Psicologia/Psicanálise

Como o abuso sexual afeta a vida da criança

abuso sexual contra a criançaO Abuso sexual afeta de várias formas a vida de uma criança.  As consequências do abuso e da exploração variam de acordo com algumas condições ou pré determinações de cada indivíduo e do contexto que ele está inserido, como por exemplo a idade da vítima, quando a violência começou a ser praticada, sua duração e quantas vezes o ato foi realizado, a diferença das idades dos envolvidos no ato, se houve algum tipo de violência psicológica, entre outros. (FURNISS, 1993). …

Discipulado

Como ressignificar a vida após o luto sem a despedida

cemetery, national cemetery, gettysburgAprenda a ressignificar a vida após o luto sem a tradicional despedida dos seu ente querido. Nestes momentos de pandemia pelo Covid-19, os familiares não podem se despedir do seu ente querido que falecem. A ausência do ato de despedida traz algumas dificuldades para todos e impacta de forma especial a muitas pessoas, exigindo uma ressignificação da vida. …

O Sermão do Monte: A chave para o sucesso na vida

Descrição do livro (escrito em 1938) – Um dos principais mestres do século XX, Emmet Fox oferece às pessoas de todas as religiões estratégias poderosas e diretrizes práticas para levar saúde, felicidade e verdadeira prosperidade às suas vidas e às vidas de outras pessoas. Conhecido por mais de um milhão de buscadores, este clássico espiritual duradouro revela como transformar as atitudes negativas em crenças afirmadoras da vida, compreender a natureza da sabedoria divina, explorar o poder da oração, desenvolver uma personalidade completamente integrada e plenamente expressa e reivindicar nosso divino. direito a toda a abundância da vida. Fox compartilha as chaves para moldar nossas vidas naquilo que realmente queremos que elas sejam.

Prefácio:  ESTE livro é a essência destilada de anos de estudo bíblico e metafísico e das muitas palestras que fiz. Teria sido mais fácil ter feito o dobro do tamanho atual. Meu objetivo, no entanto, é apresentar ao leitor um manual prático de desenvolvimento espiritual e, com esse objetivo em vista, concentrei o assunto na menor bússola possível, porque, como todo estudante sabe, concisão de expressão é a maior ajuda para dominar qualquer assunto.

Não imagine que você possa assimilar tudo o que ele contém em uma ou duas leituras. Ele deve ser repetido várias vezes até que você tenha compreendido completamente a nova perspectiva sobre a vida e a escala absolutamente nova de valores que o Sermão do Monte apresenta à humanidade. Só então você experimentará o novo nascimento.

O estudo da Bíblia não é diferente da busca de diamantes na África do Sul. No início, as pessoas encontraram alguns diamantes no barro amarelo, e ficaram encantadas com sua boa sorte, mesmo quando supunham que essa seria a extensão total de sua descoberta. Então, ao cavar mais fundo, eles se depararam com o barro azul e, para seu espanto, encontraram então tantas pedras preciosas em um dia quanto haviam encontrado anteriormente em um ano, e o que antes parecia riqueza desapareceu na insignificância ao lado do novas riquezas. Em sua exploração da Verdade da Bíblia, providencie para que você não fique satisfeito com o barro amarelo de algumas descobertas espirituais, mas prossiga para o rico barro azul debaixo da morte. A Bíblia, no entanto, difere do campo de diamante no fato sublime de que sob o barro azul existem mais e mais estratos mais ricos, aguardando o toque da percepção espiritual – indo e voltando ao Infinito.

Ao ler a Bíblia, você deve constantemente afirmar que a Sabedoria Divina está iluminando você. Essa é a maneira de obter inspiração direta. Tenho seguido um conveniente costume moderno entre escritores de livros metafísicos ao capitalizar certas palavras que significam aspectos ou atributos de Deus.

O sermão no monte a busca moderna pelo seu significado

Clarence Bauman: professor de teologia e autor; nascido em 15 de maio de 1928 em Mennon, Saskatchewan a Alexander Bauman e Elizabeth (Quiring) Bauman . Ele era o segundo filho de uma família de três filhas e dois filhos. Casou-se com Alice Nikkel em Bakersfield, Califórnia, em 27 de agosto de 1954. Clarence e Alice não tiveram filhos. Clarence morreu em 20 de agosto de 1995 em Elkhart , Indiana .

No início de sua vida, Clarence mudou-se para a Colúmbia Britânica com seus pais e irmãos, residindo primeiro em Agassiz e depois em Yarrow antes de se estabelecer em uma fazenda em Abbotsford . Quando adolescente, ele foi batizado após sua confissão de fé e se juntou à Igreja dos Irmãos Menonitas de South Abbotsford .

Depois de se graduar no Mennonite Educational Institute em Abbotsford, Clarence passou um ano na Escola Bíblica Menor de Irmãos em Abbotsford antes de se matricular na Universidade de British Columbia, graduando-se com um BA em 1951. Ele então frequentou o Fuller Theological Seminary em Los Angeles, Califórnia, EUA. graduando-se em um BD em 1955. Durante esse período, ele passou um ano no Goshen Biblical Seminary em Goshen , Indiana, buscando seu interesse na história e teologia anabatistas sob Harold S. Bender . Na Alemanha , depois de dois anos com o Comitê Central Menonita (MCC) testemunha de paz Leste-Oeste (1957-1959), ele se matriculou na Universidade de Bonn, e com Helmut Gollwitzer como seu orientador de dissertação, graduou-se com um Doutor em Teologia em 1963. Ele recebeu um doutorado honorário da Universidade de Edimburgo. em 1975.

Em 1961, Bauman foi indicado para ensinar teologia nos Seminários Bíblicos Menonitas Associados em Elkhart, Indiana, onde continuou a ensinar e pesquisar até sua morte em 1995. 

