Cinco Fases no Desenvolvimento Natural
A segunda metáfora de desenvolvimento de uma equipe é a do relacionamento que se desenvolve entre um rapaz e uma moça, que leva ao casamento e estabelece uma família. Esta metáfora se baseia no conceito de que na sua essência, uma equipe é baseada em relacionamentos que precisam se desenvolver de forma natural. Cada vez que pulamos o processo natural, corremos riscos, e muitas vezes acabamos pagando um preço caro de dor e sofrimento, ou até de perder um membro da equipe-em-formação. Quando vivemos bem cada fase, temos o alicerce para poder construir a próxima fase com êxito. Ao alistar as cinco fases, pode-se sentir a diferença entre cada uma pelo nome dado à equipe-em-formação a seguir.
- Amizade: Grupo aberto de líderes que caminham com o pastor.
- Namoro: Grupo de Liderança
- Noivado: Equipe de Liderança
- Casamento: Equipe Pastoral
- Reprodução: Equipe Pastoral de Especialistas
Antes de entrar numa descrição maior de cada fase, indique a fase na qual você sente que sua equipe-em-formação se encontra: (responda num caderno).
Tome uns minutos para anotar algumas coisas que você pensa que ajudariam vocês a se firmarem bem nesta fase antes de ir para a próxima.
Conheça as cinco fases de qualquer grupo de liderança.
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Amizade: Grupo Aberto de Líderes que Caminham com o Pastor
Nesta fase informal, o pastor convida líderes para caminharem com ele, mantendo um grupo aberto para as pessoas entrarem e saírem, se auto-selecionando quanto ao potencial para a segunda fase. Ele pode estender um convite especial para algumas pessoas que refletem qualidades da equipe pastoral que ele quer levantar, ao mesmo tempo que o convite é aberto para todos que se interessam.
Começando nesta fase de amizade e continuando nas outras, o pastor pode usar cinco processos de seleção que Jesus usou com os Doze. Aqui os alistamos rapidamente, mas no próximo capítulo entraremos em mais detalhes.
- Encontros divinos: encontros pessoais onde a vida de alguém é marcada por receber sabedoria, direção ou poder de Deus através da ajuda de outra pessoa.
- Padrões divinos: quando a visão, o compromisso e o ritmo de vida (disponibilidade) de várias pessoas coincidem.
- Altas exigências: que levam as pessoas a se auto-excluírem por não querer pagar o preço.
- Discernir quem responde a sua voz: mostrando uma ligação espiritual.
- Oração: direção e confirmação do Pai.
Exemplos de atividades no ano da amizade (aprofundado no capítulo cinco)
- Estudar um livro juntos. Opções podem incluir livros que têm a ver com relacionamentos ou amizade e que têm perguntas ao final de cada capítulo para discussão, como:
- Kornfield, David, O Líder que Brilha (Sete Relacionamentos que Levam à Excelência), Vida.
- Weber, Stu; Companheiros de Luta (A importância da amizade para o fortalecimento do caráter dos homens de Deus), Shedd Publicações.
- Férias, passeios, congressos e viagens juntos.
- Encontros de lazer
- Treinamentos iniciais:
- Introdução a Equipes Pastorais (este seminário)
- Introdução a Dons Espirituais e Equipes de Ministério (oito horas)
- Clínica de Mentoria de Pastores e Líderes
- Visão da Igreja Saudável
- Comer juntos
2. Namoro: Grupo de Liderança
A transição para o namoro inicia-se quando fazemos uma profunda opção de vida de investir tempo em descobrir com quem “namorar”. Invade-nos o sentimento de que não queremos apenas ter colegas ministeriais, queremos pessoas que se juntem a nós para compartilhar a vida, com potencial para que isso seja a longo prazo. Queremos encontrar pessoas para quem esta equipe será ou poderá se tornar seu ministério principal. Algumas características da equipe neste estágio:
- A participação é por convite, o grupo tornando-se um grupo fechado para poder aprofundar seus relacionamentos, andando na direção de sentir-se família.
- Fluxo médio na mudança de componentes da equipe
- Passar mais tempo juntos, possivelmente tendo encontros quinzenais.
