimes internacionais cometidos pelos israelenses contra todo e qualquer povo que não esteja de acordo com os seus interesses expansionistas, econômicos e terroristas”.

Quanto desconhecimento. Quando o moderno Estado de Israel nasceu, foi-lhe destinado um território que outrora tinha sido dele. A idéia que se tem é que os palestinos (sic) estavam lá, na sua terra, autônomos, independentes, há milhares de anos e, subitamente, chegaram os judeus e lhes tomaram tudo. Falso!

Após a Diáspora Judaica, no Ano 70 Depois de Cristo, os invasores romanos trocaram o nome da terra de Judea para Palæstina. À partir de então passaram a habitar ali dois povos irmãos, israelitas e ismaelitas, ambos descendentes de Abraão. E ambas sob servidão de impérios dominadores. Depois do Império Romano veio o Império Bizantino. Depois deste vieram os persas Sassânidas, os Árabes Muçulmanos e o Império Otomano. Mais recentemente, após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o território foi dominado por franceses e ingleses. Em nenhum momento os chamados palestinos foram donos daquelas terras.

Mapa Romano da Judéia 20 anos Antes de Cristo.

Mapa Romano de Pomponius Mela, com a tentativa pós-Diáspora de apagar o nome da Judéia. Perceba que nem neste mapa havia a expressão Palestina.

Quando a recém criada Organização das Nações Unidades proclamou a criação de dois Estados, um Judaico e um Palestino, estavam na verdade traindo as expectativas milenares dos judeus. Isso porque as terras que deveriam ser suas, de fato e de direito, foram divididas ao meio. E mesmo assim, eles aceitaram. Apenas os tais palestinos, insuflados por lideranças inimigas de Israel, recusaram.

Se há um povo infringindo o Direito Internacional, saiba que este povo não é o povo Judeu e sim os seus inimigos. E infringem não só o Moderno Direito Internacional como o Direito Ulterior, aquele respaldado pela História e pela Arqueologia.

Vista deste ângulo, não há nada, absolutamente nada de “expansionista” na política israelense. Muito pelo contrário, sua política de “trocar paz por terra” é reducionista.

Se Israel fosse reivindicar nos tribunais internacionais toda a terra que lhe é de direito, aí sim teríamos um caos internacional. Isso porque as terras de Israel vão do Rio do Egito, um pequeno rio localizado à oeste do Nilo, até o Grande Rio Eufrates.

A base deste registro, a Torah, é um documento arqueológico aceito como documento histórico por qualquer estudioso do mundo. Trata-se da mais antiga das escrituras delimitadora de terras. E o que ela diz é o seguinte:

“Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: ‘a tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o perizeu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu’.” (Bereshit = Gênesis 15.18-21).

Este é o verdadeiro Território de Israel. Longe de ser expansionista, o Governo de Israel é reducionista. Se apelasse para os registros históricos, Israel teria parte do Egito, o norte da Arábia Saudita, toda a Jordânia, o sul do Líbano e da Síria e parte do Iraque. Onde está o propalado expansionismo judaico?

Os documentos que delimitam o território brasileiro, por exemplo, são muito mais recentes e não há dúvidas da sua legitimidade. Alguns descendentes dos povos originais desta terra como os Tupis, os Guaranis e os Tapebas ainda são vivos e não se cogita devolver-lhes o Brasil. Não há registro de resquícios dos povos citados no texto citado do Bereshit (Gênesis), a não ser um, Israel.

Imagine então, caros leitores, se o Estado de Israel resolvesse pleitear na ONU o território que consta num dos mais antigos documentos e que pode ser observado no mapa abaixo?

Por isso, da próxima vez que você ouvir que Israel é isso ou aquilo, procure checar a História para ver se os comentários procedem. Digo-lhes que na maioria absoluta das vezes Israel é mais vítima do que vilão.


 Fonte: https://noticiasdesiao.wordpress.com/2010/11/18/mapas-de-israel/

Há “malas” que veem para bem

Em meio à turbulência política pela qual passa o nosso país, com o escândalo do mensalão, uma palavra do Senhor se cumpre rigorosamente em toda a parte da terra, em todos povos, raças e culturas: Jesus, explicou um dia a seus discípulos um princípio elementar da vida: Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido.” Lucas 12:2 Almeida-RA.

