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Celebrando os 90 anos de Ilda Moraes

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Texto base:

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Salmo 90.12

Querida família, queridos amigos, filhos, netos, bisnetos e todos que hoje se unem a esta celebração tão especial: que alegria, que honra e que privilégio estarmos aqui para celebrar os 90 anos de vida da nossa querida Ilda Moraes.

Hoje não estamos apenas diante de uma data bonita no calendário. Estamos diante de uma história. Aliás, estamos diante de uma vida marcada por trabalho, amor, fé, família, lágrimas, superações e muitas bênçãos de Deus.

A Bíblia nos ensina que a vida humana não deve ser medida apenas pela quantidade de anos vividos, mas pela sabedoria que esses anos produziram. Por isso, o salmista ora dizendo:

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”

Veja bem: ele não diz apenas “ensina-nos a viver muitos dias”. Ele diz: “ensina-nos a contar os nossos dias”. Ou seja, ensina-nos a perceber o valor da vida. Ensina-nos a agradecer cada estação. Ensina-nos a transformar o tempo em sabedoria, a dor em maturidade, a família em herança e a fé em força para continuar.

E hoje, ao celebrarmos os 90 anos da Dona Ilda, nós podemos dizer: aqui está uma mulher que atravessou muitas estações da vida. Ela nasceu no dia 24 de junho de 1936, filha de Alcinda Maria da Rosa e Arno Rudzatz, no então distrito de Candelária, no Rio Grande do Sul, chamado Passa Sete, hoje município. Foi criada em ambiente simples, trabalhou na roça, aprendeu desde cedo o valor do esforço, da responsabilidade e da coragem.

Depois, quando moça, foi para Candelária, trabalhou em casa de família, cuidou de crianças, serviu com dedicação e construiu sua história passo a passo. Foi ali que conheceu Sadi Moraes, o rapaz que, segundo a memória da família, era o mais bonito da cidade, trabalhador da madeira, ligado à fábrica de brinquedos e também conhecido como um grande jogador de futebol.

Aos 20 anos, Ilda e Sadi se casaram. Dessa união nasceram três filhos: Vera Helena de Moraes, Carlos Roberto de Moraes e Maria Inês de Moraes Amador. Depois vieram os netos: Antônio Augusto, Gabriela, Nilson Roberto, Nilson Júnior e Carlos Roberto Júnior. E, pela graça de Deus, também vieram os bisnetos: Sofia, Izzy, Maria Augusta, Felipe, Manuela, Isabela e Pietro.

Portanto, quando olhamos para a Dona Ilda, não vemos apenas uma senhora completando 90 anos. Vemos uma árvore frutífera. Vemos raízes profundas. Vemos uma descendência. Vemos uma história que não terminou nela, mas que continua nos filhos, nos netos e nos bisnetos.

A Palavra de Deus diz em Provérbios 17.6:

“Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.”

Que texto precioso! Os netos e bisnetos são uma coroa. São sinais vivos de continuidade. São lembranças de que Deus não trabalha apenas numa geração, mas de geração em geração.

Hoje, então, eu gostaria de olhar para a vida da Dona Ilda à luz da Palavra de Deus e destacar três qualidades que ficam como legado para toda a sua descendência.

1. A primeira qualidade: a garra de quem nunca fugiu do trabalho

Dona Ilda nasceu em um tempo diferente. Um tempo em que a vida exigia força. Não havia as facilidades que muitos têm hoje. A infância e a juventude foram marcadas pelo trabalho, pela simplicidade e pela necessidade de aprender cedo a enfrentar a vida.

Criada na roça, formada no trabalho e acostumada a servir, Ilda construiu sua caminhada com esforço. Mais tarde, em Santa Cruz do Sul, destacou-se por seus dotes culinários. Era uma excelente cozinheira. Trabalhou organizando festas e casamentos, tornou-se conhecida nessa função e, mesmo depois de parar com os grandes banquetes, continuou trabalhando em casa, fazendo marmitas para vender.