- As pessoas começam a priorizar esta equipe e o apoio ao pastor acima de seus outros compromissos ministeriais.
- Sonhar juntos sobre a visão e o futuro da igreja.
- O pastor fazer ajustes em seu estilo de liderança e forma de relacionar-se que abrem o caminho para o resto da equipe-em-potencial.
- Ter conflitos sérios e resolvê-los bem.
Exemplos de atividades no ano do namoro (aprofundado no capítulo cinco)
- Fazer o “Treinamento Básico na Formação de Equipes de Ministério”
- Nas reuniões (quinzenais?) e retiro(s), aprofundar os relacionamentos, conhecendo-se bem melhor. Ferramentas incluem o DISC (Chaves para Relacionamentos Saudáveis, Igreja em Células) e os dois livros indicados para a fase da amizade, se o grupo não terminou de estuda-los no ano anterior.
- Fazer um bom estudo sobre como resolver conflitos e se comprometer a viver segundo esses princípios.
- Desenvolver uma declaração de visão e missão da igreja se isso não existe. Se existir, trabalhar em cima de como a equipe-em-formação pode expressar essa visão de forma nítida. Desenvolver uma lista de 5-7 valores principais que marcarão a vida da equipe ou possivelmente da igreja toda.
- Começar a ter prestação de contas e mentoria mútua, possivelmente em trios.
- O pastor desenvolver uma lista de critérios do que ele quer nas pessoas que andam com ele. Exercício de todos se auto-avaliarem nesses critérios e possivelmente também avaliarem uns aos outros.
3. Noivado: Equipe de Liderança
A transição para o noivado se revela quando o pastor e os membros do grupo querem um compromisso maior, algo mais confiável, mais duradouro. Tipicamente surgem alguns conflitos e as pessoas que conseguem resolver bem os conflitos são bons candidatos para passar para o noivado. O pastor começa a investir não só tempo mas também dinheiro e recursos em capacitar e andar junto com essas pessoas. Começam a pensar no tipo de acordo ou aliança que gostariam de ter, cientes que isto servirá como modelo para o resto da família da igreja. Nesta fase também é comum definir alicerces do ensino que a equipe quer ter como base para os membros da igreja andarem juntos. A equipe ainda investe intencionalmente em seu desenvolvimento, crescendo nas oito características de uma equipe de alto rendimento:[1]
- Desfruta de uma orientação e unção divina
- Tem um propósito comum, uma visão clara e um plano estratégico
- Tem papéis claros , cada um coordenando uma área da vida da igreja.
- Experimenta e demonstra liderança forte e facilitadora
- Desfruta de administração eficiente, com reuniões regulares frutíferas
- Experimenta e estende treinamento formativo
- Desfruta de relacionamentos saudáveis
- Tem comunicação excelente
Exemplos de atividades no ano do noivado (aprofundados no capítulo cinco)
- Fazer o “Treinamento Avançado para Equipes de Ministério: Oito Características de uma Equipe de Alto Rendimento.
- Bolar um rascunho de um possível acordo, pacto ou aliança para a equipe. Envolver os cônjuges numa boa conversa sobre isso.
- Avaliar se querem estabelecer um ritmo, possivelmente mensal, para os membros da equipe-em-formação participarem de um grupo de mentoria de casais.[2] Isso seria uma forma de valorizar os cônjuges, como também uma medida preventiva para que o ministério não assuma prioridade acima do casamento e família.
- Definir, em conjunto, o ensino básico ou os alicerces que querem que todo membro da igreja entenda e vivencie.
- Preparar um culto de celebração onde a equipe pastoral formalmente assumirá um papel de liderança na igreja, possivelmente incluindo o compromisso dela para com o acordo, pacto ou aliança que desenvolveram.
- Se for necessário, avaliar e propor mudanças nos estatutos ou no regulamento interno da igreja para adequar o conceito de uma equipe pastoral, esclarecendo se vai existir paralelamente ao corpo de oficiais ou acabar tomando o lugar dele. Uma possibilidade é que o corpo de oficias continue como a autoridade oficial da igreja e a equipe pastoral como a expressão operacional, a implementação, do que os oficiais indicam. Claro que teria que ter um bom entrousamento e relacionamento entre os dois grupos. O pastor seria membro, se não líder, de ambos os grupos.
