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Testemunho de fé de Eliane Matos

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Eu vou trazer meu testemunho essa noite pra vocês mas eu queria iniciar fazendo uma pergunta: vocês sabem o que faz um embaixador ou de uma embaixadora? Embaixador é o mais alto cargo diplomático da representação de um país. Eu creio que para representar um país, um homem (embaixador) ou uma mulher (embaixadora) ela precisa ter algumas qualidades que eu faço um paralelo com o fruto do Espírito.

Qualidades de um embaixador

Uma pessoa que tem a chama do Espírito Santo ela “produz”, ela “gera” seu fruto que é composto das seguintes qualidades: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Um Embaixador deve possuir essas qualidades. Ele precisa ter equilíbrio, ter domínio próprio para tomar suas decisões, ser reservado, ser bondoso,  amável,  gentil, fundamental que seja pacífico, ponderado, não se deixar levar por impulsos, ter sensibilidade, ser fiel ao seu país, e ainda mais, precisa ter conhecimento, ser estratégico, ser uma pessoa digna, não metido com corrupção, com imoralidade, que tenha valores morais, e que viva debaixo de uma missão – representar de forma ímpar, excelente, o seu país.
A Bíblia cita em algumas situações sobre um embaixador, como aquele que “vai em uma missão”; como um intérprete”; como um “mensageiro”.

Este o nome usado pelo apóstolo Paulo como designando aqueles que são nomeados por Deus para proclamar Sua vontade. Vamos ver ali em (2Co 5:20); E eu quero que vocês guardem essa palavra Reconciliação. E em Ef 6:20) o apóstolo Paulo declara que mesmo estando presos em correntes, ele continuava a anunciar essa mensagem como embaixador de Cristo.
Os hebreus em várias ocasiões e para vários propósitos recorreram aos serviços de embaixadores, por exemplo, para fazer alianças (Js 9:4), para solicitar favores (Nm 20:14), para protestar quando o erro foi feito (Jz 11:12), para enviar condolências com um jovem rei sobre a morte de seu pai (2Sm 10:2), e para felicitar um rei em sua ascensão ao trono (1Rs 5:1).
Deus nos deu essa mensagem, de levar a reconciliação. Ele nos “encoraja”. A Bíblia, no verso 20b diz: “Deus faz seu APELO, por nosso intermédio. Assim, vos suplicamos em nome de Cristo que vos reconcilieis com Deus”.   E com isso eu quero fazer um paralelo, se somos embaixadores de Cristo,
Que título de nobreza Deus nos concedeu!  Somos embaixadoras, e no caso nós mulheres, embaixadoras de Cristo. A Bíblia nos diz em 2Samuel 10.1-5 que “ferir um embaixador era insultar o rei que o enviara”! Se somos embaixadoras de Cristo, somos dignas do amor, do sacrifício, de representar nosso Deus em amor, em poder, em dignidade, em pureza, em mansidão, em temperança, em… domínio próprio!
Como poderemos ser testemunhas e representarmos o Reino de Deus se não estivermos totalmente dependentes do poder curador, transformador, santificador do Espírito de Deus? Só Nele obtemos essa solene e diplomática missão… a de sermos suas embaixadoras, como mulheres sermos embaixadoras do Rei!!