Isso revela algo muito bonito: Dona Ilda sempre gostou de produzir, de ter sua própria renda, de colocar a mão na massa, de não depender apenas das circunstâncias. Essa é uma marca de sabedoria.

A Bíblia valoriza muito o trabalho. Em Provérbios 31, quando descreve a mulher virtuosa, a Palavra diz que ela trabalha com vontade, cuida da casa, administra, serve, prepara alimento e se levanta para abençoar os seus. Não é apenas uma descrição de tarefas domésticas; é o retrato de uma mulher forte, ativa, diligente e sábia.

Também lemos em Eclesiastes 9.10:

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.”

Dona Ilda fez isso. O que veio às suas mãos, ela fez. Quando era preciso trabalhar na roça, trabalhou. Quando era preciso cuidar de crianças, cuidou. Quando era preciso preparar alimento, preparou. Quando era preciso organizar festas, organizou. Quando era preciso seguir em frente, seguiu.

E aqui está um legado para os filhos, netos e bisnetos: não desprezem o valor do trabalho honesto. O trabalho não é apenas fonte de sustento; é também expressão de dignidade. Quem trabalha com amor deixa marcas. Quem serve com dedicação semeia respeito. Quem permanece fiel nas pequenas coisas constrói uma grande história.

Além disso, a Bíblia está cheia de pessoas que chegaram à velhice porque Deus preservou suas vidas desde cedo. Moisés, por exemplo, nasceu em um tempo de decreto de morte contra os meninos hebreus. Ele poderia ter morrido ainda bebê, mas Deus o preservou. E Moisés chegou aos 120 anos, cumprindo propósito até o fim.

Davi também enfrentou a morte desde jovem. Enfrentou Golias, foi perseguido por Saul, viveu guerras e ameaças. Entretanto, Deus o guardou, e ele chegou à velhice deixando instruções ao seu filho Salomão.

José, ainda moço, foi lançado numa cova, vendido pelos próprios irmãos, levado para o Egito, acusado injustamente e preso. Contudo, Deus o preservou. E, no fim, José pôde olhar para trás e dizer: “Vós intentastes o mal contra mim, porém Deus o tornou em bem.”

Assim também, cada pessoa idosa que chega diante de nós com uma longa história de vida nos lembra: Deus guarda. Deus sustenta. Deus conduz. Deus transforma luta em legado.

Portanto, ao celebrarmos Dona Ilda, nós agradecemos a Deus pela garra de uma mulher que trabalhou, serviu, cozinhou, cuidou e construiu com as próprias mãos uma história digna de honra.

2. A segunda qualidade: o amor pela família e pela mesa

A família conta que uma das coisas que mais deixa Dona Ilda feliz é estar com todos reunidos ao redor de uma mesa, fazendo um churrasco e vendo seus entes queridos bem.

Isso é muito profundo. Porque a mesa, na Bíblia, não é apenas um lugar de comer. A mesa é lugar de comunhão. É lugar de reconciliação. É lugar de memória. É lugar de conversa. É lugar onde o amor ganha cheiro, sabor e presença.

Jesus valorizou muito a mesa. Ele se sentou à mesa com discípulos, com pecadores, com famílias, com amigos. Foi à mesa que Ele partiu o pão. Foi à mesa que ensinou. Foi à mesa que revelou graça. Portanto, uma casa onde a mesa reúne a família é uma casa onde há sinais do Reino de Deus.

Dona Ilda, como excelente cozinheira, não alimentou apenas corpos. De alguma forma, ela alimentou memórias. Porque há comidas que a gente esquece, mas há mesas que ficam para sempre no coração.

Quantos casamentos, quantas festas, quantas marmitas, quantas refeições, quantos momentos foram marcados pelas mãos da Dona Ilda? Quantas pessoas foram servidas? Quantas famílias foram reunidas? Quantos sorrisos nasceram ao redor de uma refeição preparada com carinho?