4. Casamento: Equipe Pastoral
Agora as pessoas são formalmente reconhecidas perante a igreja como a liderança oficial da igreja. Se comprometem com alegria em andar segundo a aliança que Deus lhes deu. Deleitam-se em passar tempo juntos, tanto como amigos como em contextos ministeriais. Para muitos, se não todos, esta equipe é a principal prioridade ministerial. Resumindo, os membros da equipe se apaixonam uns pelos outros, por Deus e pela visão da igreja que Deus lhes deu. Outras características da equipe nesta fase:
- Diversidade é valorizada, afirmando a liderança de cada um em sua área de especialidade.
- Interdependência, não mais dependência nem independência.
- Tempo individualizado e periódico do pastor com os membros da sua equipe
- Priorização de uma ou duas áreas para crescerem como equipe a cada ano (sendo as oito características de uma equipe de alto rendimento ou outras).
- Mentoria pastoral e ministerial na equipe (geralmente em trios)
- Os membros são coordenadores que têm suas próprias equipes de liderança
- Alto nível de responsabilidade
- Cultura de avaliação e auto-avaliação
- Foco nos resultados
Exemplos de atividades no ano do casamento
- Culto de celebração oficializando a função da equipe pastoral. Isto poderia incluir imposição de mãos e unção com óleo, separando os membros para esta função.
- Fazer o “Treinamento Avançado para Equipes Pastorais (Leigas).”
- Cada membro procurar seminários, livros, mentoria e outras oportunidades para crescer em sua área de especialização.
- Se não ganharam o costume ainda, começar a ter um retiro anual de pelo menos dois dias.
- Os membros seriam encorajados a passarem uma parte de suas férias juntos, se não todos de uma vez, pelo menos com mais algum membro da equipe.
5. Reprodução: Equipe Pastoral de Especialistas
Os membros da equipe pastoral capacitam outros em sua área de especialização, indo além das fronteiras da igreja local. Atuam segundo o comissionamento específico para sua vida, lançando fundamentos sólidos e assessorando outras igrejas ou ministérios. Duas características básicas desta equipe:
- Dedicam uma parte de seu tempo para crescer em sua especialidade e se envolver numa rede de especialistas a fins.
- Desenvolvem habilidades como equipadores e capacitadores de líderes pastorais. (AICP/TOPIC Brasil oferece capacitação nisto).
Exemplos de atividades no ano da reprodução
- Fazer seminários ou treinamentos na área de capacitar outros e na área de ser mentor ou assessor.
- Cada membro da equipe que começa a se estender além da igreja, procurar uma rede de especialistas na área e aproveitar consultas ou oportunidades para estarem juntos.
Veja os livros recomendados na área de equipe e outras áreas relacionadas no final desta apostila (págs. 60-62).
Os que estiverem aqui com sua equipe, reúnam-se para responder às perguntas abaixo. Os que estiverem sem equipe, juntem-se com uma ou duas pessoas para compartilharem sobre as perguntas.
- Com qual fase você mais se identifica? Pode ser que você até esteja na fase “zero” sem expressão de equipe em potencial, especialmente se você está participando deste treinamento sozinho.
- Quais passos ajudariam vocês a realmente se firmarem nessa fase? Compartilhe baseado nas suas respostas na página 18 e os exemplos de atividades para essa fase nas páginas seguintes.
- Como poderiam planejar para andar na direção da seguinte fase no próximo ano?
[1] Um questionário diagnóstico baseado nestas oito características com um capítulo aprofundando cada uma se encontram no livro de David Kornfield, Equipes de Ministério que Mudam o Mundo (Ed. Sepal), 2002.
[2] Este conceito é explicado no livro de David Kornfield, Casamentos que se fortalecem por meio da mentoria, Vida, como também no site do MAPI: www.mapi-sepal.org.br no link de casamentos e famílias pastorais.
Fonte: MAPI – ISD – Pr. David Kornfield/Pr. Marinho Soares