Temos assistidos pela televisão a enorme podridrão do nosso sistema político e vimos que os erros cometidos pelas pessoas envolvidas, todas, sem exceção, baseia-se na segurança que ninguém irá nunca descobrir o que está sendo feito. No entanto, uma vez descoberto, revelados os segredos, tramóias e roubos, a indignação toma conta de todos como se isso fosse uma grande novidade. Mais uma vez, a situação tende a levar a um total descrédito da gestão pública. Alguns ficam estarrecidos, outros, já sabiam, acham “normal”; outros, ainda,  ficam totalmente indignados. Mas sem sombra de dúvidas, é preciso ver o dedo de Deus nesta história toda. Os escândalos, ao serem revelados, ao mostrarem a podridão da corrupção humana, revelam também as faces reais dos que até aparentam ser de bem, aparentam ser aquilo que não são.

Assistimos, perplexos, há poucos dias a apreensão pela Polícia Federal, de um conjunto de sete malas de dinheiro junto com um deputado-bispo. Até ai, nada demais, pois em princípio não há nada errado em carregar dinheiro. No entanto, vejamos quais os reais valores de Deus para este fato “normal” na maioria das igrejas atuais: Em 2 Reis, 5.1-17, lemos a história de Naamã, general do exército sírio, um homem valente e poderoso, porém leproso. Ao saber que existia uma possibilidade de cura, buscou alcançar esta cura através da autorização do Rei. Juntou alguns presentes para levar ao homem de Deus, em Samaria.

Teve Naamã duas surpresas: a primeira, é que o homem de Deus nem o atendeu pessoalmente, e antes que chegasse à casa do profeta, este mandou um mensageiro com um ordem estranha. O profeta sequer recebeu o ilustre visitante, fez oração ou imposição de mãos; simplesmente mandou dizer-lhe o que Deus tinha dito para dizer. Isso demonstra que Deus embora use seus servos, estes não são mais importantes que a presença D´Ele mesmo; isso trouxe decepção ao importante homem, pois esperava que o profeta dissesse umas palavras, impusesse as mãos, fizesse alguma “mágica” ou prática de curandeiro. Que diferença vemos hoje, quando muitos “tentam” aparecer mais do que Deus, quando muitos “homens de Deus” dizem coisas que Deus não disse, buscando impressionar as pessoas.

A segunda surpresa, é que após ter recebido a cura, o abençoado Naamã voltou ao profeta com coração agradecido a Deus e fez um voto de prestar adoração somente ao Deus de Israel, e dispôs dos presentes que tinha separado, para dar ao homem de Deus. Em valores de hoje, estes presentes representam aproximadamente, uma pequena fortuna: (70 kg ouro a R$ 32,500/grama = R$ 2.275.000,00 // PRATA 350 Kg a R$ 28,56/grama = R$ 9.996.000,00 // 10 vestidos finos a R$ 150,00 cada = R$ 1.500,00  TOTALIZANDO R$ 12.272.500,00 (Doze milhões, duzentos e setenta e dois mil e quinhentos reais) – (sete malas de dinheiro). A Bíblia na Linguagem de Hoje, trás os pesos na medida atual. O verdadeiro homem de Deus recusou!

Que diferença entre o Homem de Deus, Eliseu, e os muitos “homens de deus” de hoje. Que diferença entre Eliseu e Geazi. A que ponto chegamos, mercadejadores da bênção de Deus, em seu nome, “fazendo milagres”, buscando ser recompensados com um pouco de dinheiro. Deus permitiu que esta situação estivesse registrada como um ensinamento para os nossos dias. A bênção de Deus não tem preço, é de valor incalculável, impagável. Ao mesmo tempo, esta bênção é de valor absolutamente gratuito, pois de outra forma, somente aqueles que tivessem dinheiro (méritos) poderiam alcançar os milagres na sua vida.

Infelizmente, situações como a que ocorreram recentemente, como o “Geazi” Deputado-Bispo, colocam todos os homens de Deus numa só situação. Mas nós não desistimos, não nos curvamos ao poder do dinheiro. Louvo a Deus pelas nossas igrejas, nossos pastores e líderes que têm tido a visão da obediência ao Senhor e à Unção que o Espírito Santo tem derramado e, em meio às correntes e tendências, temos nos mantido à margem desta lamaceira toda. Se o Senhor quiser, não tem problema em sermos uma igreja “pobre” financeiramente, mas jamais quero ser acusado ou ver um pastor amigo ser acusado de mercadejar a bênção do Senhor. Essa é a nossa diferença. E não é fácil manter-se. Às vezes alguns membros querem nos fazer entrar na corrida da prosperidade financeira, dão-nos até versículos bíblicos para justificar campanhas financeiras. Mas fico com o HOMEM DE DEUS, ELISEU. Deus conhece as minhas necessidades, as necessidades das nossas igrejas, os nossos desafios. Se preciso, Ele manda de onde tiver para nos abençoar, ou cria do nada; mas, mais do que nunca, reforça em mim o sentimento de dever cumprido diante do Senhor e das pessoas. Não, não há do que se envergonhar! Devemos mostrar às pessoas este diferença. A prosperidade e as bênçãos do Senhor em nossas vidas são sempre conseqüência da nossa OBEDIÊNCIA a Ele e da nossa real adoração.

