Ao longo da história da Igreja, diversas correntes teológicas discutiram o assunto do nascimento virginal de JESUS.
Os Ebionitas, pro exemplo, rejeitavam o nascimento virginal, sutentando que Jesus nasceu de José e Maria de forma normal (conforme citado em Justino de Roma). Para eles, Jesus foi um ser humano comum, com notáveis dons de justiça e sabedoria, os quais não eram sobre-humanos ou sobrenaturais , embora predestinado como o Messias. Segundo essa corrente de pensamento, Cristo desceu sobre Jesus em forma de pomba e p´roximo do fim da vida, antes da crucificação, o Cristo se retirou dele. (ERICKSON, 2016 p. 668).
MARIA, A ESCOLHIDA PARA SER A MÃE DE JESUS
1. Uma mulher daria à luz o Messias prometido.
Na época do nascimento de Jesus, entre os judeus, existia uma grande expectativa messiânica, pois acreditavam que o Messias os libertaria da opressão romana. As mulheres judias tinham a esperança de serem escolhidas para tamanha honra, de ser mãe da figura mais esperada de seu povo. Esta expectativa surgiu, principalmente, pela influência da literatura apocalíptica, que surgiu cerca de dois séculos antes de Jesus.
O texto messiânico mais expressivo para demonstrar essa realidade é Isaías 7.14-16, complementado por Isaías 9.1-6. Maria teve o privilégio de dar à luz o menino Jesus, o verdadeiro Messias, que Israel esperava. Assim, Maria foi a protagonista de uma das mais especiais promessas de Deus. Ela foi o instrumento pelo qual Deus se fez presente, morando junto com o seu povo (Emanuel).
2. Uma mulher escolhida para ser agraciada. A igreja católica usa o termo “imaculada conceição” em referência a
Maria. Esse termo é utilizado erroneamente por eles em uma referência à concepção da própria Maria. Segundo a crença católica, ela foi preservada da mancha do pecado original desde a sua concepção.
3. Uma mulher que diz sim para o plano divino.
Maria realmente foi agraciada em ser escolhida para ser a mãe de Jesus Cristo. Todavia ela estava na mesma condição de qualquer outro ser humano: separada de Deus. Portanto, totalmente dependente do ato salvífico de Cristo na cruz como qualquer um de nós. Paulo afirma em Romanos 3.10 que: “[…] Não há um justo, nem um sequer.” Este texto ratifica a dependência humana da salvação por meio de Cristo, incluindo Maria.
No plano de Deus, a virgem Maria estava destinada a ser a mãe do Cristo, o Messias e Salvador. Maria aceitou sem nenhuma restrição o convite de Deus feito por intermédio do anjo. Ela responde com firmeza, se colocando na posição de serva e se submetendo a tudo.
A CONCEPÇÃO VIRGINAL DE JESUS CRISTO
1. Um nascimento diferente dos relatos míticos.
Existem algumas alegações errôneas e não bíblicas de que a concepção virginal de Cristo foi baseado no relato de mitos pagãos, todavia Mateus afirma que Maria simplesmente “achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18).
2. A concepção virginal de Jesus.
Para comprovar o plano divino do nascimento virginal, Mateus não recorre à mitologia e sim ao profeta Isaías: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).
3. A origem divina de Jesus.
Quando se fala de concepção virginal, o que está em questão é a preservação da virgindade de Maria no processo da concepção. Mateus evidencia a origem divina de Jesus por meio da narrativa da
concepção sem ação humana e unicamente pela ação divina, independente do casal escolhido para a missão de criar e educar o Messias prometido. Assim, Jesus é apresentado como o Messias divino no qual se cumpriram as profecias do Antigo Testamento. Após o nascimento de Jesus, Maria e José tiveram vários filhos (Mt 13.55).“Não há nenhum justo sequer (Rm 3.10-12). A partir deste verso o autor faz vários recortes do Antigo Testamento, chamando assim, a escritura judaica para testemunhar a culpa universal, tanto de judeu como dos gentios. Inicia citando Salmos 14.1-3 para demonstrar que toda humanidade estava corrompida pelo pecado.
Paulo não traz algo novo, mas busca do próprio texto sagrado para os judeus, em que se diziam mestres e conhecedores. Todavia, faltava a eles uma correta interpretação das escrituras. […] O apóstolo indiretamente já havia afirmado a culpabilidade universal, mas aqui, embasado pelo Antigo Testamento, enfatiza que ninguém consegue ser justo por si mesmo, pois a natureza humana é má. Por isso, é preciso entender que ninguém é melhor do que o outro e que a alternativa para o bem-estar da humanidade é adotar uma posição de humildade e misericórdia. O único que foi justo por mérito próprio foi Jesus, e Ele não se considerou superior, nem desprezou as pessoas por isso. Pelo contrário, Cristo tratou as pessoas como iguais, incluindo os que eram considerados excluídos no seu convívio” (NEVES, Natalino das. Justiça e Graça: Um Estudo da Doutrina da Salvação na Carta aos Romanos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 42).
“A genealogia de José é apresentada em Mateus 1. Ele era carpinteiro (Mt 13.55) que vivia em Nazaré (Lc 2.4). Mas, como descendente de Davi, sua casa ancestral estava em Belém. Estava noivo de Maria na época em que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo.
Ao saber que Maria estava grávida, quis evitar que ela fosse exposta à vergonha pública, embora cogitasse divorciar-se e despedi-la secretamente. Mas em um sonho foi informado por Deus que a concepção de Maria era divina e foi encorajado a se casar com ela. Para se registrarem e pagarem o imposto real, ele e Maria foram a Belém, onde Jesus nasceu. José é mencionado juntamente com Maria e Jesus na visita dos pastores (Lc 2.16) e na apresentação de Jesus no Templo (Lc 2.27). Em um sonho, Deus instruiu José a fugir da ira de Herodes, ir para o Egito, e lá permanecer durante algum tempo.
A última participação de José é mencionada no evento dos Evangelhos relacionado com a visita feita à festa anual em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade (Lc 2.41-52). Ele não foi incluído com Maria e seus filhos em Mateus 12.46-50. Embora João 6.42 possa indicar que José ainda tivesse vivo durante parte do ministério de Jesus. José não aparece na crucificação quando Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João (Jo 19.26,27), portanto podemos concluir que José havia morrido antes desse acontecimento” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1092).
Desde tempos imemoriais, o povo de Israel sabia que qualquer um nascido de uma pecadora era também um pecador, uma pessoa contaminada. Mas o Senhor Jesus por outro lado, foi concebido pelo Espírito Santo e era, portanto, puro e santo (cf. Jó 14:4; Lucas 1:35) o Filho de Deus tornou-se verdadeiro homem, mas em contraste com outras pessoas, Sua natureza não foi contaminada pelo pecado. Desse modo, Ele pôde tornar-se o Salvador de Seu povo e de nós também. No ano 2008, uma pequena tribo em Papua na Nova Guiné ouviu a história do nascimento do Senhor Jesus pela primeira vez. Depois, um nativo explicou: “isso foi algo que sempre me deixou admirado. Se não podemos salvar a nós mesmos, então aquele que poderia fazê-lo precisava ser totalmente diferente. Ele não poderia ser como nós. Agora eu entendo. Ele era diferente. Ele não tinha a natureza pecaminosa de Adão”.
Na vulgata Latina, tradução usada pelos católicos, afirma que Maria Deus a Luz a Jesus através do seu seio, uma vez que Maria continuou virgem para sempre. Éssa é a posição católica.