TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS
A Bíblia trata de questões como solidão, desânimo, problemas conjugais, tristeza, relacionamento entre pais e filhos, ira, medo e varias outras situações. Porém não se propõe ser única revelação de Deus para ajudar as pessoas. Deus revelou sua verdade através da bíblia, palavras escritas para a humanidade, mas também permitiu que através da experiência e de métodos de investigação cientifica houvesse promoção de saúde mental para os seres humanos.
Para a psicologia, a personalidade como um todo é denominada psiquê ou ciência da mente. A psiquê abrange todos os pensamentos, sentimentos e comportamento tanto os conscientes como inconscientes. A psicologia é uma ciência que busca conhecer a psiquê, elaborando uma compreensão de como o individuo mantém um estado de mudança contínua e nunca pode atingir um estado de perfeito equilíbrio. Apenas lhe é dado conseguir uma estabilidade relativa.
A personalidade saudável, bem estabilizada atua numa área intermediaria entre as exigências do meio e as exigências internas (princípio do prazer e principio da realidade). Quando as forças internas e externas se desequilibram, aparecem as reações emocionais acentuadas, ou seja não são capazes de encontrar uma justa satisfação podendo surgir os distúrbios de comportamento ou transtornos mentais.
Por transtorno mental, entende-se uma ampla variedade de sintomas que geram angustia ou incapacidade na vida pessoal, social ou profissional do individuo. A angustia e a incapacidade podem ser brandas e apenas levemente perturbadoras, mas também podem provocar grande desestruturação e, em alguns casos, assume proporções extremamente graves. Em transtornos discretos, os sintomas são quase imperceptíveis. A pessoa funciona bem em todas as áreas, é interessada e se envolve em várias atividades, se relaciona bem com os outros, sente-se satisfeita com a vida de um modo geral, e não tem grandes problemas e preocupações. No outro extremo são pessoas que apresentam pensamento distorcido, falhas de comunicação, dificuldade de discernir a realidade, problemas de relacionamentos, dificuldade de ajustamento social ou tendência de se envolverem em situações que ponham em risco a sua integridade física, ou de terceiros.
Os transtornos mentais não são todos iguais. Centenas de transtornos foram identificados e classificados em categorias, de acordo com os sintomas e o grau de incapacidade que provocam.
PRINCIPAIS TRANSTORNOS MENTAIS E COMPARTIMENTAIS
Psicoses
São graves distúrbios da personalidade em que o funcionamento mental esta alterado de tal forma que a pessoas freqüentemente não consegue responder as demandas da vida cotidiana. Causadas por fatores orgânicos ou originados do desenvolvimento psicossocial resultam em acentuadas falhas do desempenho de papeis, da comunicação, do autocontrole, do comportamento, da efetividade, da sensopercepção, da memória, da inteligência e do pensamento. Havendo desta forma perda do senso da realidade. As psicoses podem ser divididas em orgânicas (aquelas em que há uma evidente associação entre o quadro mental e uma enfermidade orgânico-cerebral) ou funcionais (são aquelas em eu no há associação evidente com um quadro orgânico). Para esta finalidade, optou-se por centrar a discussão nas psicoses funcionais.
Esquizofrenia
A esquizofrenia manifesta-se por alterações do pensamento, da afetividade e do comportamento. A alteração do pensamento é caracterizada por distúrbios ideativos que podem levar a uma interpretação distorcida da realidade e, também, a delírios e alucinações. Os transtornos da afetividade caracterizam-se, predominantemente, por ambivalência, reações emocionais inadequadas e desapego em relação aos outros. O comportamento perturbado pode apresentar-se na forma de retraimento, excentricidade ou regressão. De modo geral, o esquizofrênico caracteriza-se pela lenta e progressiva deteriorização da personalidade e pela perda de interesse pelo meio que o rodeia.
Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.
