O uso de serpentes no culto ao Senhor é uma triste realidade em muitas igrejas, especialmente nos Estados Unidos. Para muitos eles são uma seita, embora eles digam que seguem a Bíblia. Surgido no início do século passado, o movimento de igrejas dos manipuladores de serpentes ainda resiste no estado da Virgínia Ocidental, EUA, único lugar onde a prática ainda é legal. Nos outros estados onde havia a prática, Kentucky e Tennessee, foi proibido esse tipo de culto.
O lançamento recente do livro Test Of Faith: Signs, Serpents, Salvation [Teste de Fé: Sinais, serpentes e salvação] trouxe à tona novamente o debate sobre o hábito de se usar cobras vivas e beber veneno em cultos para provarem que Deus está com eles. Um fotógrafo que passou meses convivendo com o pastor Mack Wolford, que morreu picado por uma cascavel dentro de sua igreja.
Há nos Estados Unidos uma vertente neopentecostal que inseriu em sua liturgia a manipulação de cobras durante os cultos. Essa tradição se consolidou em um nicho muito específico ao longo do último século, e já resultou em algumas tragédias. Na última semana, um pastor foi mordido por uma cobra venenosa durante um culto, e escapou da morte por pouco.
O caso de Cody Coots é peculiar: seu pai, Jamie Coots, morreu em 2014 aos 42 anos após ser mordido na mão por uma cascavel durante um culto na mesma igreja, a Tabernáculo do Evangelho Pleno no Nome de Jesus, na cidade de Middlesboro (Kentucky, EUA). Após a mordida, em apenas sete minutos o pastor veio a óbito.
Três meses depois, quando Cody já havia passado a ocupar o posto de seu falecido pai, ele foi mordido por uma cobra. E agora, o caso se repetiu, segundo informações do portal Metro. Porém, após ser mordido, o jovem pastor pediu que fosse levado ao topo de uma montanha na região, para que Deus decidisse se ele deveria viver ou morrer.
O fiel que o socorreu após a mordida no rosto desobedeceu e o levou a um hospital, o que provavelmente salvou sua vida. Os médicos que o atenderam disseram que a cobra chegou perto de cortar a artéria temporal, o que quase certamente o mataria.
Anos antes do episódio que ceifou a vida de Jamie Coots, em 2012, o pastor Mack Randall Wolford morreu aos 44 anos em circunstâncias idênticas, num culto ao ar livre em West Virginia. Em 2015, outro fiel morreu por uma mordida de cobra: John David Brock, 60 anos, foi atacado durante um culto em Kentucky.



A passagem bíblica no Evangelho de Marcos cap.16 vs. 17 e 18, que afirma que os que creem pegarão em serpentes, criou em algumas comunidades cristãs uma tradição de pastores que fazem uso de cobras durante cultos evangélicos. Apesar de vários casos de pastores que morreram durante essa prática, novos pastores têm renovado a tradição, e a mantido viva nos Estados Unidos.
Andrew Hamblin, 21 anos, pastor da Igreja Tabernáculo de Deus em LaFollette, Tennessee, é um dos que faz parte de uma nova geração de pastores que manuseiam serpentes em cultos cristãos, segundo informações da Charisma News. Os pastores manipuladores de serpentes mais velhos normalmente se mantinham cautelosos quando à pratica, sobretudo por ser considerado ilegal, mas o mais novos usam o Facebook para chamar visitantes para igreja e promover sua forma de culto.Eles tentam mostrar uma beleza e poder em sua forma extrema de espiritualidade, e esperam, num período curto de tempo, reverter a proibição do Estado que diz ser ilegal manusear cobras na igreja.