Mulheres com uma grande missão

E eu quero encorajá-las minhas irmãs essa noite, e olhar para si mesmas como mulheres embaixadoras, mulheres “com uma grande missão”; (dentro do seu lar, como conciliadora, como negociadora da paz, como instrumento de Deus para restaurar e equilibrar a dinâmica do seu lar, nesses dias de tanta violência, tantos desentendimentos nos lares com seus cônjuges e com os filhos); perdeu-se algumas família estão negociando seus valores, outras já a perderam); não há necessidade mais honestidade, não há mais sendo de correção e justiça, não há mais disciplina; as pessoas me perguntam: Me diga você como psicóloga me responda: Eu devo dar dinheiro para meu filho viciado em drogas? Eu devo me sujeitar ao meu marido crente que me espanca? Eu devo denunciar meu pastor que agride, fere, humilha e desrespeita sua esposa e filhos?  Eu devo impedir que minha filha continue sendo agredida por seu esposo? Mas ele é crente!!!
Quando nós começamos a subverter aquilo que a Palavra de Deus nos ensina sobre casamento? Quando deixamos de ajudar as famílias que correm risco de morte, algumas de perderem sua sanidade, de destruírem todo o respeito e amor mútuo exigido na Palavra de Deus?
Mulheres, que possamos ser sábias  como possuindo uma missão: A nossa missão é única, é digna, é fundamental nos nossos lares como embaixadoras, “intérpretes” das situações (as mulheres são sistêmicas, elas observam e diagnosticam o ambiente e os relacionamentos entre si: os homens são focados, é impressionante o poder que o homem tem de, sob uma missão, ser focado, estar empenhado racionalmente naquela tarefa, naquela missão, naquele chamado.
E isso é de Deus! Eles não podem se perder com pequenos percalços do caminho; e nós precisamos ajudá-los nesse sentido, os assessorando alertando as vezes: Cuidado, tem uma pedra ai no caminho! E a mulher deve andar com ele sob essa mesma missão!! Não foi para isso que casamos? Para desfrutar de uma família? para termos segurança e felicidade ao lado de um homem que nos ama, que nos cuida e apóia? Não foi para sermos companheiras, auxiliadoras, ajudadoras idôneas; e ainda como sendo ”mensageiras”, influenciadoras, negociadoras, fazendo que a missão do nosso esposo seja ampla, seja mantida, amadureça e renda frutos!

Meu testemunho

Como embaixadora de Cristo quero falar do amor e da bondade de Deus na minha vida. Orando a Deus depois perguntei a Deus: – Que testemunho Senhor tu queres que eu transmita para esse grupo de mulheres? Fiquei orando e buscando ao Senhor, porque na realidade um testemunho de fé sempre me pareceu algo “extraordinário” da parte de Deus. Algo como experimentou Paulo no caminho de Damasco. Mas ele estava perseguindo os cristãos, fazendo-os sofrer e Deus aparece para ele perguntando por que me persegues? O ódio não era exatamente contra os cristãos, era contra Deus! E Deus o interpela!
E comecei a pensar, eu pensei em conversões grandiosas de pessoas que saíram das garras de satanás para a Luz de Jesus. Eu pensei no meu pai que foi resgatado do espiritismo de umbanda e encontrou razão e sentido de viver ao lado do amor e do poder transformador de Jesus. Eu pensei em tantos testemunhos poderosos de grandes transformações e pensei comigo: Eu tive sempre uma vida ordinária, nunca tive nada de extraordinário como uma conversão e transformação radical, poderosa e mudança de estilo de vida. Mas no meu caso, eu já nasci num lar cristão. Desde que me lembro por gente, meu pai pregava, nós cantávamos e vivíamos uma vida de direção e orientação do Espírito Santo. E eu comecei a lembrar das inúmeras bençãos e dos livramentos que Deus nos deu.
Mas bem antes de tudo isso, meu pai (pastor Gilberto Stêvão) foi pastor em Frederico Westphalen pela Igreja Batista Independente, cidade onde eu nasci e meus dois irmãos mais velhos, e depois foi pastor em Passo Fundo, onde meu terceiro irmão nasceu. Quando meu pai veio para Curitiba, ele iniciou o Centro Evangélico de Curitiba. E a nossa vida foi moldada pela constante confiança que Deus estava no controle de todas as coisas.
A nossa vida foi se desenvolvendo de fé em fé. Eu comecei a me lembrar do permanente cuidado de Deus nas nossas vidas. Eu me lembro bem dos cultinhos em família, da Bíblia para Crianças que era lida diariamente, das orações antes de cada refeição, e antes de dormir. Veja a importância minhas irmãs do ensino aos nossos filhos, do fundamento que foi lançado em nosso caráter desde cedo.
A Bíblia nos fala que devemos ensinar nossos filhos no caminho em que devem andar e até quando forem velhos, não se desviarão dele!! E, ainda na demonstração da confiança que Deus iria suprir cada situação. Eu sempre fui muito curiosa e era maravilhoso observar e ver o agir de Deus em cada passo das nossas vidas.