O próprio resumo de Bauman sobre seus anos no Elkhart Seminary oferece uma visão útil do tipo de homem que ele era: “Ponderando a sabedoria de Jesus em exegese, pesquisando o gênio do anabatismo na história, examinando as vidas dos santos no discipulado, debatendo o mistério da vida nos clássicos, explorando o significado da fé na teologia e avaliando a condição humana na ética, acabei percebendo que (1) a vida é uma luta amorosa pelo significado, (2) no silêncio criativo, a pessoa recupera o motivo da sendo, (3) a verdade existe na comunicação sem limites, (4) a vida autêntica é vivida na consciência da morte, (5) Jesus nos liberta da autoridade humana, (6) podemos viver em completa abertura a Deus, (7) mundo inteiro está cheio de Deus, (8) acreditar que Jesus quer seguir seus ensinamentos,(9) a verdadeira comunidade é baseada no respeito mútuo e na genuína humildade, (10) só fazemos bem o que é feito com alegria, (11) a fé e a vida podem ser puras e simples “.

Clarence Bauman liderou um grupo de discussão do Great Books Club em Elkhart (1969-1975), que atraiu ateus, comunistas e crentes em Deus a partir de um amplo espectro de crenças e denominações. Ele também projetou e construiu um conjunto de edifícios de estilo monástico em uma montanha em Camp Squeah, perto de Hope, na Colúmbia Britânica, e passou seus verões entre 1969 e 1981. Em Elkhart ele foi pioneiro em um encontro silencioso estilo Quaker (1971-1995). , aberto a qualquer pessoa na comunidade. A única casa em forma de trevo de Bauman em um pequeno bosque à beira do campus do Seminário era uma expressão de seu compromisso com a simplicidade e a solidão e atraiu muitos estudantes e outros peregrinos para lá em sua busca por Deus. Clarence Bauman também foi um acabado carpinteiro e mecânico de automóveis.

Durante um ano sabático em Israel, em 1968, Clarence Bauman foi diagnosticado com a doença de Parkinson. Ele continuou ensinando até 1986, depois do qual se concentrou mais em pesquisa e redação, sendo o foco principal a pesquisa exegética na compreensão do Sermão da Montanha de Jesus . A extensa coleção de livros, documentos e microfilmes que Bauman acumulou durante sua vida em 2005 estava na posse de Alice Bauman.

 

 

 


 Fonte: https://books.google.com.br/books?id=RAqgLGbZ9AUC&pg=PA9&lpg=PA9&dq=the+sermon+on+the+mount+the+modern+quest+for+its+meaning&source=bl&ots=RHKiV7j2p3&sig=F-FWHAXcKGvQ6aFkPgO2FEYOH98&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiktqKbsqncAhXSzlkKHcQWBS0Q6AEIYjAJ#v=onepage&q=the%20sermon%20on%20the%20mount%20the%20modern%20quest%20for%20its%20meaning&f=false

A cura pela Palavra de Deus

Toda vez que assumia a direção de seu carro, o gerente de vendas Roberto manifestava sintomas descritos pela literatura médica como os da síndrome do pânico. Suava frio, faltava-lhe ar, sentia dormência nas mãos, dores no peito e, por fim, na certeza de que teria uma síncope, entrava em desespero. Funcionário de uma grande empresa, seu trabalho exigia que ele dirigisse por longas distâncias.

 

Roberto procurou um psicanalista para tentar entender a origem da sua angústia automobilística. Em uma das sessões, lembrou-se de um trauma de infância: o dia em que pulou o muro para roubar goiabas no quintal da vizinha, se apoiou em dois canos de um circuito elétrico e levou um choque de 220 volts. Tremeu como um apoplético até que alguém desligou a eletricidade. O episódio, ao que parece, estivera longamente reprimido no inconsciente.

Enquanto contava a história, demonstrou com gestos como se agarrara aos canos. O psicanalista percebeu que a posição das mãos era a mesma usada para segurar o volante do carro. O diagnóstico era óbvio: o pânico de dirigir era uma reminiscência reprimida do episódio traumático. Com a cena vindo à consciência, os ataques cessaram.

Mas Roberto desenvolveu outra neurose, também de cenário automobilístico. Passou a achar que os outros motoristas o olhavam como se ele fosse homossexual. Numa sessão com o analista, recordou-se de uma passagem da infância que esquecera completamente: quando brincava com outras crianças num terreno baldio, o mais velho da turma estuprou o garoto caçula no banco de trás de um carro abandonado. Roberto disse ao psicanalista que assistira o estupro com inveja. Queria ter sido o escolhido.

O analista relacionou a lembrança, encoberta em sonhos e frases de Roberto, e lhe explicou que o desejo de passividade era fruto de sua história. Roberto havia sido abandonado pela mãe aos 5 anos, o que o obrigou a assumir algumas tarefas domésticas. Desde então, era ele quem desempenhava o papel feminino na família. A interpretação psicanalítica deixou Roberto aliviado: o impulso infantil não significava, necessariamente, que fosse gay.

“Ver um paciente sair cheio de si do consultório é uma das coisas mais gratificantes do mundo”, disse-me o analista de Roberto. Ele se chama Heitor Antonio da Silva. Recebeu-me no seu escritório em Itaperuna, no interior do Rio, decorado com fotos de netos, filhos e uma reprodução do consultório de Sigmund Freud, em Viena. Aos 63 anos, é alto, gordo e tem uma voz altissonante. Os cabelos que lhe restam são pintados de preto, e as unhas, de esmalte.

Em 1996, ele foi um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Hoje, ela é a maior associação de psicanalistas da América Latina. Como em qualquer sociedade freudiana, os candidatos fazem terapia com analistas mais experientes e participam de seminários sobre os escritos de Freud. Um dos objetivos da Sociedade Ortodoxa, explicou Silva, é popularizar a psicanálise. Para tanto, ela produz apostilas de conteúdo simplificado, forma psicanalistas com rapidez e cobra barato.

