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O cristão e as guerras

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REVISTA DE ESTUDOS BÍBLICOS
Redator: Pr. Elton Batista de Melo.
Lição 13 – 26 de junho de 2022
Assunto: O cristão e as guerras – Hb 12.4; Sl 144. 1,2; Fl 1.27; I Sm 17.47
Título: Guerras humanas/espirituais: PERSPECTIVAS DIFERENTES.

Leituras diárias (Por favor, embase os textos diários que linkam com o tema desenvolvido na lição)

Segunda-feira: Nm 31.13-24
Terça-feira: Dt 20.1-4
Quarta-feira: Sl 21.1-13
Quinta-feira: J 39.11-18r
Sexta-feira: Ez 28.1-19
Sábado: Jr 25.12-28
Domingo: Dn 11.1-9

Objetivos da lição:
CONHECER
PERCEBER
PRATICAR
O que a Bíblia ensina sobre guerras humanas/espirituais e suas diferentes perspectivas.

Que Deus está ao nosso lado para nos ajudar a enfrentar as lutas, as batalhas diárias e presentes.
A Igreja está preparada para enfrentar as guerras da vida? Debata.

TEXTO ÁUREO
Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus.
2 Timóteo 2.3
TEXTOS BÍBLICOS INSPIRATIVOS: (Não alterar a formatação do texto bíblico)
Bendito seja o Senhor, a minha Rocha, que treina as minhas mãos para a guerra e os meus dedos para a batalha.
Ele é o meu aliado fiel, a minha fortaleza, a minha torre de proteção e o meu libertador, é o meu escudo, aquele em quem me refúgio. Ele subjuga a mim os povos.
Salmos 144.1,2
Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo, para que assim, quer eu vá e os veja, quer apenas ouça a seu respeito em minha ausência, fique eu sabendo que vocês permanecem firmes num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica,
Filipenses 1.27
Todos que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e ele entregará todos vocês em nossas mãos”.
1 Samuel 17.47
Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o próprio sangue.
Hebreus 12.4

Introdução
Nem bem a história do mundo começa, já temos uma primeira batalha campal. Caim, com inveja do seu irmão Abel, mata-o no campo. A verdade nua e crua da maior consequência do pecado começou a agir na primeira família, e nunca mais parou.
Guerras aconteceram ao longo da história, pelas mais diversas razões, mas em todas elas, a motivação sempre foi tomar, conquistar o que o outro tem. E é justamente neste cenário de guerra que o povo de Deus é chamado a atuar, ora se posicionando a favor da justiça, da verdade e da fé, ora tendo que suportar o peso de exércitos bem armados e defender a sua terra, sua fé e suas vidas.
Com exceção das batalhas ordenadas pelo próprio Deus em função do pecado do povo que habitava a terra prometida, onde o exército de Deus é explicitamente ordenado a tomar a iniciativa, nas demais guerras registradas na Bíblia é o inimigo que tenta oprimir, escravizar e defraudar o povo de Deus.
Ainda assim, embora o próprio Deus se denomine “Senhor dos Exércitos”, ele é o DEUS DA PAZ, O JEOVAH SHALOM. Por mais que os cristãos atuais sejam pacifistas, em algum momento houve e haverá guerra os cristãos eventualmente pegarão em armas e se engajarão. Diante deste quadro, cabe-nos perguntar: onde Deus está em momentos de conflitos humanos? Como os cristãos podem se posicionar diante dos conflitos que podem ainda vir a ocorrer? Como o serviço cristão pode fazer a diferença numa guerra.

Tópico I – DEUS NÃO ASSISTE PASSIVO
As guerras que o senhor ordenou ao seu povo tinham características de juízo sobre o povo a ser enfrentado. Muitas pessoas não gostam de ler o Velho Testamento por conta da “matança” que se sobressai em cada história ou batalha. Mesmo assim, estas ordens divinas tem como pano de fundo um pecado de um povo sendo posto na balança e reprovado.
Nestas guerras, Deus instrui o seu povo a se purificar (Nm 31.13-24), os despojos eram consagrados ao Senhor e repartidos equitativamente (Nm 31.27), porém tudo que era impuro deveria ser completamente queimado. Não há uma única ordem da parte de Deus, nem mesmo licença para invadir territórios ou ampliar conquistas pelo prazer humano de conquistar e escravizar o semelhante. Porém, sempre que o povo de Deus precisava ir à guerra, atacando ou defendendo, o Senhor sempre se fez presente (Dt 20.1-4).
Deus jamais abandonou o seu povo no campo de batalha. Muitos milagres estão registrados na Bíblia pela intervenção dos anjos do Senhor em favor do seu povo. Mas, Deus, na sua justiça, permitiu também que exércitos inimigos como os assírios, os babilônios, os gregos e os romanos fossem usados contra o seu povo, em decorrência do pecado contra o Senhor.

Aplicação
Percebemos que Deus não é neutro, ele está presente nos momentos em que o povo de Deus está em guerra. O que é melhor, lutarmos ao lado de Deus ou lutarmos contra ele?