A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando o quadro clínico comporta sintomas depressivos ou maníacos no primeiro plano, a menos que se possa estabelecer sem equívoco que a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse anterior à dos transtornos afetivos. Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou abstinência de droga. Segue abaixo a descrição de alguns tipos de esquizofrenia:
- Esquizofrenia simples
Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um declínio global do desempenho. Os padrões negativos característicos da esquizofrenia residual (por exemplo: embotamento do afeto e perda da volição) se desenvolvem sem serem precedidos por quaisquer sintomas psicóticos manifestos.
- 2. Esquizofrenia hebefrênica
Forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível; existem freqüentemente maneirismos. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao isolamento social. Geralmente o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento de sintomas “negativos”, particularmente um embotamento do afeto e perda da volição.
- Esquizofrenia catatônica
A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. Atitudes e posturas a que os pacientes foram compelidos a tomar podem ser mantidas por longos períodos. Um padrão marcante da afecção pode ser constituído por episódios de excitação violenta. O fenômeno catatônico pode estar combinado com um estado oniróide com alucinações cênicas vívidas.
- Esquizofrenia paranóide
A esquizofrenia paranóide se caracteriza essencialmente pela presença de idéias delirantes relativamente estáveis, freqüentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações, particularmente auditivas e de perturbações das percepções. As perturbações do afeto, da vontade, da linguagem e os sintomas catatônicos, estão ausentes, ou são relativamente discretos.
Transtornos somatoformes
São um grupo transtorno que incluem sintomas físicos para os quais não pode ser encontrada uma explicação medica adequada. Os sintomas e queixas somáticas são suficientemente sérios para causarem um sofrimento emocional ou prejuízo significativo à capacidade do paciente para funcionar em papeis sociais ou ocupacionais. De acordo com a quarta edição do manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM IV), será apresentado quatro transtornos somatoformes específicos:
- transtorno de somatização: é caracterizado por múltiplos sintomas somáticos que não podem ser adequadamente explicados com base em exames físicos ou laboratoriais.
- transtorno conversivo: é caracterizado pela presença de um ou mais sintomas neurológicos que não podem se explicados por um transtorno neurológico ou médico conhecido. Além disso, o diagnostico requer que fatores psicológicos estejam associados com o inicio ou a exacerbação dos sintomas.
- hipocondria: a hipocondria pode resultar de interpretações irreais ou errôneas da pessoa sobre sintomas ou sensações físicas, levando a preocupações e medo de terem doenças sérias, embora não possam ser encontradas causas médicas. As preocupações do paciente resulta em sofrimento significativo e prejudicam sua capacidade par funcionar em papeis pessoais, sociais e ocupacionais.
- transtorno dismórfico corporal: é uma preocupação com um defeito corporal imaginário ou uma distorção exagerada de um defeito mínimo ou sem importância. Para que esta preocupação seja considerada um transtorno mental, é preciso haver sofrimento significativo ou preocupação precisa estar associada com prejuízo na vida pessoal, social ou ocupacional.
Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC
As características essenciais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou causar sofrimento acentuado à pessoa. Leigamente diz-se que a pessoa tem várias “manias” e que é esquisito ou estranho mas, normalmente, o portador de TOC sabe que suas “manias“, obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.
Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los. São experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo paciente em algum momento, ao longo do transtorno, causando ansiedade ou desconforto acentuados. A pessoa tenta resistir a eles, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, reconhecendo-os, no entanto, como produtos de sua mente e não como originados de fora. Não são simplesmente medos exagerados relacionados com problemas reais.
Compulsões são comportamentos repetitivos (por exemplo: .ex.lavar as mãos, fazer verificações), ou atos mentais (rezar,contar, repetir palavras ou frases) que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os comportamentos ou atos mentais são destinados a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, prevenir algum evento ou situação temidos e em geral não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou são claramente excessivos.
A intromissão indesejável de um pensamento no campo da consciência de maneira insistente e repetitiva, reconhecido pelo indivíduo como um fenômeno incômodo e absurdo, é denominado de Pensamento Obsessivo. Portanto, para que seja Obsessão é necessário o aspecto involuntário das idéias, bem como, o reconhecimento de sua conotação ilógica pelo próprio paciente, ou seja, ele deve ter crítica sobre o aspecto irreal e absurdo desta idéia indesejável.