Além de psicanalista, Silva é pastor evangélico. “Não há contradição entre Freud e a Bíblia”, disse. “As religiões dizem como a pessoa deve se comportar em função de uma fé, mas só a psicanálise mostra a pessoa como ela é”, observou. Falando com o vigor de um profeta, explicou que, assim como a psicanálise é absoluta para a mente, a religião o é para o espírito. “Não existe incompatibilidade entre verdade e verdade”, disse. “Se uma coisa é verdadeira, tem que ser compatível com qualquer outra verdade. Se há conflito é porque uma – ou as duas – é falsa.”

Na Sociedade Ortodoxa criada por Heitor da Silva, o aspirante a analista conclui os estudos em dois anos, com duas aulas por mês. No mesmo período, ele tem que passar por oitenta sessões de análise pessoal – o que na média significa menos de uma por semana. Já na Sociedade Brasileira de Psicanálise, a primeira a ser criada na América Latina, a formação de um profissional dura quatro anos, mas para se matricular é obrigatório que já tenha feito ao menos dois anos de análise. São duas aulas semanais e 390 sessões de análise ao longo de todo o curso.

Durante quatro meses, participei do curso de formação da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Por 230 reais ao mês, tive aulas nas noites de sexta-feira e no sábado durante o dia. Se continuasse o programa, em março de 2012, receberia o certificado de psicanalista, o que me credenciaria a atender meus próprios pacientes.

Na turma, éramos nove. Entre eles, duas pedagogas, uma policial militar e um professor de matemática. Os professores se mostraram condescendentes com as faltas, tolerantes com os atrasos e nunca cobraram a realização das tarefas que determinaram. Aliás, quando foi pedido que escrevêssemos uma resenha, metade da turma ignorava o significado da palavra “resenha”.

A maioria dos alunos não era evangélica. Quando um aluno abordava as relações entre análise e religião, perguntando, por exemplo, se a cura de um distúrbio mental poderia ser obtida por meio de orações, os professores repetiam a mesma frase: “Aqui não misturamos psicanálise com religião.”

Apesar de as turmas de formação serem organizadas por pastores evangélicos, e de haver um número significativo deles nos cursos, Heitor da Silva nega qualquer orientação religiosa no conteúdo programático.

Mas a religião serve de baliza. Numa das apostilas (32 páginas de papel azul xerocadas, encadernadas em espiral e cobertas por uma capa de plástico) aparecem os “transtornos dissociativos”. O professor explica que o “transtorno de transe e possessão” não se refere ao “demônio”, mas à “histeria”.

Silva acredita que há preconceito intelectual em relação aos evangélicos. “O Brasil é um país muito provinciano”, comentou. “Os evangélicos são tratados como se fossem todos farinha do mesmo saco. Mas um batista e um cara da Universal não se sentam no mesmo banco.” Silva integra a Convenção Batista Fluminense desde a juventude.

Na década de 80 Heitor da Silva descobriu que as ideias de Freud eram fundamentais para o aprimoramento de quem quisesse disseminar a Palavra divina. “Com a psicanálise você passa a entender quem é e como funciona o próximo, o que acontece dentro dele. Isso é imprescindível para quem vai aconselhar ou ajudar alguém”, disse. Segundo ele, na época, era impensável falar em análise dentro de uma igreja: “Parecia que Freud era o irmão gêmeo do diabo. Era tido como permissivo, imoral, que só falava em sexo, até mesmo na sexualidade das tão puras crianças. Meus colegas me viam como um pornográfico com ideias malucas.”

Diante da adversidade, Silva perseverou. Quando foi cotado para a presidência da Convenção Batista Fluminense, viu uma oportunidade para, como disse, “enfiar a psicanálise goela abaixo desse povo”. Mas foi boicotado pelos colegas e pela mídia especializada. “Na revista presbiteriana Vinde, o reverendo Caio Fábio escreveu dizendo que os meus fiéis chegavam à igreja e eu os mandava deitarem no divã”, afirmou.

Enterrou então o sonho de ter seu próprio rebanho e um programa de televisão em rede nacional. Mas não devido à derrota, e sim à autoanálise e à religião. “Era vaidade da minha parte”, disse. E completou: “Conversei com Deus e Ele tinha outros planos para mim.” Descobriu, por fim, sua verdadeira incumbência nesse vale de lágrimas: “Minha missão era mesmo essa coisa maluca de espalhar a psicanálise pelo Brasil.”

Embora o início tenha sido difícil, Silva mais uma vez perseverou. Uma de suas iniciativas de impacto foi o Projeto 2000 2000, que consistia em formar 2 mil psicanalistas até o ano 2000. Não poderia imaginar que superaria suas próprias expectativas. E hoje, enquanto a vetusta Sociedade Brasileira de Psicanálise, do alto do seu quase meio século de vida, tem menos de 1 mil associados, a Sociedade Ortodoxa conta com 3 mil. Entre eles, a ex-candidata à Presidência pelo Partido Verde, Marina Silva, sua ex-aluna.

“Foi um negócio fabuloso, levei a psicanálise para Palmas, Boa Vista, Rio Branco”, ele lembrou. “Havia lugares onde as pessoas falavam ‘Frêudi’ em vez de ‘Fróide’. Eu dizia: Vamos corrigir porque o cara mudou de nome.” Segundo ele, a maioria dos alunos não pretende exercer a profissão. Buscam na psicanálise um conhecimento complementar e o prestígio embutido em um título de “psicanalista”. “Eles querem ser chamados de doutor”, explicou Silva.

Filho de lavradores analfabetos, Heitor da Silva nasceu numa fazenda em Maricá, no interior fluminense. Plantavam feijão, quiabo e maxixe para sobreviver. Lembra que tinha inveja da cama da irmã: dois caixotes com uma porta velha que servia de estrado. O colchão era feito de capim. Durante anos, Silva dormiu no chão de terra, num chiqueirinho feito de bambu. Entrou na escola com 9 anos. Acordava de madrugada, trabalhava na roça e assistia às aulas com as mãos pretas de nódoa de banana. “Eu era tão pobre que meu pai foi até a escola pedir para que eu não tivesse foto na minha caderneta escolar.”