Centro Evangélico de Curitiba

Eu lembro da criação do Centro Evangélico de Curitiba, onde as pessoas vinham para receber doações, alimento, roupas e oração, ensino da Palavra. Eu e meus irmãos fazíamos quadrinhos de gesso inscritos “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” para ajudar no orçamento e isso ficou profundamente gravado em meu coração. E tudo isso fazia parte do fundamento lançado nos nossos corações de servir o reino de Deus.
Eu lembro com clareza do programa de Rádio que meu pai fazia e ele me levava junto por volta dos 5 anos idade, e eu ficava fascinada pela ideia de ouvir a voz do meu pai sendo transmitida pelo rádio, e dos ensinos que ele passava. Tudo isso foi forjando meu caráter, nessa época minha mãe começou a fazer reuniões das senhoras na nossa casa, onde era ensinado pela irmã Eunice e pela irmã Lenira a bordar, costurar, a fazer tricô e crochê.
Também lembro dos cultos aos domingos, da tenda de lona quando não cabia mais no salão; da Casa de Recuperação de Viciados, da família do Egil, um jovem viciado que foi totalmente transformado por Jesus, depois veio a cursar Direito, fez Seminário e hoje é pastor em São Paulo; e muitos outros jovens que tiveram sua vida transformada naquela época.
Lembro da escassez de alimento, mas nunca passamos fome; Da criação da Escola Evangélica de Curitiba; me lembro da minha mãe me ensinando a escrever cartas para minha tia Marina em Pelotas, que me despertou o gosto por escrever, das tarefas escolares juntas, do ensinamento da música que não me tornou uma musicista, mas que me despertou para o louvor e a adoração e mais tarde montamos um Grupo da Família e depois o Grupo Cantares, já mais jovens. Forma inúmeras viagens em família pelo Brasil todo; cantando e transmitindo a mensagem do evangelho de Jesus, que resgatou meu pai das trevas de Satanás, para a Luz de Cristo. Os meus irmãos tocavam cada um seu instrumento e eu cantava, até hoje tenho uma voz de taquara rachada, mas dava minha contribuição. Mais tarde, gravamos um CD quando eu tinha por volta dos 13 anos de idade.

Colégio 19 de Dezembro

As vidas sendo salvas e Deus mostrando seu amor no suprimento para nosso sustento e para a impressão dos livros lançados por meu pai. Foi onde Deus amalgamou em meu coração seu amor, seu cuidado, e onde nem cogitávamos duvidar do que Deus iria realizar. Mais tarde meu pai aceitou o desafio de comprar o Colégio 19 de Dezembro, sem dinheiro nenhum, pela fé, um colégio totalmente falido, mas com a promessa, a confiança e a determinação de que Deus iria suprir.
Lembro das lutas e dificuldades nos primeiros anos, em que todos começamos a trabalhar bem cedo, distribuindo folhetos, trabalhando na cantina e depois um pouco maiores na administração do Colégio. E assim foi, meu pai conseguiu honrar o preço acordado com o antigo proprietário, no início com a venda dos livros para ajudar a honrar os compromissos. do pagamento dos professores, aluguel etc., e depois o colégio passou então a financiar as viagens evangelísticas. Deus nos dando respaldo para confiar totalmente na sua graça e na sua direção para os rumos que tomariam nossas vidas dedicadas para a Obra do Senhor.

Missão em Portugal

Um certo dia meu pai ouviu a voz de Deus falando ao seu coração dizendo: Chega, pra mim, por um tempo em Portugal. E foi em 1985 (quando eu tinha 17 anos) que embarcamos com a família toda (eu, meus pais e meus quatro irmãos) para passar quase um ano de nossas vidas, viajando e pregando o evangelho em Portugal, depois na Espanha, França, Suíça, e na Inglaterra. Meus pais e um dos meus três irmãos ainda foram até Bélgica, Suíça e Holanda.
Mas Deus tinha outros planos para mim e meu irmão Marcos. E foi um tempo tremendo de ver a mão de Deus nos conduzindo passo a passo. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Eu lembro aquelas igrejas ficando lotadas de gente sedentas da Palavra de Deus vindo a se converter e a serem impactados por uma família toda rendidas aos pés de Jesus!
E durante o tempo que estivemos em Portugal conhecemos o missionário Harvey que era um senhor inglês da cidade de Birmingham  Inglaterra, e ele tinha dedicado grande parte da sua vida à pregação do evangelho em Portugal, ele já era bem idoso, e ele não pertencia a missão nenhuma, ele tinha um táxi “Black cab” aquele carro preto tipicamente inglês e ele vivia das suas corridas e ajudava os missionários e as igrejas financeiramente. E ele nos perguntou se eu e meu irmão Marcos, não gostaríamos de morar por um tempo na cidade Birmingham, na casa de uma parente sua, enfermeira que era viúva para nos dedicarmos a estudar e com isso fazermos companhia para essa senhora também idosa.
E foi assim que ficamos na Inglaterra estudando. Foi um tempo de aprendizagem, de crescimento e desenvolvimento pessoal e espiritual. Aprendemos a lidar com dinheiro, a economizar, a conviver com regras bem rígidas, e a ordenarmos nosso tempo entre o estudo e as tarefas da casa. Deus nos deu esse precioso presente para aprendermos a confiar e a depender totalmente Dele! E esse aprendizado da língua inglesa depois foi um dos pré-requisitos necessários para eu ter entrado no Mestrado que faria mais tarde.