A Bíblia diz em Salmo 128.3-4:

“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.”

Observe a imagem: filhos ao redor da mesa. Família reunida. Casa abençoada. Vida frutífera. Essa é uma bênção que não se compra. Essa é uma herança que não cabe em escritura de terreno nem em conta bancária.

Uma família reunida é uma riqueza. Uma mesa com amor é um altar. Uma avó que sorri ao ver filhos, netos e bisnetos juntos está contemplando uma das maiores bênçãos desta vida.

E aqui está o segundo legado de Dona Ilda:

a família precisa ser cuidada, reunida e celebrada.

Com o passar dos anos, muitas coisas mudam. As cidades mudam, os costumes mudam, as casas mudam, os hábitos mudam. Entretanto, uma coisa não pode se perder: o valor da família.

Filhos, netos e bisnetos: guardem isso no coração. Não deixem que a correria da vida roube a beleza da presença. Telefonem. Visitem. Sentem-se à mesa. Contem histórias. Ouçam as histórias antigas. Respeitem os mais velhos. Celebrem enquanto há tempo.

Porque Salmo 90 nos lembra que os dias passam. Portanto, a sabedoria não está apenas em contar quantos anos alguém viveu. A sabedoria está em perceber o que fazemos com o tempo que Deus nos dá.

Hoje, a presença de Dona Ilda entre nós é um convite: ame a sua família agora. Não deixe para depois. Não espere a saudade ensinar aquilo que a presença já poderia ter ensinado.

3. A terceira qualidade: a fé que sustenta nas perdas e transforma dor em legado

Em abril de 2015, Sadi, o grande amor da vida de Dona Ilda, foi morar no céu. Essa é uma frase bonita, mas nós sabemos que por trás dela existe dor. A ausência de alguém amado deixa um silêncio difícil de explicar. Depois de uma longa caminhada juntos, a partida de um companheiro não é apenas a perda de uma pessoa; é a mudança de uma rotina, de uma memória diária, de uma presença.

Mas aqui também vemos uma marca importante na vida de Dona Ilda: ela continuou. Com saudade, mas continuou. Com marcas, mas continuou. Com lembranças, mas continuou. E isso revela fé, força interior e graça de Deus.

A Bíblia não nega a dor. Pelo contrário, a Bíblia reconhece as lágrimas. O próprio Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro. No entanto, a Palavra também nos mostra que a dor não precisa ser o ponto final da nossa história.

O apóstolo Paulo escreveu em 2 Coríntios 4.16:

“Por isso não desfalecemos; ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.”

Que palavra poderosa para uma celebração de 90 anos! O corpo sente o tempo. As forças mudam. As marcas aparecem no rosto. As lembranças se acumulam. Mas existe uma renovação interior que só Deus pode dar.

E o Salmo 92.14 declara:

“Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes.”

Isso significa que, para Deus, idade avançada não é sinônimo de inutilidade. Pelo contrário, a velhice pode ser estação de testemunho, de conselho, de oração, de memória e de bênção sobre as novas gerações.

Na Bíblia, vemos pessoas que chegaram à velhice carregando propósito. Ana, a profetisa, já idosa, permanecia servindo ao Senhor em oração e adoração. Simeão, também avançado em idade, esperou a promessa de Deus e teve a alegria de ver o menino Jesus. Caleb, aos 85 anos, ainda dizia: “Dá-me este monte.” Ele não perdeu a coragem, porque sabia que Deus ainda tinha promessas para ele.

Portanto, Dona Ilda nos lembra que envelhecer com fé é uma bênção. E mais do que isso: envelhecer cercada de filhos, netos, bisnetos e amigos é uma prova da bondade de Deus.

Hoje, ao olhar para ela, nós vemos as marcas de uma vida vivida com garra, amor e fé. Vemos uma mulher criada na roça, formada no trabalho, amadurecida nas alegrias e nas dores, sustentada pela graça de Deus. Vemos uma mulher que atravessou nove décadas e chegou até aqui como testemunho vivo de que Deus é fiel.