Aos 14 anos, ganhou seu primeiro livro, um dicionário, presente do dono da fazenda, que escreveu uma dedicatória que ele sabe de cor: “Ao bom amiguinho Heitor, com os votos de que estude sempre e chegue a ser um grande homem. Claude, 1960.”

Alistou-se na Aeronáutica, onde serviu por quase oito anos. Foi na Força Aérea Brasileira que se lhe abriram as portas para a espiritualidade. Era cabo mecânico quando intuiu que deveria ser pastor. Em 1973, um colega religioso o convenceu a frequentar um curso de formação em psicanálise. No ano seguinte, Silva receberia o título de psicanalista pelo Centro Acadêmico de Debates e Estudos de Psicanálise, em São Paulo. “Apesar de ter sido criado em condições de vida precárias, nasci para ser um intelectual”, disse.

Oconsultório do pastor Francisco Batista Neto, formado na primeira turma da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil, ocupa uma sala no 9º andar de um prédio comercial no centro de Niterói. Em uma manhã recente, a sala de espera estava vazia. Neto – que lembra o ator baixinho da propaganda da cerveja, mas sem o bigode e a boina – saiu do consultório e acompanhou até a porta a mulher que acabara de atender. “Você está tranquila?”, perguntou-lhe antes de se despedir. “Se precisar, pode me ligar a qualquer hora.”

Ele cobra 60 reais por sessão de análise. Completa o orçamento como psicólogo da prefeitura de São Gonçalo e professor de psicanálise na Sociedade Ortodoxa. Também dá aconselhamento pastoral em uma igreja batista em São Gonçalo. Sentado numa cadeira de escritório em frente ao divã de veludo, coberto com uma manta verde que combinava com a cor da parede, ele falou sobre religião e psicanálise: “Não misturo as coisas. Pode procurar, não tem uma Bíblia aqui no consultório. Enquanto o pastor fala e orienta, o analista apenas ouve e ajuda a interpretar. Não tem como confundir”, afirmou.

Ele contou que as razões pelas quais as pessoas procuram uma igreja ou uma terapia são diferentes: “A igreja dá acolhimento, ajuda no desamparo humano, mas não livra alguém das neuroses, fobias e depressões. Consigo encaminhar melhor uma ovelha doente para a cura. Acredito no poder curativo de Deus, mas os conhecimentos científicos também são obra Dele.”

Quis saber como ele agia quando uma situação o colocava diante da dualidade entre fé e ciência. Neto rememorou um episódio que o marcou, um caso de possessão demoníaca. Ele foi chamado por um grupo de oração, no meio do qual um jovem que se debatia era segurado pelas pernas, braços e pescoço. O pastor pediu que todos se retirassem. Alguns temeram por sua segurança física. Achavam que o diabo no corpo do jovem poderia feri-lo. Neto insistiu.

“Eu vi que aquilo era uma crise histérica”, contou. “Esperei passar, encaminhei para o psiquiatra e fiz uma terapia de apoio. Nunca fiz uma oração com ele. Ele teve outros dois surtos, quebrou o consultório inteiro, mas hoje está bem.”

Dias depois, relatei a entrevista com Neto ao pastor Heitor da Silva. Não havia entendido como ele havia diferenciado o surto histérico de uma possessão demoníaca. “A questão é simples: assim como não adianta tentar expulsar o demônio do corpo de um esquizofrênico, é ineficaz analisar o diabo”, respondeu Silva. “Quando uma pessoa está possuída, quem fala é a entidade que está nela. O primeiro caso deve ser encaminhado a um psiquiatra, e o segundo a um exorcista.”

Usando um tom de voz professoral e didático, Silva discorreu sobre as características do esquizofrênico: ele tem alucinações auditivas, visuais, táteis e olfativas. Geralmente, acha que está com algum órgão podre, que algo pega fogo ou está caindo no fundo de um poço. Também tende a deixar a higiene de lado: para de tomar banho, não troca de roupa ou veste uma peça por cima da outra.

“Agora, se uma pessoa diz que está ouvindo vozes, mas está limpinha, sorridente, sofreu uma transformação facial e na voz, isso não é próprio do esquizofrênico”, explicou. Fez um longo silêncio. “Ainda assim, se a dúvida persistir, há um teste bíblico conhecido por todos os pastores e padres”, completou, como se fizesse uma confidência.

Em uma das cartas do apóstolo João, no Novo Testamento, está escrito que quem não confessar que Jesus Cristo veio em carne para a Terra, esse é o espírito do Anticristo.

Heitor da Silva alterou então o tom de voz para oitavas acima de seu normal, fechou os punhos e disse bem alto: “Aí é só você perguntar: ‘Você confessa com a sua boca que Jesus Cristo veio em carne?’” Se a pessoa estiver possuída, explicou o pastor, ela vai se calar, sacudir a cabeça, grunhir, dizer que não ou se debater. Será incapaz de confirmar a premissa. Se estiver tendo um ataque histérico, dirá “Confesso”, e continuará no transe do surto.

Voltando à voz normal, encerrou o raciocínio: “A questão é que os religiosos tendem a achar que tudo é problema religioso, e os céticos que tudo é problema para a ciência. Mas o universo é mais complexo do que isso e a ciência não desvendou um por cento dele. A psicanálise só trata a possessão demoníaca como sintoma clínico porque desconhece o teste milenar do manual de exorcismo.”

EO Futuro de uma Ilusão, publicado em 1927, Freud escreveu sobre religião, detendo-se sobre o cristianismo. Frente ao desamparo, as pessoas imaginariam um pai poderoso que, com perfeição invejável, dá sentido aos enigmas da vida e às crueldades do destino, defendendo-as da força esmagadora da natureza. Como o pai biológico, o deus do cristianismo seria fonte de medo e inveja, com a diferença de que compensaria os sofrimentos concretos do presente com vida eterna e feliz após a morte. Concluiu, na fórmula famosa, que “a religião é a neurose obsessiva universal da humanidade”.

