Como escolher a melhor parte
Introdução – Quando o Céu bate à porta
Imagine a seguinte cena: você está arrumando a mesa para o café de domingo, quando de repente ouve batidas suaves na porta. Ao abrir, não encontra um vizinho pedindo açúcar, mas o próprio Jesus sorrindo com olhos cheios de vida. Ele não carrega nenhuma lista de exigências; ao contrário, traz apenas um convite: “Posso entrar e cear com você?” (Ap 3.20). Nesse instante, todas as prioridades da agenda rangem como freios de emergência, pois a visita do Rei redefine o valor de tudo. Assim, hoje, quero guiá-lo a perceber que a presença de Cristo não é um luxo devocional, mas a coluna que sustenta o universo do discípulo. Portanto, respire fundo, abra o coração e receba esta palavra como quem abre a porta para o Amado.
Abra a sua Bíblia e o seu coração no Evangelho de Lucas, capítulo 10, versículos 38 a 42 (NVI)
38 Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. 39 Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! ” 41 Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; 42 todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.
Agora que já entendemos o valor inegociável da presença de Jesus e o quanto Ele deseja estar conosco, vamos dar um passo além e refletir sobre como podemos responder a esse amor com atitudes práticas. Para isso, vamos mergulhar em três verdades transformadoras que nos ensinam, à luz da Palavra, como desfrutar da presença de Cristo, reorganizar nossas prioridades e praticar, no dia a dia, uma vida que honra a presença de Deus.
1 – Desfrute da Presença de Jesus
O contraste Marta x Maria – Em primeiro lugar, voltemos a Betânia (Lc 10.38-42). Marta corre pelos corredores, faz contas, rearruma almofadas. Maria desacelera, silencia e deixa que a voz do Mestre preencha o ambiente. Dois temperamentos, um mesmo Senhor. Contudo, qual lição emerge?
1- Descubro minha identidade no olhar de Cristo – Quando Maria senta-se aos pés de Jesus, ela não está em fuga do serviço; ela está definindo o fundamento de todo serviço. A. W. Tozer observa:
“A presença de Deus é a maior de todas as realidades; estar consciente dela é o coração da vida cristã.”
Desse modo, antes de procurar “fazer algo” para Deus, preciso “ser alguém” diante de Deus.
2- Reorganize as prioridades invisíveis – Marta não pecou ao cozinhar; pecou ao supor que Deus precisava mais de sua ação do que de sua atenção. Tim Keller comenta:
“Ídolos são coisas boas que transformamos em verdades absolutas.”
Qualquer agenda, mesmo ministerial, pode virar ídolo se substituir o calor da presença.
3- Saboreie a alegria que não pode ser tirada – Jesus sentencia:
“Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
Nenhuma crise econômica, crítica humana ou ataque do inimigo confisca aquilo que é depositado no espírito.
Logo, desfrutar é antídoto contra escassez emocional: quem se alimenta da voz divina não vive de migalhas de aprovação alheia.
Entretanto, desfrutar só se torna estilo de vida quando priorizo deliberadamente o lugar aos pés do Mestre.
2 – Priorize estar aos pés do Mestre
Remova as barreiras que roubam o seu foco – Apesar de querermos Jesus, barreiras internas e externas sugam nosso tempo e afogam o coração. Precisamos, portanto, lidar com três ladrões da nossa atenção em Jesus:
1- Inquietação crônica – Jesus diagnostica Marta:
“andas inquieta e te preocupas.”
Assim, agenda cheia é, muitas vezes, alma vazia. John Wesley advertia:
“Dou-me à oração como primeira coisa; se deixo de orar duas horas, sinto o dia quebrado.”
Logo, devo construir represas de silêncio em meio ao turbilhão de notificações.
2- Medo das implicações da intimidade – Israel, no Sinai, recua (Dt 5.23-27):
“Moisés, sobe tu.”
Hoje, terceirizamos intimidade: podcast, culto on-line, guru espiritual. Contudo, nenhuma gravação substitui o calor do rosto do Pai. Dietrich Bonhoeffer pontua:
“Quem se mantém à distância de Cristo receia perder algo, sem notar que já perdeu tudo.”
O medo de mudança precisa ceder lugar à confiança no amor que transforma.
3- A embriaguez de distrações modernas – Paulo contrapõe vinho x Espírito (Ef 5.18). O “vinho” de 2025 pode ser a rolagem infinita, a maratona de séries, o ativismo ególatra. C. S. Lewis ironiza: “Somos criaturas que se contentam com lama, quando Deus oferece férias à beira-mar.” Assim, abstenho-me do trivial para degustar o extraordinário.
Depois de remover obstáculos, resta desenvolver hábitos que tornem a presença uma prática diária palpável.
3 – Pratique princípios diários para honrar a Presença
A seguir, apresento três disciplinas simples, porém revolucionárias. Adote-as em primeira pessoa, como comandos de um coração decidido:
1- Remir o tempo com intencionalidade – Eu planejo blocos devocionais antes que o dia me engula (Ef 5.16). Jonathan Edwards registrava resoluções; imite-o criando alarmes que toquem “Encontro com Jesus”. Ferramenta que você pode usar: Técnica Pomodoro espiritual – 25 minutos de leitura + 5 minutos de pausa contemplativa; repita duas vezes e terá quase uma hora diária de imersão, sem perceber.