Elton Batista de Melo, economista, pós-graduado em economia empresarial, é consultor empresarial, já atuou em treinamento e consultoria de vendas e atendimento ao cliente junto à Secretaria do Trabalho do Paraná, SESC, SENAC e SEBRAE e Universidades. Foi consultor de várias empresas do setor varejista. Formado em Teologia pela FTSA – Faculdade Teológica Sul Americana, foi Missionário da CIBIPAR em Pato Branco – PR.

Desafios para o cristão na política

Estamos em época de eleições, rescaldados pelo processo político atual da dupla Dilma/Temer, pelos escândalos diários que vem à luz e, principalmente, pelos desdobramentos políticos da Operação Lavajato. É, portanto, tempo de uma reflexão sobre o cristão e a política. O intuito desta lição é lançar luz sobre a questão apontando parâmetros para uma reflexão política e teológica à luz da Bíblia. Pensando na política no seu sentido mais abrangente, precisamos compreender quais os princípios do Reino de Deus se aplicam à nossa prática na sociedade (em todas as áreas), visando aprimorar nossa consciência cristã no âmbito do governo, e o papel do cristão em sociedade, sua vocação e missão no mundo.
Neste sentido, a Bíblia há de nos conduzir a uma reflexão política coerente com a cosmovisão cristã. Há posições e posturas teológicas contrárias, bem como a favor da participação ativa do cristão na política. No entanto, o debate desta lição não foca as posições teológicas e sim o papel do cristão, devendo este ser necessariamente sal e luz. Leiamos os textos bíblicos:

 

1. Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; 2. pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. (1 Timóteo 2.1,2)

13 Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; 15 nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso pai, que [está] nos céus. (Mateus 5.13-16)

O QUE É O MUNDO POLÍTICO

A política partidária em nosso país é vista como interesseira, suja e corrupta pela maioria dos brasileiros. E, na visão de muita gente, é como um mal necessário. Para outros, além de todo este aspecto negativo, o assunto é chato, complicado, irrelevante e “não temos poder” de mudar o curso das coisas. Junte-se a isto o jargão “política não é coisa de crente” e muitos se fecham para a reflexão sobre este assunto. Evoca-se o conceito da separação entre Igreja e Estado (princípio enfatizados pelos batistas em geral) para nos dar razão para o afastamento de tudo o que se chama política.

Ainda assim, no começo do século XX, o protestantismo brasileiro começou com cristãos engajados, impulsionados por uma visão positiva do Estado e da influência cristã nele e por meio dele. A crença na dupla cidadania do crente – terrena e celestial – e de sua responsabilidade para com o mundo, aprendida com os missionários estrangeiros, também demonstra as raízes desta consiên- cia de engajamento. Este grupo era representado pelos presbiterianos e congregacionais. Por outro lado, os pentecostais defendiam um afastamento mais absoluto da esfera política, pois a sua base teológica era a visão pré-milenista e negativa do futuro, daí a razão para não se envolver na política, pois o “mundo deveria piorar”.

Por outro lado, os evangélicos, que passam de 42 milhões (22% da população), precisam atentar para o seu papel em meio à ação política. Essa “massa” precisa fazer a diferença ética e social neste país. Certamente a presença de cristãos verdadeiros numa nação resultará (deve resultar) em trans- formação de contextos e produção de cultura por meio de boas políticas nas relações com todos os agentes políticos e sociais. O mundo político é o espaço onde políticas públicas, debates de interesse social ou de modelo de desenvol- vimento estão acontecendo. Ficar à margem desse espaço, é abrir mão da condição de ser sal e luz.