E quando a família se reúne ao redor de uma mesa, quando o churrasco está sendo preparado, quando as risadas aparecem, quando os filhos e netos se encontram, quando os bisnetos correm e trazem alegria, Dona Ilda pode sorrir, porque sabe que o amor que ela plantou cresceu.

Contar os dias é viver com sabedoria

Voltemos ao texto principal:
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”

Há três coisas que esse texto nos ensina hoje.

Primeiro, ele nos ensina a AGRADECER. Porque cada dia é dom de Deus. Ninguém chega aos 90 anos por acaso. A vida é presente. A longevidade é graça. A família é bênção.

Segundo, ele nos ensina a VALORIZAR. Valorizar as pessoas enquanto elas estão conosco. Valorizar a história dos mais velhos. Valorizar quem trabalhou antes de nós, quem lutou antes de nós, quem abriu caminhos antes de nós.

Terceiro, ele nos ensina a deixar um LEGADO. Porque uma vida sábia não é aquela que apenas passa pelo mundo, mas aquela que planta algo que permanece depois dela.

Dona Ilda plantou trabalho. Plantou família. Plantou serviço. Plantou memórias. Plantou amor. Plantou fé. E hoje os frutos estão aqui.

Seus filhos são frutos. Seus netos são frutos. Seus bisnetos são frutos. As pessoas que ela serviu também são frutos. As histórias que ela ajudou a construir são frutos. As mesas que ela preparou são frutos. As lembranças que ela deixou no coração da família são frutos.

Por isso, esta cerimônia não é apenas uma homenagem. É também uma convocação espiritual para toda a descendência da Dona Ilda: honrem essa história. Preservem esse legado. Continuem reunindo a família. Continuem cuidando uns dos outros. Continuem trabalhando com dignidade. Continuem andando com Deus.

Porque a maior homenagem que uma família pode prestar a uma matriarca não é apenas falar bem dela em um dia especial. A maior homenagem é carregar adiante os valores que ela viveu.

Palavra final à Dona Ilda

Dona Ilda, hoje nós celebramos a sua vida. Celebramos os seus 90 anos. Celebramos a menina de Passa Sete. Celebramos a jovem trabalhadora de Candelária. Celebramos a esposa de Sadi. Celebramos a mãe de Vera Helena, Carlos Roberto e Maria Inês. Celebramos a avó, a bisavó, a cozinheira, a mulher de garra, a mulher de família, a mulher que serviu com as mãos e amou com o coração.

A senhora é uma bênção. A sua vida tem valor. A sua história tem peso. A sua presença alegra esta família. E hoje nós declaramos que o Senhor foi bom, o Senhor sustentou, o Senhor guardou e o Senhor trouxe a senhora até aqui.

Que esta data seja mais do que uma comemoração. Que seja um altar de gratidão. Que seja uma memória sagrada. Que seja um marco para toda a família.

E que seus filhos, netos e bisnetos possam olhar para a senhora e aprender que uma vida bem vivida é feita de fé, trabalho, amor, mesa, família e dependência de Deus.

Encaminhamento para a oração

Agora, eu quero convidar todos a unirem o coração em oração.

Vamos agradecer a Deus pela vida da Dona Ilda. Vamos pedir que o Senhor renove suas forças, visite sua saúde, alegre sua alma e derrame sobre ela paz, consolo e graça.

Também vamos abençoar seus três filhos, seus netos e seus bisnetos. Que a bênção que repousou sobre esta história continue alcançando as próximas gerações.

Porque o Deus que foi fiel até aqui continuará sendo fiel. E a Palavra nos garante que a misericórdia do Senhor se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.

Oremos.


Ministração realizada pelo pastor Elton Melo, no restaurante do Xampu, em Santa Cruz do Sul, RS, por ocasião da celebração dos 90 anos da dona ILDA MORAES.

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