Dois anos depois, em O Mal-Estar na Civilização, Freud classificou a religião de “delírio de massa”. Ela seria uma fase infantil da humanidade, a ser superada com o triunfo da ciência e da razão sobre as superstições e misticismos. “O afastamento da religião está fadado a ocorrer com a fatal inevitabilidade de um processo de crescimento”, escreveu.

Numa carta a um discípulo, o pastor suíço Oskar Pfister, porém, Freud manifestou tolerância com a dupla condição do colega: “Que o senhor possa ser um analista tão convicto e, ao mesmo tempo, um homem espiritual, pertence às contradições que tornam a vida interessante.” Freud se dizia um “herege incurável” e defendia que a visão de mundo científica é incompatível com a religiosa.

Outro amigo de Freud, Theodor Reik, foi acusado de charlatanismo por exercer a psicanálise sem ter diploma de medicina. Freud publicou então A Questão da Análise Leiga, no qual defende que qualquer pessoa que tenha feito uma formação psicanalítica, e tenha sido submetida a uma análise própria, poderia exercê-la, no quadro de uma sociedade de profissionais da área. Ele temia que a psicanálise fosse “medicalizada”, ou seja, se tornasse uma mera subdivisão da psiquiatria nas faculdades de medicina. Segundo ele, a teoria do inconsciente deveria ser estudada por aqueles que se interessam pela evolução da civilização humana e suas principais instituições como a arte, a religião e a ordem social.

Na carta a Pfister, Freud acrescentou: “Não sei se o senhor adivinhou a ligação secreta entre A Questão da Análise Leiga e O Futuro de uma Ilusão. Na primeira, quero proteger a psicanálise dos médicos; na segunda, dos sacerdotes. Quero entregá-la a uma categoria de curas de alma seculares, que não necessitam ser médicos e não podem ser sacerdotes.”

Em parte, é por isso que não há lei ou norma que regulamente o exercício da psicanálise. Com certificado de um curso de formação, um biólogo, um carpinteiro e um pastor podem abrir um consultório e cobrar para ouvir as angústias de seus pacientes.

No ano 2000, o pastor Heitor da Silva redigiu um projeto de lei para regulamentar e “dar dignidade” à profissão de analista. O ex-deputado Eber Silva, companheiro de igreja do ex-governador Anthony Garotinho, o apresentou na Câmara dos Deputados. Pelo projeto, a psicanálise se tornaria um curso universitário com as regras para a formação dos profissionais estabelecidas pelo Ministério da Educação.

Silva achava que, com uma legislação séria, haveria mais analistas no Brasil. “Olha que coisa boa para a saúde mental da população!”, explicou.

As críticas não tardaram. Sociedades estabelecidas, que não participaram da elaboração do projeto, sustentaram que a proposta mostrava desapreço pelos valores da tradição psicanalítica, que há mais de um século funciona em instituições autônomas. Também diziam que era impossível padronizar o tempo necessário de análise pessoal do aluno. Como o projeto ameaçasse ir à votação no plenário, correntes lacanianas, kleinianas e winnicottianas, e todas as suas aguerridas subdivisões, se uniram numa aliança inédita para protestar contra a proposta do pastor Silva. Conseguiram barrá-lo.

Três anos depois, Heitor da Silva tentou reapresentar o projeto através de outro deputado, mas também não teve sucesso. “Seria um grande passo para a psicanálise, mas isso não acontece por causa de pressões burras de um pequeno grupo que se acha dono da verdade”, disse Silva. Julga que as sociedades tradicionais são demasiado intelectualizadas, elitistas e querem reter o poder a qualquer custo. “Eles se consideram semideuses, aprisionaram a psicanálise e impedem que ela chegue às massas.”

Em sua avaliação, a psicanálise deveria deixar de ser privilégio dos ricos para ser uma ferramenta de apoio no equilíbrio emocional de massas e mais massas. “Nos últimos quarenta anos, a população brasileira dobrou e o número de psicanalistas não acompanhou a estatística”, disse.

A população não só dobrou como se urbanizou de maneira acelerada. Milhões de brasileiros que moravam em núcleos isolados no campo, onde eram submetidos ao poder dos senhores da terra e da Igreja Católica, num espaço de poucos anos foram atirados em periferias de cidades desorganizadas. Nelas, a força da desagregação dos valores tradicionais é enorme. Pobreza, desemprego, baixa escolaridade, tentações do sexo, do álcool e da propaganda, incerteza, ausência de laços sociais – foi nessa paisagem que as igrejas evangélicas vicejaram. E é nela que aumentaram as taxas de sofrimento psíquico e, consequentemente, a demanda por tratamento.

A China passou por processo semelhante, e ainda mais brutal. Avalia-se que hoje entre 200 mil e 300 mil chineses se suicidem anualmente. Com isso, a psicanálise, longamente proibida, começou a se espalhar. Sociedades freudianas de Paris e Berlim partiram em busca desse novo mercado de sofredores psíquicos e se estabeleceram em Xangai e Pequim. Obras de Freud e Lacan estão sendo publicadas em chinês. (Do ponto de vista marxista, é uma ironia da história: a psicanálise, ideologia burguesa, reaparece num país à medida que o capitalismo é restaurado.)

Os planos de popularização da psicanálise expostos pelo pastor Silva podem também reproduzir a lógica missionária protestante, mais especificamente a de sua Igreja, a Batista. No livro Os Evangélicos, a antropóloga Clara Mafra, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ressalta que, enquanto os metodistas, luteranos e presbiterianos eram conhecidos pelo rigor na seleção de seus candidatos para o batismo, os batistas apostaram no uso massivo da propaganda religiosa como ferramenta de arregimentação.