Aplicação
Porque temos dificuldade de participar de espaços políticos na sociedade? (reuniões de condomínios, sindicatos, partidos ou governo)

CHAMADOS A EXERCER INFLUÊNCIA

Embora haja desvios e erros da ação política por parte dos cristãos, não se pode deixar de reconhecer os exemplos positivos da influência cristã na política, que trouxeram progresso nas relações humanas, no valor do indivíduo, no conceito de liberdade, na abolição da escravatura, na dignidade da mulher, na legislação e execução da justiça e na construção social como um todo. conforme Wayne Grudem, “… a influência cristã levou à extinção males como o aborto, o infanticídio, as lutas entre gladiadores, os sacrifícios humanos, a poligamia, a prática de queimar vivas mulheres viúvas e a escravidão, bem como essa influência levou à concessão de direitos de propriedade, direitos de voto e outras salvaguardas para as mulheres.”

Os reformadores e cristãos, dos séculos 16 em diante, deixaram a todos nós valores referenciais na ética, e leis baseados em princípios bíblicos. Nos Estados Unidos, a boa influência cristã está registrada nos dizeres da constituição, e ainda há leis humanitárias e que visam à promocão da cidadania. Deus se importa com aquele que sofre debaixo da tirania e do peso do poder político. Aliás, a ação de Deus em favor das pessoas, através de leis e sua justiça, são manifestos desde a criação do mundo.

Deus dá a Noé uma orientação sobre o valor da vida humana e o devido castigo para o crime de homicídio (Gn 9.5,6). Ao longo das páginas da Bíblia percebemos como Deus trata com a injustiça social e a necessidade de socorro aos pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros. O Senhor levantou homens e mulheres em posição de autoridade, como Daniel, Neemias e Ester, pessoas que mantiveram a integridade e expressaram fé em Deus, mesmo em meio a uma geração má e corrupta.

Jesus nos deixa um ensino fundamental para lidarmos com o poder humano instituído, dizendo: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Ou seja, devemos ser cidadãos do Reino dos Céus, mas também, concomitantemente e em coerência com a cidadania celestial, exercer a cidadania terrena.

Aplicação
Como o cristão pode exercer a cidadania no ambiente político, sem se corromper?

DEVEMOS VOTAR E FISCALIZAR

O cristão deve servir como um norteador moral na sociedade. Embora o nosso cenário político seja mais negativo e de descrédito, o cristão precisa aprender a votar e fiscalizar os que os governantes e políticos fazem. É preciso deixar a famosa “troca de favores” de lado. A índole do brasileiro de “dar um jeitinho” ou “levar vantagem em tudo”, deve ser questionada e combatida. E isso não se faz com discursos, mas com ação prática.

Em primeiro lugar, devemos orar pelo nosso Brasil, clamando por governantes justos e levantados segundo a vontade de Deus. (1 Tm 2.1-4; 2 Cr 7.14). Cremos que nossos governantes, mesmo os mais corruptos e malandros, servem ao plano de Deus e, de alguma forma, contribuem para o nosso bem (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.13).

A democracia é feita com a participação popular, e há espaço para a discordância. E não há qualquer traço de rebeldia ao se discordar de um governante ou político eleitos; mas, para isso, é necessários entender onde e como se manifestar, a partir de processos legítimos da própria democracia, de modo pacífico e respeitoso, como convém a cristãos.
Em segundo lugar, os políticos devem buscar a justiça e o bem comum, levando em conta a dignidade, igualdade e liberdade humanas. Eles prestarão contas a Deus (Lc 16.2; Rm 14.12; Hb 13.17). Isso vale igualmente para pastores e líderes cristãos. Um estado laico não significa estado ateu ou sem influência religiosa e cabe aos cristão a defesa do direto de culto e manifestação da fé. Nós batistas, pregamos a “separação entre Igreja e Estado” pois cremos que a Igreja não deve nem ser mantida pelo Estado, nem o Estado interfirir nos assuntos da vida cristã.
Em terceiro lugar, somos chamados por Cristo a ser sal e luz no mundo, influenciando com boas obras todas as esferas da sociedade, o que inclui o governo e a política (Mt 5.16). Mas não podemos confundir o Reino de Deus com a política estabelecida pelos homens no mundo. Os avanços sociais e econômicos, bem como a renovação política, podem melhorar a vida de muita gente, trazer melhores condições de vida para todos, mas continuarão incapa- zes de mudar a fonte dos maus desígnios (o coração do homem), o que só Deus pode fazer mediante o Evangelho e a ação do Espírito Santo. Portanto, nào é política em si que transformará o mundo, mas o Senhor que nos faz semelhantes a Cristo. (1 Sm 16.7; Mc 7.21-13; Rm 8.28; 2 Co 3.18).