As Obsessões estão tão enraizadas na consciência que não podem ser removidas simplesmente por um aconselhamento razoável, nem por livre decisão do paciente. Elas parecem ter existência emancipada da vontade e, por não comprometerem o juízo crítico, os pacientes têm a exata noção do absurdo de seu conteúdo mental. Em maior ou menor grau, as Idéias Obsessivas ocorrem em todas as pessoas, notadamente quando crianças.
As idéias obsessivas podem aparecer, por exemplo, como uma musiqueta conhecida que “não sai da cabeça”, ou a idéia de que pode haver um bicho debaixo da cama, ou que o gás pode estar aberto apesar da lógica sugerir estar fechado. Em crianças aparecem como um certo impedimento em pisar nos riscos da calçada, uma obrigatoriedade em contar as árvores da rua ou os carros que passam, etc. Estas idéias obrigatórias, quando exageradas e promovedoras de significativa ansiedade ou sofrimento, constituem quadro patológico.
A temática das Idéias Obsessivas pode ser extremamente variável, entretanto, em grande número de vezes diz respeito à higiene, contaminação, transmissão de doenças, bactérias, vírus, organização ou coisas assim. É muito freqüente também a existência de Idéias Obsessivas sobre um eventual impulso suicida, como por exemplo saltar da janela de edifícios, ou em ser acometido subitamente por impulsos de agressão e ferir pessoas, principalmente os filhos. Neste último caso a obsessão está justamente em acreditar que, diante de um mal estar súbito, a pessoa venha a perder o controle e executar, impulsivamente, aquilo que sugere tais idéias.
São muitos os exemplos de pessoas que adotam uma conduta excêntrica motivadas pela obsessão da contaminação ou pelo medo continuado de contágio diante de qualquer coisa que lhes pareça suspeita. Há ainda, casos de pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis quando próximas de objetos pontiagudos, facas, foices, etc, devido a idéia indesejável de que podem, repentinamente e misteriosamente, perder o controle e matar uma pessoa querida.
Desta feita, a Obsessão é um processo mental que tem caráter forçado, uma idéia associada a um sentimento penoso que se apresenta ao espírito de modo repetido e incoercível. São idéias impostas ao psiquismo, incômodas e sentidas como involuntárias, as quais entram na mente contra uma resistência consciente.
Síndrome do Pânico
O Distúrbio do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos, é igualmente prevalente entre homens e mulheres, portanto, em sua maioria, as pessoas que tem o Pânico são jovens ou adultos jovens na faixa etária dos 20 aos 40 anos e se encontram na plenitude da vida profissional. Normalmente são pessoas extremamente produtivas, costumam assumir grandes responsabilidades e afazeres, são perfeccionistas, muito exigentes consigo mesmas e não costumam aceitar bem os erros ou imprevistos.
Os portadores de Pânico costumam ter tendência a preocupação excessiva com problemas do cotidiano, têm um bom nível de criatividade, excessiva necessidade de estar no controle da situação, têm expectativas altas, pensamento rígido, são competentes e confiáveis. Freqüentemente esses pacientes têm tendência a subestimar suas necessidades físicas.
Psicologicamente eles costumam reprimir alguns ou todos sentimentos negativos, sendo os mais comuns o orgulho, a irritação e, principalmente, seus conflitos íntimos.
Essa maneira da pessoa ser acaba por predispor a situações de stress acentuado e isso pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro, desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e conseqüentemente o aparecimento do Pânico.
Depois das primeiras crises de Pânico, durante muito tempo os pacientes se recusam aceitar tratar-se de um transtorno psicoemocional. Normalmente costumam ser pessoas que não se vêem sensíveis aos problemas da emoção, julgam-se perfeitamente controladas, dizem que já passaram por momentos de vida mais difíceis sem que nada lhes acontecesse, enfim, são pessoas que até então subestimavam aqueles que sofriam problemas psíquicos.