Péricles Matos

Depois nosso retorno para casa, minha entrada na faculdade de Psicologia na Tuiuti. Nesse ínterim conheci meu esposo Péricles de Matos, em um retiro de jovens na Lapa, do movimento da Adhonep Jovem.  O Péricles tem origem assembleiana, na época a Adhonep fazia um grande movimento aos sábados, porque a maioria das igrejas não tinha um culto específico para jovens, e eu comecei a participar desse movimento de jovens.
Meu marido é de Irati, mas na época era cadete da Academia Militar do Guatupê, e no quarto ano de Psicologia, quando ele já era tenente, nos casamos. Foi aquela cerimônia linda do teto de aço, dos oficiais da Polícia Militar, meus irmãos tocaram no meu casamento e foi tudo muito precioso, e por isso eu sou profundamente grata a Deus. Graças a Deus, o Péricles é um homem temente a Deus, que me ama muito, me respeita e me apoia em toda a minha trajetória, em todos os meus projetos.
Mas eu precisei muito, da sabedoria do Senhor, do entendimento de Deus para entender a grande missão ao qual meu esposo estava imbuído e não perturbá-lo nos seus alvos e objetivos com minhas reclamações de falta de tempo para mim e para meus filhos. Na maioria das vezes tive que priorizar suas atividades, tive que ter muita paciência, tive que chorar e orar sozinha, tive que confiar no apoio e no sustento de Deus para suportar os revezes e as angústias de uma grande missão!

Psicologia

Me formei, fiz especializações, trabalhando sempre, fiz mestrado em Psicologia Forense, na área de Enfrentamento contra a violência Doméstica. Fiz minha tese e estágios na Delegacia da Mulher, no CREAS onde apresentei um trabalho em grupo para Mulheres vítimas de violência. Meus filhos são jovens comprometidos com a Palavra, tementes a Deus, estão firmes em Jesus.
Eu poderia citar muitas experiências onde Deus me livrou da morte, poderia falar de quando eu era bebê e meu pai conta que eu estava muito doente, minha mãe sozinha durante as viagens evangelísticas do meu pai, a minha situação se agravou, naquela época em Frederico Westphalen, tudo muito precário, a mãe sem recursos, quando o meu pai chegou eu estava severamente doente quase à morte… e meu pai orou à Deus e clamou pela minha vida e Deus o atendeu. Glória a Deus!
Eu poderia citar que Deus me livrou de vários acidentes, quando aos 6 anos caí de uma altura muito grande. quando na fundação de um prédio ao lado de casa; de vários acidentes de carro –  na adolescência indo para um retiro de Jovens da Convenção aqui da Igreja Batista Independente com o então presidente da Mocidade, o Couto, estava junto a Tânia Malinoski, e a filha do Missionário Wilnerzon, nós sofremos um sério acidente na volta, mas Deus nos livrou, ele tinha um plano maior.