Em quarto lugar, o cristão precisa compreender que o princípio da obediência aos governos, e também às regras sociais, estão sujeitas à nossa obediência à Palavra, mesmo que isso nos custe algo. Mais importa obedecer a Deus, que aos homens (At 4.19,20).

Aplicação
Cite um conceito popular ou uma lei que o cristão não deve obedecer

Conclusão

O papel do cristão não é apenas orar, mas também compreender os mecanismos da vida política e social, tendo por base o que a Palavra de Deus nos instrui a respeito. É preciso que na nossa geração se levantem homens e mulheres vocacionados para esta área da cidadania (Tt 2.10). Não dá para ficar no discurso da negação (nada presta), ou para fazer a apologia do uso da estrutura do Estado (político despachante de igreja). É tempo de por em prática os princípios do Reino de Deus e, desse modo, contribuir para o exercício da cidadania (Tt 2.10). É tempo de participar dos debates e assuntos da sociedade, para defender a justiça, a paz, o direito e as boas causas enquanto Cristo não vem. (Francis Schaeffer)

Referencial bibliográfico
Cavalcanti. Robinson. Igreja: Agência de Transformação Histórica. Editora Sepal, São Paulo, 1987
Grudem, Wayne. Política segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2014
Schaeffer, Francis. Morte da Razão, Editora Fiel/ABU, São Paulo, 1974

Definição de termos teológicos

Estado laico significa um país ou nação com uma posição neutra no campo religioso. Também conhecido como Estado secular, o Estado laico tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, não apoiando ou discriminando nenhuma religião.


Texto reproduzido a partir dos artigos O cristão e a política e Critérios para escolher bem seu vereador, escritos pelo pastor Elton Melo em 2008. Este texto foi publicado na RED Revista de Estudos Bíblicos da Editora Batista Independente, do III trimestre de 2016, lição nº 6 sugerida para o dia 07/08/2016.

Critérios para escolher bem seu vereador

“Não reinarei sobre vocês”, respondeu-lhes Gideão, “nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês. ” Juízes 8.23 – Estamos há pouco mais de um mês das eleições municipais. É hora de escolhermos o vereador e o prefeito da nossa cidade. Cargos bastantes próximos dos nossos problemas e, consequentemente, importantes para a nossa cidadania. Nos últimos 20 anos, o crescimento dos evangélicos coincidiu com uma maior conscientização das possibilidades da liberdade, do poder dos grupos e da democracia. Assim, de comportado e submisso “curral eleitoral”, os evangélicos hoje tem o seu voto bem disputados.

Hoje ouvimos algumas palavras de ordem: “Irmão vota em irmão”; “O Brasil é do Senhor Jesus”;”Não troque seu voto por tijolo para a sua igreja”; “Vamos invadir o arraial do inimigo”; “Vamos ganhar nossas cidades para Cristo”, etc. Toda sorte de argumentação dita bíblica se espalhou para alicerçar posições a favor ou contra candidatos, partidos e ideologias. Diante desse quadro, o que podemos esperar de um candidato cristão e, ainda, qual a importância do meu voto? Vamos ler uma história registrada na Bíblia em Juízes 8.22-27

22 Os israelitas disseram a Gideão, “Reine sobre nós! você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã”.
23 “Não reinarei sobre vocês”, respondeu-lhes Gideão, “nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês. “
24 E prosseguiu: “Só lhes faço um pedido: que cada um de vocês me dê um brinco da sua parte dos despojos”. ( Os ismaelitas costumavam usar brincos de ouro. )
25 Eles responderam: “De boa vontade os daremos a você! ” Então estenderam uma capa, e cada homem jogou sobre ela um brinco tirado de seus despojos. 26 O peso dos brincos de ouro chegou a vinte quilos e meio, sem contar os enfeites, os pendentes e as roupas de púrpura que os reis de Midiã usavam e os colares que estavam no pescoço de seus camelos.
27 Gideão usou o ouro para fazer um manto sacerdotal, que ele colocou em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração; e veio a ser uma armadilha para Gideão e sua família.

O que podemos aprender com esta história?

