Tradicionalmente, todo os anos, no dia 2 de novembro, é celebrado o Dia de Finados, que também é conhecido como dia dos mortos. É nessa data que milhões de pessoas homenageiam os amigos e familiares que faleceram, visitando o cemitério onde seus corpos estão sepultados. Mas o que Bíblia diz sobre o Dia de Finados? Será que o cristão evangélico deve também celebrar este dia? Pode visitar o túmulo de seu ente querido?
Origem
Há centenas de anos, a Igreja Católica instituiu a data de 2 de novembro como o dia em que os vivos deveriam interceder pelos mortos; data onde eles deveriam se lembrar daqueles que já se foram e pagar penitências em favor daquelas almas.
“Na Igreja Católica, a liturgia de Finados foi iniciada por Santo Odon de Cluny e oficializada no ano de 998″, conta o teólogo e filósofo Fernando Altemeyer Júnior, professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Odon de Cluny (878-942) foi um abade francês, responsável por diversas reformas no sistema religioso da época.
Conforme contextualiza o teólogo, apesar da formalização e da oficialização ter ocorrido apenas no século 10, já havia uma data em memória aos mortos desde os tempos pré-cristãos, inclusive em culturas do chamado paganismo antigo. “A Igreja toma a data e ‘batiza’ com significado próprio”, diz Altemeyer. “Mas celebrar os mortos é algo antropológico. Desde o Cro-Magnon (ou seja, os restos fósseis das primeiras populações de Homo sapiens) temos ritos funerários e de expectativa de vida no além túmulo.”
Na data, é comum que o papa faça uma cerimônia dedicada aos mortos na cripta do Vaticano. Por isso, é muito comum vermos pessoas indo ao cemitério, onde deixam flores, rezam e acendem velas, pedindo para que Deus perdoe os pecados desses entes queridos.
Macabeus
Essa prática religiosa é incentivada no segundo livro de Macabeus um livro apócrifo que faz parte da Bíblia dos católicos. O livro dos Macabeus ordena a oração pelos mortos, dizendo: É um santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos (2Mc 12,42-45). Judas Macabeus, acreditando no perdão de Deus e na ressurreição, quis que se rezasse pela salvação daqueles que morreram. Porém, todas essas crenças não possuem nenhum embasamento na Palavra de Deus; na verdade, elas vão contra àquilo que o Senhor fala a respeito da nossa relação com as pessoas que já morreram. O apóstolo Paulo escreveu em Hebreus 9.27:
“Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos;”
Escolha definida em vida
A verdade é que nós não podemos fazer absolutamente nada por aqueles que já se foram. Quando uma pessoa morre, o seu caminho já foi definido pela sua escolha em vida de servir ou não a Deus, de entregar ou não sua vida a Jesus Cristo! Não existe a chance de arrependimento: ou a pessoa foi salva e passará a eternidade com o Senhor, no céu, ou terá o inferno como destino.
Da mesma forma, a prática de agradecer aos mortos por supostas graças alcançadas ou, então, fazer promessas a eles em troca de algum tipo de milagre também não estão de acordo com a Bíblia, como podemos ver em 1 Timóteo 2.5, que diz:
Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos.
Agora que já sabemos que de nada adianta orar pela salvação dos mortos e que eles não podem realizar graças ou milagres, pois isso só é possível através de Jesus, fica a pergunta: o crente pode visitar o túmulo de alguém que ele sente saudades? Se a pessoa for ao cemitério com a intenção de visitar o túmulo para limpá-lo e deixá-lo bem cuidado, está tudo bem; não há nenhum tipo de pecado nisso. Cuidar do local onde foi sepultado um familiar ou um amigo é uma prática que honra a memória do falecido e não há nada de mal nisso. Ir ao túmulo de alguém que você sente saudades também não é errado.
Dor do luto
Na verdade, é uma forma sadia de lidar com a perda, com a dor do luto. A Bíblia também não nos condena por sentimos falta de alguém que se foi. Não é porque alguém que amamos morreu que esse sentimento precisa morrer junto. Então, não tenha medo de ter saudade ou, até mesmo, de chorar pelos seus pais, irmãos, filhos ou amigos que não estão mais ao seu lado. Você pode levar na memória os momentos que viveram e foram felizes juntos sem nenhum tipo de culpa. O que você não pode fazer é deixar de viver a sua vida! Sendo assim, é preciso que você entenda que deve haver um equilíbrio a respeito de como tratamos a morte e os nossos familiares que já deixaram este mundo.
A Bíblia nos dá instruções claras sobre o que é errado fazer com relação aos que já morreram, como, por exemplo orar por eles e buscar sua bênção ou proteção. Mas não há nada que nos proíba de cuidar do local onde foram enterrados, e nem fala nada sobre sentirmos saudades e refletirmos a respeito das coisas desta vida. Aliás, todos deveriam fazer isso de vez em quando, como o rei Salomão nos ensinou em Eclesiastes 7.2:
“É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!
Aceite Jesus
Há mais uma coisa que nós nunca devemos nos esquecer: Aproveite a oportunidade que o Senhor te deu de estar vivo e decida HOJE entregar a sua vida para Jesus, para que você possa viver a eternidade ao lado dele, no céu. Veja o que a Bíblia diz:
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. João 3.16-18
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Pr. Elton Melo – pastor titular da Primeira Igreja Batista Independente de Curitiba
Fonte: ICP – Instituto Cristão de Pesquisa e G1 – Dia de finados.