Estou grávida, e agora? Parabéns, que seja bem-vindo (a). Todos desejamos ser pais. A mulher, então, quando frustrada neste intento, entra até em depressão; insiste, mesmo após algumas tentativas sem êxitos, persiste, seu casamento pode até acabar, sua vida não terá sentido. E o tão esperado sonho se realiza, estou grávida, diz ela, parabéns, que venha perfeito e com saúde, felicitam-lhe todos. Pois bem, e se não vier perfeito e com saúde?’ Estão preparados?
Não, ninguém está, ninguém quer estar, ninguém ousa pensar, mas acontece, e cada vez mais, autistas, síndromes, paralisias, anomalias, são tantas possibilidades que, aconselho: todos devíamos estar preparados, depois que aconteceu comigo, apesar de eu entender que minha filha é SIM PERFEITA, perfeita para mim, perfeita para Deus, perfeitinha como deveria vir, como sou merecedora, mas, como ia dizendo, depois que aconteceu comigo, nunca mais parabenizei dizendo que venha perfeito e sim: QUE SEJA BEM-VINDO (a)!
Vocês futuros papais, preparem-se, tenham nitidamente em seus corações que não somos os senhores das nossas vidas, muito menos da vida de um serzinho que Deus enviará, se vier perfeito, ótimo, se vier com alguma diferença: Amém! Todos somos diferentes, e o belo, o verdadeiramente belo, é a diferença! Cristo foi um homem diferente! Todos os nossos heróis foram diferentes. Todos tiveram suas dificuldades e imperfeições, suas lutas diárias para serem compreendidos, num mundo cruel!
Minha filha, Lara, tem atraso motor, porém, é perfeita! A criança que pedi a Deus! Quando duas pessoas se unem para ter um bebê, elas fantasiam que a concepção é sedutora, que os filhos proporcionarão que viveremos eternamente através deles. Tendo previsto uma marcha para a frente de nossos genes egoístas, muito de nós não estamos preparados para filhos que apresentam necessidades desconhecidas. Contamos com a garantia de ver nossos rostos, nossas atitudes nos nossos filhos, parecendo que isso não nos deixará morrer… ledo engano! A diferença marcante de uma criança em relação ao resto da família, exige conhecimento, competência e ações que uma mãe ou um pai típicos estão desqualificados para oferecer, ao menos de início!
Pais, futuros papais, entendam, toda criança é diferente, diferente de seus colegas, de nós pais mesmo. Olhar no fundo dos olhos de seu filho e ver nele ao mesmo tempo você mesmo e algo totalmente estranho, e mesmo assim, você ser louco por ele, você entender que ele foi feito só para você, só por você, totalmente seu, e você o amar com toda sua força, é alcançar a desenvoltura da paternidade altruísta! E essa deveria ser a verdadeira paternidade, filhos não são nos dados para nos trazerem felicidade ou nos realizarem, filhos são uma dádiva, uma benção que nos são emprestados por Deus para que, por um determinado tempo, os cuidemos e os amemos com todas as nossas forças!
Dra. Marselha Cristina Bossardi, é gaúcha de Passo Fundo, RS e mora em Curitiba, PR. É advogada especializada em direito do trabalho e da família e mãe da Lara. Email: marsebossardi@gmail.com