Tópico I – CUIDADO COM OS QUE TEM SEDE DE PODER

Gideão foi juiz de Israel por um período de mais ou menos 50 anos. Foi reconhecido como um homem de fé (Hb 11.32), mas ele também é lembrado por se um líder que cedeu às pressões da idolatria. Ele manchou o final de sua vida com uma escolha que veio a “ser um laço… e à sua casa” (Jz 8.27). Embora Gideão tenha resistido à tentação de aceitar a criação de uma dinastia real (8.22-23), fez para si uma estola sacerdotal buscando a usurpação de um poder maior que é o de ser o intermediário divino, o sacerdote, entre Deus e o seu povo.

Como o homem sempre colhe o que planta, seu filho, Abimeleque, logo após a morte de Gideão, assassina sessenta e nove dos seus setenta irmãos – sobrou Jotão, que fora escondido. A ânsia de poder provocou essa dissidência e Abimeleque proclama a cidade de Siquém – de onde sua mãe era originária – como um estado independente, chegando a dominar sobre todo o Israel durante três anos.

Jotão, compreendendo que a idolatria de seu pai agora se manifestava na rebeldia de Abimeleque, proclama a verdade aos moradores de Siquém: eles deveriam refletir sobre a escolha que estavam prestes a fazer, seguindo a Abimeleque.

Jotão adverte-os: “Ouvi-me… e Deus vos ouvirá” (9.7). Os homens de Siquém estava prontos a seguir Abimeleque, mas não compreendiam o caráter profético da condenação que pairava sobre eles. Anos antes, Gideão havia recomendado a todo Israel: “Não dominarei sobre vós, nem tão pouco meu filho dominará sobre vós; o Senhor vos dominará” (8.23).

A forma dos líderes (de dentro e de fora) se relacionarem com o povo de Deus precisa estar focado no fato que a vontade do Senhor, precisa ser levada em conta. Assim que toda dominação sobre o povo de Deus não pode ser derivada de palavra humana. Antes, qualquer decisão precisa resultar de uma convocação profética para a igreja, destinada a ser sal e luz do mundo. Para isso o povo de Deus precisa escolher.

Aplicação
Voce se lembra em qual candidato a vereador votou na eleição de 2012? Qual foi o critério para dar o seu voto?

Tópico II – O PERIGO DA OMISSÃO

Os homens de Siquém compreendiam o significado dos elementos da paisagem rural da época e assim Jotão propõe-lhes uma parábola, onde as árvores deveriam escolher alguém para reinar sobre elas. Ele nos apresenta tr6es tipos de desculpas que damos para não nos envolvermos nos problemas políticos.

Oliveira – a primeira indicada, respondeu: “Deixaria eu o meu óleo, que Deus e o homem em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?” (9.9). A recusa da oliveira é a representação de uma posição típica do povo de Deus em todas as épocas: “Nós, os pastores, o povo de Deus, a Igreja, não devemos nos envolver nestas questões de política, de escolher quem vai nos governar. Não devemos comprometer a nossa unção”. A recusa da oliveira é o posicionamento do cristão diante da política quando diz: “Isto nada tem que ver comigo, não me afeta – ou até mesmo pode me contaminar. Deus tem prazer na minha unção – e a minha pureza é também apreciada pelos homens”. Certamente, o argumento é justo, mas desconhece um perigo que será explicado mais adiante por Jotão. É a resposta daquele que é espiritual e não quer de forma alguma se contaminar com o processo.

Figueira – a segunda indicada, que produz os seus frutos antes das folhas, representa a necessidade de vida espiritual verdadeira (os frutos), antes de uma religiosidade aparente (as folhas). Uma vez rejeitada a oliveira (a ungida), a proposta de Jotão é que se escolham pelo menos a figueira, isto é aquelas pessoas que pelo menos tem frutos. Mas a figueira não se escusou, justificando: “Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores?” (9.11). A recusa da figueira é um sinal de precaução diante de outra verdade historica: muitos cristãos, envolvendo-se na política, perdem a sua “doçura” (espiritualidade), o seu fruto é arrancado da sua vida. Mas, é suficiente este argumento para então recusar uma chamada ao desafio de participar do ato de governar sobre as árvores?

Videira – Essa foi a terceira alternativa oferecida por Jotão. Ela representa a prosperidade, alegria, paz, a força de Israel, em outras palavras uma pessoa bem sucedida, abençoada na área material, porém apenas “bons cristãos”. A excusa da videira (Deixaria eu o meu vinho,os meus valores, as minhas bênçãos, a minha prosperidade?), representa aqueles que pensam que as bênçãos de Deus e a prosperidade dos cristãos não devem ser desperdiçadas em “negócios deste mundo”. A videira foi prudente, mas também se omitiu.