Os ataques de pânico são recorrentes (voltam) e caracterizam essencialmente este distúrbio. Essas crises se manifestam por ansiedade aguda e intensa, extremo desconforto, associados e medo de algo ruim acontecer de repente, como por exemplo da morte iminente, de passar mal, desmaiar, perder o controle, etc. As crises de ansiedade no Pânico duram minutos e costumam ser inesperadas, ou seja, não seguem situações especiais, podendo surpreender o paciente em ocasiões variadas. Não obstante, existem alguns pacientes que desenvolvem o episódio de pânico diante de determinadas situações pré-conhecidas, como por exemplo, dirigindo automóveis, diante de grande multidão, dentro de bancos, etc. Neste caso dizemos que o Distúrbio do Pânico é acompanhado de Agorafobia.
Uma vez que os Ataques de Pânico ocorrem em diversos quadros de Ansiedade, o texto e o conjunto de critérios para um Ataque de Pânico são oferecidos separadamente nesta seção.
A característica essencial de um Ataque de Pânico é um período distinto de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 de 13 sintomas físicos citados abaixo.
O ataque tem um início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico em geral em 10 minutos acompanhado por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e um anseio por escapar. Os 13 sintomas físicos são os seguintes:
1 – Palpitações,
2 – Sudorese,
3 – Tremores ou abalos,
4 – Sensações de falta de ar ou sufocamento,
5 – Sensação de asfixia,
6 – Dor ou desconforto torácico,
7 – Náusea ou desconforto abdominal,
8 – Tontura ou vertigem,
9 – Sensação de não ser ela(e) mesma(o),
10 – Medo de perder o controle ou de “enlouquecer”,
11 – Medo de morrer,
12 – Formigamentos e
13 – Calafrios ou ondas de calor.
Os ataques que satisfazem todos os demais critérios, mas têm menos de 4 sintomas físicos são chamados de ataques com sintomas limitados.
Os indivíduos que buscam os cuidados médicos para Ataques de Pânico inesperados geralmente descrevem o medo como intenso e relatam que achavam que estavam prestes a morrer, perder o controle, ter um ataque cardíaco ou acidente vascular encefálico ou “enlouquecer”. Eles também citam, geralmente, um desejo urgente de fugir de onde quer que o ataque esteja ocorrendo.
A falta de ar é um sintoma comum nos Ataques de Pânico. O rubor facial é comum em Ataques de Pânico ligados a situações relacionadas à ansiedade social e de desempenho. A ansiedade característica de um Ataque de Pânico pode ser diferenciada da ansiedade generalizada por sua natureza intermitente (em crises) enquanto na ansiedade generalizada a ansiedade não é em crises, mas continuada e a gravidade geralmente é maior nas crises de pânico que na ansiedade generalizada.
Os Ataques de Pânico podem ocorrer em uma variedade de Transtornos de Ansiedade, tais como:
1 – Transtorno de Ansiedade,
2 – Fobia Social,
3 – Fobia Específica,
4 – Transtorno de Estresse Pós-Traumático,
5 – Transtorno de Estresse Agudo.
Na determinação da importância diagnóstica diferencial de um Ataque de Pânico, é crucial considerar o contexto no qual ocorre o Ataque de Pânico. Existem três tipos característicos de Ataques de Pânico, com diferentes relacionamentos entre o início do ataque e a presença ou ausência de ativadores situacionais:
1 – Ataques de Pânico inesperados (não evocados), nos quais o início do Ataque de Pânico não está associado com um ativador situacional (isto é, ocorre espontaneamente, “vindo do nada”);
2 – Ataques de Pânico ligados a situações (evocados), nos quais o Ataque de Pânico ocorre, quase que invariavelmente, logo após à exposição ou antecipação a um evocador ou ativador situacional (por ex., ver uma cobra ou um cão, sempre ativa um Ataque de Pânico imediato);
3 – Ataques de Pânico Predispostos pela Situação, que tendem mais a ocorrer na exposição ao evocador ou ativador situacional, mas não estão invariavelmente associados ao evocador e não ocorrem necessariamente após a exposição (por ex., os ataques tendem mais a ocorrer quando o indivíduo está dirigindo, mas existem momentos em que a pessoa dirige e não tem um Ataque de Pânico ou momentos em que o Ataque de Pânico ocorre após dirigir por meia hora).