Das igrejas protestantes históricas, a Batista é a que tem o maior número de fiéis. Foi dela que saiu a Assembleia de Deus, a primeira igreja pentecostal no Brasil, que mais tarde se ramificou para a Igreja Pentecostal de Nova Vida, frequentada por Edir Macedo até que ele criasse a Igreja Universal do Reino de Deus.

No universo dos psicanalistas laicos, o que faz um terapeuta ser considerado sério e competente é o reconhecimento de seus pares e o prestígio da sociedade na qual foi formado e é associado. É por isso que a indicação e as virtudes de um bom analista são, em geral, propaladas pelo boca a boca de pacientes e terapeutas. A Sociedade Ortodoxa de Silva busca funcionar dentro das regras das tradicionais. Mesmo assim, foi objeto de mais de vinte processos judiciais.

O Conselho Federal de Psicologia e a Associação Brasileira de Psicanálise Clínica já a acusaram de “propaganda enganosa e abusiva” e de praticar uma “falsa psicanálise”, vinculada à Bíblia. Para eles, o grupo de Silva faz uma apropriação indevida da psicanálise, além de iludir os alunos ao pretensamente capacitá-los para o exercício da profissão. Todos os processos foram arquivados e a Sociedade Ortodoxa revidou na mesma moeda: acionou judicialmente o Conselho Federal de Psicologia por preconceito religioso.

Silva admite que a Sociedade Ortodoxa tenha formado maus psicanalistas, mas, argumentou: “Isso é culpa de quem não quis se aprofundar nos estudos, e pode acontecer em qualquer lugar.” Há pouco, dois pastores foram expulsos da Sociedade e de suas igrejas, na Bahia. Haviam desobedecido à interdição de ter relações sexuais com analisandas.

“Em qualquer lugar, basta um psicanalista pilantra num consultório, com portas fechadas e um divã”, disse Silva, aludindo ao conceito psicanalítico de “transferência”. “A paciente se apaixona, vai toda bonita para o consultório, o olhinho começa a brilhar e créu, aquela música moderna que tem por aí.” Depois das expulsões, Silva redigiu um código de ética para a instituição.

Houve outro caso difícil em Belo Horizonte. O coordenador do curso de lá procurou Silva e disse que havia acontecido uma desgraça. Um dos alunos, pastor, depois de formado, abandonou a igreja, abriu consultório, largou a mulher, começou a beber e a fumar. O coordenador, também pastor, temia que o fenômeno se repetisse. “Eu disse a ele que a psicanálise fez um ótimo trabalho na vida desse aluno: ele foi seguir seus verdadeiros desejos. Deus não perdeu um fiel porque tinha nas mãos um lobo que se passava por ovelha”, disse Silva.

Os pastores analistas não têm aceitação unânime nas comunidades evangélicas. Dois manifestos contrários a eles circulam na internet. “Pastores psicanalistas? Essa não!” e “Ovelhas que precisam de pastor” foram escritos pelo pastor Emídio de Souza Viana, da Primeira Igreja Batista Regular de Rio Branco. Ele classifica o movimento psicanalítico de “onda letal que tem invadido as igrejas”. E provoca: “A Bíblia fala em maus espíritos, como isso seria interpretado à luz da teoria freudiana?”

Claus Hinden é alto, tem cabelos brancos e olhos azuis que denotam sua ascendência alemã. Aos 62 anos, formado em engenharia elétrica, é pastor batista, teólogo e é considerado o melhor professor do curso de sexologia da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil.

Em julho, minha turma assistiu a uma aula dele. Usando slides projetados em PowerPoint, ele primeiro nos mostrou imagens dos aparelhos reprodutores masculino e feminino. Depois, tabelas com as reações genitais e extragenitais de ambos os sexos nas fases de excitação.

Em seguida, Hinden contou o caso de uma paciente sua que estava “virando homossexual”. Ela seria tão apaixonada pelo pai que, para não traí-lo com um homem, teria optado por se relacionar sexualmente com outra mulher.

“Filhos de pais homossexuais não podem sair pessoas sadias”, disse. Uma das alunas, funcionária da Petrobras, incomodou-se com a afirmação. Contou conhecer um casal gay de pais exemplares. “O.k., vamos nos falar daqui a dez anos”, disse-lhe o professor. “Pode anotar aí a data de hoje. Aposto com você que essa criança vai ser problemática.” Segundo Hinden, pais homossexuais inviabilizam a resolução do complexo de Édipo.

Depois da aula, Hinden me disse que, “por uma questão de honestidade”, não atende homossexuais em seu consultório. “Está fora da minha alçada”, afirmou. Ele prefere lidar com pacientes evangélicos, porque eles não se desesperam, “já que confiam em Deus e têm menos dificuldade em lidar com a morte”.

Já Heitor da Silva disse não ter preconceito com a homossexualidade, “porque se trata de uma patologia”. E acrescentou que ela “não é uma coisa boa. É uma agressividade, consciente ou inconsciente. É prejudicial para a pessoa, mas eu não bato, não hostilizo, não xingo. Trato como outro problema qualquer, como a pedofilia e a necrofilia”. Com uma expressão grave, ele explicou que a religião não transforma as pessoas em seres imaculados. “Elas apenas passam a temer o castigo de Deus”, afirmou.

Depois de quatro horas de entrevista, Silva exibia um ar vitorioso. “Eu cheguei ao fim do meu projeto”, disse. “A ideia era abrir uma filial em cada estado e essa filial deveria se tornar independente e continuar fazendo trabalho de formação. Isso está ocorrendo. Os alunos passaram a presidir novas sociedades. Eles ainda estão difundindo a psicanálise.”

Não tardou para que ele se valesse da Revolução Francesa para demonstrar o triunfo de sua missão: “Morreram os revolucionários, mas suas ideias continuam vivas. Quando eu não estiver mais aqui, os resultados ainda vão ser sentidos. Quero crer que esse fenômeno será estudado profundamente. Mas não como um fato religioso, porque nunca foi religioso.”