Aplicação: Voce pode apontar algum cristão aqui da Igreja que seria um bom vereador ou prefeito?

Tópico III – O PERIGO DA UNANIMIDADE

As três primeiras alternativas representam os diferentes grupos de preferências Embora tenham sido procuradas em sequência, esta ordem não representa uma distição hierárquica entre unção (oliveira), espiritualidade (fiqueira) e valores (videira). O que Jotão procura nos mostrar é a importancia de ter estes valores em conta na hora das nossas escolhas. Diante das excusas, sobrou apenas uma opção: o espinheiro.

Mas, no caso do espinheiro, a escolha foi unânime: “…todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu (Espinheiro), e reina sobre nós”. O convite ao espinheiro é uma permissão expressa. As “boas recusaram”, o espinheiro foi muito claro: “Se vocês estão me escolhendo, saibam que eu vou assumir domínio sobre vocês e vou fazer o que eu sei fazer melhor: espinhar!”. Mesmo diante desta advertência, Abimeleque foi proclamado rei. O espinheiro é sempre a alternativa do poder temporal (secular, político, social, econômico ou das armas).

Aplicação
Como igreja acompanhamos o que acontece na vida da nossa cidade? Até que ponto nossa “apatia” facilita a corrupção, o desmando?

Conclusão

Em qualquer eleição (até mesmo dento das nossas assembleias) há sempre duas grandes escolhas presentes na vida dos homens: o governo de Deus ou o governo dos homens (o domínio do espinheiro). A alternativa de escolhermos entre a oliveira, a figueira ou a videira não é uma oposição ao governo do espinheiro. Mas sim representam o compromisso do cristão diante de qualquer tipo de “árvore que paire” sobre a sociedade. A unção, a espiritualidade e os valores do cristão são realidades que devem resistir até mesmo ao fogo do espinheiro.

Embora assistamos o envolvimento negativo de pastores e cristãos na política, ainda assim, precisamos participar sendo sal e luz, fazendo a diferença. As nossas escolhas não mudam a natureza do espinheiro, mas ao optar por não escolher (omissão), estamos rejeitando o nosso papel e consequentemente dando ao espinheiro a legalidade para fazer o que quiser. Entendamos que os governos e poderes humanos são sempre passageiros – por mais que exerçam seus domínios por algum tempo. Portanto é tempo de levantar a nossa voz e proclamar os valores do Reino de Deus!


Texto escrito em 26/09/2008 – Pr. Elton Melo – IBI Pato Branco, PR – reproduzido na RED – Revista de Estudos Bíblicos da Editora Batista Independente na lição do dia 14/08/2016 com o título: “Aspectos relacionais entre a igreja e seus representantes públicos”.

O cristão e a política

Estamos nos aproximando de um momento importante para a nossa cidade: as eleições municipais. O município é o local onde a instância de governo está mais próxima das pessoas e, tem um impacto na vida diária de qualquer um de nós. Mas cabem algumas perguntas: A política é um assunto importante para a Igreja e para os cristãos? Qual deveria ser o limite para um envolvimento? Um cristão ou líder da igreja pode se candidatar para algum cargo público? Como deve ser o comportamento ético do cristão em relação ao governo?

O cristão e o poder – Como cristãos, somos chamados a ser sal e luz na terra, isto é, fazer a diferença. Deus concedeu às pessoas o livre-arbítrio. Vivemos num país onde as pessoas têm liberdade de escolher os seus candidatos, aqueles que vão governar. No entanto, o posicionamento do cristão em relação à política desperta muitas questões. Os cristão, assim como qualquer outro grupo religioso ou humano, têm as suas matizes. Há um grupo de cristãos que entendem que por não serem mais deste mudo (têm uma nova cidadania celestial), o cristão não deve se envolver e nem mesmo ser funcionário público, uns outros ainda acham que não se devem nem mesmo servir às forças armadas; há outros grupos, que procuram ocupar todos os espaços públicos possíveis, não se importando muito em como vão exercer o mandato e há ainda outro grupo que defende que o cristão deve trazer o paraíso para a terra, ou seja, o Reino de Jesus já começa aqui e, portanto o cristão deve ser totalmente enganjado na política.
Percebe-se, então, que os cristãos (católicos, protestantes, pentecostais, adventistas, evangelicais, etc), têm suas posições políticas claras e definidas e que estas posições estão presentes dentro de cada estrutura eclesial, seja ela de qual matiz for. No entanto, não restam dúvidas quanto à primeira questão: a política é um assunto importante para os cristãos.