Os pacientes com Transtorno do Pânico podem necessitar sempre de companhia quando saem de casa e, posteriormente, podem até se recusar a sair de casa devido ao medo de passar mal na rua, de morrer subitamente ou enlouquecer ou perder o controle de repente. Eles também citam, geralmente, um desejo de fugir urgente de onde quer que o ataque possa ocorrer. Algumas vezes podem apresentar ansiedade antecipada diante da possibilidade de ter que sair de casa. Normalmente esses pacientes têm muita dificuldade em dormir desacompanhados, procuram insistentemente o cardiologista e recorrem ao auxílio religioso com entusiasmo.
Durante as crises de Pânico alguns médicos tentam confortar o paciente fazendo-o entender que não está em perigo, mas isso pode, inclusive, aumentar ainda mais sua angústia. Podem até julgar que o médico está sendo displicente e não estar valorizando devidamente seu grave estado. Portanto, quando o médico usa expressões como “não é nada grave”, “é um problema de cabeça” ou “não há nada para se preocupar”, isso pode até piorar as dificuldades do paciente. Pode dar a falsa impressão de que não há problema real ou de que não existe tratamento, entretanto, na realidade. A maioria dos médicos deveria dizer que não há nada de grave fisicamente ou organicamente, mas sim, um sério problema emocional que deve ser tratado.
Depois de uma crise de Pânico – por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada, dentro de um elevador ou na fila do banco – a pessoa pode desenvolver medos irracionais, chamados de fobias à estas situações e, daí em diante, começa a evitar as circunstâncias supostamente capazes de desencadear novas crises. O nível de ansiedade e o medo de uma nova crise vai gradativamente aumentando, até atingir proporções onde a pessoa pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo de pôr o pé fora de casa. Desta forma, o distúrbio do Pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana da pessoa como qualquer outra doença grave.
O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE OS TRANSTORNOS MENTAIS?
A Bíblia fala pouco a respeito dos transtornos mentais, mas a psicopatologia era reconhecida e talvez até comum, já que naquela época não tinha drogas psicoativas, nem métodos modernos de tratamento.
A Bíblia não se propõe ser um manual de diagnostico, mas ela dá exemplos de suicídios (entre os quais a morte de Saul, que se jogou sobre a própria espada, e de Judas, que se enforcou) e faz referencia a muitas emoções que estão por trás dos transtornos psiquiátricos, tais como ansiedade, raiva, discórdia, idolatria, orgias, infidelidade conjugal, alcoolismo, rivalidade, mentira dentre outras.
AS CAUSAS DOS TRANSTORNOS MENTAIS
As causas dos transtornos diferem de uma pessoa para outra e dependendo do tipo de transtorno. Embora não haja um caso igual a outro, os transtornos mentais geralmente decorrem de uma combinação dos estresses que a pessoa está enfrentando no momento e de influências passadas que criam uma predisposição para o transtorno.
OS EFEITOS DOS TRANSTORNOS MENTAIS
Embora os efeitos dos transtornos mentais sejam medidos em termos de gastos, o que nos interessa é como os indivíduos são afetados e como suas famílias sofrem ou se esforçam para seguir em frente. Alguns sintomas são biológicos, podendo também estar associados ou não a emoção, sensação, percepção, pensamento.
Trabalho apresentado pelo pastor Elton Melo e missionária Ionice Silva Melo, para o curso de Psicanálise na AEP-Associação Evangelica de Psicanalistas em Vitória, ES em junho de 2015.
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