Jacques Lacan fez outra previsão. Numa célebre entrevista em Roma, em 1974, declarou: “A religião triunfará. A psicanálise sobreviverá, ou não.” Para Lacan, nada mais natural que o fracasso da psicanálise. “Afinal, aquilo ao qual ela se consagra é muito, muito mais difícil.” E resumiu sua tese: “Se a religião triunfar é sinal de que a psicanálise fracassou. Em suma, é uma ou outra.”


Clara Becker é jornalista, mora em Buenos Aires, trabalha para a Agência Lupa. É coautora dos livros The Football Crónicas (Ragpicker Press) e Los Malos (Universidad Diego Portales).

Inteligência Espiritual (Qs)

Inteligência Espiritual (QS), é um dos temas mais estudados no meio científico, em tempos atuais. Ela leva a um vida de propósito e de valor superior, gerando na pessoa um senso de direção de disposição, com energia para as realizações e a superação de desafios. É um meio pelo qual o Criador promove o controle e a mudança de hábitos necessária ao melhor funcionamento do ser, que o conduzirá à felicidade e à alta performance. Como a espiritualidade pode ser usada para garantir um dia a dia equilibrado e com bons resultados para todos os segmentos. Sempre se evitou relacionar qualquer assunto cientificamente à existência de Deus, mas nos últimos tempos as pesquisas ligadas à espiritualidade e à presença do Criador têm sido mais e mais vistas. Uma delas refere-se à inteligência espiritual e tem se tornado a “menina dos olhos” de empresas à procura de funcionários mais motivados.

Tudo começou quando cientistas perceberam que somente o Quociente Intelectual (QI) e o Quociente Emocional (QE) não eram suficientes para desenvolver as capacidades humanas. A Inteligência Espiritual, ou o Quociente Espiritual (QS), seria, segundo se estabelece a responsável por insights e buscas mais elevadas, como de significado, propósito e senso ético do ser humano. A partir de toda essa teoria, a física e filósofa Danah Zohar, e seu marido, o psiquiatra Ian Marshall, escreveram o livro “QS – Inteligência Espiritual”. Desde então, têm se debruçado ainda mais sobre esse tema com o propósito de que o homem se desenvolva psicológica e profissionalmente usando a espiritualidade.

O Dr. Djalma Pinho desvendou o código utilizado por Jesus para o desenvolvimento da QS. No seu livro, ele busca conscientizar sobre o processo cognitivo, a origem dos pensamentos e as bases dessa construção do ser pelas ideias angulares, que são o caminho para você compreender e desenvolver a Inteligência Espiritual, de modo que descubra o seu propósito e se alinhe a ele, alcançando todo o seu potencial para ter uma vida plena, de paz, criatividade, amor, alegria; uma vida produtiva, realizada e feliz.

No início do século 20, o QI (Quociente de Inteligência) era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a “descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções.”  A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

No livro QS – Inteligência Espiritual, lançado em 2011, a fí­sica e filósofa americana Danah Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Danah vive na Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em fí­sica pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para o português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). 
 
Danah tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo.
 
Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado “Ponto de Deus” no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.  O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Danah: “A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.
 
O que é inteligência espiritual?  É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência? Os cientistas descobriram que temos um “Ponto de Deus” no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual. 

Qual a diferença entre QE e QS? É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade. Danah Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas: 

  1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo 
  2. São levadas por valores, são idealistas 
  3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade 
  4. São holísticas (adj. Relativo a holismo, que busca tudo abranger, que é totalizante)
  5. Celebram a diversidade 
  6. Têm independência 
  7. Perguntam sempre “por quê?” 
  8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo 
  9. Têm espontaneidade 
  10. Têm compaixão 

Conheça as quatro frequências cerebrais e as suas Funções

As células cerebrais, especificamente os neurônios, utilizam impulsos elétricos para se comunicarem entre si, além de fazer os músculos contraírem e os membros se moverem. Cada neurônio produz determinada descarga elétrica com o objetivo de este comunicar com os neurônios e outras células vizinhas. Quando esse impulso elétrico é excessivo surge a epilepsia, e quando se “perde” parcialmente até chegar ao destino surge o Parkinson.

É evidente que o cérebro possui atividade elétrica, por consequência surgirão ondas eletromagnéticas. Estas por sua vez, podem ser medidas/avaliadas por aparelhos como EEG. Estas ondas elétricas, têm frequências que podem ser medidas em ciclos ou Hertz. A frequência das ondas muda consoante a atividade elétrica dos neurônios que e são associados a alteração de estados de consciência.

O cérebro intercomunica-se através de impulsos elétricos, estes formam ondas eletromagnéticas de várias frequências, existindo 4 frequências distintas. Podemos então distinguir 4 frequências distintas:

Beta

Neste estado você esta acordado e a sua mente concentrada, pronta para trabalhos que requerem a atenção total. Fundamental em processos que envolvam a concentração, como a aprendizagem, a análise e organização de informações.  A faixa beta, situa-se entre os 13 -30 HZ, associado à atenção, à acuidade visual e coordenação

Alfa

Neste estado você está relaxado, a sua consciência interna aumenta, aumentando com isso a auto-percepção, a consciência dos pensamentos e processos internos. Aumenta a criatividade e a ansiedade tende a diminuir. Experiência a sensação de paz e bem-estar. A faixa alfa, situa-se entre os 7 -13 HZ, associado à resolução de problemas,criatividade, memorização, relaxamento e pensamento abstrato e imaginação (visualizações).

Teta

Neste estado você entra num estado ainda mais profundo de relaxamento, baixando a atividade cerebral quase ao nível do sono. Este estado é considerado “misterioso”, neste estado surgem imagens inconscientes, que não se sabe a origem ao certo. Propicia também a criatividade e acesso a memórias à muito “esquecidas”. Situam-se entre os 4-7 Hertz, neste estado estamos num “sonho acordado”, proporcionando um estado ideal para o acesso a memorias, aprendizagem acelerada, criatividade e “re/programação mental”.