O cristão e o governo – O cristão é conclamado a orar pelo governo, devendo obedecer, exceto quando as leis forem contrárias aos princípios estabelecidas pela Bíblia (nossa regra de fé e prática) A Bíblia diz: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência.” (1ª Timóteo 2:1-2). O cristão deve ser fiel no cumprimento das suas obrigações, pagando os impostos devidos e deve evitar participar de protestos contra o governos. A Bíblia diz: “Não há potestade (poder) que não venha de Deus…Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.” (Romanos 13:1-2). Aquele que participar nos protestos, resiste à autoridade. Por isso o cristão não deve participar neles. Nem deve falar contra as autoridades que Deus estabeleceu sobre ele.
O cristão e o voto – O Brasil é um estado Laico, isto é, não-religioso. Nem sempre foi assim. Até a proclamação da república (1899), o estado brasileiro era também um estado religioso, definido como um estado católico. Mesmo com a Reforma Protestante (1517), a ligação entre estado e igreja continuou. Até então, toda forma de governo humano, necessariamente tinha a necessidade do respaldo religioso. Com a reforma, os luteranos e calvinistas entendiam que o estado e a igreja podiam continuar ligados, enquanto que os (ana)batistas, em geral, entendiam que o estado e a igreja são duas instâncias de poder diferentes e que, não se deve misturar uma e outra, nem uma ser submissa a outra, por se tratarem de instâncias independentes.

Com o fim das monarquias, surge a questão do exercício do voto. O voto representa uma delegação de poder, vez que agora o governante deve ser escolhido pelo povo. Dessa forma, todas as pessoas são conclamadas a exercer o seu direito de escolha (mesmo que for voto nulo). Ao mesmo tempo, é livre o acesso aos partidos políticos para que candidatos a cargos eletivos possam concorrer. Neste sentido, não há impedimentos (em geral) que haja candidatos evangélicos e /ou representantes do segmento cristão. O que a igreja deve fazer é produzir cristãos maduros que possam ocupar os mais diferentes postos na sociedade, onde, se fiéis a Cristo, irão destacar-se pela lisura, responsabilidade e trabalho. “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Provérbios 28.12).

Jamais venda seu voto – O voto do cristão deve ser dado de forma consciente, mostrando respeito pelas coisas públicas e pensando no bem-estar da população (Gênesis 6.9,10; 1 João 3.17,18; Romanos 13.10), e não visando interesses pessoais. Não é assim que acontece quando muitos dão o seu voto por um par de sapatos, por uma receita médica, óculos, materiais de construção etc., sem nenhuma noção do que está fazendo (Amós 2.6; 8.6).
Muitas vezes o cristão vota em pessoas que não têm nenhum temor a Deus e aos homens, e nem às coisas públicas (Provérbios 1.7; Daniel 1.17-20). A representação da igreja no mundo político é de suma importância para defender os interesses públicos, morais, sociais, educacionais e assistenciais, entre outros, e possui fundamentação bíblica (1 Timóteo 3.16,17; Salmos 119.105). “Bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor”.

Em quem votar? Esta questão reflete muito mais nossas contínuas decepções com os políticos do que a nossa dúvida diante da múltipla possibilidade de escolha entre bons candidatos. Em quem votar? Se dissermos “Em ninguém” ou “em branco”, não estaremos respondendo com seriedade ao nosso compromisso cristão, pois acabaríamos favorecendo, com nossa omissão, algum partido ou candidato. No Brasil há dezenas de partidos. Devemos olhar o partido, seus objetivos e propostas. Mas, acima dos partidos, devemos olhar o candidato. Neste ponto, o texto das Escrituras nos serve de analogia, pois o homem público deve ser “diácono” – isto é um servidor. No seu posto deveria buscar não os seus interesses próprios, mas o da coletividade. É ele respeitável? De uma só palavra? Experiente? Governa bem a sua própria vida? Não é ele ganancioso? Beberrão? Adúltero? Promíscuo? Não sejamos pessimistas ao extremo. Vamos votar de maneira consciente, sem aceitar manipulações. Nossa confiança não é posta em homens, mas em Deus que nos governará através deles. Nossa formação moral, ética e espiritual nos dá plena condição para melhor escolher.


Pr. Elton Melo – texto original escrito em 28 de agosto de 2008 por ocasião das eleições municipais – Pastor da Igreja Batista Independente em Pato Branco, PR (na época)