2- Encher-me continuamente do Espírito – Eu alimento meu interior com salmos, hinos e cânticos (Ef 5.18-19). Playlist de adoração na cozinha, versículo no espelho do banheiro, gratidão anotada no bloco de notas. Cante Louvores ao Senhor – deixe o louvor extravasar mesmo sem técnica vocal. Charles Spurgeon dizia:
“Melhor um coração sem palavras que palavras sem coração.”
3. Entregar espaço para mais azeite – Eu esvazio o vaso – confessando pecados, liberando perdão e ofertando sacrificialmente. Jejum digital regular: um dia por semana longe de redes sociais. Vigília mensal: uma madrugada inteira para intercessão; cada hora foca num tema (família, igreja, nações). D. L. Moody desafiava:
“O mundo ainda verá o que Deus pode fazer com alguém totalmente consagrado.”
Seja esse alguém. Quando planejo tempo, canto a verdade e esvazio o coração, a presença transborda para cada esfera – trabalho, casamento, ministério. Maria não foi improdutiva; ela foi produtiva na ordem certa.
Conclusão
Escolha, agora, a melhor parte! Chegamos, portanto, ao ponto de decisão. Diante de nós erguem-se duas portas: a da pressa de Marta, que promete produtividade mas esvazia a alma, e a da rendição de Maria, que parece desperdício aos olhos humanos, mas nos enche de vida eterna. Lembre-se: Jesus ainda diz — com firme ternura — “apenas uma coisa é necessária”. Assim, neste exato momento, desligue o ruído interior, deixe no altar os medos que o fazem recuar como Israel ao pé do Sinai e, acima de tudo, quebre o cálice das distrações que o embriagam. Então, escolha a melhor parte; ela não será tirada de você. Quando o culto terminar, não termine sua busca: leve a presença do Senhor para a sala, para o trânsito, para a mesa de jantar. Transforme cada instante comum em território sagrado, porque o Rei da glória deseja habitar em você — não como hóspede, mas como morada permanente. Portanto, faça hoje a escolha que ecoará na eternidade:
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Reconheça as barreiras: inquietação, medo, distração.
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Renda suas prioridades, sentando-se aos pés do Amado.
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Receba plenitude diária, tornando-se resposta viva para um mundo sedento.
“Pai Santo, nós nos prostramos em santo temor, reconhecendo que por muitas vezes abraçamos a correria e desprezamos a comunhão. Perdoa-nos por termos trocado a Tua voz por vozes estranhas, por termos confiado em nossa eficiência quando o que realmente sustenta é o Teu olhar de amor.
Agora, em nome de Jesus, renunciamos a toda inquietação, quebramos as correntes da procrastinação espiritual e silenciamos cada distração que concorre com o Teu trono no nosso coração. Espírito Santo, vem como fogo purificador; queima nossas agendas auto-centradas e escreve nelas os Teus propósitos eternos.
Enche-nos até transbordar! Que rios de água viva corram do nosso interior, irrigando famílias, ministérios e cidades. Concede-nos uma paixão incessante pelas Escrituras, uma alegria irrefreável na adoração e uma ousadia inabalável na obediência. Faz de cada casa aqui representada um Betel — porta do céu —, onde amigos, vizinhos e nações percebam o perfume da Tua presença.
Declaramos, pela fé, que sairemos deste lugar como Marias cheias do Espírito, mas serviremos como Martas redimidas, carregando graça em vez de ansiedade. Tudo isso pedimos, confiados na suficiência do sangue de Jesus e na fidelidade do Pai que promete habitar com os que O buscam de todo o coração. Amém, amém e amém!
Conheça Elton Melo
Elton Melo é pastor titular da Primeira Igreja Batista Independente de Curitiba. Produz vários estudos e artigos teológicos e motivacionais, que estão disponíveis no site www.alcancevitoria.com e tem vários livros escritos. É presidente da ASEC – Associação de Editores Cristãos.
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Entre em contato pelo email: palestranteltonmelo@gmail.com ou whatsapp +55 41 99890-9040 – Veja a agenda do palestrante Elton Melo.
O autor deste artigo, Pr. Elton Melo, tem formação em Economia e especialização em Economia Empresarial, também estudou Psicanálise na Associação de Psicanalistas de Vitória (ES). Foi professor universitário na área de Economia antes de dedicar-se integralmente ao ministério pastoral e à liderança cristã.
Como presidente da ASEC – Associação de Editores Cristãos, é um incentivador da produção de literatura cristã relevante e comprometida com a Palavra de Deus. Além disso, tem atuado fortemente na formação de líderes, na organização de cursos de capacitação bíblica e no incentivo à educação teológica e financeira para cristãos.

Casado com Nice Melo desde 16/02/1985, é pai e avô, e tem dedicado sua vida a edificar famílias, igrejas e projetos missionários com base no evangelho de Cristo. Seu ministério se caracteriza pelo ensino bíblico profundo, aplicação prática da fé, visão evangelística e compromisso com a integridade e a transformação social.
Autor: Elton Melo


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