Delta

Este estado, muitas vezes contestado cientificamente, situa-se entre os 4-0.1 Hertz é a mais baixa de todas as frequências de ondas cerebrais. Nesta frequência é produzido a hormônio do crescimento, além deste estado ser benéfico para a regeneração celular e cura. Neste estado, têm-se acesso mais profundo ao inconsciente e à intuição.

Existem métodos e técnicas que facilitam alterar a frequência cerebral e o estado mental, tais como o relaxamento, a hipnose, até mesmo software. Convém que estes métodos e técnicas, sejam utilizados por profissionais ou entidades credenciadas, pois uma má utilização pode provocar consequências a vários níveis.

O ramo das ciências que estuda o cérebro e seu comportamento – neurologia, psiquiatria e psicologia – mensuraram as ondas vibracionais do cérebro.

Essa mensuração nos conta de uma padronagem subdividida em quatro estágios: Beta, Alfa, Teta e Delta. Estes nomes vêm das letras do alfabeto grego, e indicam as seguintes freqüências vibratórias das ondas cerebrais:

 

Gráficos com oscilações médias em cada nível

Ondas Beta: Variando de 14 a um máximo inespecífico de ciclos (hertz) por segundo. E´ o nível de atividade cerebral total que se dá quando a pessoa está acordada, trabalhando, pesquisando, passeando, etc;

Ondas Alfa: Variando de 7 a 14 ciclos (hertz) por segundo. Nesta faixa vibratória a pessoa fica em estado semi-sonolenta, semi-consciente. E´ o momento que precede ao sono. O cérebro diminui suas vibrações e este aquietamento abre espaço para o adormecer. Este é o nível que interessa ao nosso estudo – meditação – porque ocorre a transmutação para zona de espaço e tempo diferentes do físico;

Ondas Teta: Variando de 4 a 7 ciclos (hertz) por segundo. O cérebro está no mínimo de suas vibrações considerando-se o indivíduo ao que se possa chamar de nível consciente interior. Também ao chamado nível profundo de sono e os estados de quando submetido aos efeitos de anestésicos, nas cirurgias;

Ondas Delta: Variando de um mínimo indefinido a 4 ciclos (hertz) por segundo. Neste nível não há definição do que possa estar ocorrendo, cerebralmente, com a pessoa.

Falemos mais sobre o nível das ondas Alfa. É neste padrão vibratório que se insere o processo de meditação. O indivíduo não está nem totalmente consciente e nem totalmente inconsciente. Encontra-se em fase intermediária a estes dois estados: consciente e inconsciente.

Quando consciente a pessoa se deixa prender aos sugestionamentos comuns da vida: Leões famintos e borboletas errantes, perdendo o poder de concentração mental.

Se inconsciente, bem, disso todos sabem, é o abandono no sono, o se perder nos mundos oníricos.

No estado Alfa, entretanto, é um pé cá no mundo de todo dia e o outro pé no mundo das possibilidades mentais. E como mundo das possibilidades mentais podemos entender como o mundo da Ideação Cósmica, o padrão Divino dos Pensamentos.

Observem, cada um, seu próprio padrão Alfa. Uma indicação de que está passando de Beta a Alfa é quando, na linguagem de Waldo Vieira, sente-se o que ele chama de hipnagógico = “Hipnagogia – Definições: Hipnagogia (Grego: hipnos, sono; e agogôs, condutor) – condição crepuscular de transição da consciência entre o estado da vigília física ordinária e o estado do sono natural; estado alterado da consciência introdutório ao sono natural, caracterizado por imagens oníricas, visões alucinatórias, e representações devido à exacerbação da imaginação, com efeitos visuais e auditivos.”

Em linguagem simples são aqueles momentos em que o pensamento costumeiro fica fugidio. A pessoa está pensando em algo e, num salto, vai a outro, espontaneamente, que, por sua vez, é sucedido por outro, que leva a ouvir vozes, e também a imagens rápidas, e assim se segue até que lhe sobrevenha o sono e a consciência desaparece.

Como mencionado, toda essa fenomenologia descrita nos dois parágrafos anteriores significa estar em ressonância com as vibrações mentais do cosmos, ou, vibrações do cosmos que se nivelam com as possibilidades vibratórias do cérebro humano.

Porém, nessa flutuação hipnagógica podemos dizer que está acontecendo uma ressonância desorganizada.

Esperança na luta contra a depressão

Derramai perante Ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio. – Salmo 62:8″ – Tu já a deves ter sentido, ou pelo menos ouvido outros falarem dela – depressão, tempos de desânimo tenebroso. Lynette Joy, num artigo para o site www.christianwomentoday.com, relata vários passos que podemos dar durante esses tempos sombrios para nos voltarmos para Jesus, a Luz do Mundo:

  1. Ilumina o teu coração através da oração. Abre o teu coração a Deus quando te sentires subjugado (Salmo 62:8). Leva as tuas ansiedades a Ele em oração (Filipenses 4:6-7). E se registares ou escreveres as tuas orações, poderás posteriormente ver como o Senhor te respondeu.

     

  2. Ilumina a tua mente com a verdade. Lê a Palavra de Deus diariamente, pelo menos durante alguns minutos. Deixa que a Sua verdade desafie, penetre e transforme o teu pensamento incorrecto de que não há esperança para a vida (Salmo 46:1; Romanos 12:2).

     

  3. Ilumina a tua vida fazendo a vontade de Deus. A Sua vontade para ti significa adorá-lo e servi-lo. Envolve-te com a tua igreja onde podes adorar e ter comunhão com outros e servi-lo (Hebreus 10:25). Isto te ajudará a aumentar a confiança em Deus.

     

Quando sentirmos que a escuridão começa a rodear-nos, precisamos de nos voltar para Jesus, a Luz. Ele será um refúgio (Salmo 62:7-8) e dar-nos-á força para continuar. – AMC

 

NÃO TROPEÇARÁS NA ESCURIDÃO SE CAMINHARES À LUZ DA PALAVRA DE DEUS.