Venci o cânce de mama

Tive um câncer de mama em 2017, um câncer maligno, severo, apesar de pequeno, graças a Deus descoberta logo no início, e foi meu irmão Davi que é cirurgião oncologista, que me atendeu e fez cirurgia de um quadrante da mama para retirada do câncer. E por isso faço um alerta às mulheres, sobre a necessidade da prevenção. Tivemos o Outubro Rosa, e no Hospital da Polícia Militar fizemos palestras e eventos, com várias ações na prevenção não só do câncer de mama, mas também do colo do útero, que acomete um número grande de mulheres e que é silencioso, por isso a necessidade de mantermos nossos exames em dia. E eu passei por todo o processo, fiz rádio, quimioterapia, estou ainda em tratamento medicamentoso pois este se atende até 5 anos, mas estou viva para a Glória de Deus e creio, plenamente curada, para a glória do Senhor Jesus! Amém?
Esse ano com o Péricles no Comando Geral da Polícia Militar do Estado do Paraná, tem sido um ano de muitas lutas, mas em tudo temos visto o cuidado e o amor de Deus em nossas vidas. Tivemos cinco acidentes de carro esse ano, perdemos bens materiais, transtornos, muitas idas ao médico, tratamentos, tive problemas de saúde decorrentes das pancadas e do trauma dos acidentes, mas em tudo a mão de Deus nos livrou, eu e a minha família, e Ele nos tem em suas mãos.
Os planos de Deus são tão mais altos e sublimes, que nós não conseguimos entender e nem dimensionar qual é o propósito de Deus com tudo que passamos nas nossas vidas. Pela minha experiência de trabalhar sempre no colégio, trabalhei como Psicóloga em Colégio, em empresas e atendendo em Consultório.

Criando os filhos

Quando meu filho caçula tinha 4 anos, o meu marido foi transferido para Guarapuava, e ali moramos por cinco anos. Mas no terceiro ano do Comando ele foi transferido para comandar a polícia na cidade de Toledo.  Mas eu e os nossos dois filhos ficamos em Guarapuava por mais 2 anos, porque tínhamos finalmente conseguido comprar uma casa e estávamos gozando ainda da alegria de termos nossa casa. Mas meu marido acabou comandando o Batalhão de Toledo por 1 ano, depois foi transferido para Curitiba e ficou mais 1 ano, também com a promessa que voltaria para Guarapuava. E eu sozinha ali naquela cidade, com os filhos, não foi fácil, o Lucas então com 7 anos e o Gabriel com 17 anos, trabalhando, cuidando da casa e dos filhos com 10 anos de diferença, recebendo a visita do meu marido, apenas nos sábados e domingos.
Foi nesse trajeto que ele sofreu um grave acidente voltando de Guarapuava para Curitiba, o carro ficou moído, caiu uma ribanceira que quem viu achou que ele não tinha sobrevivido. Mas Deus o guardou para que cumprisse essa tarefa complexa, muito desgastante, mas extremamente desafiadora e grandiosa de comandar a Polícia Militar do Estado do Paraná com seus 22.000 policiais! Se não fosse Deus nas nossas vidas nós já teríamos sucumbido. Porque as demandas são tantas que quase chegamos a pensar que estava além da nossa capacidade física, mental, emocional e espiritual. Mas Deus tem nos suprido, tem nos mostrado seu amor e sua misericórdia!
Através do comando do Péricles eu acabei assumindo uma Organização da Sociedade Civil, uma entidade sem fins lucrativos que ajuda as famílias de cabos e soldados da Polícia Militar, na assistência social. É um trabalho voluntário que é exercido estatutariamente primeiro pela esposa do Comandante Geral, na ausência dessa pela esposa do Vice ou pela esposa do Chefe do Estado Maior.
Essa Entidade nasceu em 1962 da iniciativa da esposa de um dos Comandantes Gerais da época. Cel. Pombo, e até hoje permanece atendendo cabos e soldados com kits maternidade, e atendimento principalmente para ajudar na área da saúde dos policiais militares. Como já disse é um trabalho voluntário,  para o qual tenho me dedicado a fim de desenvolver outros Projetos, fechando parcerias, e para isso tive que mudar o Estatuto para nos adequarmos às novas leis da Assistência Social. A entidade tem um trabalho voluntários de mulheres às quintas feiras, a maioria esposas de policiais militares, que ajudam com trabalhos manuais a levantar fundos para a entidade. Nós fazemos um kit maternidade que presenteamos a todos os filhos de cabos e soldados com 24 itens, coisa boa mesmo!
E vamos nos apegando e abençoando tantas famílias, que acabei me dedicando quase que integralmente à causa dos policiais esse ano. Então irmãos vocês percebem a trajetória da minha vida? Fui forjada desde pequena, com o trabalho desenvolvido por meu pai, nesse trabalho de Assistência Social, fui ensinada a dar de coração, a me doar como pessoa, a me dedicar a uma causa social, a ter amor pelas pessoas e por seus problemas mais diversos.