Tópico II – SEMPRE DO LADO DA JUSTIÇA, DO BEM.
Tiranos se levantam sobre a face da terra tentando dominar e escravizar vidas, a história está repleta de pessoas que na sua arrogância e prepotência, quiseram dominar o mundo. Esses projetos são diabólicos, a ponto do rei de Tiro ser comparado a satanás (Ez 28.1-19). Muitos outros reizinhos e diretores tentam ocupar este lugar, e ainda hoje não é diferente.
Cabe ao povo de Deus perceber a encenação política por trás de cada palavra. Nossa luta evidentemente não é contra carne ou sangue, pois não temos ordem expressa da parte de Deus de travar uma “guerra santa” contra pessoas ou povos.
Ainda assim o povo de Deus precisa perceber que está numa batalha. O mundo espiritual é muito mais dinâmico do que vemos ou sentimos. Satanás deseja em todo o tempo apenas matar, roubar e destruir (Jo 10.10) . Ele nunca pára e está sempre tentando uma investida nova. Entenda que esta luta do mal contra o bem, não é apenas contra os cristãos, mas contra a vida criada por Deus.
Precisamos parar de olhar as aparências das declarações políticas e sermos capazes de perceber o que está por detrás destes cenários. E, orar, jejuar e buscar a face do nosso Deus para que toda artimanha de satanás seja desfeita em O nome do Senhor Jesus.

Aplicação
Será que não temos permitido que o nosso coração receba diversas “boas influências”, sem avaliarmos o que está “embutido”, nas “boas coisas” que nos são oferecidas?
Tópico III – TESTEMUNHOS CRISTÃOS EXCELENTES
Não nos faltam testemunhos de homens e mulheres cristãs que, convocados para lutar numa guerra, foram e são seus testemunhos exemplares. Sabemos que em tempos de guerras impera um caos muito grande. Uma geração inteira pode ser perdida, sonhos e projetos são destruídos. Mas onde impera o caos, um servo de Deus pode fazer muita diferença. Vale a pena destacar alguns personagens:
FLORENCE NIGHTINGALE – Era uma cristã anglicana, tendo sido convocada ainda aos 17 anos para servir na frente de batalha, na guerra da Crimeia (1854), acreditava ter um chamado divino para servir como enfermeira. Numa época em que as guerras eram brutais e o respeito pelas mulheres ainda menos observados, ser enfermeira e cristã num acampamento de soldados era um desafio duplo. A desorganização do sistema militar de saúde era tão grande, que 43% dos soldados feridos morriam no hospital por falta de higiene e outros cuidados. Em poucos meses ela reorganizou o hospital militar e alcançou um resultado surpreendente, onde apenas 2% dos feridos faleceram, quando em tratamento. Tal resultado foi reconhecido pelo governo britânico e, em 1864, em sua homenagem e inspiração foi criada a Cruz Vermelha Internacional. Florence é a patronesse da enfermagem. Era um cristã, simples, dedicada a fazer diferença por onde passou. Ficou reconhecida como a “dama da lâmpada”, pois mesmo à noite, visitava as enfermarias para atender os pacientes.
DESMOND DOSS – Esse personagem foi retratado no filme “Até o último homem”. Ele foi o primeiro soldado a alegar imperativo de consciência ao ser condecorado com a Medalha de Honra do governo americano. Doss se recusava a pegar em armas e a matar, por motivos pessoais e religiosos, mas mesmo assim se alistou no Exército durante a Segunda Guerra Mundial porque acreditava ser a coisa certa a fazer. Depois de uma batalha sangrenta em Okinawa, salvou sozinho algo entre 50 e 100 soldados feridos, deixados para trás no alto de um penhasco quando a companhia bateu em retirada. Foi condecorado com a mais alta honraria militar dos EUA. Ele precisou vencer o preconceito religioso e defender a sua fé.

Aplicação
Compartilhe com a classe um personagem da Bíblia ou da história que indo para a guerra, fez a diferença, servindo e cuidando de pessoas. Com certeza há muitos e bons testemunhos.

Conclusão

O nosso Deus é um Deus comprometido com as misérias humanas. Seu amor e compaixão para sua obra-prima é são notáveis mesmo quando os seres humanos entram em guerras fratricidas. Deus não fica inerte, ou “surpreso”. Deus continua agindo. Nossa mente é limitada demais para compreender como um Deus tão bom, consegue suportar a maldade humana e ainda assim trabalhar com o homem. A despeito das milhões de pessoas mortas ou acidentadas nas guerras, Deus sempre tem um alvorecer de graça e de paz para a humanidade. Ele frustra os planos dos comandantes ambiciosos e cuida do seu povo em meio ao caos.

Referencial bibliográfico

DEUSES E GENERAIS – um excelente filme sobre a guerra civil americana que mostra a teologia dos comandantes militares do sul e do norte – em ambos os exércitos haviam cristãos, predominantemente batistas e presbiterianos; embora o filme seja longo (4h), vale a pena assistir.
‘Até o Último Homem’: a história de um cristão na guerra – disponível em: https://www.alcancevitoria.com/ultimo-homem/ – acessado em 4fev22
ERICKSON , Millard J. Teologia sistemática – São Paulo : Vida Nova, 2015


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