Eis-me aqui

E quando tive essa oportunidade eu disse: “Eis-me aqui Senhor, usa-me a mim”. Eu sei que não vou me manter ali como presidente por muito tempo, porque ano que vem meu marido se aposenta, e estatutariamente eu tenho que dar espaço para a esposa do próximo Comandante Geral que virá, mas eu sei o compromisso que assumi e sem dúvida darei prosseguimento aos projetos que iniciei, e vou continuar como voluntária dando a minha contribuição.
Em paralelo com a Cruzada (Igreja Quadrangular) iniciamos um trabalho de Capacitação para Mulheres que se chama DNA da Mulher Brasileira, com 4 pastoras (Pra. Lia, da ABA; Pra. Érica Chekan, da PIB Curitiba, Pra Tânia, da Quadrangular (CIAF), e Pra Adriana, da Alcance, e líderes de quatro denominações. Esse trabalho é voltado para capacitar e desafiar a Igreja no atendimento a mulheres vítimas de violência Doméstica.
Em 2013 eu concluí meu Mestrado em Psicologia Forense e minha tese foi: A Violência Doméstica e o atendimento nas Delegacias da Mulher. Montei, estruturei e fiz um Grupo de Apoio para Mulheres vítimas de Violência no CREAS do Boqueirão. Desse trabalho senti a necessidade do apoio da igreja, porque a mulher vítima de violência é feita quase que uma lavagem cerebral pelo agressor, que na maioria dos casos é o seu próprio marido que a espanca. É uma dependência, é a Síndrome de Estocolmo que se desenvolve na mulher, a mesma que faz com que a vítima de um sequestrador se alie à ele. É como nas seitas, em que a mulher fica como que num estado hipnótico sem conseguir tomar uma iniciativa. E a mulher permanece nessa violência porque não consegue sair sozinha, foi retirada da sua rede de apoio (família, amigos, trabalho, etc).
Em virtude disso levanto um desafio hoje para as mulheres da Igreja Batista Independente de Curitiba. Se você mulher sentiu algo um desejo de se unir nesse Projeto, e se capacitar para ajudar as mulheres Vítimas de violência.

Desafios

Nesse ano nós incluímos a Formação em Capelania. Então a irmã vai fazer um estágio em capelania no Hospital do Rocio em Campo Largo e se desejar no Hospital da Polícia Militar do Paraná. Em Fevereiro do ano que vem estaremos lançando a terceira turma. Portanto, estamos no segundo ano com vários Núcleos de Atendimento em algumas igrejas, em casa de passagem e numa Escola no Sítio Cercado, em que o Diretor sensibilizado com o alto número de violência doméstica nos chamou para um trabalho, do qual eu faço parte. E eu com a Pra. Lia, Keyla estamos todas as quartas feiras no colégio atendendo voluntariamente esse grupo de mulheres.
Meus alvos e desafios para esse Projeto são:

  1. Montarmos um Grupo de Apoio e Assistência para os homens agressores, já tenho Projeto montado;
  2. Montar uma casa de Passagem sigilosa para as mulheres que sofrem risco de morte; com atendimento emergencial circunstancial psicológico e espiritual para as mães e seus filhos, dependendo da faixa etária; envolvendo capelania etc.
  3. Escola Cristã que possua classes especiais que ofereçam atendimento psicológico e espiritual para essas crianças, ensinando-as a sair desse papel de agressor ou de vítima, e para um ensino voltado aos valores e princípios cristãos, para que não se tornem perpetuadores da violência sofrida e se tornem homens e mulheres equilibrados e fortalecidos para os desafios da sociedade moderna.
  4. Projeto de Capacitação Profissional para Cursos e encaminhamento para o Mercado de Trabalho;

Se de alguma maneira esses Projetos fizeram eco no seu coração ou se você pensa que pode ser útil em qualquer área que eu mencionei, venha fazer parte conosco desse sonho. Vamos orar e sonhar juntas por esse desafio!


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